Manual / Estudo

Estudo


"Quem lê, não estuda", um professor meu dizia. Isso é a pura verdade, ficar só lendo a matéria não resolve nada. Você lê, lê, lê o mesmo parágrafo e a cabeça começa a viajar. Depois de algum tempo, você se autoengana que entendeu a matéria, mas não lembrará de nada em um par de horas. Esse princípio vale para todas as áreas, mas a tentação de só ler é maior naquelas em que dá para estudar deitado, ou seja, as ciências humanas.
Não fique só na leitura. Faça exercícios, explique a matéria para você mesmo, elabore resumos. Qualquer coisa é melhor do que só ler os textos da disciplina.
Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado

Manual / Frequência

Frequência


A maior parte das universidades brasileiras cobra presença dos alunos de graduação. Isso não acontece nas universidades dos EUA nem da Europa (Portugal, eu não sei. Mas Portugal fica perto, porém não exatamente na Europa).
Como professor, eu tenho sentimentos opostos sobre a presença. Claro, incomoda que, nas vésperas da prova, apareça um monte desconhecidos querendo aprender o conteúdo em dois dias. Isso ocorre quando a presença não é cobrada. Por sua vez, é um tanto peculiar que adultos sejam cobrados por estarem onde escolheram estar. Os argumentos para defender a cobrança de presença são estranhos. Quando comecei a dar aulas, um coordenador me disse que eu deveria cobrar presença porque "se um aluno cometer um homicídio, ele pode usar a sua lista de chamada como prova para escapar da cadeia". Ele falava sério.
Eu recomendo que você assista à aula. Se você for estudioso, será uma oportunidade de tirar dúvidas e perceber as nuanças do tema apresentado. Se você não for estudioso, acaba aprendendo algo, nem que seja por osmose.
Na sala de aula, não tente enganar o professor fazendo perguntas vazias para ganhar pontos por participação. Isso poderia funcionar nas aulas do primário, mas a maior parte dos professores é hábil em perceber quando um aluno não leu a matéria e só quer fingir que é ativo.

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Manual / Escrita

Escrita


Alguém já disse que o texto fácil de ler foi difícil de escrever. Aqueles que dizem que "adoram escrever", raramente, escrevem bem. Escrever bem é trabalho e, como tal, não é prazeroso. Escrever é difícil porque, quando você coloca as ideias no papel, as incoerências, falhas do argumento e mesmo sua ignorância ficam claras. Escrever um texto com sentido implica em superar essas falhas. Lamento, mas essa é a dor do parto do texto, especialmente, o científico.
Sim, existem exceções: pessoas que escrevem muito bem sem esforço. Essas exceções, exceções são, ora bolas. A má notícia é que esse talento é inato. Não adianta nem tentar ser um grande escritor. Ou você nasce com o talento ou não. A boa notícia: ser um escritor bem bom é quase fácil. Basta você seguir algumas regras simples e seu texto vai ser bom o suficiente para que todos gostem.
Um texto bom convence as pessoas. O mundo é um lugar muito interessante e existem muitas coisas melhores no mundo do que ler um texto científico. Portanto, a sua primeira tarefa é capturar a atenção do leitor e convencê-lo de que o seu artigo diz algo interessante.
Para cativar o leitor, você não precisa ser um gênio da língua portuguesa. Basta que você escreva de forma clara em um texto estruturado e claro. Lembre-se: leitor descansado = leitor feliz = leitor generoso. Isso também não é fácil, mas - seguindo algumas regras (e quebrando outras) - é tarefa perfeitamente alcançável:
  • A maior parte dos textos que você gosta foi reescrita e retrabalhada várias vezes. Alguém também já disse: "Não existe texto bem-escrito, só texto bem reescrito". Não se envergonhe de fazer isso, é uma necessidade.
  • Tenha um leitor cobaia da sua área. Se ele não entendeu o texto, a culpa é sua. Repetindo: a culpa é sua. Reescreva o texto.
  • As duas partes mais importantes do seu trabalho são o Resumo e a Introdução. São nelas que o leitor vai primeiro passar os olhos para descobrir a razão de ser do seu paper.
  • O texto é escrito ao contrário da ordem de leitura. A Introdução e o Abstract são as últimas partes escritas de qualquer trabalho científico. Só depois de concluir é que você poderá dizer o objetivo do trabalho. Se você é totalmente linear e faz questão de fazer tudo na ordem, ok. Mas lembre-se que será trabalho perdido. Você terá de trocar tudo.
  • Parece uma obviedade, mas você precisa aprender a usar o seu processador de texto. Hoje é mais raro, mas era muito comum ter gente que fazia o recuo da primeira linha usando Tab ou vários espaços. Aprenda a usar os estilos do Word. Sua vida vai ficar bem mais fácil.
  • No corpo do texto, cada parágrafo deve ter uma ideia e - de preferência - ela deve ser exposta na primeira frase. A nossa professora de escola já tinha nos ensinado que para cada ideia deve corresponder um parágrafo, mas ela - talvez pensando que continuaríamos escrevendo textos narrativos como "Minhas férias"- esqueceu-se de falar desse truque da primeira frase em textos argumentativos/expositivos. Ou seja, logo na abertura o parágrafo, já deve dizer a que veio. As frases seguintes são apenas para desenvolver e detalhar o que foi dito no começo. A última frase do parágrafo é também muito importante. Ela deve retomar a ideia inicial ou abrir caminho para o próximo parágrafo. Às vezes, essa estrutura de parágrafo não vai ser possível. Tudo bem. Mas tente se obrigar a pensar no texto dessa forma.Você pode repetir palavras. Eu sei que a sua professora ensinou a evitar isso, mas é pura perda de tempo ficar buscando sinônimos para palavras que, ao longo do seu texto, têm de ser repetidas. O leitor pode até achar que você está falando de outra coisa se o sinônimo não for perfeito.
  • Fingir profundidade com frases longas e palavras obscuras ou vagas funciona com uns figurões de algumas áreas das ciências humanas. Para mim, os textos dos grandes "intelectuais" só fazem com que os meus fusíveis mentais rompam na tentativa de proteger a minha cabeça. Isso gera sono ou o desejo de incendiar o livro. Esses figurões alcançaram tanta importância que os leitores suam para entender aqueles parágrafos incompreensíveis. Como você não tem esses seguidores, o jeito é ser bondoso com o leitor e se esforçar para tornar a leitura mais fluída possível.
  • Alguém disse "escrever é cortar palavras"; É a mais pura verdade. Releia o texto e procure primeiro pelos advérbios. Eles são os candidatos a serem cortados primeiro. Eu costumo fazer uma busca por "mente" e apago os que não são essenciais. Tenha cuidado também com o "queísmo", aquela mania de colocar "que" desnecessários nas frases.

Resumo

Ao invés de começar o Resumo dizendo que:
"O tema da influência da televisão na saúde mental de adultos tem sido muito discutido ultimamente e é bastante interessante. Em vários estudos, por todo o mundo, encontrou-se evidência que a exposição... (bocejo)... (bocejo)... (ronco)".
Diga:
"Cada hora diária a mais na frente da televisão aumenta as chances de ter esquizofrenia em 16%. Esse resultado foi obtido a partir de um banco de dados com..."
Não ficou melhor?

O arquivo lixo

Uma das coisas mais preciosas quando se escreve é um arquivo chamado "lixo.docx". Quando você escreve, tem horas que você se solta e começa a ter ideias que parecem sensacionais. Depois, relendo o texto, você verá que elas não são tão boas assim. Você fica tentado a apertar o Delete, mas não quer perder o seu suado trabalho. A solução é copiar o trecho para o arquivo lixo.
Você vai notar que a mera existência do arquivo lixo lhe deixará mais solto na hora de escrever e também mais corajoso na hora de cortar o seu texto na revisão. De tempos em tempos, passe os olhos no arquivo e veja se há alguma ideia que deve ser recuperada para o texto principal ou ampliada.

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Manual / Epígrafe

Epígrafes


  • A função daquela frase entre aspas é mostrar para o leitor quem você é sem que ele tenha o trabalho de ler o texto. Capriche.
  • A melhor fonte de epígrafes está no seu próprio caderno de campo. Nas suas leituras, se você fez direito, deve haver uma frase muito boa que se encaixa bem no espírito do trabalho.
  • Eu já vi de tudo como epígrafe: trechos da bíblia, poesia e letras de música. Mas nada de pegar aquelas frases compartilhadas no Facebook com máximas atribuídas ao Gandhi, Chaplin ou ao Einstein. Por via de regra, eles não foram os culpados por aquelas frases com milhares de "Curtir". Livros de citações também devem ser evitados porque as boas frases já foram usadas.
  • Resumindo, a epígrafe é o chapéu da tese. Bem-escolhida, ela marca o seu trabalho; mal-escolhida, a epígrafe só mostra que você é um babaca.

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Manual / Email

E-mail


  • Naum ixcreva com ortografia da internet. Parece q vc eh um idiota. Huahuahahau;
  • Nunca mande aqueles e-mails com pedidos para crianças doentes, dia do amigo, correntes ou qualquer outra coisa com arquivos PPT para os pesquisadores.
  • Se for mandar mensagem para a sua lista de amigos, coloque os endereços no campo "Com cópia oculta" ou "Cco" (Bcc, se o seu programa de e-mail é em inglês). Isso impede que algum dos seus destinatários, um mais mal-educado, use a lista de e-mail que você mandou para distribuir lixo aos seus amigos.
  • Na comunicação na academia, não use endereços eletrônicos engraçadinhos ou que revelam seus desvios de personalidade. Ex.: pitbull82@hotmail; beto_flamengista@yahoo.com.br; 30cm20anosSM@uol.com.br.
  • Não use a letra maiúscula. Nunca. Quando você trava o capslock parece que você está GRITANDO. Não use o capslock, nem quando você quiser gritar no e-mail. Afinal, berrar com os outros é feio (veja a última recomendação).
  • Cuidado com o tamanho dos anexos. Depois do Gmail e das conexões de banda larga, os limites aumentaram. Como regra de bolso, sugiro 1 mega como o tamanho máximo de arquivo. Se você tem arquivos bem maiores do que isso, existem três alternativas: a) fazer o upload de arquivo para algum serviço on-line. Você só envia um link para o destinatário; b) Escrever antes para a pessoa, perguntando se pode mandar; c) Gerar um arquivo PDF. Os arquivos Acrobat tendem a ser bem menores do que os do Word, especialmente, quando estes têm gráficos, tabelas e figuras incorporados.
  • Sobre o tempo de resposta de um e-mail: para aqueles que exigem uma resposta urgente, espere até uma semana para repetir o pedido.
  • Nem pense em tirar dúvidas sobre os conteúdos da disciplinas disparando e-mails contra o professor. Marque um horário de atendimento.
  • Nunca mande algo secreto ou privativo por e-mail. Encare e-mail como um cartão postal. Tudo que você escreve não só pode ser lido por qualquer um, como pode ficar no equivalente digital de uma mesa em que todos podem ler.
  • Nunca mande e-mails quando revoltado ou bêbado. Eu sei que é difícil cumprir essa recomendação, mas tente internalizá-la com se fosse um tabu. Está com raiva? Não preencha o campo "Para", escreva com toda a fúria, mas resista a clicar no "Enviar". Guarde nos "Rascunhos". No dia seguinte, mais calmo e/ou de ressaca, as coisas terão outra perspectiva.
  • E-mails não têm tom de voz e isso pode gerar muitos desentendimentos. Ironias são imaginadas, sarcasmos lidos nas entrelinhas e desprezo entendido em frases inocentes. Às vezes, é melhor pegar o telefone e ligar para resolver a treta ouvindo a voz do interlocutor do que perder seu tempo digitando furiosamente até que tudo fique esclarecido.
  • Se você pediu alguma coisa por e-mail, e a outra pessoa fez, não esqueça de mandar um e-mail de gratidão. Mesmo que você tenha incluído um "Desde já grato" no e-mail pidão, não custa nada um "Muito obrigado" em retribuição. Se fosse ao vivo, você agradeceria. Então, não há razão para não ser igualmente bem-educado no e-mail.

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Manual / Defesas

DEFESAS

Enfim, a hora se aproxima. Você já está prestes a entregar a versão para a banca, não aguenta mais ver a cara do orientador (e vice-versa). Chegou a hora.
Fique tranquilo. Se o seu orientador aceitou que você vá para a banca existem duas possibilidades: a) Seu trabalho é no mínimo razoavelmente bom e, apesar de sofrer, você será aprovado no final das contas. Uma coisa que qualquer orientador morre de medo é de passar vergonha na frente dos colegas. b) Seu orientador é doido ou um mau-caráter (ou ambos) e quer levar você para os leões como jantar. Se isso acontecer, o que é muito improvável, você não tem muito que fazer. De qualquer modo, você vai ter de fazer o seu melhor na apresentação.
A sua defesa é tão importante quanto a sua primeira vez. E tão apavorante quanto. Outra semelhança: por mais que você tenha praticado, as outras partes são mais experientes do que você. A principal diferença – eu imagino – é que na tese ninguém estará bêbado.
Procedimentos para uma defesa feliz:
Leia o verbete Tese.
Você viu um erro horroroso depois de ter enviado a tese? Não entre em pânico. Faça uma errata e envie por e-mail para o seu orientador avaliar e encaminhas aos membros. Na hora da defesa, peça desculpas para a banca e distribua cópias da errata antes do começo da defesa. Mas isso só para erros feios mesmo. Para pequenos tropeços, deixe estar e só corrija na versão final. A banca precisa de algo para se alimentar.
Tenha uma versão da tese com a mesma paginação da que foi distribuída para a banca. Nada pior do que ficar indo e voltando nas páginas para achar o trecho que o membro da banca está se referindo.
A defesa não é o momento para sentimentalismos nem agradecimentos rasgados. Você pode ser mais informal e até contar um pouco dos bastidores e motivação da pesquisa, mas não exagere na informalidade.
Não discuta com a banca. Defenda seu ponto e o seu trabalho. Você vai ser criticado e algumas críticas serão injustas. Você não precisa sair da sala tendo convencido toda a banca de que tem razão. Esfrie a cabeça e responda sempre tentando evitar o confronto direto. Exemplo. Se o membro da banca disse uma sandice completa, ao invés de dizer: "Que absurdo! Nunca houve bobagem maior na vida", você pode dizer - sem tom de ironia: "Infelizmente, eu não conheço a literatura ou os autores que defenderam esse ponto".
Não tente responder a todas as perguntas. O normal é o membro da banca fazer as perguntas em sequência. Vá anotando e, quando for a sua vez de falar, responda aquelas que você está seguro. Às vezes, o membro da banca não entendeu um ponto trivial e vai ser fácil responder. Se for mesmo impossível saltar as questões mais cabeludas, não há problema em agradecer a "ótima" pergunta e dizer que não tem certeza para a resposta, mas que vai examinar a questão.
Curada a ressaca da comemoração, corra para fazer as correções sugeridas pela banca. Procrastinação é imperdoável nesses casos. Livre-se logo do encosto e toque a sua vida!
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Manual / DCEs e centros acadêmicos

DCEs e centros acadêmicos


Frequente o DCE se você tiver dois interesses: maconha e sexo com pessoas de hábitos de higiene pouco rigorosos. É natural que isso atraia a sua atenção durante alguma fase da sua vida (um final de semana, de preferência), mas o DCE traz riscos para a saúde. Você vai ver a barba crescer e você vai começar a achar que as camisetas do Che Guevara lhe caem bem. Se você ficar muito tempo no CA, você se transformará no homo oligo-sapiens passeatotum e em tudo aquilo que você, em 15 anos, repudiará.
Existe gente que pensa que o DCE é o primeiro passo em uma carreira bem-sucedida na política partidária. De fato, vários políticos bem-sucedidos passaram pelas reuniões esfumaçadas do DCE. Mas correlação não significa causalidade e muitos políticos fracassados, que hoje não ganham nem eleição de síndico, também passaram pelos DCEs. Politicamente, os DCEs ocupam o espectro político entre a extrema esquerda e a esquerda-que-perdeu-o-senso-de-realidade. Os que se dizem independentes geralmente não o são; são facções de partidos ou grupos que querem novos membros.
Certos DCEs perdem o senso de importância e passam a discutir a questão da Palestina e votam moções contra o imperialismo yankee durante as reuniões. Imaginem o impacto na Casa Branca quando eles souberem disso! Para entender melhor a lógica desses grupos radicais, sugiro o documentário A Vida de Brian, do Monty Phyton.
Os centros acadêmicos, por sua vez, tendem a ser mais próximos do dia a dia dos cursos e mais livres de discussões políticas. Com isso, podem ser locais interessantes e, com sorte, contribuir para a discussão e solução das questões dos cursos. Basta ter senso de ridículo e reconhecer os limites da ação dos CAs.

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Contra o Ensino de Economia

O ótimo Bernardo Guimarães escreveu um post em defesa do ensino de Economia na escola. Se entendi bem, a vantagem seria - além de fornecer a base para o aprendizado posterior-  que o curso serviria de contraponto às besteiras ensinadas em História e Geografia.
Eu sou contra a proposta por alguns motivos:
  1. Prático: qualquer tentativa de ensinar Economia terá efeitos opostos.  Dada a má qualidade das escolas do Brasil de hoje, as chances do professor só falar bobagem e o curso se transformar em pregação são imensas. Seria ótimo se vários bernardoguimarães ensinassem  Economia para os adolescentes, mas a realidade é que os professores disponíveis estariam bem aquém disso. (Sem contar que  muita gente com diploma de economista na parede não entende vantagens comparativas. E algo me diz que exatamente esses iriam para o ensino médio). 
  2. Empírico: mesmo nos EUA de hoje, onde - como lembra o Bernardo- as crianças aprendem Economia na escola, o discurso protecionista de dois candidatos presidenciais fez sucesso. Trump e Bernie falavam como se o número de empregos da economia americana fosse fixo. Se os ensino de Economia tivesse sido eficaz, os eleitores refutariam isso de imediato.
  3.  argumentum ad mccloskey: ela tem um texto chamado "Why Economics should not be taught at High School". O argumento é que a garotada não tem maturidade, nem experiência de vida para entender Economia. (Na verdade, eu não concordo. Citei só para mostrar que li o texto).
PS. Aproveitei que procurei o livro da McCloskey no google books e reproduzo o trecho importante do artigo:

Manual / Dados

Dados


Nos cursos universitários, você tem a oportunidade de aprender as técnicas apropriadas de análise estatística. Mas, às vezes, os professores se esquecem de transmitir alguns dos cuidados básicos.

Faça gráficos

Antes de começar a trabalhar, faça um gráfico dos seus dados. O primeiro motivo é que as coisas mais estranhas acontecem: erros de codificação, problemas com vírgulas, intervenção divina. Se houver valores anormais, eles aparecerão nos seus dados. Um bom jeito é fazer um histograma rápido para entender a distribuição das variáveis.
O outro motivo para fazer o gráfico é entender a relação entre as suas variáveis de interesse. O quarteto de Anscombe mostra quatro conjuntos de dados que têm média, variância e correlação muito próximas mesmo. Contudo, como é fácil ver, a relação entre as variáveis é completamente distinta. Faça então uns plots com as variáveis relevantes para o seu estudo.

Dicas gerais

Faça um arquivo de controle de seus dados, com a fonte precisa dos dados e todas as exclusões e modificações que você fez no banco de dados. Nesse arquivo liste o nome do arquivo e as alterações feitas. Com esse arquivo, você deve ser capaz de refazer todos os passos, desde os dados brutos até o resultado final.
;Aprenda a usar ao menos o básico do Excel. Mesmo que sua área seja como Literatura ou Linguística, você vai se surpreender quando descobrir suas mil e uma utilidades. Nem que seja para calcular as médias dos alunos ou para organizar as suas finanças pessoais, o programa será uma mão na roda. Usar bem o Excel deveria ser uma daquelas habilidades básicas da vida, como fritar um ovo.
Se você trabalha em uma área qualquer intensiva em dados, eu sugiro ficar bamba não só em Excel, mas no software mais popular da sua área que permita a programação. O motivo é simples: mesmo se for apenas para limpar os dados, com o código de programação, você terá o registro de todas as exclusões e modificações que fez. Além disso, você poderá utilizar novamente seu código se necessário. No Excel, caso aconteça alguma atualização, você precisará clicar-copiar-colar-deletar novamente e poderá errar no processo.

Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado

Quanto custou o Baile da Ilha Fiscal?

A lendária @verineas fez a pergunta no Twitter e eu respondo com prazer. O jeito mais tranquilo, sem se preocupar com as maluquices da inflação brasileira, é transformar para libra, deflacionar e depois voltar para R$. Vamos lá:
  1. O baile custou 100 contos de réis (a Vera me informou). A taxa de câmbio de 1889, segundo o Ipeadata, era de 26,4 pence por mil-réis. Então 100 contos =2.640 mil pence. Aí tem uma armadilha: até 1971, o sistema monetário inglês não era decimal e havia 240 pences por libra. Logo, 2.640 mil pence = 11.000 libras (a preços de 1889)
  2. Para deflacionar a libra, basta ir no site Measuring Worth: essas 11.000 libras corrigidas pela inflação resultam em 1 milhão de libras de 2015. 
  3. 1 milhão de libras em 2015= R$4,3 milhão de reais de hoje. Se foram 4500 convidados, dá um custo de quase R$1000 por cabeça. Faz sentido.
  4.  Ou, em valores relevantes: O Baile da Ilha fiscal custou cerca de 1.075.000 churros, ou seja, 1 churros para cada habitante de Teresina e ainda sobram 307.441 para a própria @verineas.
Deflacionar valores no muito longo prazo é sempre meio questionável e talvez seja melhor comparar o gasto com o Baile mais diretamente.  Os 100 contos de réis  compravam :
- O salário anual de 500 trabalhadores de baixa qualificação (200 mil-réis anuais é um bom chute ).
- Quase 100 escravos a preços de 1885. Fonte.
(No site do Ipeadata, graças ao trabalho do Eustáquio Reis, existem outros preços que podem render boas comparações)
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