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Mostrando postagens de Julho, 2012

Um documentário em painel com n=14, t=8

Em 1964, 14 crianças inglesas foram entrevistadas para o documentário 7 up. Desde então, as câmeras voltaram a procurá-las a cada sete anos. Agora eles já têm 56 anos. Isso resultou na Up series.
Nos primeiros filmes, a ênfase era na desigualdade social. As crianças ricas - aos sete anos - já sabiam toda sua carreira escolar e universitária. Diziam que iriam para Oxbridge e até especificavam o college! Já um pobrezinho perguntou "What is a University?" Dureza. Com o tempo, os filmes mudaram de tom e se voltaram para questões individuais.
Eu assisti os DVDs da série até o 49 Up. Eu mais do que recomendo todos os filmes. Quem quiser uma panorâmica, pode ver os dois extremos:7 up está disponível no youtube e o 56 up, no lugar de sempre. A propósito, faz tempo, eu assisti ao filme russo Anna dos 6 aos 18, em que o diretor repete perguntas para a filha a cada ano (O que você mais ama?; O que você mais teme?; O que você mais deseja?; O que você mais odeia?). Fosse eu pai, faria e…

O conceito de região

A busca por um definição consensual ou dominante de "região" :

Diversos

Com um monte de coisas atrasadas, aí vão alguns links:

Mobilidade acadêmica para o Projeto do Atlas Digital da América Lusa (Dica do Fabio Pesavento);
Ueba! Algum político apoia o pedágio urbano;
Brad DeLong  bloggou (e aqui) a conferência promovida pelo BNDES (E eu perdi o Barry Eichengreen!)
Cafe História (Dica do Lucas Mation);
A Review of Regional Studies agora está aberta;



Uma placa zen turística

Eu já tinha visto a "Ernest Hemingway nunca jantou aqui", mas esta é bem mais radical.

PS. A foto é minha.

"The two waves of service-sector growth"

Barry  Eichengreen e Gupta investigam empiricamente a mudança setorial no mundo e concluem o seguinte:
Existem duas ondas de crescimento dos serviços: uma baseada em atividades tradicionais em níveis de renda baixa e outra, moderna, em níveis renda alta;A partir de 1990, a segunda onda aconteceu em níveis de renda mais baixos do que antes e foi mais forte em países mais abertos e democráticos.* O debate sobre desindustrialização no Brasil - ou sobre qualquer outro tema - ganharia uma monte se olhasse para a pesquisa nos outros países. Com n=1, é muito fácil cair nas explicações personalistas, recomendações voluntaristas ou meramente ad hoc.
Não está no paper, mas a recomendação seria: ao invés de brigar contra o crescimento dos serviços, que tal nadar forte e surfar a segunda onda?

* Não será que essas variáveis estariam pegando o efeito do k humano?

"A indústria é importante devido aos serviços"

Esta entrevista do Luciano Coutinho apresenta um argumento que, ao menos para mim, é novo. Ele diz:
"... a indústria é essencial hoje em nossa sociedade, não tanto para gerar empregos, porque a indústria cada vez mais eficiente vai para padrões de automação mais profundos, mas porque, nos serviços pré e pós-manufatura, ela cria empregos de alta qualificação. Na pré-manufatura são serviços de engenharia, design, informatização, sistemas. Depois, vêm os serviços pós, desde os de assistência até os de marketing, que só se cria quando você tem uma indústria." Eu achava que o argumento pró-indústria era baseado nas leis de Kaldor, rendimentos crescentes, learning by doing, essas coisas. Agora  o presidente do BNDES diz que os ganhos de produtividade na indústria não são importantes, mas sim a demanda por empregos qualificados nos "serviços pré e pós manufatura".
Ora, e os "serviços pré e pós agricultura"? Não contam? A agricultura também exige empregos muito …

Algum sucessor dos Talking Heads?

Pergunto aos meus 7 milhões de leitores: qual é a banda equivalente ao Talking Heads hoje? Meus mp3 da banda já estão até gastos e eu gostaria de ouvir algo diferente, mas igual. Digo: eu queria alguma coisa que fosse música de gente esquisita, para gente esquisita, sobre assuntos esquisitos e seja surpreendente.
Eu quero renovar o meu gosto musical, mas tenho dificuldade em ouvir música feita por gente com mais cabelo do que eu. Se vocês não me sugerirem nada, eu vou ter que voltar aos discos do DEVO. (A propósito, eu já ouço Radiohead, que - afinal de contas - nem é tão novo assim).

Desenvolvimento é coisa feia

Chris Blattman em um ótimo momento:
 Development in most places in most of history has basically been a process of violence and coercion, either by your own elites or invading ones. When historical events are “good for growth” they are often very bad for the generation that experienced them, in Africa or elsewhere. So “good for growth” does not necessarily mean “good”.  É isso aí. E mesmo nas sociedades contemporâneas, o desenvolvimento econômico  gera um monte de perdedores. Indivíduos, grupos e setores inteiros perdem quando há mudanças. Quando podem, se organizam para frear o desenvolvimento. Dizem que são um setor estratégico, que gera muitos empregos, que são a espinha dorsal da economia,  blá-blá-blá.
A leitura de um tanto de Schumpeter e Mancur Olson- na idade certa - é uma eficaz vacina contra essa visão "desenvolvimento-é-bom-para-todos".

"Eu sou eu e minhas circunstâncias"

Eu já vi isto mais de uma vez. Um maluco no cruzamento faz gestos para os carros pararem e continuarem. Quando o sinal está verde, ele "manda" os carros continuarem; quando está vermelho, faz o gesto para pararem. Na cabeça dele, ele controla o trânsito.
Quem usa os clichês "projeto nacional" e "estratégia de desenvolvimento"  tende a acreditar que é tudo uma questão de "vontade política" do governo. Esse tipo de pensamento tem dois problemas: 1) cai, facilmente, no maniqueísmo ou, na melhor das hipóteses, em falsos dilemas; 2) não correponde à vida como ela é. O gráfico sugere quem conduz o trânsito. (E tem gente que ainda torcia pela queda dos preços das commodities...)

Aqui. Via @drunkeynesian.
PS. Eu sei que a frase do título do post não é apropriada, mas não me ocorreu nada melhor.