22/02/2017

Arrow e a história econômica

O artigo se chama "Maine and Texas". Em resumo, a história econômica teria ao menos dois usos para a Economia. Um que todo mundo sabe e outro mais sutil:

  • Testar teorias;
  • Mostrar em que condições a teoria é válida.

Vale também o alerta que a aplicação da teoria econômica à história corre o risco de achatar o passado, mostrando-o como "merely a playing out of a well-defined script". 

21/02/2017

Razão de masculinidade no mundo e nos estados brasileiros

Esse ótimo post mostra como fazer o gráfico do número de homens por mulher a cada idade por país. Fica bem claro que nascem mais homens do que mulheres e que tal taxa despenca na 3a idade. Também me chamou atenção como essa queda ocorre  mais cedo nos países ex-comunistas. Vodka e cigarros devem ser os responsáveis.


No Twitter, perguntei se alguém tinha um gráfico desses para o Brasil. O Rodrigo Godoy Conejo (@RodrigoGConejo) fez os belos gráficos abaixo. Legal ver como ainda há estados na Região Norte com perfil demográfico de regiões de fronteira, ie com mais homens do que mulheres em idade ativa.
A aumento recente da violência no Nordeste cobrou seu preço: a taxa cai bem mais rápido em Alagoas e no Ceará.
Eu só não tenho ideia do que acontece no DF. (A taxa de homicídios não é tão alta -para o padrão brasileiro-,  mas será que o setor público atrai um número extraordinário de mulheres?)



15/02/2017

Sorte, mérito, igualdade e tudo mais

Ótimo artigo do Irineu de Carvalho Filho na coluna Por quê da Folha (eu nem sabia que ele escrevia lá!).
Os sem-folha podem (mas não devem!) usar este link.
No mesmo assunto, eu aproveito para recomendar o Up Series. São documentários que acompanham um grupo de crianças inglesas das mais diversas classes desde 1964, em intervalos de 7 anos. Lá fica clara a importância da origem, do mérito  e da sorte (ou melhor, do azar) nos destinos individuais.

10/02/2017

Entrevista do Friedman sobre Metodologia

Aqui. Coisa fina, bastante sincera e com direito a muitas fofocas.
Vale a pena ler tudo, mas uma das melhores passagens é a sua crítica ao Mises e cia.


09/02/2017

Has Latin American Inequality Changed Direction? Looking Over the Long Run

Editado por Bértola e Williamson, o livro da Springer está disponível para download gratuito e será a minha leitura de final de semana!
Não conheço a maior parte dos trabalhos e autores, mas destaco - entre os brasileiros- o grande mestre Eustáquio Reis e o Pedro Funari, da novíssima geração. Na verdade, tudo parece muito bacana.
(via @pseudoerasmus, melhor @ e blog de história econômica em atividade)




31/01/2017

Diversos


30/01/2017

Comparar documentos no LaTeX

Tão fácil que até eu consegui fazer. Ele compara dois arquivos LaTeX e cria um novo que gera um pdf bem parecido com aqueles do Word: inclusões e exclusões marcadas em cores diferentes.

  1. Instale o programa latexdiff;
  2. Coloque tudo na mesma pasta latexdiff, VersaoAnterior.tex VersaoNova.tex
  3. No Windows, crie um arquivo .bat com apenas o seguinte conteúdo:

latexdiff VersaoAnterior.tex VersaoNova.tex > NomeArqComMarcacao.tex

Rode o bat e depois compile o NomeArqComMarcacao.tex no LaTeXFica bem bonito e eu não tive qualquer problema. Caso você enfrente algum, sugiro pedir socorro a alguém com menos de 30 anos. 
(Agradeço ao  Philipp Ehrl pela dica) 

26/01/2017

A lenda da boa telefonia estatal

Caiu nos meus ouvidos a seguinte narrativa:
"Na primeira metade do sec XX, a telefonia no Brasil era privada e ruim; a estatização a melhorou e a privatização nos anos 90 não fez diferença porque a tecnologia mudou na mesma época. "
Tendo vivido os anos 80, eu lembro da desgraça que era esperar anos e pagar milhares de US$ por uma linha. Esqueçamos as evidências anedóticas. Vejamos as taxas de crescimento linhas fixas/ capita uma década antes e uma década depois da estatização.
  • Privado (1947-1956) 4,8% a.a.;
  • Estatal (1957-1967)  4,0 % a.a.
Ou seja, mesmo quando o setor privado sofria com regulação ruim e tarifas represadas, o ritmo do crescimento foi maior do que na primeira década estatal. Sim, a telefonia privada era ruim, mas a estatização reduziu o ritmo da expansão na primeira década.
No período estatal como um todo (1947-1998): 5,2% a.a. 
Privatização-  1998 e 2002: 16.4%. a.a.
(Depois de 2002, o celular entra com força e o dado de telefone fixo fica estável).
Em suma: a narrativa dos viúvos da Telerj é furada. A estatização dos anos 50 reduziu a velocidade do avanço da telefonia e a privatização dos anos 90 fez toda diferença.
Aí vai o gráfico da relação telefones fixos por 100 pessoas. A área em cinza é o período estatal. 
















Fontes: MoxLAD para 1947- 1997 e World Bank para 1998-2014.
Nota1: Não tenho a mínima ideia do porquê da queda em 1987. Como todo dado, sugero cautela no uso.
Nota2: No período 1907-56, a taxa de crescimento foi 6.3% a.a.


17/01/2017

Atualização

Só para avisar que tomei vergonha e atualizei as abas "Livros", "Artigos", "Capítulos" e "TDs" aqui no blog.

05/01/2017

Pobres querem escola

Só hoje me toquei que o resultado da pesquisa do Colistete é semelhante ao observado por Bursztyn & Coffman (JPE, 2012). Eles conduziram um experimento em que famílias muito pobres estiveram dispostas a pagar para que a frequência de seus filhos à escola seja controlada.
Quer os analfabetos do estado de São Paulo do século XIX, quer os pobres da periferia de Brasília do XXI, todos lutaram para que seus filhos melhorem de vida. Ou seja, não há problema do lado da demanda por educação. Este é o lado bom da história. O lado ruim é que - mais de um século depois - a oferta de educação no Brasil continua sendo um problema.
(A propósito, o Leonardo Bursztyn também merece um perfil em revista. Afinal, não há muitos brasileiros, professores em Chicago, com carreira internacional de DJ e que tenham criado System of a Dilma.)

04/01/2017

Colistete e o atraso educacional brasileiro

Ficou ótima a matéria da Revista Piauí com o perfil do Renato Colistete e sobre sua tese de livre-docência (pdf).
Ele é um pesquisador sensacional, gente boa e orientador de 9 entre 10 dos novos pesquisadores em histórica econômica. Já estava no tempo de ele ter reconhecimento de um público mais amplo.
Aproveite e leia o seu blog . Quando a tese estiver on-line, eu aviso.

02/01/2017

Local multiplier of industrial employment: Brazilian mesoregions (2000-2010)

O texto do Guilherme Macedo (hoje doutorando no Birkbeck College) e meu foi publicado no mais recente número da Revista de Economia Política.

Local multiplier of industrial employment: Brazilian mesoregions (2000-2010) 
This paper estimates the local multiplier of manufacturing for Brazil (2000-2010). The method is based on Moretti (2010) and on Moretti and Thulin (2012), who estimated these multipliers for the U.S. and Sweden. The local multiplier of manufacturing estimates the impacts of employment changes in the industrial sectors on employment in the servicessectors, and the impact of changes in employment in the high-tech and low-tech tradable sectors on employment in the services sectors. These estimates help to assess the importance of industrial employment changes over local economies. We created instrumental variables,based on the shift-share method. The employment data cover 21 economic subsectors and 123 regions in 2000, 2005 and 2010. We have estimated that in the Brazilian mesoregions, for each new job in the tradable sectors, almost four jobs were created locally in the services sectors. Additionally, each job in the high-tech industrial sectors was estimated to create approximately seven jobs in the services sectors over the long term.

Ainda na editoria de autopromoção deslavada: lembro que tiramos o 2o. lugar do Prêmio CNI com uma versão anterior desse texto. 

08/12/2016

Em defesa da Fundação de Economia e Estatística

A biblioteca da FEE e suas publicações são essenciais para pesquisas sobre a economia e a história econômica do Rio Grande do Sul. Sua publicações sempre me foram utilíssimas e a biblioteca me traz ótimas memórias. Foi nos textos clássicos dos grandes Alonso e Bandeira - pesquisadores da FEE - que eu  e muitos outros aprendemos sobre as questões regionais do RS. E, hoje, há novas gerações de pesquisadores da FEE produzindo muita coisa interessante.
Torço mesmo que o -necessário  -ajuste fiscal no RS não leve à extinção da FEE. Seria uma pena. Podem dizer que minha visão é  tendenciosa, uma vez tenho muitos amigos lá (nenhum deles me pediu para escrever isso) e trabalho em instituição semelhante. Que seja.  Mesmo assim, seria um erro acabar com a FEE.