Em defesa da agricultura

Eu ainda fico surpreso quando vejo pessoas que eu respeito aceitarem sem questionar aquelas velhas visões de que o setor primário é o setor estagnado e que defender que qualquer manufatura - a qualquer custo - é um bom negócio. Tá, eu admito que vai chegar a hora que os termos de troca vão piorar e tudo mais, mas - peloamordedeus- seria uma boa reconhecer:
 - Existe inovação na agricultura e a agricultura hoje intensiva em tecnologia;;
- A agricultura tem fortes encadeamentos com os demais setores;
- Com a dotação de fatores brazuca seria um crime, em termos de bem-estar, lutar contra o boom de exportações de commodities.

Enfim, até o velho Marx disse que a agricultura se tranformaria em um mero ramo da indústria (em alemão a frase deve ficar melhor). E não tem nada de errado com isso, ora bolas.
Aí vai um video talvez meio exagerado em defesa da agricultura moderna (via meu colega de DISET José Eustáquio Vieira)

Diversos

Em uma semana enrolada, aí vai mais uma lista de links diversos:
- O Irineu mostra que os países com metas de inflação se deram melhor na crise de 2008;
- O Shikida me conta que o governo argentino quer mais Marx, Prebisch, Keynes, Kalecki e Serrano (???) nas faculdades de Economia. Aposto que a reunião da ANGE defendeu o mesmo. Dureza.

- O Celso Barros (ex-NPTO) faz uma resenha do livro da Miriam Leitão. A resenha é tão legal que agora perdi a vontade de ler o livro;
- Você já viu a seta no logotipo da FedEx? Esse e muitos outros. 

Diversos

- Visões equivocadas sobre a ciência (via Tim Harford) E eu ainda resmungo que o cidadão comum não entende vantagens comparativas;
- A democracia avança no mundo;
- Escola de verão em Economia do Desenvolvimento na USP; (fortemente recomendado)
- 8 th BETA Workshop in Historical Economics .(obrigado, Mauro Salvo)

FPE, FPM e os ciclos

Alexandre Rocha e Marcos Mendes chamam atençao para um ponto que tem sido ignorado: os fundos de participação são pró-cíclicos. Some a isso um efeito-catraca dos gastos públicos e o rolo está criado.

Um cartaz verificacionista na UNB

Adorei o "opcional".





Papers da ANPEC e da SBE

Aqui e aqui. Tanta coisa boa e eu não vou para Foz do Iguaçu. (Uma pena porque eu queria muito comprar um casio g-shock e um vídeo cassete quatro cabeças transcodificado em Puerto Stroessner.)

Ameaças críveis e reputação em uma história real

Ouvi ontem. Cena conhecida. Família saindo de férias, malas feitas, tanque cheio e pneus calibrados. Os pais avisam aos casal de filhos:
"-Se vocês brigarem no carro, a gente dá meia-volta."
Batata. Mal pegam a estrada, o pau começa a quebrar entre os irmãos. Calado, o pai pega o primeiro retorno. As crianças, estarrecidas, param a briga. Ao chegar em casa, o pai avisa:
"-Se vocês se comportarem ao longo da semana, viajamos no próximo sábado."
A semana transcorre em paz e a viagem também. O truque: a primeira viagem era mera encenação dos pais. A família nunca teve reservas no hotel e as malas estavam cheias de roupas aleatórias.
Ok, alguém aí sabe como adaptar essa história para ajudar o Tombini?



Diversos

Cachorro velho e a Economia

Dou graças por não ter ido ao Rock in Rio 4 3. (Em 85, um cara que atendia pelo mesmo nome, tinha o mesmo DNA e mais cabelo que eu pegou o primeiro ônibus para a assistir o B-52's e Queen). Hoje eu só encararia sofrimento igual para ver o Clash (circa 1978) ou os Smiths (1989). Quando eu ouço um som novo, eu só levanto a cabeça, bocejo e volto a dormir.
Em Economia, também, estou cada vez mais retrógrado. Eu sou um daqueles caretas e ultrapassados que acha que a Economia estuda a relação entre objetivos e recursos escassos com usos alternativos. Por que essa definição é superior? Porque ela traz para primeiro plano o conceito de custo de oportunidade. Se você entende isso direito, a teoria das vantagens comparativas (ou aqui em inglês) - a segunda melhor idéia que um ser humano já teve -fica moleza. De lambuja, você descobre imediatamente que subsidiar uma indústria significa desestimular outras e que tudo tem um custo.
Bem, agora vou tomar os meus remédios, fazer um chá e jogar dominó na praça.


Como saber que um país tem instituições ruins sem sair do avião?

Basta olhar pela janelinha: se você vir os restos mortais de aviões das vasps e transbrasis o país ainda tem que comer muito feijão com arroz para tomar jeito.
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