29/04/16

Download e processamento da amostra do Censo 2010 no R

Aqui. Sensacional! Parabéns para Anthony Damico e Djalma Pessoa que escreveram o código!
(Ótimo também que o IBGE colocou o link na página do Censo)

27/04/16

Historical trades, skills and agglomeration economies por Ehrl e Monasterio

Nova versão do paper está on-line. Comentários são bem-vindos!:
Historical trades, skills and agglomeration economies
We exploit differences in the spatial distribution of industrial and liberal occupations in the years 1872 and 1920 to instrument for today's concentration of interpersonal and analytical skills in Brazil. The data suggest that the local supply of knowledge and manufacturing provided by these historical trades favored a growth path that has shaped the occupational structure until the present day, whereby the existence of a large local consumer market was a necessary condition for this development. By means of these instruments, we present causal evidence that the regional concentration of interpersonal and analytical skills generates positive wage externalities. Particularly university graduates and workers without formal education benefit most from these agglomeration economies.

26/04/16

A culpa é da mandioca

Ótimo artigo sobre os determinantes do desenvolvimento no longo prazo.  A batata era a heroína do crescimento europeu, mas agora os tubérculos são os culpados pelo atraso mundo. O argumento é que as batatas são difíceis de serem roubadas; já o cereais, como não são perecíveis, tem que ser protegidos (e também podem servir para pagar os impostos). A matéria ficou interessante porque ouviu também os críticos dessa tese.
Dois pontos adicionais:
- Thales Zamberlan, que me mandou o link, chamou atenção para um possível erro nos dados. Brasil consta nos mapas da matéria e do artigo como sendo uma área propensa aos cereais e com governo complexo antes do Cabral chegar. Estranho. Se erraram isso...
- Os índios brasileiros faziam farinha de mandioca aos montes e, mesmo assim, nunca desenvolveram Estados complexos. (Obrigado pela farofa, a propósito. Talvez a única coisa que sinto falta em Los Angeles).

14/04/16

Dica para quem está começando no R

Ao invés de aprender a usar data.frame, plot e os comandos nativos, comece logo com: data.table, ggplot2 e dplyr. São pacotes bem mais modernos, fáceis e capazes.
Eu dou esse conselho porque comecei no R faz 11 anos e agora estou tendo que reaprender tudo. Dureza para um cabeça já cansada.
  

13/04/16

Conferência da NBER sobre estudos baseados em coorte

Amanhã, aqui na UCLA, mas os papers já estão disponíveis. Muita coisa boa sobre saúde, demografia, cliometria e assemelhados.

The cotton boom and slavery in 19th rural Egypt por Saleh

Paper bacana sobre os impactos da guerra civil americana na escravidão no cultivo do algodão no Egito. (A abolição também chegou tarde por lá: 1877. Fiquei surpreso, pois, baseado no modelo de Domar, eu chutaria que teria terminado bem mais cedo.)

11/04/16

O Gasto Público e o Ciclo da Política Fiscal - 1999-2014 por Orair e Gobetti

O Rodrigo Orair e Sergio Gobetti, colegas do Ipea, já ganharam uma porção dos prêmios com seus trabalhos. O prêmio mais recente (até onde sei) foi o da SOF. Aí vai um trecho do resumo:
Os resultados mostram que, nos últimos 16 anos, a média de crescimento real da despesa primária pouco variou e, em alguns itens, foi maior na fase contracionista (1999-2006) do que na fase expansionista (2007-2014). Isto evidencia não só uma elevada rigidez da despesa, mas certa inércia, associada principalmente aos benefícios sociais (previdenciários e assistenciais), que restringem a margem de manobra fiscal do governo em momentos de ajuste como o atual. Demonstramos ainda que o “expansionismo fiscal”, se medido pelas taxas de crescimento das despesas de custeio e capital, não se acentuou entre o segundo governo Lula e o primeiro governo Dilma, o que contraria o senso comum. Contudo,identificamos uma mudança expressiva no mix da política fiscal: inflexão entre um período cuja redução estrutural do resultado primário foi canalizada predominantemente para investimentos (2006-2010) e um período de maior expansão das despesas de custeio, subsídios e desonerações (2011-2014), que não logrousucesso em sustentar o crescimento econômico. Ou seja, os resultados sugerem que a composição do gasto público – que sintetiza o aspecto qualitativo do gasto – é fundamental para o sucesso de políticas contra-cíclicas e de crescimento, mesmo em contexto de ajuste fiscal como o atual.
Sugiro também os outros ganhadores: no 2o. lugar tem um trabalho que usa a descontinuidade do FPM para estimar o impacto das transferências na desigualdade (fui citado lá) e o 3o lugar trata da qualidade do gasto no bolsa família. Enfim, muita coisa boa. 

01/03/16

Ancestry in Brazil: a surname based method

Aí vai o que andei fazendo nos últimos meses. Apresentei ontem no seminário organizado pelo William Summerhill.
Tudo ainda é super preliminar e os resultados certamente mudarão ao longo do tempo. Comentários e  sugestões são - como sempre - mais do que bem-vindos.

28/02/16

"Um Americano Reconta o Império" Elio Gaspari sobre Summerhill

Na coluna do Elio Gaspari de hoje:
"O professor William Summerhill, da Universidade da Califórnia, é um bruxo da pesquisa econômica. Em 1998, ele publicou um artigo sobre a construção de ferrovias até os primeiros anos da República e virou de cabeça para baixo a sabedoria convencional que envolvia o assunto. Elas foram um operação bem sucedida, fator de grande progresso. Summerhill está de novo nas livrarias americanas com "Inglorious Revolution" (em tradução livre, "Uma Revolução Inglória - Instituições Políticas, Dívida Soberana e Subdesenvolvimento Financeiro no Brasil Imperial").
Trabalho prodigioso de pesquisa lida com um paradoxo: A teoria ensina que os países que honram suas dívidas progridem. Durante todo o Império, o Brasil honrou suas dívidas interna e externa e não progrediu. O crédito do Império em Londres era tão sólido que resistiu até a um rompimento de relações com a Inglaterra.
 Entre os muitos fatores do atraso, um está aí até hoje. O sistema de crédito era controlado pelo governo, mas a banca, concentrada e com poderosas conexões, controlava o governo. Os grandes fazendeiros do café conseguiam dinheiro a 8% ao ano. Na Bahia, a 12%. Em Minas e Pernambuco, até a 30%.
 O artigo das ferrovias, bem como Order Against Progress ("Ordem contra o Progresso"), o livro que resultou de sua expansão, publicado em 2003, não foram traduzidos para o português. Olavo Bilac tinha razão, o português, a ultima flor do Lácio, é esplendor e sepultura."
Todos os elogios às contribuições dele são merecidos! E acrescento: além de tudo , ele é super gente boa, generoso e engraçado. 

24/02/16

Diversos e crise brasileira

Vocês já devem estar de saco cheio de ler sobre a tragédia brasileira, mas aí vão textos bacanas de amigos:

12/02/16

Intergenerational Mobility during the Great Depression, por James Feigenbaum

O job market paper do Feigenbaum (Harvard) é a cara da pesquisa contemporânea em história econômica: muito trabalho de arquivo e computacional para processar microdados. Vi a apresentação dele hoje e fiquei muito impressionado.

Abstract:
Do severe economic downturns increase intergenerational economic mobility by breaking links between generations, or do they instead reduce mobility by limiting opportunity for the young? To answer this question, I estimate rates of intergenerational mobility during the Great Depression for individuals in American cities that experienced downturns of varying severity. I create two new historical samples, digitizing and transcribing archival data on individual earnings and linking fathers to sons before and after the Depression. To build these longitudinal samples, I develop a new machine learning approach to census matching, which enables me to link individuals accurately and efficiently between censuses in the absence of unique identification numbers. I find that the Great Depression lowered intergenerational mobility for sons growing up in cities hit by large downturns. These results are not driven by place-specific mobility differences: for the generation before the Depression, mobility between 1900 and 1920 is unrelated to future downturn intensity. Differential directed migration is a key mechanism to explain my results. Although sons fled distressed cities at similar rates, the sons of richer fathers migrated to locations that had suffered less severe Depression effects. The differences in rates of intergenerational mobility for sons in the most and least Depression-affected cities are comparable to the differences between the United States and Sweden today.