Descubra quem é o presidente do IPEA

Aqui. Tem formação interdisciplinar, experiência administrativa e ocupa uma função socialmente relevante.

Determinismos

Pode ser só um problema meu, mas estou meio saturado da discussão geografia X instituições. Eu adorava esse debate, mas agora acho que lembra a briga nature X nurture em escala ampliada. Estou tão de saco cheio que nem encarei a resenha do Jared Diamond sobre Acemoglu e Robinson.
Ando com mais vontade de reler o sensacional texto do Douglass North de 1959  do que ler os últimos livros sobre o assunto.
Na verdade, o que eu tenho que fazer não é ler nada disso. Tenho é que correr com o meu paper para a ENABER.

Cuba, mais uma vez

Diversos

Gintis e Sandel

Eu curti muito as aulas on-line do Michael Sandel, mas não li seu livro novo. O Herbert Gintis - que está longe de ser ortodoxo - leu e não gostou. Vejam o tamanho da pancada:
"Sandel’s lack of economic sophistication also leads him to misrepresent a key issue in contemporary economic policy: the role of corruption in economic efficiency and growth. According to Sandel, corruption is a purely moral issue: “corruption . . . . points to the degrading effect of market valuation and exchange.” In fact, corruption is a major impediment to economic growth in both developing and developed economies, as stressed by economists Daron Acemoglu and James Robinson in their new book Why Nations Fail. This second error is far more serious than the first. By focusing on the marketability of particular things, Sandel misses the larger effect of an economy regulated by markets on the evolution of social morality. Movements for religious and lifestyle tolerance, gender equality, and democracy have flourished and triumphed in societies governed by market exchange, and nowhere else." (grifos, sublinhados e tudo mais são meus).

Quando proteger a indústria?

- Quando a indústria for nascente, porque ela é nascente.
- Quando a indústria for madura. Pois é preciso preservar os empregos;
- Quando a indústria for decadente. E deixar que se perca tamanho know-how acumulado no setor?
- Quando os termos de troca forem desfavoráreis. Afinal, só com a indústria fugiremos da tendência secular da deterioração dos termos de troca;
- Quando os termos de troca forem favoráveis. Ora,  é preciso combater a doença holandesa e, além disso, a maré pode virar;
- Se o desemprego estiver alto, devido ao efeito multiplicador da atividade manufatureira;
- Se o desemprego estiver baixo, para reduzir os custos e a pressão sobre a inflação;
- Se der praia no final de semana;
- Se não der praia.

O grande Fishlow e o futuro do Brasil

Ele está otimista! Um texto bem interessante; um contraponto à nova maré pessimismo (via @drunkeynesian)
Na verdade, no longo prazo, o melhor aluno do Gerschenkron diz que o Brasil tem futuro apenas se for feita a reforma da previdência  e se o petróleo não for gasto em besteira. Eu pergunto: quais são as chances realistas disso acontecer?

"Capitalism with Chinese Characteristics" Yasheng Huang

O livro desfaz tudo aquilo que eu achava que sabia sobre a China. Ele é resultado de uma pesquisa profundo nos dados e documentos. Ao que parece, os ocidentais entenderam tudo errado. Se o autor estiver certo:

  •  O capitalismo chinês nasce no campo, nos anos 80, de baixo para cima, nas províncias mais pobres. Tudo indica que esse crescimento foi o maior responsável pelos avanços sociais dos mais pobres; 
  • Nos anos 90, há um retrocesso deliberado na liberalização. O privilégio passa a ser para as empresas estatais e para o capital estrangeiro e o desenvolvimento nas áreas rurais é reprimido. O resultado é o aumento na desigualdade e piora - por vezes absoluta! - nos indicadores sociais;
  •  Boa parte das TVE (Town and Village Enterprises) eram - ao contrário do Stiglitz e outros acreditaram - empresas privadas; 
  • Shanghai é o exemplo de tudo que há de errado no capitalismo chinês. Pouco empreendedora, intervencionista e desigual. Ou seja, o exato oposto que muitos visitantes (inclusive eu) observaram. 
Algumas críticas: 
  • O estilo do livro é bem repetitivo. O autor repete os mesmos pontos uma centena de vezes; 
  • Claro que eu não tenho conhecimento sobre a China para criticar a qualidade dos dados e das análises. Fico só imaginando se ele não está contando uma história que é frequente nos países em rápido desenvolvimento. A partir de certo ponto, a política pública passa a favorecer os setores urbanos mais próximos do Estado e das grandes empresas em detrimento dos demais. 
O autor destrói a visão de que o estado chinês foi exemplar na condução da transição para o capitalismo. O que deu certo aconteceu apesar da atuação do Estado. Portanto, as supostas lições chinesas são mais do que questionáveis.  Enfim, mesmo que o livro tenha lá seus exageros, ele é obrigatório para qualquer um interessado sobre a China.


Será que o Delfim estava certo?

Essa vai para os PNADeiros. O Bolsa Família custa barato: uns 0,5% do PIB e, portanto, uns 1,5% da carga tributária (Tirei o número da mémória. Não tenho certeza se é isso mesmo.). Em 1976, quanto custaria fazer um programa idêntico? Não só o PIB e a carga tributária eram bem menores, como o percentual de pessoas abaixo da linha de pobreza, bem maior.
Se alguma boa alma usar o tempo de procrastinação para fazer a conta, eu agradeço.

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