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Historiadores de todo o mundo, descansai: o Nassif descobriu a causa da revolução industrial

Eu juro que estava aqui quieto no meu canto, fazendo as minhas coisas e tentando ficar focado no trabalho. Porém, o Thales (nos comentários) me avisou que o Nassif respondeu a pergunta fundamental da história econômica:"Por que a Inglaterra?"  Adivinhem?
"...a chama que incendiou o imaginário do país, abriu espaço para o florescimento de manufatu6ras sem fim e, depois, criou o clima adequado para as demais reformas foi o câmbio desvalorizado, barateando os produtos ingleses em relação aos concorrentes."
Só lembrando, ele já atribuiu o sucesso da Coréia do Sul ao contrabando e a industrialização brasileira ao rádio (porque levantou a moral da nação).

Rádio, Autoestima e Industrialização de acordo com Luís Nassif

Eu assisto telecatch. Exatamente pelos mesmos motivos, eu  leio o Luis Nassif. Depois de dizer que o sucesso coreano foi baseado no contrabando e no Promocenter, ele afirma::
A industrialização dos anos 30, por exemplo, só foi possível depois de uma década de crise, dos anos 1920, na qual, a partir da disseminação dos rádios, dando expressão a uma cultura popular e erudita que devolveram a autoestima nacional.
A crise dos 80 foi causada.... deixa ver.... pela derrota da seleção canarinho em 82? Ou será que foi a gravação de "Inútil" pelo Ultraje que baixou a nossa moral? Ah, se tivéssemos ouvido chorinho...

Buemba! Bresser é o ganhador definitivo do Prêmio Eço

Prêmio Eço - versão mapa

O prêmio está suspenso até 2012 (como sabem os meus 13434232 leitores), mas eu tenho que registrar a sugestão do Alex.

Infelizmente, uma notícia recente me diz que teremos muitas potenciais entradas nos próximos meses...

Agora, para ler um texto super bom sobre a economia brasileira, veja o trabalho de Luiz de Melo BRAZIL’S ACHIEVEMENTS AND CHALLENGES (via José Roberto Afonso).

Premio Eço de Ignoranssa Econômica

Eu não tenho registrado as candidaturas ao Prêmio (pero que las hay, las hay), mas essa do Nassif (hors concours) merece ser citada:
"Ao espalhar temores infundados sobre situação fiscal, inflação e outros bichos, visa criar um clima para aumento de juros e para cortes em investimento e programas sociais. Por maldade? Não. Mas quanto maior o corte fiscal, maior será o espaço para aumentar os juros. Ou seja, há uma lógica nessa histeria."
O restante do post segue muuuuuito esquisito. Agradeço o envio ao Alex "Mão Visível".

Prêmio Eço de ignorança econômica... (eu não resisto)

Eu tinha suspendido o prêmio Eço. (O mão visível faz um trabalho bem melhor que o meu em detonar detonar asneiras econômicas). Contudo, um leitor anônimo me enviou um post do blog do José Paulo Kupfer. Não resisti:
"(...)Prever o futuro próximo, em economia, é uma atividade rotineira, que ganhou grande impulso com os programas de computador capazes de manipular em segundos milhares – ou mesmo milhões – de informações. Acertar é que são outros quinhentos porque não é a quantidade de dados que determina a qualidade da projeção, mas as articulações teóricas das variáveis definidas nos sistemas de equações.
No fim das contas, o índice de acerto depende mais da sensibilidade do profeta em captar as tendências históricas e os comportamentos sociais. O que está diretamente ligado ao grau de preconceito e ideologia embutidos nos modelos de previsão."

Isso lembra até um trecho do Manifesto pela Econometria Política, documento debochado que pedia que as variáveis explicativas ficassem no lado esquerdo das equações, entre outras coisas. (A propósito, alguém tem uma cópia scanneada?)

A estranha cartinha do Theotônio dos Santos

Está rolando por aí uma carta que dizem ser do Theotônio dos Santos. Ele teria afirmado:
" A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. "
Depois de um exaustivo esforço meu de 5 minutos , eu cheguei a seguinte tabela (via Gapminder). Em vermelho estão os anos em que a inflação anual foi maior do que 10%. E pensar que esse senhor já publicou na American Economic Review... Lastimável. Resta a esperança de que a carta seja apócrifa.
Tínhamos que imitar o Tim Harford. Durante as últimas eleições britânicas, o pessoal do More or Less tinha um espaço diário na BBC Radio 4 só para detonar as estatísticas furadas usadas nas campanhas.

Atualização: a carta é verdadeira.

O Prêmio Eço...

... foi suspenso temporariamente. Talvez ele volte em 2011 ou -mais tardar - em 2012.

Prêmio Eço -"Viva a Gripe A"

Essa eu nem preciso comentar:
"Gripe A ajuda a segurar inflação brasileira", diz analista
Medo de contrair o vírus fez com que os brasileiros reduzissem a demanda por passagens aéreas, fazendo o preço cair

InfoMoney
07 agosto 2009

SÃO PAULO - O aumento dos casos de gripe A (H1N1) no Brasil contribuiu para o resultado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de julho (0,24%), que veio abaixo do registrado no mês anterior (0,36%). A afirmação é do analista da Rosenberg Consultores Associados, Francis Kinder.
"Com o agravamento da doença, a preocupação dos brasileiros em contrair o vírus aumentou e as pessoas ampliaram os cuidados para se prevenir do contágio. Entre eles, evitar viagens para países ou estados que apresentem casos da doença. Assim, a demanda por vôos (nacionais e internacionais) diminuiu, causando uma redução nos preços. Vale lembrar que julho normalmente é um mês muito aquecido para o setor aéreo, em razão do período de férias", explica."

Legal, como também as pessoas ficaram em casa coçando e não consumiram nada (nem álcool gel), eu aposto que a poupança também aumentou! Uhu!
(Agradeço ao meu amigo Acir Almeida pela dica!)

Prêmio Eço - Otimismo contra os fatos

Para começar a semana, aí vai uma Stephen Kanitz:

Consumo Recorde Nos Estados Unidos: 70% do PIB

"Vejam esta tabela elaborada pelo economista americano Dirk van Dijk, que mostra que o consumo das famílias no primeiro trimestre nos Estados Unidos foi recorde em relação aos últimos 50 anos. 70% do PIB, contra um média de 64%.

Repito: Recorde dos últimos 50 anos!

Tiram todo o bife do prato feito e o Seu Kanitz comemora: "Batata frita agora é 50% do PF contra uma média de 30% ! Eba!"

Prêmio Eço - A Volta

Fazia muito tempo que eu não registrava um "contribuição" ao Prêmio Eço de ignorânça econômica. Então fiz uma visita ao blog de um suspeito e, obviamente, encontrei o que esperava:
Se o governo fizer uma boa ofensiva sobre a ponta do crédito, reduzindo tributação mas também obrigando os bancos a reduzir o spread, o país poderá ingressar em uma etapa inédita de crescimento, capaz de repetir os números dos anos 70.
Uau! A afirmação nem chega a estar errada ...

Premio Eço - versão o-karol-tava-certo-quando-mandou-ficar-calado

Mestre Duílio me enviou essa do Leonardo Boff:

"O mito de que o mercado se autorregula se desfez. Quer admitam, quer não, o capitalismo está sendo salvo pelo socialismo

Será que o Hugo Boff não tem como chamar o irmão para uma conversa sincera? O post do Duílio sobre a frase está ótimo.

Kanitz para o Prêmio Eço

O Prêmio Eço da categoria "ninguém segura o meu Brasil" vai para Stephen Kanitz. Ele diz:
G1 - Que vantagens o Brasil tem em relação a outros países?
(...)
Não é a China que vai salvar o mundo. É o Brasil, que vai mostrar ao mundo – “este está saindo”. Vai ser um alento mostrar para o resto do mundo saber que tem um país saindo da crise muito antes dos outros.

G1 - O protecionismo é necessário para o Brasil?
Kanitz - Não podemos ser protecionistas, precisamos de Justiça. Ninguém vai ficar brincando agora conosco só porque fizemos a nossa lição de casa e os outros países que não fizeram quererem agora vender a preço de banana. Isso desorganizaria inclusive a nossa indústria, quer dizer, a indústria que está dando certo no Brasil. Eu estou defendendo aqui não o protecionismo, mas uma justiça, vamos ser corretos.

Prêmio Eço - o candidato de sempre

Marcelo Passos me manda mais uma do Nassif . Prêmio Eço nele!
Os textos do Nassif são realmente de chorar (deve ser por isso que ele toca choro).

Em itálico o texto do Nassif, abaixo, os meus comentários.

“Em cima desses pontos, há questões macro-econômicas relevantes, a serem tratadas. A principal delas é a volta dos déficits no balanço de pagamentos.

As transações correntes (tudo o que entra e sai em dólares fora do mercado financeiro) eram positivas. Ficaram gradativamente negativas, mas o rombo era compensado pelas expectativas de entrada de investimentos externos.

Agora, as projeções do mercado (através da pesquisa Focus) indicam gradativamente um aumento no déficit do balanço de pagamentos. Ou seja, o déficit nas transações correntes não serão compensados pelos investimentos externos.

Esse ponto explica, em parte, as pressões sobre o dólar, mesmo depois que as empresas que tinham especulado com derivativos deixaram de pressionar o mercado.”

Comentários:

O Nassif não descobriu que a palavra “Macroeconomia” é sem hífen e ”questões macroeconômicas” também.

As transações correntes incluem as entradas e saídas em dólares pelo mercado financeiro (no chamado balanço de rendas, entram e saem a remuneração pelo capital de risco – lucros e dividendos; e remuneração pelo capital de empréstimos – os juros).

Outra coisa: no trecho “o déficit nas transações correntes não serão compensados pelos investimentos externos” as regras de concordância verbal foram para o espaço.

Ah, e o dólar não é pressionado pelo déficit nas transações correntes. O balanço comercial é afetado por vários fatores (demanda externa, preço dos bens exportáveis, elasticidades-preços e renda das exportações e das importações etc.) e também pelas variações cambiais. Mas as variações da taxa de câmbio real (ou o dólar, como ele sugere) não são explicadas unicamente pelo déficit em transações correntes, como ele sugere e nem pelo nível de investimentos externos. Além disso, os investimentos externos estão relacionados ao nível de liquidez do sistema financeiro internacional e ao nosso nível de juros reais.

Confúcio estava certo ao dizer que “Estudar sem refletir é inútil e refletir sem estudar é perigoso”.

Nassif tenta refletir, mas não estudou Economia o suficiente para isto.



PS: Mais uma! Eu fui no blog do Nassif e encontrei o seguinte:
"O primeiro deles, o sistema entrópico de consulta, com o BC limitando-se a consultar apenas uma parte do sistema financeiro - aquele mais comumente chamado de mercado."

Entrópico??? Será que as consultas começam organizadas e viram bagunça? Valei-me meu santo Maxwell! Bem, poderia ser um estranho erro de digitação, mas alguém nos comentários estranhou e ele confirmou.

O papel do jornalismo econômico

Qual é o papel do jornalismo científico? Essa é fácil. Traduzir o conhecimento dos cientistas para o leitor inteligente não-especializado. Nada mais nobre.
Qual é o papel do jornalismo econômico?  Deveria ser traduzir o conhecimento dos economistas para o leitor inteligente não-especializado. Traduzir.  Esta é a palavra-chave.  A tradução envolve conhecer as duas línguas. 
Lembrei disso quando me toquei que o Tim Harford  age como um jornalista econômico ideal. Mesmo (ou talvez "Por ser") doutor em Economia por Oxford, ele não sai por aí criando teses: ele recorre à teoria e aos especialistas das áreas. No Brasil, temos os "jornalistas econômicos", deliberadamente ignorantes de Economia, que criam suas próprias explicações equivocadas e polemizam com os profissionais de verdade. Imagine um jornalista de ciência que fizesse o mesmo: "Os professores Watson e Crick dizem que a estrutura do DNA tem uma forma de dupla hélice. Mas eu olhei bem atentamente o meu dedão do pé e percebi que na verdade o DNA tem o formato de uma orelha de burro. Vou até postar o meu modelo de DNA no meu blog: basta umas caixinhas, umas setas, pronto... Ah, que preguiça! Agora vou ouvir uns chorinhos."
Pronto, gastei minha cota e não reclamo mais do mundo em 2008. De volta à programação normal.

O sucesso da Coréia ou Prêmio Eço de Ignorança Econômica - versão Desenvolvimento Econômico

Eu estava sem tempo de ler os suspeitos de sempre do Premio Eço. Mas é só um pulinho no blog do Luis Nassif, para eu não me decepcionar. Veja sua explicação para o sucesso da Coréia:
A grande investida da Coréia, nas últimas décadas, deu-se através de um amplíssimo esquema de contrabando, valendo-se de uma estrutura internacional de coreanos que migraram para diversas partes do mundo. Em São Paulo, Promocenter era um exemplo vivo desse jogo.

Genial, não? Imagino que sua proposta de política industrial envolve o envio de contrabandistas brasileiros para preparar o terreno mundo afora.

Prêmio Eço e as identidades contábeis

Ele, novamente:

"Poupança e identidade contábil

Um dos grandes problemas da análise econômica atual é a confusão de identidade com relações de causalidade. A “identidade” é um conceito contábil. Tem-se uma equação, se aumenta algum indicador de um dos lados, reduz o do outro.

Por exemplo, quando o país tem enormes saldos comerciais, segundo o conceito de identidade ele está “exportando poupança”. País pobre não poderia exportar poupança, mas sim importar. Logo, para conseguir “importar poupança” ele teria que gerar déficits em conta corrente.

Confesso que nunca entendi direito essa identidade. A empresa que exporta acumula recursos que revertem em investimento físico. Na própria China, o excepcional superávit chinês convive com altas taxas de investimento de empresas voltadas para a exportação. Onde, as relações de causalidade?"

Prêmio Eço, versão Nobel.

Deu no mais importante jornal gaúcho, a Zero Hora:
"Mais um golpe no liberalismo econômico ortodoxo foi dado ontem pela Real Academia Sueca de Ciências"
A frase é perfeita para o Prêmio Eço. Começa com um "mais um golpe" como se os suecos tivessem dado o sopapo final na ortodoxia. "Liberalismo econômico ortodoxo" também é uma jóia lapidada por Emir Sader e cia. E, por fim, um erro factual: o Banco Central Sueco, e não a Academia de Ciências, confere o Nobel de Economia.

Via Gustibus, Via Duke of Hazard.

Prêmio Eço e o salário mínimo

OK, eu sei que Card & Krueger encontraram evidências de que aumentos do salário mínimo estavam associadas a expansões do emprego. Mas certamente nem mesmo eles defenderiam afirmações como essas:

"http://www.unicamp.br/unicamp/canal_aberto/clipping/abril2004/clipping040415.folha.html


O elevado desemprego enfrentado pelo país pode ser minimizado com um aumento real de 11% no salário mínimo -hoje de R$ 240 por mês-, o que significaria a injeção de cerca de R$ 50 bilhões na massa de rendimento do trabalho no biênio 2004 e 2005.
Claudio Dedecca, professor do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho), da Unicamp, que fez os cálculos, entende que, no curto prazo, a elevação do salário mínimo é a forma mais rápida de o país aumentar os postos de trabalho.
"Com aumento real de 11% no salário mínimo, a população vai consumir mais e, conseqüentemente, isso vai estimular a economia. Essa seria uma política factível de geração de emprego num prazo mais curto", diz Dedecca.
"Em um momento em que se discutem possibilidades de políticas a favor do crescimento, a do salário mínimo é, sem dúvida, uma das mais valiosas, pois favorece diretamente a elevação da demanda corrente, isto é, do nível de atividade", cita Dedecca num estudo sobre o impacto do salário mínimo na economia brasileira.
O aumento do salário mínimo, diz, teria impacto nas negociações salariais de várias categorias profissionais, já que é o "farol das remunerações do mercado de trabalho, independentemente do tipo de relação do trabalho".
Uma política de salário mínimo, diz, teria dois efeitos no país: um movimento generalizado de aumento de renda dos mais pobres e a elevação da participação dos mais pobres na renda nacional. "Esses efeitos poderiam ser ainda potencializados, em uma trajetória de crescimento econômico, pela geração de empregos", afirma Dedecca."


Obrigado ao leitor Felipe Missono pelo envio da candidatura!

Prêmio Eço, versão políticos

Normalmente, entradas para o Prêmio Eço vindas de políticos são banidas por motivos óbvios. Contudo, abro uma exceção para essa pérola enviada por um leitor (caso deseje ser identificado basta comentar, ok?):
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou hoje que o aumento da carga tributária tenha sido decorrência do aumento de tributos. Segundo ela, o que aumentou foi o PIB e, conseqüentemente, a arrecadação.

Ontem a Receita Federal anunciou que em 2006 a carga tributária bateu novo recorde de 34,23% do PIB.


Pelo visto, a ministra não sabe o que é carga tributária.
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