ERSA Summer School 2013 - Suécia

"Growth effects of nineteenth-century mass migrations: “Fome Zero” for Brazil?" Stolz, Baten e Botelho.

O choque de capital humano resultante da imigração européia no final dos séc. XIX teria gerado um ganho de USD 75/ano per capita para o Brasil de hoje.
We estimate a long-run trend of Brazilian human capital that extends back to the very beginning of the eighteenth century. With new data on selective immigration during the era of mass migrations at the end of the nineteenth century, we show that human capital endowment of international migrants can induce effects on economic development that persist until today. According to our estimations, the effect of selective immigration on real GDP per capita in the year 2000 is significant and equals around US$75 overall. As a reference, this value equals the amount poor Brazilians get to supplement their subsistence in the “Fome Zero” (Zero Hunger) program. We argue that human capital formation is a highly path-dependent and persistent process.
Os métodos são bem criativos, mas o valor do impacto- os próprios autores sugerem- parece subestimado. 

O melhor do carnaval 2013 - Livros

"Building an entire development strategy on one cluster is as risky as assembling an investment portfolio concentrated in one or two stocks. And history shows clearly that politicians are even worse at picking winners than investment bankers are, which these days is saying a lot."

O melhor do carnaval 2013: vídeos

  • Black Mirror é talvez a melhor coisa já feita para a TV. Além-da-imaginação&ansiedade-tecnológica.
  • Se não consegue levar Downton Abbey a sério, Hunderby é a série para você. Humor barra-pesada, da mesma criadora de Nightly Night.
  • Por fim, Superman, versão hindi. 
(Tudo está disponível aqui e aqui)

"The Econometric Approach to Development Planning"

Allais, Dorfman, Frisch, Haavelmo, Isard, Koopman, Leontief, Malinvaud, Morishinma, Pasinetti, Stone, Theil, Tinbergen e mais gente do mesmo calibre em um seminário no Vaticano em 1963. Que turma!
Em uma semana, dobrou o  QI acumulado dos que pisaram o Vaticano em toda a sua história.
Parte 1 e Parte 2. (Agradeço ao Bruno Cruz pela descoberta)

"Desigualdades sociais e econômicas na História"

Saiu o livro organizado pelo Tarcísio Botelho e Mark Leeuwen com os textos do seminário super bacana que eles organizaram em BH faz uns dois anos. Três econ bloggers têm textos lá: Irineu, eu (com a tradução do nosso texto publicado na RSUE) e o Thomas Kang.



Allen, Murphy e Schneider "The Colonial Origins of the Divergence in the Americas: A Labour Market Approach" novamente

"Capitanias Hereditárias e desenvolvimento econômico: herança colonial sobre desigualdade e instituições" Mattos, Innocentini, Benelli

"Este trabalho tem como objetivo analisar os eventuais efeitos da herança colonial na formação dos municípios brasileiros sobre suas condições atuais de desigualdade de distribuição de terra e renda e sobre a qualidade das instituições. Em particular, empregam-se área, latitude, longitude e a data de fundação para identificar os municípios pertencentes aos territórios das Capitanias Hereditárias (CHs). Em seguida, busca-se estimar se esta característica histórica dos municípios está correlacionada com suas instituições atuais, considerando diversos controles, tais como: área proporcional da capitania; haver pertencido aos ciclos da cana e do ouro; estar no litoral; sua distância em relação a Portugal; tipo de solo; quantidade de chuva; altitude; temperatura média; e as variáveis socioeconômicas municipais. Os resultados sugerem de forma robusta que o município que pertenceu à área destinada às CHs (um aumento de um desvio-padrão) está associado a uma concentração maior de terras (Censo Agrícola de 1996), medida pelo índice de Gini (aumento de meio desvio-padrão), a menores gastos públicos locais e a menor persistência política. No entanto, não se encontrou associação robusta sobre os seguintes indicadores dos municípios brasileiros: desigualdade de renda, Produto Interno Bruto (PIB) municipal per capita, número de agências bancárias públicas, de cartórios e empresas públicas no município, nem na governança local e no acesso à justiça local."
Parabenizo o objetivo dos autores, mas  tenho sérias dúvidas sobre a interpretação dos resultados e  a própria escolha de variáveis. Mas o meu principal ponto é o seguinte: a variável-chave Indice_CH captura mais os efeitos das emancipações municipais recentes (que têm uma tremenda variação estadual) do que o legado institucional de quase cinco séculos.

Federalismo à Brasileira: questões para discussão (org. Linhares, Mendes e Lassance)


Download gratuito do livro aqui. Aí vai o sumário:
  • Federalismo no Brasil: trajetória institucional e alternativas para um novo patamar de construção do estado. Lassance; 
  • Cooperação federativa: a formação de consórcios entre entes
públicos no Brasil. Linhares, Cunha 
e Ferreira;
  • A progressão do caráter federativo das relações institucionais no SUS. Nogueira;
  • Programa federal de apoio à gestão urbana municipal:
 situação e perspectivas. Pereira, Costa, Galindo, 
Balbim;
  • Território e o arranjo federativo para o desenvolvimento brasileiro: 
o caso do nordeste. Mendes;
  • Desafios contemporâneos na gestão
 das regiões metropolitanas. Balbim
, Becker, Costa, Matteo;
  • Fundo de participação dos estados: sugestão de novos critérios
 de partilha que atendam determinação do STF. Mendes;
  • Rateio do fundo de participação dos estados e do distrito federal: avaliação de impacto e de viabilidade legislativa
 das propostas aventadas. Rocha; 
  • Pesos regionais na função de bem-estar social: uma aplicação 
para o fundo de participação dos estados. Vieira
, Monasterio;
  •  A restrição orçamentária maleável na abordagem da segunda
 geração da teoria do federalismo. Boueri.
(O título do livro, tenho que registrar para a posteridade, foi do grande Mauro Oddo).

Dois artigos que deveriam ser lidos e discutidos

Uma grade sacada: Litschig e Morrison exploraram a descontinuidade das faixas do FPM para estimar o efeito das transferências para os municípios sobre pobreza e educação.  Litschig e Irineu usaram a mesma estratégia e capturam efeitos de longo prazo  nos resultados educacionais.
Os resultados são muito surpreendentes. A visão hegemônica diz que apenas mais dinheiro para as prefeituras não gera melhoria dos serviços públicos.  Já eles encontram que recursos adicionais temporários para as prefeituras nos anos 80 tiveram efeitos - bem fortes - no longo prazo. Estranho, mas é o resultado.
(Ah, e eles fizeram o teste de McCrary (2008)  para o dados populacionais da década de 80 e não houve sinais de manipulação. Eu, a propósito, - em TD no prelo - encontro algo suspeito entre 1991 e 2010)
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