Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2013

Trem-bala? Não, obrigado.

Marcos Mendes e Alexandre Guimarães nos alertam: ainda dá tempo de cancelar o projeto do Trem-bala RJ-SP e economizar o equivalente a 50 Maracanãs.
"O projeto [do trem-bala] não é prioritário porque será um meio de transporte de luxo, com passagens caras, destinado a transportar pessoas de renda alta entre Rio e São Paulo. O nó urbano em que vivemos evidentemente indica que o prioritário é fazer São Paulo, Rio e demais cidades saírem do engarrafamento permanente que existe dentro de cada cidade, em vez de investir em transporte rápido, acessível a poucos, entre as cidades."

Cide municipal é uma má ideia

Um tributo local deve ter uma base tributária imóvel.  Se não tiver, é fácil para o contribuinte escapar. É por essa razão que o IPTU é um imposto local e o Imposto de Renda, não. Carros - surpresa! - são móveis. Uma Cide municipal faria com que os municípios das periferias metropolitana oferecessem isenções. No final das contas, a nova contribuição geraria ineficiência e baixa arrecadação;Além disso, andar de carro não é o problema da mobilidade de mobilidade urbana. O problema é andar de carro em zonas congestionadas. A Cide incidiria igualmente sobre quem usa o carro na Av. Paulista às 18:30 e sobre quem dirige de madrugada em uma rua deserta. (Ter carro também não é problema. Inglaterra e Japão têm o dobro no número de veículos per capita do que o Brasil);Pedágio urbano, por favor.

A quem interessar possa,

aí vai minha posição ideológica: libertário (levemente) esquerdista.

Economic Left/Right: -1.62
Social Libertarian/Authoritarian: -5.38
Isso significa aproximadamente nada. Teste aqui. (via Drunkeynesian)

O verbete "Apresentações em Congressos e Seminários" do "Manual de sobrevivência na universidade"

Aí vai mais um dos 58 verbetes do livro (Amazon.com.br e Amazon.com):
Apresentações em congressos e seminários●Conheça o seu público. Cada grupo tem a sua cultura. Na Administração de Empresas, o objetivo é entreter o público. Já se você for um filósofo, sua meta é entediar o público, fazendo com que uns dois ou três membros da plateia pensem seriamente em suicídio. Sério, uma das funções das apresentações é mostrar que você entendeu as regras do grupo acadêmico e está pronto para ser aceito. Sugiro que você assista um bom número de apresentações dos membros mais experientes da tribo antes de ser o protagonista.
●Ensaie, ensaie, ensaie. Até escola de samba ensaia, por que você não iria ensaiar? É ensaio mesmo, não vale ensaiar na sua cabeça. Tente reproduzir as condições reais da apresentação. Nas primeiras vezes, você vai "sair do papel" para consertar uma coisa ou outra da apresentação. Tudo bem. O importante é fazer ao menos dois ensaios integrais, sem interrupção. E sempr…

Verdades desagradáveis sobre o transporte público

Reduzir a tarifa só mediante a desoneração do transporte público é meia-sola. Se você não cobra de uns, o resto da população paga. Parece indolor, mas não é. Com a reclamação de municípios e estados, a conta - como sempre - acabará no governo federal (ou seja, todos). Os políticos apostam na ilusão fiscal para que a medida seja aplaudida. Como ninguém sabe direito o quanto paga, fica mais fácil engolir; Se ficar só na desoneração, o trânsito e o transporte público continuarão tão ruins quanto eram. Para mudar mesmo é necessário desagradar: a) os donos de empresas; b) os motoristas de carros e motos;O transporte individual nas metrópoles deve ser taxado. O professor de Introdução à Economia nos ensinou: cada veículo na rua impõe um custo aos demais. Essa fração de segundo a mais de congestionamento atinge cada um dos outros na via e isso não é contabilizado pelo motorista. Com um pedágio urbano isso pode ser corrigido. (O uso de tarifas para combater congestionamento de estradas já est…

Por que agora?

Em Austerity and Anarchy: Budget Cuts and Social Unrest in Europe (1919-2009) Ponticelli e Voth mostram que medidas de austeridade causaram manifestações. Já no Brasil, o desemprego está em baixa, os salários reais em alta, a seleção está ganhando e o governo não sinalizou qualquer redução de gasto. Por que tantas manifestações agora? O @NPTO sugeriu que os manifestantes poderiam estar antecipando a austeridade futura. Sei não, isso continua um enigma para mim.
Eu só consigo antecipar duas coisas: 1) agora é que o governo não vai mesmo adotar medidas recessivas; 2) os aumentos de preços das passagens voltarão a ser em janeiro, quando todos estão de férias. Ouvir os pedidos do Mantega acabou gerando consequências indesejadas.
PS. Ai... ai... Passe Livre é uma má ideia, mas conseguiram arrumar uma ainda pior: "A Desestatização do Transporte Coletivo".

Pedágio urbano - um argumento de escolha pública

Os argumentos econômicos a favor de pedágio urbano são conhecidos: é o jeito de fazer com que o motorista pague a externalidade negativa de ocupar uma via congestionada. Fazendo o motorista sentir no bolso todos os custos da sua ação, ele não sobre-utilizaria o recurso. Acertar direitinho o preço eficiente seria só uma questão tecnológica e de elasticidades. (Segundo um estudo que parece bacana, um pedágio de R$5 reduziria em 28% o uso de carros em SP. Não encontrei o trabalho completo na Internet.)
Eu chuto que há um efeito adicional desejável do pedágio urbano. Se ele fizer com que mais eleitores passem a andar de transporte público, o setor será mais bem administrado. É do Hirschman a frase: "Políticas apenas para pobres são pobres", né?
Se a classe média também estiver na parada (ouch...), tudo melhora.

Zizek na Google

Em 07:50, o meu malucão de estimação faz a reflexão sobre os banheiros e ideologia.

Complexidade usada para o mal (ou para o bem? Sei lá)

Vídeo (Obrigado, Urban Demographics) Usar  tweets, SMS e ligações de celular para prever a localização de manifestações pode gerar desde a reação "Uau! a tecnologia nos salvará!" até  "Mais uma conquista do establishment tecno-militar contra o cidadão!".
Na semana do escândalo do PRISM e dos conflitos de SP é difícil não pender levemente para a última.
A homepage da Dra. Fry está aqui.

A estranha inversão nos programas de transferência de renda

Houve um tempo em que dar dinheiro diretamente para os pobres era coisa da direita, Milton Friedman, Banco Mundial e gente de que cheirava a enxofre. O discurso da esquerda era que os pobres queriam mesmo era revolução, reformas de base e mudar-tudo-que-está-aí. A estrutura produtiva (ou fundiária) era a fonte de todos os males e qualquer tentativa de alívio era uma farsa.
Bem, aí vem o bolsa família e todo mundo muda de lado. A esquerda diz que amava programas de transferência de renda desde criancinha e a direita  passa a odiá-los. São agora mais um passo no caminho da servidão e mero populismo.*
Tem um conto do Pirandello** em que dois caras passam um dia discutindo e vão para sua casas pensando no assunto. No dia seguinte, voltam à mesma discussão, mas com as posições invertidas.

* Sim... eu fiz um monte de generalizações e existem exceções de ambos os lados.
** Se o conto não for do Pirandello, deveria ter sido.
*** Nos comentários, eu reproduzo a opinião do Mercadante sobre ren…

Robert Fogel (1926-2013)

Os estudos dele sobre Economia da Escravidão são magistrais, os sobre o impacto da ferrovia no EUA criaram uma literatura, e o Escape from Hunger me apresentou à história antropométrica. (Não li o 4th Great Awakening, seu derradeiro livro (eu acho). Está na pilha)
No video abaixo ele fala da sua biografia e o papel da história econômica. Para quem curte a metodologia da História, eu recomendo esse outro livro em que ele debate com o Geoffrey Elton, um gigante da História não-cliométrica.

"O discreto perfil acadêmico dos economistas" Prof. Meneghini

Síntese na Folha. Texto completo (em inglês).
"O prestígio internacional de economistas junto à comunidade leiga é significativamente superior ao dos cientistas e acadêmicos de outras áreas do conhecimento. Os economistas brasileiros não são uma exceção. Um ponto que chama a atenção é que os economistas de maior prestígio internacional, aqueles que aparecem frequentemente na mídia leiga, são também altamente reputados no ambiente acadêmico. O prestígio junto aos leigos pode ser medido pela presença na mídia e por consultas à opinião pública, enquanto que o prestígio acadêmico pode ser avaliado através de bases de dados de indicadores de publicações e citações de artigos acadêmicos. Um destes indicadores que se tornou frequentemente utilizado é o índice-h, que mede simultaneamente publicações e citações. Um achado relevante foi que, para economistas internacionais, tanto o prestígio entre os leigos como o entre os acadêmicos são elevados e, aparentemente, mutuamente dependentes. E…

Atualização "Manual de Sobrevivência na Universidade"

Agora o livro está em 1o. lugar em Ciência e Tecnologia, 2o. em Educação e 19 lugar geral nas vendas da Amazon.com.br.  Obrigado a todos que compraram!
Alguns pontos:
Quem não quisermigrar para a Amazon.br, pode encontrar o livro na Amazon.com americana :Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado (Portuguese Edition)Tenho recebido mensagem de pessoas que não têm o e-reader Kindle. Mas basta baixar o Kindle para Windows, Mac, Android , Iphone, Ipad... A Amazon tem toneladas de livros gratuitos e vale muito a pena instalar;Não tenho planos para editar em papel. As pobres das árvores serão poupadas;Havia uns quatro errinhos na versão gratuita. O Shikida me alertou e eu já corrigi;Aos leitores, por favor, cliquem  lá em "Escreva uma avaliação de cliente" para dar a opinião. O jeito mais fácil para quem está no aplicativo kindle é ir para última página do livro. Automaticamente, abre-se uma página de avaliação. Novamente, muito obrigado!

Toxoplasmose, cultura e crescimento

O artigo ganha o prêmio de variável instrumental mais estranha da paróquia: a prevalência de toxoplasmose.
MASELAND, R. Parasitical cultures? The cultural origins of institutions and development. Journal of Economic Growth, v. 18, n. 2, p. 109–136, 1 jun. 2013. Um trecho: "Effects of latent infection differ between men and women. For men, it reduces intelligence, novelty-seeking, and rule-conscious, dutiful, conscientious, and moralistic behavior. Women, by contrast, tend to become more intelligent and conscientious, as well as more outgoing and affectionate. For both men and women, infection may result in increased insecurity, guilt, worrying, and self-doubting (Flegr et al 2000). On the societal level, these effects imply that high prevalence is associated with more differentiated gender roles, increased neuroticism, and more uncertainty avoidance (Lafferty 2006)."Eu coloco o estudo na pilha: gosto, mas não acredito. Uma versão aberta, anterior, está aqui. (Agradeço ao Shik…

O verbete "Powerpoint" do "Manual de sobrevivência na universidade"

Aí vai uma amostra do livro. As três últimas dicas são as menos conhecidas.
PowerPoint  ●Não use todos os recursos dos PowerPoint. Eles foram criados apenas para que os embromadores ocultassem com palhaçadas o vazio do que têm a dizer. Nunca use som ou os efeitos de animação divertidos.
●O PowerPoint induz que a sua apresentação seja feita em itens e subitens. Ou seja, você tem o item 2, por exemplo, "Fonte dos Dados", e, dentro dele, o item 2.1 – "A Aplicação do Questionário". Não vá além de dois níveis. Se você começar a ter, na sua apresentação, coisas como item 2.8.3.2, tenha certeza que o seu público olhará incessantemente para o relógio. O ideal mesmo seria fugir da estrutura de itens e contar uma história. Uma estrutura linear de apresentação prende mais a atenção e é mais facilmente lembrada. Mas uma estrutura em itens também não é fim do mundo. O importante é ter uma estrutura.
●Você, que não é um gênio do design, deve copiar as mulheres espertas e optar pe…

"Bones, Bombs, and Break Points: The Geography of Economic Activity." Davis e Weinstein

Sério, cada vez que eu leio, mais eu gosto desse clássico e ambicioso artigo. A idéia, o título e até a historinha do bombardeio ao Japão são ótimas:
 Davis, Donald R., and David E. Weinstein. "Bones, Bombs, and Break Points: The Geography of Economic Activity." The American Economic Review 92.5 (2002): 1269-1289. We consider the distribution of economic activity within a country in light of three leading theories—increasing returns, random growth, and locational fundamentals.To do so, we examine the distribution of regional population in Japan from the Stone Age to the modern era. We also consider the Allied bombing of Japanese cities in WWII as a shock to relative city sizes. Our results support a hybrid theory in which locational fundamentals establish the spatial pattern of relative regional densities, but increasing returns help to determine the degree of spatial differentiation. Long-run city size is robust even to large temporary shocks.
Falando em bombardeio. Aprese…

State Capacity and Bureaucratic Autonomy Within National States: Mapping the Archipelago of Excellence in Brazil

O estado corresponde a uns trinta e tantos % da economia brasileira e é, relativamente, pouco estudado. Aí vai um belo trabalho que começa a abrir essa caixa preta. (Dica do consultor do Senado Alexandre Rocha)
Os autores cruzaram os dados dos servidores com os de filiação partidária. Muito bacana.

Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado

Desde que comecei a dar aulas, tomei notas com dicas sinceras sobre a vida acadêmica para repassar aos orientandos. Por compulsão datilográfica, continuei escrevendo só para mim mesmo. Porém, motivado pela minha mulher, revi, aprofundei, expandi, organizei e atualizei as notas até que elas se transformassem em um livro.
O Manual de Sobrevivência na Universidade é um guia para graduandos, pós-graduandos e novos professores. Ele tem o equivalente a 120 páginas, 58 verbetes, e está por apenas R$8,99 na Amazon.br em formato Kindle. (Clique aqui se a sua conta é na Amazon.com). Se gostarem, divulguem para alunos, colegas, amigos e inimigos.


Atualização: tenho recebido mensagem de pessoas que não tem o e-reader Kindle. Mas basta baixar o Kindle para Windows, Mac, Android , Iphone, Ipad... A Amazon tem toneladas de livros gratuitos e vale muito a pena instalar.

ATUALIZAÇÃO EM 15 DE AGOSTO: Tive que tirar o livro da Amazon. É por uma muito boa razão. Aguardem que eu conto a novidade em breve…

Um doce para quem acertar quem escreveu

"O custo Brasil sempre foi um problema para a economia brasileira, mas tornou-se uma questão de sobrevivência, desde que o país ficou exposto à pressão da competição internacional. Nesse novo contexto de uma economia mais globalizada, passaram a pesar consideravelmente na planilha de custos do empresariado, as despesas de infra-estrutura, a carga fiscal e as dificuldades que se interpõe no caminho da produção brasileira." A resposta está nos comentários.

Viridescence, Stock World por Yang Yongliang

Mais aqui.

"The productivity advantages of large cities: Distinguishing agglomeration from firm selection."

Combes, Pierre‐Philippe, et al. "The productivity advantages of large cities: Distinguishing agglomeration from firm selection." Econometrica 80.6 (2012): 2543-2594. Firms are more productive, on average, in larger cities. Two main explanations have been offered: firm selection (larger cities toughen competition, allowing only the most productive to survive) and agglomeration economies (larger cities promote interactions that increase productivity), possibly reinforced by localized natural advantage. To distinguish between them, we nest a generalized version of a tractable firm selection model and a standard model of agglomeration. Stronger selection in larger cities lefttruncates the productivity distribution, whereas stronger agglomeration right-shifts and dilates the distribution. Using this prediction, French establishment-level data, and a new quantile approach, we show that firm selection cannot explain spatial productivity differences. This result holds across sectors, ci…