23/10/14

Por que você está insatisfeito com o seu candidato?

 Hotelling (1929) explica: suponha que os consumidores estão distribuídos ao longo de uma praia e existem dois sorveteiros, cada um em um dos extremos. Aquele que está à esquerda anda um pouco para a direita porque assim ganha consumidores nessa direção e não perde nenhum dos eleitores, digo consumidores, à esquerda. O mesmo acontece com o que iniciou na ponta direita. A situação final são os dois sorveteiros-candidatos localizados bem no meio da praia.
No segundo turno da eleição:
- Os eleitores nos extremos ideológicos, à direita e à esquerda, ficam frustrados por seus candidatos não seguirem a "agenda histórica" do partido (ou seja, tem que andar muito até chegar ao sorvete), mas votam neles de qualquer forma;
- Como qualquer opinião polêmica afastaria o candidato do eleitor mediano, o negócio é não discutir propostas e só atacar o caráter, o passado do outro ou simplesmente mentir descaradamente.
Em quatro anos, como dizem os rótulos de shampoo: "Repita o operação".

07/10/14

How was life? Global well-being since 1820

Sensacional publicação da OCDE com boas notícias para todos*. Para qualquer medida de bem-estar humano, a situação melhorou como nossos antepassados não poderiam imaginar. Vejam o gráfico das expectativas de vida ao nascer.  Isso convence qualquer um e os dados de altura do Baten e cia corroboram os resultados
Na publicação, descobri também a existência do site Clio Infra: reconstructing global inequality.
*Exceto ambientalistas.

Via @ZeRobertoAfonso

06/10/14

Causalidade

Para quando eu tiver tempo sobrando (aka nunca):


01/10/14

Dois eventos

  • "Por que o Brasil cresce pouco?"sensacional  seminário do livro do Marcos Mendes e debate com Marcos Lisboa, Samuel Pessoa e Raul Velloso. No TCU/BSB, dia 6 de outubro;
  • Amanhã, quinta-feira (2 de outubro), em um evento levemente menos high profile, eu vou  apresentar o trabalho “Stature and Immigration in Southern Brazil, 1889-1914″ na FEA-USP.

29/09/14

Quase 10 mandamentos para jornalistas econômicos


1- Não compararás estoque com fluxo;
2-Diferenciarás: milhão de bilhão; bilhão de trilhão;
3- Não compararás faturamento das empresas com PIB de países;
4- Levarás em conta o poder paridade de compra das moedas;
5- Deflacionarás os valores;
6- Não escreverás "maior da história" a cada resultado contábil, sem antes calcular em termos per capita, ou como % do PIB;
7- Saberás que o número de empregos da economia não é fixo. Migrantes não tiram empregos;
8- Não escreverás: "Apesar da queda da inflação, a cesta básica encareceu". Um fato não contradiz o outro;
9- Não lamentarás um aumento de importações;
10 - [Em aberto. Sugestões?]

25/09/14

Analisar POF, PNAD, Censo, Pisa... com o R

Aqui. Bonus: os tutorials desse cara são muito bons.
Obrigado, Lucas Mation (que está em processo de conversão ao R). 

24/09/14

"Reinventing State Capitalism: Leviathan in Business, Brazil and Beyond" por Musacchio & Lazzarini

O livro deveria ser leitura obrigatória para quem abrisse a boca sobre o papel das estatais (e do próprio estado) no Brasil. O livro anterior do Lazzarini eu já comentei nos bits desse blog e os textos do Musacchio eu conhecia.
Minhas expectativas estavam altas. Mesmo assim, o livro me surpreendeu positivamente. A ênfase é mesmo no caso brasileiro e os autores conseguiram costurar muito o resultado de suas pesquisas empíricas recentes com uma discussão ampla sobre o papel da intervenção estatal nos diversos ambientes institucionais.
Eu não sei como andam as vendas do livro, mas temo que ele terá um impacto limitado justamente pelos seus méritos. São dois os motivos:
  • O livro não apresenta respostas fáceis, bordões, nem apresenta uma lei geral. Suas visões são ponderadas, cheias de nuances e não se enquadram em nenhuma ideologia de boteco.
  • O leitor imputado é o acostumado a ler uma tabela de regressão. Em seus livros de divulgação, Moretti e Glaeser esconderam a econometria na bibliografia e nas notas. Musacchio e Lazarinni, por sua vez, discutem no corpo do texto questões de endogeneidade, viés de seleção, etc. nas suas análises quantitativas. Tudo ao alcance de um aluno do 2o. ano de Economia, mas que pode excluir boa parte dos leitores potenciais.
Eu recomendo fortemente o livro para os meus 17 milhões de leitores.

20/09/14

Só autopromoção descarada

Textos meus que saíram recentemente:

17/09/14

E se a educação não for a solução?

Em 1940, a Argentina tinha 12% de analfabetos, enquanto o Brasil ,50%. Em 1970, apenas 7% dos hermanos eram analfabetos; um número que ainda não alcançamos. (Fonte)
No fim dos anos 80, eu ouvi de um professor meu (eu acho que foi o Barros de Castro) : "E se depois da inflação acabar descobrirmos que o problema do Brasil não é esse? E se descobrirmos que nem temos o caos inflacionário como desculpa?"
A realidade mostrou que a estabilidade foi condição necessária, mas não suficiente para o país tomar jeito. Hoje existem dois entraves consensuais ao crescimento: 1) infra-estrutura; 2) educação. A infra-estrutura é um gargalo óbvio e eu não tenho nada a acrescentar. A minha dúvida é sobre a educação.
Meu medo: fazemos um choque de educação, aumentamos o número e a qualidade do ensino e aí... nada acontece. Depois de 20 anos descobriremos que nossas instituições são uma porcaria e impedem o desenvolvimento econômico. Perceberemos que o acúmulo de coalizões distributivas* nos tornou incapazes de fazer as reformas urgentes.
Ou seja, mesmo que a educação melhore, temo que viraremos uma Argentina tropical no século XXI. Educados, mas estagnados e sem o consolo de uma Belle Époque ou de um Borges no currículo.
(Só para tirar qualquer dúvida:  é claro que eu defendo o avanço da educação. Eu defenderia mesmo se os ganhos econômicos fossem nulos.)

*Use aqui o jargão institucionalista que você quiser. Eu usei Mancur Olson.

16/09/14

Mestrado e Doutorado em Economia na UCB

O curso é nota 5 na Capes. Maiores informações aqui.

3 Textos Novos sobre Desigualdade Regional no Longo Prazo (2 sobre Brasil e 1 para o mundo)

  • O artigo excelente mesmo- um clássico imediato e resultado de anos de trabalho- é o do Eustáquio Reis "Spatial income inequality in Brazil, 1872–2000". Ele usa os dados das Áreas Mínimas Comparáveis para examinar os determinantes da  desigualdade regional brasileira. O resultado é que custos de transporte e geografia, mais do que instituições, foram os fatores-chave.
  • Agriculture, transportation and the timing of urbanization: Global analysis at the grid cell level. Impressionante: fizeram um grid de umas 63 mil células do mundo inteiro para examinar os determinantes geográficos da urbanização;
  • Last and least, meu humilde texto "Fronteira de Desigualdade Regional: Brasil (1872-2008)" saiu na Revista Análise Econômica.

13/06/14

Chamada para pareceristas ad hoc (de fora de Brasília)

A FAP-DF está cadastrando pesquisadores para elaborarem pareceres. Eles pagam R$240,00 por parecer. O pesquisador tem que ser doutor a mais de 7 anos e trabalhar fora do DF.

29/05/14

Número novo da Planejamento e Políticas Públicas

Aqui. Agradeço, como sempre, aos autores e pareceristas!  (A propósito, eu saio da editoria no final do ano.)

07/05/14

A dica mais importante deste blog

...para jovens economistas aplicados: Code and Data for the Social Sciences: a Practioner's Guide por Gentzkow e Shapiro. (O primeiro ganhou a John Bates Clark).
Leia o texto ou veja o vídeo (é o último da lista), mas faça o favor a si mesmo e aprenda as técnicas. Eu já enfrentei todos os problemas e cometi todos os erros que eles apontam. Ah, se eu tivesse lido isso antes... (Dica do Lucas Mation).