Diversos

  • Eu nunca li o Niall Fergunson e nem estou aí para essa briga recente com a blogosfera americana. As Reith Lectures  dele são apenas ok, mas os debates são bem legais;
  • Adolfo está escrevendo um livro e já circula os primeiros capítulos;
  • Quando eu defendo o uso de randomized controlled trials nas políticas públicas, eu esqueço que isso não é feito - lamentavelmente - nem na medicina;
  • Eu não uso mais o OpenGeoDa, mas aviso aos navegantes que acabou de sair a versão 1.2.
  • O texto de Pereira, Nadalin, Albuquerque e meu foi aceito na Geographical Analysis. Ueba. Em breve estará disponível nos periódicos capes da vida.

Minha lista de leitura de Tópicos em Economia Regional na UCB

... ou o instrumental da microeconometria (RCT, IV, Dif-in-Difs, PSM) adaptado para a avaliação de políticas regionais. Os textos base são "Econometria" (Stock e Watson) e o  "Mostly Harmless Econometrics" (Angrist e Pischke).
Compartilho com vocês a lista de leitura que montei para o curso (sugestões seguem sendo bem-vindas):
ANGRIST, J.; PISCHKE, J. S. The Credibility Revolution in Empirical Economics: How Better Research Design Is Taking the Con out of Econometrics. Journal of Economic Perspectives, v. 24, n. 2, p. 3–30, 2010.
BURSZTYN, L.; COFFMAN, L. C. The Schooling Decision: Family Preferences, Intergenerational Conflict, and Moral Hazard in the Brazilian Favelas. Journal of Political Economy, v. 120, n. 3, p. 359 - 397, 2012. (Não é regional, mas é muito bom mesmo e eu precisava de um texto de randomized control trial).

BUSILLO, F.; MUCCIGROSSO, T.; PELLEGRINI, G.; TAROLA, O.; TERRIBILE, F. Measuring the effects of European regional policy on economic growth: a regression discontinuity approach. . [S.l.]: Working Paper. Disponível em: . Acesso em: 16 ago. 2012. , 2010.

CHAGAS, A. L. S.; TONETO, R.; AZZONI, C. R. A Spatial Propensity Score Matching Evaluation of the Social Impacts of Sugarcane Growing on Municipalities in Brazil. International Regional Science Review, v. 35, n. 1, p. 48–69, 2012

CRISCUOLO, C.; MARTIN, R.; OVERMAN, H.; REENEN, J. VAN. The causal effects of an industrial policy. . [S.l.]: National Bureau of Economic Research. Disponível em: . Acesso em: 21 ago. 2012. , 2012.

FALCK, O.; FRITSCH, M.; HEBLICH, S. Bohemians, human capital, and regional economic growth. [S.l.]: CESifo, Center for Economic Studies; Ifo Institute for economic research, 2009. 
FALCK, O.; HEBLICH, S.; KIPAR, S. Local industrial policies difference-in-differences evidence from a cluster-oriented policy. 36th annual conference of EARIE (European association for research in industrial economics) in Ljubljana, Slovenia, in September. Anais... [S.l: s.n.]. Disponível em: . Acesso em: 16 ago. 2012. , 2009.

NUNN, N. The Long-Term Effects of Africa’s Slave Trades. Quarterly Journal of Economics, v. 123, n. 1, p. 139–176, 2008.
RESENDE, G. M. Measuring Micro- and Macro-Impacts of Regional Development Policies: The Case of the Northeast Regional Fund (FNE) Industrial Loans in Brazil, 2000–2006. Regional Studies, n. Forthcoming, p. 1-19, 2012.
A propósito, o site da União Européia Inforegio tem um ótimo guia introdutório para a avaliação contrafactual de políticas regionais. 

A educação acabaria com a desigualdade regional no Brasil? (cont.)

Só para esclarecer o post anterior:
- Não se pode partir de regressões mincerianas (ou seja,  regredir salário sobre características individuais, incluindo escolaridade) para estimar o efeito agregado da educação nas regiões. Afinal, existem efeitos de equilíbrio. Se todos tiverem educação boa, cai o diferencial entre os mais e os menos educados;
- A educação deve melhorar porque - ora bolas! - é o mínimo que qualquer país decente deve fazer. Se outras coisas melhorarem, ótimo. Isso me lembra aqueles estudos que mostram que aplicar vermífugo nos estudantes reduz o absenteísmo. Bela notícia, mas matar os vermes era motivo suficiente para apoiar o programa, mesmo antes dos resultados;
-Enfim, repetindo o ponto: existem determinantes econômicos da desigualdade regional que vão além das características individuais. Não estou dizendo nada de novo. Só me ocorreu que o caso francês fornecia um exemplo interessante (e um gráfico bacana). 

A educação acabaria com a desigualdade regional no Brasil?

Claro que um choque de educação no Brasil reduziria as disparidades, mas o mecanismo tem seus limites. Façamos o exercício: suponha que existe um país que - por gerações - ofereça a mesma educação pública em todas as suas regiões. Quando eu digo a mesma, é realmente a mesma educação. Suponha que o país se chame França. Veja o gráfico abaixo com a renda disponível per capita das regiões da União Européia. Pois é, a desigualdade regional francesa é considerável. (Se olharmos para a renda primária -sem transferências- a diferença entre a região mais rica e a mais pobre chega a 67%).

Fonte. 

Hoje eu não comemoro o dia do economista

Todo dia 13 de agosto eu retomo a campanha.  Viva o Festivus! A propósito, outras causas que eu apóio: "Plutão é planeta" e "Abaixo o caps lock". A luta continua!

Só off-topic


Uma tribo tão chata que ninguém quer pesquisar

The Baining—one of the indigenous cultural groups of Papua New Guinea—have the reputation, at least among some researchers, of being the dullest culture on earth. Early in his career, in the 1920s, the famous British anthropologist Gregory Bateson spent 14 months among them, until he finally left in frustration. He called them “unstudiable,” because of their reluctance to say anything interesting about their lives and their failure to exhibit much activity beyond the mundane routines of daily work, and he later wrote that they lived “a drab and colorless existence.” Forty years later, Jeremy Pool, a graduate student in anthropology, spent more than a year living among them in the attempt to develop a doctoral dissertation. He too found almost nothing interesting to say about the Baining, and the experience caused him to leave anthropology and go into computer science.
Agradeço ao Pedro Souza pelo link! (A história depois perde a graça porque os antropólogos descobriram que eles não eram tão malas assim).

Precisa limpar dados?

Google refine!
De nada.

A primeira análise quantitativa dos dados dos salários do executivo

Aqui e aqui.
Os "Ricardo" ganham mais e as "Thais", menos. (Obrigado ao Acir Almeida pelo link).
Epa! Agora todos os dados estão disponíveis em um arquivo csv (137 megas)!

Um documentário em painel com n=14, t=8

Em 1964, 14 crianças inglesas foram entrevistadas para o documentário 7 up. Desde então, as câmeras voltaram a procurá-las a cada sete anos. Agora eles já têm 56 anos. Isso resultou na Up series.
Nos primeiros filmes, a ênfase era na desigualdade social. As crianças ricas - aos sete anos - já sabiam toda sua carreira escolar e universitária. Diziam que iriam para Oxbridge e até especificavam o college! Já um pobrezinho perguntou "What is a University?" Dureza. Com o tempo, os filmes mudaram de tom e se voltaram para questões individuais.
Eu assisti os DVDs da série até o 49 Up. Eu mais do que recomendo todos os filmes. Quem quiser uma panorâmica, pode ver os dois extremos: 7 up está disponível no youtube e o 56 up, no lugar de sempre.
A propósito, faz tempo, eu assisti ao filme russo Anna dos 6 aos 18, em que o diretor repete perguntas para a filha a cada ano (O que você mais ama?; O que você mais teme?; O que você mais deseja?; O que você mais odeia?). Fosse eu pai, faria esse experimento com o meu filho.
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