Ainda a estranha distribuição dos pequenos municípios

Eu dei uma outra olhada na questão. As linhas vermelhas indicam as mudanças de faixa do FPM (10188, 13584 e 16980 habitantes).
Ficou mais claro, não?. Eu tentei ver se o problema não estaria em alguns declarantes afirmando que teriam um número absurdo de pessoas no domicílio. A chave não parece estar aí:

Há um município com mais de 5 habitantes por domicílio, mas não há uma relação clara. (O curioso - mais uma vez - é não haver quase nenhum município na proximidade esquerda da linha mágica de 10.188 habitantes.)
Outra coisa que eu aprendi é que o estranho padrão já estava presente na primeira versão dos dados do Censo.
Alguma sugestão para descobrir a chave do mistério? Ou seja, como se faz para adicionar uma centena de habitantes em um município?

Economia Urbana Austríaca

Um belo post sobre a abordagem austríaca do (não)planejamento urbano;
"Critics of free market urban development may argue that this system (:free market) will produce less-than-perfect cities, so city planners should step in to make improvements. The Austrian response is that of course the free market cannot produce utopian cities, but no other system could do better. Believing that a regulated city would be superior to the market outcome is succumbing to the Nirvana fallacy. Markets aren’t perfect, but they’re the best we’ve got."
Não dá para levar as conclusões dos austríacos até o fim, mas muitos pontos são relevantes. A propósito, o livro magistral da Jane "austríaca-sem-saber" Jacobs "The Death and Life of Great American Ciites" completou 50 anos em 2011.
Atualização: consertei o link. (Grato ao anônimo que me avisou)

Existe problema regional?

O paper do Samuel Pessôa agora em uma versão sintética. Quando eu era professor, o artigo era leitura obrigatória dos meus alunos de Economia Regional e acho muito bom. Nunca consegui refutar sua argumentação, mas tentei organizar a polêmica em um texto beeem preliminar aqui.

Diversos

Algo errado nos pequenos municípios brasileiros

OK, eu não estou soltando nenhuma bomba como a do colega Daniel Cerqueira. Os gráficos abaixo tratam de algo já bem conhecido pelo pessoal de finanças públicas. Vejam os kernel de densidade das populações dos municípios brasileiros com população menor que 20 mil habitantes nos anos censitários recentes:




Epa, que picos secundários esquisitos esses! Notaram que perto de pouco mais de 10 mil, 13.5 mil e 17 mil habitantes existem uma maior concentração de municípios? Ou Christaller vale surpreendentemente no Brasil ou existe algo errado! O "algo errado" é bem conhecido: são as faixas do Fundo de Participação dos Municípios. Como são categorias populacionais fixas que determinam os coeficientes do FPM, os municípios tentam a todo custo ficar na faixa superior. Uma dezena de habitantes pode fazer uma tremenda diferença para os cofres municipais.
- Aqui está o básico sobre FPM (ver página 19 para a tabela de faixas populacionais e coeficientes);
- O TCU já esta por dentro do problema e o discute aqui.
- Obs: o pico de municípios muito pequenos já foi explicado na dissertação premiada do Shikida sobre emancipações no Brasil: aqui.

Ainda a violência: a fraude no RJ

O Daniel Cerqueira, da DIRUR- IPEA-RJ, argumenta que os dados de homicídios recentes do Rio de Janeiro estão sendo manipulados. As evidências me parecem acachapantes. O paper é super bom, com todo o cuidado estatístico, logit multinomial e o escambau. . Para um resumo não técnico, leia no Elio Gaspari.
(Que vergonha a minha! Eu não só divulguei os dados da queda dos homicídios aqui, como defendi sua precisão nos comentários do Marginal Revolution. Só recebi o paper do Daniel na semana passada e vou tentar agora desfazer a lambança.)

Vivemos em tempos tranqüilos

A lista das maiores tragédias humanas (via @TimHarford). Tudo muito arbitrário e discutível, mas o interessante é que o número de atrocidades cai ao longo do tempo. Claro, você ainda pode ter o azar de nascer na Coréia do Norte ou na Guiné Equatorial (via @alexbellos), mas a vida tem sido menos "solitária, pobre, sórdida, brutal e curta".

Diversos

Jeffrey Sachs tenta responder ao críticos (aqui e aqui) das millennium villages. Tenta e não consegue;
Porque história oral é tudo, menos História;
Uma pouquinho de esperança para  Coréia do Norte;
Onde será que eu posso baixar ver o documentário?
Física:  levitação magnética (via @TimHarford). Bonus track: concreto.

Enaber: os ganhadores do prêmio Paulo Haddad

O Daniel Suliano (Ipece) levou o primeiro lugar e o Guilherme Resende (Ipea) ficou em segundo. Fiquei muito feliz com as escolhas. Ambos são super competentes e gente boa Daniel é um ótimo blogueiro e, descobri aqui em Natal, é leitor deste blog. O Guilherme, recém doutor pela LSE, já tinha levado o prêmio Europeu com outro artigo e, para a minha sorte, é meu vizinho de andar. Parabéns para ambos!

Na ENABER

Pois é, estou em Natal para o encontro anual da associação brasileira e estudos regionais. Eu os manterei informados aqui ou no twitter @lmonasterio.



Location:Av. Eng. Roberto Freire,Natal,Brazil

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