O Encontro Entre Douglass North e Celso Furtado em 1961

O texto do Boianovsky e meu foi publicado no número mais recente da RBE.
Comentários continuam sendo bem-vindos!

Divulgação: especialização em econometria e métodos quantitativos em finanças (Brasília)

Meus colegas da UCB oferecem o curso. Maiores informações aqui.

Resposta ao texto de Alexandre Borges na FSP 23/12/2017

Eu costumo dizer que brasileiro preocupado com imigração é como beduíno perdendo o sono com a chegada das monções. Contudo,  meu texto sobre imigração para a coluna Debates da Folha de São  Paulo rendeu respostas bem inusitadas no Twitter. Fui chamado de esquerdista por uns que acharam  que eu tinha escrito uma resposta ao Alexandre Borges (AB, doravante).
Pensei que tinha ficado claro que os textos foram escritos simultaneamente. Eu não li o artigo do AB e, creio eu, ele não leu o meu antes da publicação.
Ainda estou de férias, mas voltei de viagem ontem e -agora sim-   respondo ao texto de AB aqui .

"Descendente de japonês está 1 ano na frente em matemática na rede pública" Folha

A pesquisa da dissertação de mestrado do Daniel Lopes na UCB rendeu a capa da Folha de São Paulo da véspera de Natal (aqui e aqui). O estudo foi co-orientado pelo Geraldo Silva Filho (Inep). Foi um prazer trabalhar com ambos. O link para uma versão preliminar do paper está aqui.

5o. workshop de História Econômica - 2018

O primeiro workshop,  ocorrido faz mais de uma década (eu acho), foi o melhor evento que já fui no Brasil. O deste ano, mais uma vez organizado pelo Renato Colistete, certamente será ótimo também. Acontecerá no Insper- SP e a data limite para envio dos trabalhos é 2 de abril.
A chamada  completa em português e inglês está aqui. Por favor, divulguem nas redes sociais.

A nova Lei de Imigração traz riscos para o Brasil?

Eu escrevi o não para a coluna Opinião da Folha de São de Paulo.  Os sem-folha podem ler aqui.

Como era o Brasil Império?

Todo mundo têm o direito de ser monarquista, flamenguista ou cambista.  Só não dá para ser vigarista. Esbarrei em textos sobre o Império que inventam números absurdos. Vamos aos fatos.

Aspectos econômicos:
  • O Brasil era muito pobre. Em 1872, Brasil tinha PIB per capita menor do que a Somália de hoje. Não era só que o Brasil era pobre, mas o país ficou para trás perante o resto do mundo durante o Império. Em 1820, Brasil tinha o 18o PIB per capita dos 48 países sobre os quais há dados.  Em 1870, nosso país era 42o. de 67 países. A comparação com os EUA também mostra o mesmo fenômeno: o país passou de 50% do PIB per capita norte-americano para pouco mais de 20% (Maddison).
  • Rola no submundo da internet que a Economia Brasileira era a 4a do mundo no Império. Lorota. Era a 22a do mundo. Vejam a lista:

  • Não havia equilíbrio fiscal. É verdade que o Império não era caloteiro, mas a dívida interna passou de 14 mil contos de réis (1830) para 434 mil contos (1889) (Ordem do Progresso, p 23). Além disso, veja o que aconteceu com a dívida externa:


  • O gráfico acima foi retirado do sensacional "Inglorious Revolution – Political Institutions, Sovereign Debt, and Financial Underdevelopment in Imperial Brazil", do William Summerhill: 

 
  • A capa do livro, a propósito, representa o Governo Imperial distribuindo crédito para os cafeicultores às vésperas Abolição.
  • Os preços pelo menos dobraram no Brasil entre 1830 e 1889. Nos EUA , caíram 10% e na Inglaterra, 30% no mesmo período. (Fonte: Ordem do Progresso, p. 19.)
Aspectos sociais:
  • Em 1872, 16% da população era escrava (Censo de 1872). Sempre é bom lembrar que o Brasil foi o último país do Ocidente a acabar com a escravidão. ("Ah, mas a MembroDaFamíliaReal era contra a escravidão". Nenhum mérito. No século XIX, todo mundo já se pronunciava contra a escravidão);
  • A expectativa de vida  ao nascer era de 27,4 anos (Mello, P. C. (1984). A economia da escravidão nas fazendas de café: 1850-1888. PNPE: Rio de Janeiro.)  e 85% do brasileiros eram analfabetos (Censo de 1872); 
  • Após a Lei Saraiva (1881) só 1,5% da população votou. Antes, é verdade, até que se votava bastante no Brasil, quando comparado a outros países do mundo.
  • Claro que todos os dados  aqui representados são imperfeitos. Os dados de PIB, por exemplo, são muito criticados e talvez realmente estejam subestimados. Contudo, por maiores que sejam os erros, eles não são suficientes para transformar o Brasil nessa maravilha do século XIX que os monarquistas querem pintar.

Quanto Marcela gastou?

A much beloved Vera me perguntou qual o valor atual dos 11 contos da frase famosa do Memórias Póstumas de Brás Cubas:
"Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos."
Um bom dinheiro. 200 mil réis era mais ou menos o que ganhava um trabalhador pouco qualificado por ano. Assim, os 11 contos poderiam comprar o trabalho de uns 55 trabalhadores durante um ano.
Vou fazer a conta de outro jeito. A taxa de câmbio em 1880 era 22 pence por mil-réis. 11 contos = 243 mil pence. Lembrando que o sistema monetário inglês não era decimal, isso resulta em umas 1000 libras ; ou 83.000 libras de hoje. Em reais, pós- Brexit, dá uns R$ 357 mil. Ou seja, Marcela e Brás Cubas torraram R$ 23 mil por mês.

 A propósito, esses 11 contos de réis foram um pouco abaixo dos 12 contos de réis em títulos públicos que Machado de Assis deixou para a menina Laura (filha da sua sobrinha). O testamento do Machado está no ótimo "A Economia de Machado de Assis", do Gustavo Franco.

(Em um post antigo, também respondendo ao pedido da Vera, eu calculei aqui o custo do Baile da Ilha Fiscal. E se você gostou deste post, também gostará do post do Brad Delong: Quão rico era Fitzwilliam Darcy?)

Diversos


Mestrado e Doutorado em Economia na UCB

O edital está aqui.  O programa recebeu a nota 6 na mais recente avaliação da Capes.
As aulas são das 8 às 10 da manhã e à noite nos dias de semana. (Para quem não sabe, eu sou professor do programa em tempo parcial na área de Economia Regional)
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