Rouanet, Prestes, Olavo de Carvalho e eu

Senta que lá vem a estória: era o ano da graça de 2002 ou 2003. Sabe-se lá o porquê, eu fui chamado para um debate sobre Economia da Cultura com o Olavo de Carvalho e o Luis Carlos Prestes Filho na PUC-RS. Eu, admirador do jerry-springer, wilton-franco, jacinto-figueira-júnior, et caterva, aceitei."Vai ser ótimo. Vai rolar um telecatch entre os dois! Jerry! Jerry!"
Para minha decepção, ambos se trataram muito bem. Gentileza inglesa. Paciência japonesa. (Ou será o contrário?). Nenhum palavrão. Nada de sangue. Nada. Enfim, o clima foi amistoso, quase amoroso.
Eu vim com o meu papinho de que Lei Rouanet é um horror, porque é regressiva, ineficiente e uma porta aberta para rent-seeking e umseteuns. A solução para incentivar a cultura seria um sistema de vouchers, tal como o proposto por Baumol e Bowen. Para minha surpresa, Olavo e Prestes Filho gostaram da idéia e a noite (era noite?) terminou bem chocha.
Hoje: nada mudou. Desfiles de moda, o tal fora do eixo, e um monte de outros escândalos são decorrência direta da farra da Lei Rouanet. O mais esquisito é que a mãe do Supla propôs o sistema de vouchers, ao mesmo tempo que defende a tal Lei. Enfim, ao invés de aproveitar a oportunidade para abolir as leis de incentivo à cultura, tudo ficará igual (ou um pouquinho pior).

Daniel da Mata ganha o Epainos Award 2013

O Daniel da Mata levou o prêmio de melhor paper de jovem cientista no Congresso da ERSA em Palermo. Parabéns!
Com a volta do Daniel ao Ipea, o hotspot universal de prêmios Epainos ficará a apenas 20 metros de mim. Afinal, o Guilherme Resende ganhou um Epainos em 2009. Tomara que eu me beneficie do transbordamento do conhecimento.

Landes, meu vilão favorito

Só soube nesta semana que o David Landes morreu. Brilhante, escrevia como poucos, erudito, coisa e tal.
Contudo, eu gosto mais dos historiadores da Revolução Industrial que se opuseram a ele. Gerschenkron, Nick Crafts e McCloskey puderam mostrar a sua genialidade (e veneno) quando brigaram com o Landes.
Gerschenkron argumentou que cultura e empreendedorismo foram pouco importantes. Crafts mostrou que a Revolução Industrial Inglesa não foi revolução, nem industrial e muito menos inglesa. E a McCloskey.... bem, com McClosey a briga é longa e ela distribuiu pancada para todo lado. Vejam esse trecho dessa resenha de "Riqueza e Pobreza das Nações":
"Although Landes has taught quantitative methods, he has never troubled to learn them."
Essa doeu. 

Indústria e desenvolvimento

O Manual ainda está em promoção

O algoritmo da Amazon resolveu deixar o Manual de sobrevivência na universidade por R$3,99 (56% de desconto). Não sei quanto vai durar, mas já deu para ver que a demanda pelo livro é bem mais elástica do que eu pensava.

ERSA 2013 em Palermo

A Sicília é o lugar do mundo que eu mais gostaria de voltar. Como eu não vou para a ERSA 2013 e a delegação brasileira é grande, aí vão minhas dicas:
  • Canoli na Pasticeria Alba. Piazza Don Bosco, 7
  • A igreja normanda, novinha, é em Monreale. Até eu que só conheço "museus por fora e restaurantes por dentro", gostei
  • Cefalu é pertinho, pequena e super bonita
  • Siracusa é impressionante, mas é bem mais longe e excessivamente turística
No mais, é só aproveitar as ruelas e feiras de Palermo. (Ah, outra coisa: ninguém chama o Aeroporto Falcone-Borsellino pelo nome. Será que é porque foram os dois juízes que mais lutaram contra a máfia? O Falcone, a propósito, levou meia tonelada de dinamite à caminho do aeroporto)
Dica bonus: se alguém esticar em Nápoles, a dica dada pelo Tyler Cowen -e por mim provada -é o Sfogliatelle na: Antico Forno delle Sfogliatelle Calde Fratelli Attanasio. Nada é melhor do que isso.
O evento? Bem, como diz um amigo meu: "Está tudo nos anais!" :-)

Grátis: Manual de sobrevivência na universidade

De graça, só hoje, na Amazon.br e na Amazon.com em versão revista para Kindle.

Poesia na Economia

Planejamento e Políticas Públicas agora é B2

A PPP passou para B2 no Qualis Capes de Economia.  Eu passei a ser editor apenas no começo do ano, então o mérito é todo dos editores anteriores, em especial do Bruno Cruz.
(Eu já falei mal do Qualis, mas posso ser viesado desta vez? Obrigado.)
A propósito, outra novidade é que a PPP número 40 já está impressa e on-line. Eu destaco o texto "O Simples Nacional e a Formalização de Empresas no Rio de Janeiro" de Kalume, Corseuil e Santos. O artigo foi ganhador do Prêmio Ministério da Fazenda de Economia (2012).

Pesquisa básica ainda vale a pena?

Pensando alto:
Só a pesquisa básica em Física do século XX gerou a ressonância magnética, GPS e muita coisa legal. O livro-texto diz que pesquisa básica deve ser subsidiada porque seus benefícios não são todos apropriados privadamente. Sem governo, as externalidades positivas fazem com que a quantidade ofertada seja inferior ao ótimo social. Até aí, tudo bem.
Os retornos da pesquisa básica parecem cadentes. Imagino que criar a mecânica quântica custou baratinho. Hoje, o  Large Hadron Collider é super bacana, mas custa 9 bilhões de dólares e não temos nem ideia dos benefícios sociais (se houver). Enfim, pode ser que os maiores triunfos da pesquisa básica já tenham ocorrido.
Lembre-se que a maior parte da pesquisa básica dá com os burros n'água e que as coisas fáceis já foram descobertas. Pense na margem. Um real a mais em pesquisa básica pode ter um retorno social inferior ao seu custo (ou a outras aplicações alternativas). Logo, não deve ser financiado nem pelo setor público.
Tomara que eu esteja errado. Mas é curioso que economistas cautelosos sejam tão otimistas quanto ao potencial da pesquisa básica.
(A propósito: eu também acho que todas as músicas que eu gostaria de ouvir já foram feitas e não estou muito preocupado com os os direitos autorais dos compositores. Ou seja, pode ser que eu seja apenas um ranzinza pessimista.)
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