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Prêmio Paulo Haddad

O trabalho feito pelo Júlio Lopes e por mim:
Novas medidas de localização a partir da análise de distância de pontos: um estudo empírico para a indústria de transformação de São Paulo
ganhou o Prêmio Paulo Haddad no encontro da Associação Brasileira de Estudos Regionais.
O Júlio - do Banco do Brasil-  foi meu orientando de mestrado na UCB. Agradecemos aos colegas da Dirur/Ipea pelo apoio nos dados e à Vanessa Nadalin, também membro da banca. (Ela, a propósito, acabou de publicar um paper bacana sobre vacância urbana em SP)

O problema com o Über

A crítica contra o Über - ou contra qualquer serviço de transporte com livre entrada de ofertantes- é que ele piora uma ineficiência já existente. Os carros  utilizam um recurso comum, o espaço da rua, sem pagar nada por isso. Cada motorista considera seus custos privados, sem levar em conta que marginalmente piora o trânsito para todos. Da mesma forma que um lago tende a ser utilizado até não sobrar um peixinho, uma rua tende à saturação. Em ambos casos, o problema decorre da ausência de preços para um recurso escasso. 
(Os táxis também têm o mesmo problema, contudo, como há um  número fixo de licenças, as consequências sobre o trânsito tendem a ser menos graves.)
A solução - repito - é cobrar pela utilização das vias. O  pedágio urbano corrige essa falha do governo (que gera uma falha de mercado). Preços distintos por local e horário poderiam resultar na quantidade ótima de Über, taxis ou carros de passeio nas ruas.
Eu chuto que ainda vai levar ainda uns 20 anos para que isso chegue às nossas cidades. Para não ofender os eleitores, será algo disfarçado como um desconto no IPVA para aqueles cujo GPS indicar que não andaram nos locais/horários críticos. Espero estar certo.

"The New Geography of Jobs" por Enrico Moretti

Excelente livro. O autor mostra que é possível fazer um livro de divulgação científica interessante sobre qualquer assunto. Basta conhecer muito bem mesmo mesmo mesmo a literatura contemporânea e ter uma notável capacidade de síntese.
Quem é do ramo de Economia Regional pode curtir as estórias e as metáforas que ilustram um monte de conceitos,  modelos e resultados  importantes. A bibliografia do livro acrescentou uma dúzia de artigos à minha pilha de papers "ler com urgência".
No ramo, o livro é até melhor do que o Triumph of the City do Ed Glaeser. O do Moretti é mais ponderado e menos categórico nas recomendações de política urbana e regional.

Brasília não é uma cidade planejada

Veja a Vila Planalto. Fica no Plano Piloto, a menos de  2 km do Palácio do Planalto e a 3 km do Alvorada. Completamente fora do plano inicial, o bairro é tão antigo quanto a cidade e só agora foi regularizado.  Já está rolando a gentrificação e surgiu um pólo de restaurantes bem bonzinho. Alguns são um pouco sobrevalorizados, mas valem a pena conhecer. O Tia Zélia rende um paper de Sociologia.
Outras ilegalidades tornam a cidade bem melhor do que os planejadores gostariam. São barraquinhas, varandas, restaurantes, hotéis e casas irregulares.
A moral da história é muito velha. O microplanejamento não dá certo. Ou melhor, ele dá certo - em sentido mais profundo - justamente porque não alcança seus objetivos. Os esforços de contornar ou confrontar o plano são o mais legal da cidade.

Trem-bala? Não, obrigado.

Marcos Mendes e Alexandre Guimarães nos alertam: ainda dá tempo de cancelar o projeto do Trem-bala RJ-SP e economizar o equivalente a 50 Maracanãs.
"O projeto [do trem-bala] não é prioritário porque será um meio de transporte de luxo, com passagens caras, destinado a transportar pessoas de renda alta entre Rio e São Paulo. O nó urbano em que vivemos evidentemente indica que o prioritário é fazer São Paulo, Rio e demais cidades saírem do engarrafamento permanente que existe dentro de cada cidade, em vez de investir em transporte rápido, acessível a poucos, entre as cidades."


Cide municipal é uma má ideia


  • Um tributo local deve ter uma base tributária imóvel.  Se não tiver, é fácil para o contribuinte escapar. É por essa razão que o IPTU é um imposto local e o Imposto de Renda, não. Carros - surpresa! - são móveis. Uma Cide municipal faria com que os municípios das periferias metropolitana oferecessem isenções. No final das contas, a nova contribuição geraria ineficiência e baixa arrecadação;
  • Além disso, andar de carro não é o problema da mobilidade de mobilidade urbana. O problema é andar de carro em zonas congestionadas. A Cide incidiria igualmente sobre quem usa o carro na Av. Paulista às 18:30 e sobre quem dirige de madrugada em uma rua deserta. (Ter carro também não é problema. Inglaterra e Japão têm o dobro no número de veículos per capita do que o Brasil);
  • Pedágio urbano, por favor.

Pedágio urbano - um argumento de escolha pública

Os argumentos econômicos a favor de pedágio urbano são conhecidos: é o jeito de fazer com que o motorista pague a externalidade negativa de ocupar uma via congestionada. Fazendo o motorista sentir no bolso todos os custos da sua ação, ele não sobre-utilizaria o recurso. Acertar direitinho o preço eficiente seria só uma questão tecnológica e de elasticidades. (Segundo um estudo que parece bacana, um pedágio de R$5 reduziria em 28% o uso de carros em SP. Não encontrei o trabalho completo na Internet.)
Eu chuto que há um efeito adicional desejável do pedágio urbano. Se ele fizer com que mais eleitores passem a andar de transporte público, o setor será mais bem administrado. É do Hirschman a frase: "Políticas apenas para pobres são pobres", né?
Se a classe média também estiver na parada (ouch...), tudo melhora.

Complexidade usada para o mal (ou para o bem? Sei lá)

Vídeo (Obrigado, Urban Demographics)
Usar  tweets, SMS e ligações de celular para prever a localização de manifestações pode gerar desde a reação "Uau! a tecnologia nos salvará!" até  "Mais uma conquista do establishment tecno-militar contra o cidadão!".
Na semana do escândalo do PRISM e dos conflitos de SP é difícil não pender levemente para a última.
A homepage da Dra. Fry está aqui.

A Economia Subterrânea: Impactos Socioeconômicos do Metrô de São Paulo

No dia 7 de junho, o evento é organizado pelo pessoal do Nereus/USP. A programação parece super bacana. Fortemente recomendado.

Pereira, Nadalin , Monasterio e Albuquerque "Urban centrality: a simple index"

Comunicado à praça: já está disponível on-line:

Pereira, R. H. M., Nadalin, V., Monasterio, L. and Albuquerque, P. H. M. (2012), Urban Centrality: A Simple Index. Geographical Analysis. doi: 10.1111/gean.12002
 This study introduces a new measure of urban centrality. The proposed urban centrality index (UCI) constitutes an extension to the spatial separation index. Urban structure should be more accurately analyzed when considering a centrality scale (varying from extreme monocentricity to extreme polycentricity) than when considering a binary variable (monocentric or polycentric). The proposed index controls for differences in size and shape of the geographic areas for which data are available, and can be calculated using different variables such as employment and population densities, or trip generation rates. The properties of the index are illustrated with simulated artificial data sets and are compared with other similar measures proposed in the existing literature. The index is then applied to the urban structure of four metropolitan areas: Pittsburgh and Los Angeles in the United States; São Paulo, Brazil; and Paris, France. The index is compared with other traditional spatial agglomeration measures, such as global and local Moran's I, and density gradient estimations.

Tudo o que você queria saber sobre pedágio urbano

... o Renato Morato responde aqui. O trabalho ganhou a terceira colocação no prêmio da Secretaria de Acompanhamento Econômico e é muito informativo. (O Renato, por coincidência, foi meu (ótimo) aluno de Finanças Públicas na graduação da UCB neste semestre). Sugiro ver também os demais premiados.
A introdução do pedágio urbano está no topo da minha lista de mudanças-institucionais-favoritas-que-gerariam-ganhos-de-bem-estar-que-só-não-entram-em-vigor-porque-o-eleitor-não-entende-de-economia. Trata-se de uma lista beeeem longa.

O perfil do PB na Piauí

Em versão aberta. Consegue ser até mais bacana do que post do Drunkeynesian sugere. 
 (Obrigado ao Bernardo Furtado pelo envio do link. E, a propósito, parabéns pela mais recente publicação! )

Acessibilidade urbana e o algoritmo da Google

O Renato Schwambach Vieira me contou sobre um indicador de acessibilidade urbana baseado no pagerank da Google  que me parece super bacana.
 (O Renato - um dos 7 milhões de leitores diários do blog e, portanto, gente boa - tem uma monografia jóia sobre medidas de acessibilidade no município de SP)

Contra o mercado

O filho do Bruno Cruz, co-editor e mentor do Manual de Regional e Urbana, perguntou ao pai quanto custava o livro. Ao saber que era gratuito, respondeu: "Ih, pai, sei não. De graça, não pode ser boa coisa."
Agora descobrirmos que o livro é encontrado por R$40 no sebo on-line estante virtual. Por favor, não comprem lá. Façam o download do pdf ou peçam que - se possível - o Ipea envia o exemplar impresso para a biblioteca da sua universidade.
(Sim, eu sei que o mercado faria uma melhor distribuição do livro, mas sabecomoé....)

Quantificando a centralidade urbana: uma proposta de índice simples e comparação internacional

Economia Regional e Urbana: Teoria e Métodos com ênfase no Brasil

Finalmente, o livro impresso chegou às minhas mãos. Eu enviarei um exemplar para os  três primeiros dos meus 3,6 milhões de leitores que colocarem o seu endereço postal nos comentários do blog. A versão digital segue aqui. (A propósito, por favor, me me apontem os erros que - com certeza - o livro tem).

A participação social pode ser ruim para o planejamento urbano?

A segunda parte do urbanismo austríaco-public-choice :
"...collective choice is inherently biased toward favoring a city’s or neighborhood’s current residents, against potential future residents. This makes policies created through collective choice inherently anti-density and anti-growth. It also means that cities come with a built-in vested interest that wants to protect their property. When planning departments allow this group to protect their interest through the political process, the market process is stifled because entrepreneurs cannot take advantage of available profit opportunities to increase urban density.Furthermore, collective choice leads to many unholy alliances, such as NIMBYs and historic preservationists, NIMBYs and environmentalists who want to protect open space, NIMBYs and those opposed to new transit projects, etc. In other words, collective choice leads to many of the results that urbanists criticize."
A primeira parte da série está aqui.
(Como seguidor do Mancur Olson, eu escrevi algo parecido, muitas luas atrás, sobre os riscos de políticas regionais abertas à participação: ver a página 185 aqui (pdf, 13 MB).)

Manual de Economia Regional e Urbana para download

De graça! Economia regional e urbana : teorias e métodos com ênfase no Brasil (em pdf). Os organizadores são os colegas do IPEA Bruno Cruz (foi ele quem teve a iniciativa), Bernado Furtado, Waldery Rodrigues Jr e este que vos tecla. As cópias impressas sairão do metafórico forno em breve.
Ficou bem legal. Tem de tudo por lá: Economia Regional, Urbana, Econometria Espacial,  CA, CGE, NGE e outras letrinhas. Ah, e a Introdução foi escrita pelo grande Jacques Thisse!
Por favor, caro leitor, espalhe a boa nova!

Ainda a estranha distribuição dos pequenos municípios

Eu dei uma outra olhada na questão. As linhas vermelhas indicam as mudanças de faixa do FPM (10188, 13584 e 16980 habitantes).
Ficou mais claro, não?. Eu tentei ver se o problema não estaria em alguns declarantes afirmando que teriam um número absurdo de pessoas no domicílio. A chave não parece estar aí:

Há um município com mais de 5 habitantes por domicílio, mas não há uma relação clara. (O curioso - mais uma vez - é não haver quase nenhum município na proximidade esquerda da linha mágica de 10.188 habitantes.)
Outra coisa que eu aprendi é que o estranho padrão já estava presente na primeira versão dos dados do Censo.
Alguma sugestão para descobrir a chave do mistério? Ou seja, como se faz para adicionar uma centena de habitantes em um município?

Economia Urbana Austríaca

Um belo post sobre a abordagem austríaca do (não)planejamento urbano;
"Critics of free market urban development may argue that this system (:free market) will produce less-than-perfect cities, so city planners should step in to make improvements. The Austrian response is that of course the free market cannot produce utopian cities, but no other system could do better. Believing that a regulated city would be superior to the market outcome is succumbing to the Nirvana fallacy. Markets aren’t perfect, but they’re the best we’ve got."
Não dá para levar as conclusões dos austríacos até o fim, mas muitos pontos são relevantes. A propósito, o livro magistral da Jane "austríaca-sem-saber" Jacobs "The Death and Life of Great American Ciites" completou 50 anos em 2011.
Atualização: consertei o link. (Grato ao anônimo que me avisou)
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