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Viva as cotas de importação!

Como vocês sabem, cotas de importação são a forma mais estúpida de protecionismo. Geram aumento de preços dos importados, rent-seeking e nada de arrecadação. Ontem aprendi que elas tiveram tiveram efeitos colaterais positivos para a economia global...
A história é a seguinte: Nixon lutou pelo Multi Fibre-Agreement para proteger a obviamente decadente indústria de roupas norte-americana. O acordo impôs uma baita restrição quantitativa às exportações sul-coreanas. A solução foi levar as fábricas coreanas para outros países não incluídos no acordo, como Bangladesh. Hoje o país é um tremendo exportador de roupas. Bangladesh ainda é bem pobre, o setor tem lá seus problemas, mas umas três milhões de pessoas (90% mulheres) trabalham no setor. As cotas do Nixon, quer diria, apressaram a globalização da produção de roupas.
Eu aprendi tudo isso no ótimo podcast Planet Money. Eles entrevistaram até os envolvidos diretamente na instalação da primeira fábrica em Bangladesh. [Eu fiquei emocionado com os depoimentos (mas acho que só eu me emociono com essas coisas)].

Four Decades of Terms-of-Trade Booms: Saving-Investment Patterns and a New Metric of Income Windfall

O trabalho é bem bacana mesmo. Eu só desconfio que o critério de identificação de booms dos termos de troca foi excessivamente rigoroso. O do Brasil só teria acontecido em 2006. Com isso, o impacto do boom para a economia brasileira foi minimizado. Ah, quem foram os maiores beneficiados? Bolívia e Venezuela.

Parodiando a Joan Robinson...

...., eu digo: "...só tem uma coisa pior do que ser sorteado na loteria de commodites: não ter sido sorteado."

Deterioração dos termos de troca e volatilidade das exportações

Quanta exploração da periferia! Vejam os riscos da monocultura voltada para a exportação: aqui e aqui!
(Alerta: trata-se de um post irônico)

Ótimo mapa da China na Economist

Aqui.

Quem mandou não estudar a teoria das vantagens comparativas

Sério, eu até entendo ímpetos protecionistas da mídia quando a economia vai mal. Fica mais difícil compreender quando, mesmo com o desemprego em baixa, vem a chiadeira. Vejam a manchete da Folha:
Estátuas do Cristo e de Nossa Senhora são feitas na China

Queriam o quê? Que fossem feitas aonde? Na Galiléia? Daqui a pouco vão lançar o Pro-souvenir para proteger a estratégica indústria nacional de fitinhas do senhor do bom fim e canetas de Itu.
Já o Globo comemora a criação de selos do Inmetro que "protegerão o produtos nacionais da competição chinesa". Eles escrevem que com isso,
"... o governo não apenas garante mais segurança os consumidores, como também filtra importações de má qualidade que vêm competindo com a produção nacional a preços muitas vezes abaixo do valor de mercado"
Ora bolas! É justamente essa a idéia!!!

Links

Video: Robert Allen: Por que a Revolução Industrial aconteceu na Inglaterra. (via Brad Delong)
Gapminder agora mostra dados de produção de alimentos e desigualdade regional para alguns países. (via Marginal Revolution)
Os ilustradores anti-capitalistas da URSS eram ótimos! (via BoingBoing)
Arte ou mercadoria? (via BoingBoing)

Jeffrey Williamson fala

O grande historiador econômico discute, em uma curta entrevista, os grandes temas: desenvolvimento no longo prazo, as globalizações, divergência/convergência, imigração e tudo mais. Sensacional.

(Os editores do journal publicam também o blog Oxonomics.)

Deterioração dos termos de troca

Conversando com os colegas do curso, voltamos à antiga tese Prebisch-Singer da deterioração dos termos de troca: as commodities exportadas pela periferia tendem a ficar mais baratos em relação aos bens importados dos países industrializados. Prometi, então, fazer um post sobre o tema.
A tese tem andado fora de moda, por motivos óbvios. Mas o que a literatura diz? Antes de tudo, percebeu-se que não é mole testar a hipótese corretamente. Afinal, se um grão de soja é (quase) o mesmo durante o século, como considerar o netbook de US$350 que tenho à minha frente. Uma configuração equivalente custava um fortuna faz alguns anos e não existia nada parecido em 1970. Como ajustar para essas mudanças nas qualidades dos bens manufaturados? Ainda: que ponderações usar? Faz sentido agregar todos os bens primários em um só índice? E a qualidade dos dados? Vejamos dois textos recentes:
Jeffrey Willianson e Hadass voltam ao período 1870-1940 e fazem um baita texto , usando dados de painel e tudo mais. Eles agregam os países da periferia em grupos e - depois de muito sofrer - encontram um resultado legal. Em geral, os termos de troca não caíram, mas a volatilidade do preços das commodities foram ruins para o crescimento da periferia.
John Cuddinton et al. aplicam o instrumental de séries temporais aos preços das commodities no século XX e concluem que não há tendência de queda. (Só teria havido uma quebra estrutural na série em 1921). O fato de um preço cair ao longo do tempo não quer dizer, de acordo com a econometria contemporânea, que há uma tendência.
Meu pitaco: se a deterioração dos termos de troca fosse uma fenômeno relevante ele seria mais robusto. Ou seja, deveria resisitir mesmo quando fossem escolhidas amostras diferentes de países, produtos e períodos. Não vale dizer: "o produto x não vale", ou "o aumento recente foi conjuntural" e assim por diante. Enfim, milhões de motivos podem tornar a especialização em commodities um problema, mas a tese Prebisch-Singer não é um deles.

Borges, Mapas e o Método

O próprio Jorge Luís Borges lendo "Del rigor en la ciencia" (Via Boing Boing)

Para acompanhar:
En aquel Imperio, el arte de la Cartografía logró tal perfección que el Mapa de una sola Provincia ocupaba toda una Ciudad, y el Mapa del Imperio, toda una Provincia. Con el tiempo, estos mapas desmesurados no satisficieron y los Colegios de Cartógrafos levantaron un mapa del Imperio, que tenía el tamaño del Imperio y coincidía puntualmente con él. Menos adictas al estudio de la cartografía, las generaciones siguientes entendieron que ese dilatado Mapa era Inútil y no sin impiedad lo entregaron a las inclemencias del Sol y los inviernos. En los desiertos del oeste perduran despedazadas ruinas del mapa, habitadas por animales y por mendigos; en todo el país no hay otra reliquia de las disciplinas geográficas.
Borges pode ser usado em lições de metodologia. Quando alguém reclamar que um modelo é incompleto, sugira a leitura de "El Rigor...". Já se a crítica for que o modelo não considera as espeficidades do objeto, mande o sujeito ler Funes, o memorioso. Duvido que funcione, mas não custa tentar.

PS. Lembrei que nos tempos do Gustibus eu já tinha feito um post sobre o mapa do metro de Londres e Ricardo. Aí vai. O link para a animação não funciona mais, mas encontrei um vídeo equivalente.

Galinhas, Caminhões e Path dependence

Quer dizer que os EUA ainda são competitivos nos mercado de caminhões porque- quarenta anos atrás - o governo americano retaliou à proteção européia contra as galinhas americanas??? A história não tem mesmo sentido...
In 1962, when implementing the European Common Market, the Community denied access to US chicken producers. In response after being unable to resolve the issue diplomatically, the US responded with retaliatory tariffs that included a twenty five percent tariffs on trucks that was aimed at the German Volkswagen Combi-Bus that was enjoying brisk sales in the US.
Since the trade (GATT) rules required that retaliation be applied on a non-discriminatory basis, the tariffs were levied on all truck-type vehicles imported from all countries and have never been removed. Over time, the Germans stopped building these vehicles and today the tariffs are mainly paid on trucks coming from Asia. The tariffs have bred bad habits, steering Detroit away from building high-quality automobiles towards trucks and truck like cars that have suddenly fallen into disfavor.

Todos os voôs do mundo...

24 horas em 72 segundos. (Imaginem o tamanho da matriz W!)
Idéia: fazer animação semelhante com os dados do Eltis para o tráfico de escravos. Vou escrever para os suiços agora.

Krugman

Ele formalizou as intuições da economia regional e foi muito além. Só a Nova Geografia Econômica já valeria o prêmio. Muito merecido mesmo!
(A propósito, durante a mudança joguei fora o ingresso para a palestra. Droga.)

Made in China

Apenas 50%.

Power and Plenty:Trade, War, and the World Economy in the II Millennium- O'Rourke e Findlay

O livro não é para todos. Você tem que já saber um tanto sobre os últimos mil anos de história econômica mundial e algum treinamento em Economia. De qualquer jeito, é essencial se você é um pesquisador desses assuntos.
O livro mudou minha cabeça sobre vários assuntos, especialmente sobre a Revolução Industrial. Eu ficava do lado da New Economic History: a Revolução foi lenta e o comércio internacional foi pouco importante. Agora eu não tenho mais tanta certeza. Em resumo Power and Plenty é um livraço! (E a edição de capa dura, com mais de 600 páginas, está por US$30 dólares na Amazon.)

Livros novos para o Departamento de Economia da UFPel

Graças ao Titio CNPq, ao contribuinte e à Amazon, aí vão os livros recém-chegados:
  • "Predictably Irrational: The Hidden Forces That Shape Our Decisions" Dan Ariely
  • "The Oxford Encyclopedia of Economic History: 5-Volume Set", Joel Mokyr;
  • "African Slavery in Latin America and the Caribbean", Herbert S. Klein
  • The New Comparative Economic History: Essays in Honor of Jeffrey G. Williamson", Timothy J. Hatton
  • Globalization and the Poor Periphery before 1950 (Ohlin Lectures)", Jeffrey G. Williamson;
  • "Globalization and History: The Evolution of a Nineteenth-Century Atlantic Economy", Kevin H. O'Rourke
  • "Political Economics: Explaining Economic Policy (Zeuthen Lectures)", Torsten Persson;
  • "An Introduction to Efficiency and Productivity Analysis", Timothy J. Coelli;
  • "Time on the Cross: The Economics of American Negro Slavery", Robert William Fogel;
  • "Analysis of Panel Data", Cheng Hsiao
  • "Mathematical Methods and Models for Economists", Angel de la Fuente;
  • "Kolonien, Kolonialpolitik und Auswanderung", Wilhelm Georg Friedrich Roscher;
  • "Game Theory and the Law", Douglas Baird
  • "Latin America and the World Economy since 1800 (David Rockefeller Center Series on Latin American Studies)", John H. Coatsworth
  • "Understanding the Process of Economic Change (Princeton Economic History of the Western World)", Douglass C. North
  • "A Farewell to Alms: A Brief Economic History of the World (Princeton Economic History of the Western World)", Gregory Clark;
  • "Microeconomics: Behavior, Institutions, and Evolution (The Roundtable Series in Behavioral Economics)", Samuel Bowles
  • "Order Against Progress: Government, Foreign Investment, and Railroads in Brazil, 1854-1913 (Social Science History)", William R. Summerhill III;
  • "Slavery, Emancipation, and Freedom: Comparative Perspectives (Walter Lynwood Fleming Lectures in Southern History)", Stanley L. Engerman
  • "Political Institutions and Economic Growth in Latin America: Essays in Policy, History, and Political Economy (Hoover Institution Press Publication)", Stephen Haber;
  • "Crony Capitalism and Economic Growth in Latin America: Theory and Evidence",
  • "The Logic of Life: The Rational Economics of an Irrational World", Tim Harford.

Juros baixos, commodities caras

Por que as commodities continuaram encarecendo se as expectativas de crescimento mundial são cadentes? Jeffrey Frankel tem uma hipótese.

Gregory Clark faz a resenha de um livro que eu não vou ler

Adam Smith in Beijing de Giovanni Arrighi.

Livre-comércio e o Governo

Kevin O'Rourke é um tremendo historiador econômico. Seus papers com Jeffrey Williamson sobre a história da globalização e o papel das tarifas são essenciais.
Agora ele estuda os determinantes das atitudes individuais em relação ao protecionismo . Em um paper novo, ele e seus coautores mostram que o gasto governamental aumenta o apoio ao livre-comércio.

Via Vox EU.

Um mapa sensacional


Estados americanos renomeados de acordo com os países de PIB semelhante. O Brasil, a propósito, tem o PIB do estado de Nova Iorque.
Via Marginal Revolution.
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