A Grande Realocação é a culpada pela Crise de 2008

A intuição de Noah  é a seguinte (via Marginal Revolution): em termos globais, a entrada da China no mundo tornou a mão-de-obra abundante, fazendo que os esforços se voltaram para a realocação física da produção para a Oriente do que na inovação tecnológica. Todo mundo se beneficiou dessa festa e coisa e tal. Com um tanto de Nova Geografia Econômica e umas pitadas de crescimento endógeno surge uma situação em que o core sai perdendo feio.
Eu realmente não sei o quanto dessa tese está certa, nem como testá-la. De qualquer forma, acho que faz bastante sentido.

A participação social pode ser ruim para o planejamento urbano?

A segunda parte do urbanismo austríaco-public-choice :
"...collective choice is inherently biased toward favoring a city’s or neighborhood’s current residents, against potential future residents. This makes policies created through collective choice inherently anti-density and anti-growth. It also means that cities come with a built-in vested interest that wants to protect their property. When planning departments allow this group to protect their interest through the political process, the market process is stifled because entrepreneurs cannot take advantage of available profit opportunities to increase urban density.Furthermore, collective choice leads to many unholy alliances, such as NIMBYs and historic preservationists, NIMBYs and environmentalists who want to protect open space, NIMBYs and those opposed to new transit projects, etc. In other words, collective choice leads to many of the results that urbanists criticize."
A primeira parte da série está aqui.
(Como seguidor do Mancur Olson, eu escrevi algo parecido, muitas luas atrás, sobre os riscos de políticas regionais abertas à participação: ver a página 185 aqui (pdf, 13 MB).)

"36 hours in Brasília", meus pitacos

Eu postei meus pitacos sobre o artigo do New York Times sobre Brasília lá na versão deste blog na língua de Joel Santana.

Diversos

Rodrik e a Política Industrial

O Dani Rodrik encontra convergência incondicional na produtividade do trabalho na manufatura. Valeu, mas como poderia ser diferente? Com o comércio internacional bombando resultado é mais do que esperado. (A bem da verdade, o próprio Rodrik reconhece isso no artigo).
O mais questionável no trabalho, contudo, é o viés de seleção. O autor afirma que o resultado sugere que a chave da convergência de renda está na capacidade do país fazer a mudança estrututral na direção da manufatura. No entanto, ele só pega a convergência de produtividade dos que desenvolveram a manufatura a ponto de estarem na base de dados. Se a indústria quebra ou nem chega a se desenvolver no país, ela sai da amostra.
Tem um outro trabalho do Rodrik (com McMillan) apresentado no seminário do Banco Mundial (Via Escolhas e Conseqüências) que vai na mesma direção. Um Powerpoint do debatedor aponta as partes mais problemáticas do argumento de Rodrik e cia. Claro que não sei da réplica, mas achei os pontos bem pertinentes.
Voltando para o caso brasileiro, vale ler o Mansueto sobre a produção de Ipads aqui..A minha posição, vocês sabem, é de que isso passa de cargo cult.

O preço de não ter estudado direito a Formação Econômica do Brasil

O cara lê o Celso Furtado como verdade revelada. Ele passa a acreditar que a indústria só começou em 1930 e que o café só foi importante quando foi queimado.

Por que a educação primária no Brasil foi (e é) tão ruim?

"No Brasil, a expansão educacional (...) atingiu taxas brutas de matrícula no primário de 98% apenas na década de 1990, enquanto países como Argentina(...) registravam 97% de crianças matriculadas na década de 1950 (Frankema, 2008, p. 215). Além disso, se observarmos as taxas de alfabetização, veremos que em 1950 o Brasil apresentava taxa de 49,3%, enquanto Argentina e Estados Unidos estavam muito à frente (88% e 97% respectivamente). Mesmo em 2000, o Brasil ainda não havia alcançado a taxa argentina de 1950, uma vez que apenas 85% da população era alfabetizada: situação pior que a da Bolívia (86%) (Bergès, 2009, p. 28)."
A explicação para o péssimo desempenho brazuca: o Governo Federal passou a responsabilidade da educação primária para os estados e municípios, os quais não tinham capacidade fiscal para arcar com os custos. Além disso, a baixa participação eleitoral, mesmo no sub-período democrático, desincentivou os investimentos em educação. Uma outra bomba que deveria corar os viúvos do Vargas: não só o Gustavo Capanema nem estava aí para a educação primária, como o desempenho educacional foi bem ruinzinho no período. O Thomas, a propósito, é da novíssima geração de historiadores econômicos quantitativos, blogueiro e  foi orientado pelo Colistete.

Diversos

Economia Regional e Urbana: Teorias e métodos com ênfase no Brasil

Download aqui. Por favor, divulguem.
Comentários e críticas são mais do que bem-vindos.

Manual de Economia Regional e Urbana para download

De graça! Economia regional e urbana : teorias e métodos com ênfase no Brasil (em pdf). Os organizadores são os colegas do IPEA Bruno Cruz (foi ele quem teve a iniciativa), Bernado Furtado, Waldery Rodrigues Jr e este que vos tecla. As cópias impressas sairão do metafórico forno em breve.
Ficou bem legal. Tem de tudo por lá: Economia Regional, Urbana, Econometria Espacial,  CA, CGE, NGE e outras letrinhas. Ah, e a Introdução foi escrita pelo grande Jacques Thisse!
Por favor, caro leitor, espalhe a boa nova!
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