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Mostrando postagens de Maio, 2012

Determinismos

Pode ser só um problema meu, mas estou meio saturado da discussão geografia X instituições. Eu adorava esse debate, mas agora acho que lembra a briga nature X nurture em escala ampliada. Estou tão de saco cheio que nem encarei a resenha do Jared Diamond sobre Acemoglu e Robinson.
Ando com mais vontade de reler o sensacional texto do Douglass North de 1959  do que ler os últimos livros sobre o assunto.
Na verdade, o que eu tenho que fazer não é ler nada disso. Tenho é que correr com o meu paper para a ENABER.

Gintis e Sandel

Quando proteger a indústria?

- Quando a indústria for nascente, porque ela é nascente.
- Quando a indústria for madura. Pois é preciso preservar os empregos;
- Quando a indústria for decadente. E deixar que se perca tamanho know-how acumulado no setor?
- Quando os termos de troca forem desfavoráreis. Afinal, só com a indústria fugiremos da tendência secular da deterioração dos termos de troca;
- Quando os termos de troca forem favoráveis. Ora,  é preciso combater a doença holandesa e, além disso, a maré pode virar;
- Se o desemprego estiver alto, devido ao efeito multiplicador da atividade manufatureira;
- Se o desemprego estiver baixo, para reduzir os custos e a pressão sobre a inflação;
- Se der praia no final de semana;
- Se não der praia.

"Capitalism with Chinese Characteristics" Yasheng Huang

O livro desfaz tudo aquilo que eu achava que sabia sobre a China. Ele é resultado de uma pesquisa profundo nos dados e documentos. Ao que parece, os ocidentais entenderam tudo errado. Se o autor estiver certo:

 O capitalismo chinês nasce no campo, nos anos 80, de baixo para cima, nas províncias mais pobres. Tudo indica que esse crescimento foi o maior responsável pelos avanços sociais dos mais pobres; Nos anos 90, há um retrocesso deliberado na liberalização. O privilégio passa a ser para as empresas estatais e para o capital estrangeiro e o desenvolvimento nas áreas rurais é reprimido. O resultado é o aumento na desigualdade e piora - por vezes absoluta! - nos indicadores sociais; Boa parte das TVE (Town and Village Enterprises) eram - ao contrário do Stiglitz e outros acreditaram - empresas privadas; Shanghai é o exemplo de tudo que há de errado no capitalismo chinês. Pouco empreendedora, intervencionista e desigual. Ou seja, o exato oposto que muitos visitantes (inclusive eu) obser…

Será que o Delfim estava certo?

Essa vai para os PNADeiros. O Bolsa Família custa barato: uns 0,5% do PIB e, portanto, uns 1,5% da carga tributária (Tirei o número da mémória. Não tenho certeza se é isso mesmo.). Em 1976, quanto custaria fazer um programa idêntico? Não só o PIB e a carga tributária eram bem menores, como o percentual de pessoas abaixo da linha de pobreza, bem maior.
Se alguma boa alma usar o tempo de procrastinação para fazer a conta, eu agradeço.

Anúncios diversos

O Programa de Movilidad de Professores e Investigadores de Brasil-España 2012-2013 da Fundação Carolina está no ar. Foi com essa bolsa que eu fiquei três meses na UC3M no começo do ano. A Fundação é bem pouco burocrática e (quase) tudo é feito on-line;O Bernardo Furtado - coordenador da área de estudos urbanos do IPEA - precisa de cinco doutores para trabalhar em um projeto sobre as regiões metropolitanas no Brasil. Além das vantagens da bol$a, eu acrescento: o pesquisador não precisa morar em Brasília; e a equipe da área urbana é super boa;O prazo da ANPEC 2012 (Porto de Galinhas!) é 20 de Julho.

A defesa do doutorado do Rodrigo Ávila

Acabei de voltar da defesa de tese de doutorado "Ensaios de economia regional: tendências estocásticas e ciclos regionais conjuntos no Brasil - uma análise empírica¨ do Rodrigo Peres de Ávila  na UFRGS. O trabalho é super bacana: modelos estruturais, MS-VAR e tudo mais.
Ademais, foi ótimo rever o Rodrigo - aluno da heróica primeira turma de graduação Economia da UFPel e ex-orientando-, o Sabino -orientador-, o Maurício e o Professor Pedro Bandeira- o mestre de todos nós. Pena que tive que voltar para o BSB logo depois.

Vida em outros planetas e a política industrial

Eu me lembro da equação de Drake quando penso nas chances da política de picking winners dar certo no Brasil. Tal equação fornece o número de civilizações de ETs que podem entrar em contato com a gente. (O Carl Sagan a apresenta aqui.).  A lógica é começar com o número de estrelas do Universo e então multiplicar pela fração que tem planetas, em seguida pela parcela das que tem planetas em que a vida pode surgir e assim por diante. O resultado depende de uns bons chutes, mas é um número muito pequeno.
Eu reconheço que existe a possibilidade teórica da política industrial de picking winners dar certo. Contudo, temos que multiplicar o número de empresas que - em tese - poderiam gerar benefícios para o país pelos seguintes termos:
Probabilidade de o setor público ter identificado corretamente o potencial vencedor;Probabilidade de a empresa ser -de fato- a escolhida. (Muita coisa estranha pode acontecer entre o passo 1 e 2);Probabilidade de os incentivos serem bem desenhados;Probabilidade …

"Doença Soviética" X "Doença Holandesa"

Por que eu não pensei no termo antes?!?!?
(Esses cartazes soviéticos são fantásticos!)

Diversos links tristes

- O filme do Jerry Lewis sobre o Holocausto;
- Os norte-coreanos são uns 4 cm mais baixos que os sul coreanos.  Um pouco mais do horror norte-coreano. Aproveite e leia o clássico do Christopher Hitchens.
- Arquitetura brutalista.
Arte em uma favela paulista.
- Agora, para cortar os pulsos mesmo basta ouvir isso:

De um jeito estranho é até mais deprimente que a versão  original.

Do Chinese Factory Workers Dream of iPads?

Em homenagem ao dia do trabalho

Bonus tracks: a letra e o clip originais, uma versão em ukulele; e mais outra.

A importância das galinhas

Aprenda R

Tive sorte de ser apresentado ao R, faz uns sete anos, na aula do Serge Rey na SDSU. Depois de muitos anos emburrecendo com o E-views, foi difícil reaprender a escrever código. (Quando moleque, eu passava os domingos de sol no RJ digitando e alterando os programas que vinham nas revistas de informática para o TK-85 . Não jogava bola, nem ia à praia. Não quero falar sobre isso).
Voltando ao assunto, vejam o sucesso do R frente aos outros softwares estatísticos e econométricos. Você, jovem pesquisador, aprenda a usar o R (e instale o R studio para facilitar tudo)!