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Mostrando postagens de Junho, 2017

Diversos

O canal Por quê: economês em bom português está cada vez melhor e deveria ser mais popular. Divulguem!; Paper novíssimo do Lucas na linha da Unified Growth Theory (Nota: ele passou a usar R/ggplot2);Impacto do travel ban do Trump na academia: economista iraniana defende tese à distância em Utrecht por temer não poder voltar aos EUA;Acrescentar dois parágrafos na página de uma cidade na Wikipedia aumenta em 9% o número de turistas.

Minha bronca com a Revolução da Credibilidade

Claro que a revolução da credibilidade foi um avanço. Ed Leamer estava certo quando escreveu Let's Take the Con Out of Econometrics. E Angrist também estava certo quando publicou The Credibility Revolution in Empirical Economics: How Better Research Design Is Taking the Con out of Econometrics. Só que a revolução foi longe demais.
Hoje, assuntos bacanas não são pesquisados porque não dá para aplicar uma das estratégias "novas" para encontrar  causalidade.  O conjunto de problemas investigados são limitados pela ocorrência de alguma esquisitice no mundo que permita a identificação econométrica. (O contra-argumento é que sempre há alguma fonte de exogeneidade; bastaria procurar direito. Pode ser.)
Mas a minha queixa principal é outra:  agora acreditamos demais no autor. Quando a econometria era vagabunda, uns OLS aqui, um painel acolá, ninguém se deixava convencer por um monte de *** junto aos coeficientes. Não éramos trouxas.
Já na revolução da credibilidade, se você com…

Pesquisa Empírica 9 X Teoria 1

Enquanto no Brasil se brinca de que existem várias "escolas de pensamento econômico" (que termo horrível!),  no resto do mundo ninguém gasta saliva com isso. O negócio é analisar o dados e não há essa de se identificar como "neoclássico", "neo-desenvolvimentista" ou ˜schumpeteriano-flamenguista-vegan".
E essa tendência ficou ainda mais forte nas últimas décadas. Vejam lá: nas áreas de Economia Internacional e Desenvolvimento Econômico, a participação dos trabalhos empíricos passou de 60% para mais de 90% de trabalhos empíricos. O trabalho completo está aqui (pdf).


PS. "Ah, mas a pesquisa empírica está cheia de ideologia." dirá um chato. Eu sei. Sei também que toda bebida contém água. Mas existe uma diferença grande entre laranjada e vodka.

A moda da História Econômica

Ótima discussão do Tyler Cowen sobre as razões que fizeram a História Econômica entrar na moda.  Desde Acemoglu, Johnson e Robinson, economistas de departamentos de topo abriram os livros de História atrás de estratégias de identificação bacanas. Gostei muito do comentário do Matthew Kahn:

"Great question. Given that I have published in the Journal of Economic History, have co-authored an economic history book (see Princeton Press 2008 Heroes and Cowards) and I’m married to an economic historian [Leo: ele é marido da grande Dora Costa], I feel like I can deliver a partial answer. Great historical data is”out there” if you know where to dig. This creation of longitudinal micro data sets by using people’s names and geographical data in repeat cross-sections of data has opened many new opportunities for writing “natural experiment” papers. The field of economic history faces at least two challenges. First, at the publication stage, we are now in the “field experiment era” and econom…

Furtado e o filme para convencer os americanos

Celso Furtado, em A Fantasia Desfeita, escreve sobre o documentário "Brazil- the troubled land" (1961). Segundo ele, o curta -dirigido por Helen Rogers -foi fundamental para convencer a opinião pública norte-americana da importância de seu governo apoiar os projetos de desenvolvimento do Nordeste. O filme teria passado em horário nobre nos EUA com "extraordinária repercussão". Para minha surpresa, o filme está disponível no Youtube.
As imagens da família miserável e o contraste com o proprietário de terras são mesmo impactantes.

No filme, Francisco Julião é pintado como um grande líder comunista e o Furtado, como herói ("brilliant economist").  A ideia era que, ao mostrar os riscos de revolução, as propostas da SUDENE - ou seja, Furtado- seriam mais atraentes para o contribuinte americano. Ao final, o narrador defende a urgência de resultados sociais e sintetiza: "Time works for the communists, we have not lost yet. "

Inherited cultural diversity and wages in Brazil por Ehrl e Monasterio

Aqui. Abstract:
Inherited cultural diversity and wages in Brazil This paper estimates the long-term impact of immigration to Rio Grande do Sul/Brazil on contemporary wages. Based on a unique micro-data panel that includes the names of workers, we apply machine learning algorithms to classify surnames and infer each workers’ ancestry in order to calculate the inherited cultural diversity in the workforce by municipality. We address the endogeneity of cultural diversity by using three sets of instruments: distance to settlements created by the government for non Iberian immigrants between 1824-1918, share of street names with foreign surnames and share of foreigners in 1920. Our IV-estimations prove robust to human capital differences, institutions, geography, the spatial sorting of workers based on intrinsic abilities and the diffusion of knowledge through imports. The results clearly indicate that an increase in diversity – exclusively transmitted through the share of workers with non-…