Lei Seca e o protecionismo brasileiro
Segundo a tese Bootleggers and Baptists (B&B), uma regulação é implementada quando dois grupos aparentemente opostos a apoiam. De um lado, estão os bem-intencionados que querem impedir um comportamento; de outro, os que ganharão com a regulação. O exemplo inspirador da tese é a Lei Seca. Religiosos e traficantes de bebida se juntaram para banir o álcool. Ambos ganharam com a regulação e quem perdeu foi o bebedor americano.
O protecionismo no Brasil é um bom exemplo de B&B. Economistas desenvolvimentistas e políticos - talvez tão sinceros quando os batistas- desejam "o adensamento das cadeias produtivas", "a proteção do emprego nacional", "a defesa dos setores de alto valor adicionado" e outros clichês. Acreditam que assim a economia crescerá e a desigualdade cairá. Já empresários e políticos rent-seekers fazem coro, fingindo nacionalismo, mas sabendo que vão ter lucros extraordinários com a proteção.
A Lei Seca foi o fracasso dos que defendiam a abstinência alcoólica. Nunca se bebeu tanto e o crime organizado se consolidou. Os desejos dos desenvolvimentistas também são tiros no pé. Querendo garantir crescimento e igualdade, acabam gerando ineficiência, estagnação, corrupção e desigualdade. Empresários e políticos corruptos ganham; o trabalhador perde.


