31/05/2012

Descubra quem é o presidente do IPEA

Aqui. Tem formação interdisciplinar, experiência administrativa e ocupa uma função socialmente relevante.

30/05/2012

Determinismos

Pode ser só um problema meu, mas estou meio saturado da discussão geografia X instituições. Eu adorava esse debate, mas agora acho que lembra a briga nature X nurture em escala ampliada. Estou tão de saco cheio que nem encarei a resenha do Jared Diamond sobre Acemoglu e Robinson.
Ando com mais vontade de reler o sensacional texto do Douglass North de 1959  do que ler os últimos livros sobre o assunto.
Na verdade, o que eu tenho que fazer não é ler nada disso. Tenho é que correr com o meu paper para a ENABER.

27/05/2012

Diversos

25/05/2012

Quando proteger a indústria?

- Quando a indústria for nascente, porque ela é nascente.
- Quando a indústria for madura. Pois é preciso preservar os empregos;
- Quando a indústria for decadente. E deixar que se perca tamanho know-how acumulado no setor?
- Quando os termos de troca forem desfavoráreis. Afinal, só com a indústria fugiremos da tendência secular da deterioração dos termos de troca;
- Quando os termos de troca forem favoráveis. Ora,  é preciso combater a doença holandesa e, além disso, a maré pode virar;
- Se o desemprego estiver alto, devido ao efeito multiplicador da atividade manufatureira;
- Se o desemprego estiver baixo, para reduzir os custos e a pressão sobre a inflação;
- Se der praia no final de semana;
- Se não der praia.

20/05/2012

O grande Fishlow e o futuro do Brasil

Ele está otimista! Um texto bem interessante; um contraponto à nova maré pessimismo (via @drunkeynesian)
Na verdade, no longo prazo, o melhor aluno do Gerschenkron diz que o Brasil tem futuro apenas se for feita a reforma da previdência  e se o petróleo não for gasto em besteira. Eu pergunto: quais são as chances realistas disso acontecer?

"Capitalism with Chinese Characteristics" Yasheng Huang

O livro desfaz tudo aquilo que eu achava que sabia sobre a China. Ele é resultado de uma pesquisa profundo nos dados e documentos. Ao que parece, os ocidentais entenderam tudo errado. Se o autor estiver certo:

  •  O capitalismo chinês nasce no campo, nos anos 80, de baixo para cima, nas províncias mais pobres. Tudo indica que esse crescimento foi o maior responsável pelos avanços sociais dos mais pobres; 
  • Nos anos 90, há um retrocesso deliberado na liberalização. O privilégio passa a ser para as empresas estatais e para o capital estrangeiro e o desenvolvimento nas áreas rurais é reprimido. O resultado é o aumento na desigualdade e piora - por vezes absoluta! - nos indicadores sociais;
  •  Boa parte das TVE (Town and Village Enterprises) eram - ao contrário do Stiglitz e outros acreditaram - empresas privadas; 
  • Shanghai é o exemplo de tudo que há de errado no capitalismo chinês. Pouco empreendedora, intervencionista e desigual. Ou seja, o exato oposto que muitos visitantes (inclusive eu) observaram. 
Algumas críticas: 
  • O estilo do livro é bem repetitivo. O autor repete os mesmos pontos uma centena de vezes; 
  • Claro que eu não tenho conhecimento sobre a China para criticar a qualidade dos dados e das análises. Fico só imaginando se ele não está contando uma história que é frequente nos países em rápido desenvolvimento. A partir de certo ponto, a política pública passa a favorecer os setores urbanos mais próximos do Estado e das grandes empresas em detrimento dos demais. 
O autor destrói a visão de que o estado chinês foi exemplar na condução da transição para o capitalismo. O que deu certo aconteceu apesar da atuação do Estado. Portanto, as supostas lições chinesas são mais do que questionáveis.  Enfim, mesmo que o livro tenha lá seus exageros, ele é obrigatório para qualquer um interessado sobre a China.


18/05/2012

Será que o Delfim estava certo?

Essa vai para os PNADeiros. O Bolsa Família custa barato: uns 0,5% do PIB e, portanto, uns 1,5% da carga tributária (Tirei o número da mémória. Não tenho certeza se é isso mesmo.). Em 1976, quanto custaria fazer um programa idêntico? Não só o PIB e a carga tributária eram bem menores, como o percentual de pessoas abaixo da linha de pobreza, bem maior.
Se alguma boa alma usar o tempo de procrastinação para fazer a conta, eu agradeço.

17/05/2012

Anúncios diversos

Fantastic time lapse map of Europe, 1000 - 2005 A.D.

Exatamente o que diz a embalagem! (Via Pedro Herculano)
E você achava que a África era conflituosa, hem?

15/05/2012

Diversos

A defesa do doutorado do Rodrigo Ávila

Acabei de voltar da defesa de tese de doutorado "Ensaios de economia regional: tendências estocásticas e ciclos regionais conjuntos no Brasil - uma análise empírica¨ do Rodrigo Peres de Ávila  na UFRGS. O trabalho é super bacana: modelos estruturais, MS-VAR e tudo mais.
Ademais, foi ótimo rever o Rodrigo - aluno da heróica primeira turma de graduação Economia da UFPel e ex-orientando-, o Sabino -orientador-, o Maurício e o Professor Pedro Bandeira- o mestre de todos nós. Pena que tive que voltar para o BSB logo depois.

09/05/2012

Em tempos de JBS-Delta...

Eu já escrevi aqui, mas reforço a recomendação: leiam Capitalismo de Laços do Sérgio Lazzarini.
Atualização! o Gustavo Cortes me avisa que o próprio Lazzarini escreveu sobre o caso Delta. Valeu!

08/05/2012

Concurso para Professor de Economia Regional e Urbana na UFPR

Aqui. (via ABER)

Vida em outros planetas e a política industrial

Eu me lembro da equação de Drake quando penso nas chances da política de picking winners dar certo no Brasil. Tal equação fornece o número de civilizações de ETs que podem entrar em contato com a gente. (O Carl Sagan a apresenta aqui.).  A lógica é começar com o número de estrelas do Universo e então multiplicar pela fração que tem planetas, em seguida pela parcela das que tem planetas em que a vida pode surgir e assim por diante. O resultado depende de uns bons chutes, mas é um número muito pequeno.
Eu reconheço que existe a possibilidade teórica da política industrial de picking winners dar certo. Contudo, temos que multiplicar o número de empresas que - em tese - poderiam gerar benefícios para o país pelos seguintes termos:
  1. Probabilidade de o setor público ter identificado corretamente o potencial vencedor;
  2. Probabilidade de a empresa ser -de fato- a escolhida. (Muita coisa estranha pode acontecer entre o passo 1 e 2);
  3. Probabilidade de os incentivos serem bem desenhados;
  4. Probabilidade de os incentivos serem bem implementados;
  5. Tudo mais tando certo, há que se considerar a probabilidade de nenhum lobby alterar os passos 1-4 durante a execução da política industrial. 
O número de casos de sucesso será o resultado da multiplicação dessas probabilidades. Qualquer estimativa razoável resultará em um valor muito pequeno.
A possível compra da Delta pela JBS só me deixa ainda mais cético. Pelo visto, a equação de Drake Industrial deve resultar em um valor bem perto de zero.

03/05/2012

Eventos


"Doença Soviética" X "Doença Holandesa"

Por que eu não pensei no termo antes?!?!?
(Esses cartazes soviéticos são fantásticos!) 

02/05/2012

Diversos links tristes


- O filme do Jerry Lewis sobre o Holocausto;
- Os norte-coreanos são uns 4 cm mais baixos que os sul coreanos.  Um pouco mais do horror norte-coreano. Aproveite e leia o clássico do Christopher Hitchens.
- Arquitetura brutalista.
Arte em uma favela paulista.
- Agora, para cortar os pulsos mesmo basta ouvir isso:

De um jeito estranho é até mais deprimente que a versão  original.

Do Chinese Factory Workers Dream of iPads?

Ótimo título, ótimo texto:
We must be peculiarly self-obsessed to imagine we have the power to drive tens of millions of people on the other side of the world to migrate and suffer in terrible ways. China produces goods for markets all over the world, including for its own consumers, thanks to low costs, a large and educated workforce, and a flexible manufacturing system that responds rapidly to market demands. To imagine that we have willed this universe into being is simply solipsistic. It is also demeaning to the workers. We are not at the center of this story—we are minor players in theirs. By focussing on ourselves and our gadgets, we have reduced the human beings at the other end to invisibility, as tiny and interchangeable as the parts of a mobile phone. Chinese workers are not forced into factories because of our insatiable desire for iPods. They choose to leave their farming villages for the city in order to earn money, to learn new skills, to improve themselves, and to see the world. And they are forever changed by the experience. In the latest debate over factory conditions, what’s been missing are the voices of the workers.
A revolução industrial chinesa gerou o maior ganho de bem-estar da história humana. O meu espírito do contra lembra, contudo, que só porque o trabalhador diz que está tudo bem, não quer dizer que está, de fato, tudo bem.
Eu tenho uma métrica para avaliar os países. Quanto mais parecido com  uma Holanda com praia o país for, melhor. Ou seja, o negócio é democracia liberal + capitalismo + welfare + tolerância + sol.
Mesmo que a tal "voz dos chineses" (ou brasileiros ou qualquer outro povo) digam que está tudo bem, eu - autoritário como sempre - digo que não está. E fico um pouco incomodado (Não muito. Apenas o suficiente para satisfazer a imagem falsa que tenho de mim mesmo) com o fato do sujeito que montou o meu iPad viver sem liberdades civis e proteção social.

01/05/2012

Em homenagem ao dia do trabalho


Bonus tracks: a letra e o clip originais, uma versão em ukulele; e mais outra.

A importância das galinhas

Aprenda R

Tive sorte de ser apresentado ao R, faz uns sete anos, na aula do Serge Rey na SDSU. Depois de muitos anos emburrecendo com o E-views, foi difícil reaprender a escrever código. (Quando moleque, eu passava os domingos de sol no RJ digitando e alterando os programas que vinham nas revistas de informática para o TK-85 . Não jogava bola, nem ia à praia. Não quero falar sobre isso).
Voltando ao assunto, vejam o sucesso do R frente aos outros softwares estatísticos e econométricos. Você, jovem pesquisador, aprenda a usar o R (e instale o R studio para facilitar tudo)!