Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2016

Você já sabia que era lúgubre!

Está na porta do grande Prof William Allen (o do paradoxo das maçãs).

Leff e a corrupção

Agora todo mundo já sabe que o Leff deu sacadas ótimas sobre a história econômica brasileira. Contudo, há outra contribuição sua que precisa ser lembrada: sua análise da corrupção.
O texto Economic Development Through Bureaucratic Corruption (1964) já foi muito mal entendido, como se fosse uma defesa da complacência com a corrupção. Nada disso.
A grande lição está no final do artigo ("Two techniques"). Funcionários públicos honestos e capazes são um  recurso muito escasso nos países pobres. Logo, devem alocados com cuidado e poupados:
1- Os honestos devem estar nas áreas-chave para o desenvolvimento;
2- Evite regulamentar e intervir no que não precisa. Assim, você não precisará "gastar" funcionários bons em atividades em que o mercado poderia resolver. Exemplo: ao invés de ter os honestos trabalhando com licenças para importação, acabe logo com essa papelada.

Diversos

Por que a TV ficou melhor e os jornais pioraram?

Memórias infantis a parte, os programas de TV dos anos 80 era uma porcaria e todo mundo assistia. Já os grandes jornais eram bem mais respeitados e com conteúdo melhor do que os hoje.
Alex Tabarrok já explicou o caso da TV: na época da TV aberta, paga pelo anunciantes, o objetivo era ter o maior público. Para isso, o conteúdo produzido era voltado para agradar a todos e, portanto, não agradava especialmente ninguém (exceto, talvez, a sua avó quando assistia ao programa do Sílvio). Com a TV paga, abre-se mão de audiência em favor da receita dos assinantes. A audiência é menor, mais segmentada, mas o lucro pode até ser maior do que no passado.
Já a internet tornou os grandes jornais mais parecidos com a televisão do passado. Maximizar cliques é o novo ibope. E o negócio volta-se para  satisfazer o leitor médio, de baixa qualidade. E tome notícia bizarra, fofoca e colunista viral "textão do facebook". Além disso, a própria internet oferece aos leitores mais qualificados (eg. v…

Diamonds are Forever: Long-Run Effects of Mining Institutions in Brazil por Marcelo S. Carvalho

Diversos

Antes de fechar as 36 abas do Chrome que tenho procrastinado a leitura, aí vão alguns links: Atlas das línguas do mundo: mapa por bases numéricas;A McCloskey fica mal na reportagem sobre o ataque dos "liberals" à Ciência. Agora, o Napoleon Chagnon sai como santo na reportagem, mas não foi isso que ele pareceu no ótimo filme "Segredos da Tribo" (disponível no Netflix BR);Conceitos cognitivos importantes (senti falta do viés de seleção);Site para indexar as contribuições aos softwares científicos;Os usos e ricos do Teorema de Bayes.

Matéria sobre o Nathaniel Leff na Piauí

Todo mundo já comentou e a reportagem é sensacional mesmo (link para assinantes). O autor,  Rafael Cariello, sintetizou muito bem as polêmicas sobre os temas da história econômica brasileira e também da questão pessoal sobre o Leff.
Eu sou "leffeiro" de raiz, hipster, faz mais de uma década. O Google Scholar mostra que das 20 citações do livro "Subdesenvolvimento e Desenvolvimento no Brasil", eu fiz 10 (tem texto repetido aí, seu Sergey Brin!). A contribuição do Leff que mais me impactou - e que não consta da reportagem  - foi:
Leff, N. H.. (1972). Economic Development and Regional Inequality: Origins of the Brazilian Case. The Quarterly Journal of Economics, 86(2), 243–262. No artigo, ele explica que a origem da desigualdade regional brasileira deriva do Brasil não ser uma área monetária ótima no séc XIX. A lógica: boom do café valorizou o câmbio e -como os fatores não eram totalmente móveis- isso prejudicou as exportações de açúcar e algodão do Nordeste. Ele an…