"Desigualdades sociais e econômicas na História"

Saiu o livro organizado pelo Tarcísio Botelho e Mark Leeuwen com os textos do seminário super bacana que eles organizaram em BH faz uns dois anos. Três econ bloggers têm textos lá: Irineu, eu (com a tradução do nosso texto publicado na RSUE) e o Thomas Kang.



Allen, Murphy e Schneider "The Colonial Origins of the Divergence in the Americas: A Labour Market Approach" novamente

"Capitanias Hereditárias e desenvolvimento econômico: herança colonial sobre desigualdade e instituições" Mattos, Innocentini, Benelli

"Este trabalho tem como objetivo analisar os eventuais efeitos da herança colonial na formação dos municípios brasileiros sobre suas condições atuais de desigualdade de distribuição de terra e renda e sobre a qualidade das instituições. Em particular, empregam-se área, latitude, longitude e a data de fundação para identificar os municípios pertencentes aos territórios das Capitanias Hereditárias (CHs). Em seguida, busca-se estimar se esta característica histórica dos municípios está correlacionada com suas instituições atuais, considerando diversos controles, tais como: área proporcional da capitania; haver pertencido aos ciclos da cana e do ouro; estar no litoral; sua distância em relação a Portugal; tipo de solo; quantidade de chuva; altitude; temperatura média; e as variáveis socioeconômicas municipais. Os resultados sugerem de forma robusta que o município que pertenceu à área destinada às CHs (um aumento de um desvio-padrão) está associado a uma concentração maior de terras (Censo Agrícola de 1996), medida pelo índice de Gini (aumento de meio desvio-padrão), a menores gastos públicos locais e a menor persistência política. No entanto, não se encontrou associação robusta sobre os seguintes indicadores dos municípios brasileiros: desigualdade de renda, Produto Interno Bruto (PIB) municipal per capita, número de agências bancárias públicas, de cartórios e empresas públicas no município, nem na governança local e no acesso à justiça local."
Parabenizo o objetivo dos autores, mas  tenho sérias dúvidas sobre a interpretação dos resultados e  a própria escolha de variáveis. Mas o meu principal ponto é o seguinte: a variável-chave Indice_CH captura mais os efeitos das emancipações municipais recentes (que têm uma tremenda variação estadual) do que o legado institucional de quase cinco séculos.

Federalismo à Brasileira: questões para discussão (org. Linhares, Mendes e Lassance)


Download gratuito do livro aqui. Aí vai o sumário:
  • Federalismo no Brasil: trajetória institucional e alternativas para um novo patamar de construção do estado. Lassance; 
  • Cooperação federativa: a formação de consórcios entre entes
públicos no Brasil. Linhares, Cunha 
e Ferreira;
  • A progressão do caráter federativo das relações institucionais no SUS. Nogueira;
  • Programa federal de apoio à gestão urbana municipal:
 situação e perspectivas. Pereira, Costa, Galindo, 
Balbim;
  • Território e o arranjo federativo para o desenvolvimento brasileiro: 
o caso do nordeste. Mendes;
  • Desafios contemporâneos na gestão
 das regiões metropolitanas. Balbim
, Becker, Costa, Matteo;
  • Fundo de participação dos estados: sugestão de novos critérios
 de partilha que atendam determinação do STF. Mendes;
  • Rateio do fundo de participação dos estados e do distrito federal: avaliação de impacto e de viabilidade legislativa
 das propostas aventadas. Rocha; 
  • Pesos regionais na função de bem-estar social: uma aplicação 
para o fundo de participação dos estados. Vieira
, Monasterio;
  •  A restrição orçamentária maleável na abordagem da segunda
 geração da teoria do federalismo. Boueri.
(O título do livro, tenho que registrar para a posteridade, foi do grande Mauro Oddo).

Dois artigos que deveriam ser lidos e discutidos

Uma grade sacada: Litschig e Morrison exploraram a descontinuidade das faixas do FPM para estimar o efeito das transferências para os municípios sobre pobreza e educação.  Litschig e Irineu usaram a mesma estratégia e capturam efeitos de longo prazo  nos resultados educacionais.
Os resultados são muito surpreendentes. A visão hegemônica diz que apenas mais dinheiro para as prefeituras não gera melhoria dos serviços públicos.  Já eles encontram que recursos adicionais temporários para as prefeituras nos anos 80 tiveram efeitos - bem fortes - no longo prazo. Estranho, mas é o resultado.
(Ah, e eles fizeram o teste de McCrary (2008)  para o dados populacionais da década de 80 e não houve sinais de manipulação. Eu, a propósito, - em TD no prelo - encontro algo suspeito entre 1991 e 2010)

Recenseamento Geral do Império de 1872

O NPHED do CEDEPLAR colocou no ar o Censo de 1872 . Eles acertaram os totais e acertaram uma agregações. Ótimo trabalho, mas a interface - ao menos para mim - não funcionou direito. 
Havia uma alternativa. Faz quase uns 10 anos, o Prof. Puntoni distribuiu pelo Cebrap um arquivo Access com dados completos do Censo de 1872 e 1890 (não me lembro se tinham acertado a totalização). Eu usei aos montes. Hoje, contudo, não encontrei o link no site do Cebrap.
Outra opção: a equipe do Memória Estatística do Brasil digitalizou e pôs os arquivos pdf no Internet Archive os arquivos por Província.
(Cristiano Costa, obrigado pelo aviso da reportagem)

Eu tenho um patrimônio maior do que a soma do detido por 40% dos americanos mais pobres

E você também! Veja as últimas linhas da Tabela 2. A soma do patrimônio líquido dos dois quintis inferiores é negativa. Qualquer um nesses 40% mais pobres também tem  patrimônio maior do que a soma de seus colegas de infortúnio. Sacou?
A sacada foi do @elidourado.

Nova versão do PIB mundial do ano 1 até 2010

Aqui. Trata-se do projeto do Angus Maddison que foi assumido por outros pesquisadores.
A propósito, quem refizer a série de PIB do Brasil no séc. XIX (por região, preferencialmente) dará uma tremenda contribuição para a história econômica nacional.

Allen, Murphy e Schneider "The Colonial Origins of the Divergence in the Americas: A Labour Market Approach"

Certo ou errado, o texto é super importante.

Abstract:
Part of a long-run project to put together a systematic database of prices and wages for the American continents, this paper takes a first look at standards of living in a series of North American and Latin American cities. From secondary sources we collected price data that –with diverse degrees of quality– covers various years between colonization and independence and, following the methodology now familiar in the literature, we built es- timations of price indexes for Boston, Philadelphia, and the Chesapeake Bay region in North America and Bogotá, Mexico, and Potosí in Latin America exploring alternative assumptions on the characteristics of the reference basket. We use these indexes to deflate the (relatively more scarce) figures on wages, and compare the results with each other, and with the now widely known series for various European and Asian cities. We find that real wages were higher in North America than in Latin America from the very early colonial period: four times the World Bank Poverty Line (WBPL) in North America while only two times the WBPL in Latin America. These wages place the North American colo- nies among the most advanced countries in the world alongside Northwestern European countries and the Latin American colonies among the least developed countries at a simi- lar level to Southern European and Asian countries. These wage differences existed from the early colonial period because wages in the American colonies were determined by wages in the respective metropoles and by the Malthusian population dynamics of indigenous peoples. Settlers would not migrate unless they could maintain their standard of living, so wages in the colonies were set in the metropole. Political institutions, forced labour regimes, economic geography, disease environments and culture shaped the size of the economy of each colony but did not affect income levels.


Cingapura

Seguindo as recomendações gastronômicas do Tyler Cowen, visitei Cingapura. É exatamente como dizem: limpa, rica, multicultural, eficiente e com ótima comida de rua.
Aí vai uma foto que indica as preocupações dos locais: notas dos filhos, contas a pagar e negócios:
Agora, de volta a programação normal...
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