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Mostrando postagens de Novembro, 2016

Teoria econômica do fazer m*rda

Por que um manifestante faz algo que evidentemente é contra seus objetivos declarados? Ontem opositores da PEC 55 atearam fogo em carros civis, destruíram pontos de ônibus, placas de sinalização, picharam o museu e tudo mais. Isso só contribui para afastar a opinião pública da sua causa.

Hipótese: o vândalo age para elevar seu status dentro do grupo. Como o status é vago, quebrar um banheiro químico sinaliza: "Vejam só! Eu sou mais comprometido que vocês!".E daí se isso afasta a população? O importante é a posição em relação aos seus pares. Se vocês xingam a polícia, eu jogo pedra. Se vocês jogam pedra, eu esfaqueio um policial... É a mesma corrida por status que faz, sei lá,  que exista carinhas que se endividam para ter o melhor carro do condomínio. Ou aquele que malha até ficar tão bombado que parece o boneco da Michelin.

No caso presente,  contudo, há um descompasso maior entre o resultado dessa corrida individual e o interesse do grupo. A analogia é com o membro do gru…

Cuba é mais rica que o Brasil?

Um texto da internet afirma (não vou incluir o link):
"O povo daquela ilha rochosa bloqueada é mais rico que o povo do continente Brasil. Essa é uma realidade chocante e geralmente desconhecida." O autor recorre aos dados do World Bank que realmente mostram Cuba com um PIB per capita (PPP)  de US$20611 contra US$ 15893 do Brasil.
Obviamente essa estimativa está furada. É tão furada que a ONU - ao calcular o IDH- estimou outro valor que até os órgãos oficiais de Cuba acharam mais razoável:
The 2013 HDI value published in the 2014 Human Development Report was based on miscalculated GNI per capita in 2011 PPP dollars, as published in the World Bank (2014). A more realistic value, based on the model developed by HDRO and verified and accepted by Cuba’s National Statistics Office, is $7,222. The corresponding 2013 HDI value is 0.759 and the rank is 69th. A mesma fonte coloca o Brasil como tendo renda per capita de US$ 15175. Ou seja, Cuba tem a metade da renda per capita brasilei…

Contra a metáfora doméstica na defesa do ajuste fiscal

Eu mesmo uso a analogia com os alunos. Para explicar a regra de ouro da Contabilidade Pública, eu digo "Não pode entrar no cheque especial para pagar o condomínio". Até aí, tudo bem.
Agora, nos debates sobre o ajuste fiscal, tem-se ouvido dos defensores da EC 55 :
"As finanças públicas são como a casa da gente. Não dá para gastar mais do que se ganha." Eu acho uma má ideia recorrer a essa metáfora para o público.  Ora, como toda metáfora e como todo economista sabe, a analogia é imperfeita e a economia não é como a casa da gente. Até aí, também tudo bem. O motivo principal pelo qual sou contra a analogia é que ela é derrubada pelo contra argumento que o leigo entende com facilidade excessiva:
"Ah, mas a diferença é que na economia, o que o governo gasta determina o quanto ele próprio ganha. Quando o governo gasta, o dinheiro da economia gira, gera mais emprego, isso aumenta a arrecadação e - de lambuja- o Brasil será hexacampeão de futebol . " Rejeitar e…

Diversos

Shikida conta a história da blogosfera econômica brazuca. (Discordância: eu não sou mãe/pai de nada.  Foi ele quem motivou que outros econ criassem seu próprio blog.);Orair, Gobetti e Pompermayer - colegas de Ipea- foram premiados pelo Tesouro. Parabéns!  Artigos dos premiados estão aqui;Um guia de estilo para o código em R;Excelente curso de Desenvolvimento Econômico (ignore a parte em russo; os pdf estão inglês); O mesmo autor, Daniel Shestakov, preparou uma ótima apresentação sobre Cliometria.

XI mandamento

Qual XI Mandamento teria tido maior impacto no futuro bem-estar da humanidade? A regra é que deve ser algo que aquele monte de ignorantes do século I pudesse entender e aplicar.
A minha primeira ideia foi: "lavarás as mãos". O Alexandre Chiavenegatto sugeriu "se teu bebê tiver diarreia, darás uma solução com sal e açúcar."  Pensei também em "Não maltratarás os judeus" ou "Respeitarás mulheres e crianças" e alguém recomendou no   "não terás posse sobre outro ser humano". Essas últimas recomendações, que protegem grupos específicos, teriam impactos positivos, mas limitados.
Como gerar impactos globais? As recomendações de saúde pública, na verdade, não teriam grande efeito. Como a humanidade estava na armadilha malthusiana, qualquer melhoria da saúde apenas aumentaria o nível população mundial, mas o bem-estar seria o de subsistência.*
Para incrementar o bem-estar no longo prazo, o jeito seria acelerar a inovação tecnológica. Talvez ess…