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Diversos

. Grande Pedro Nery sobre o duplo twist carpado ideológico do "Bolsa Família".(Em 2013, eu comentei a inversão de posições sobre o programa) ;
 . Dicas para a elaboração de papers no formato contemporâneo (EN);
. "Lost Causes".  Que título de paper! (EN);
. Tarrare, a pessoa mais esfomeada da história.

Comparar documentos no LaTeX

Tão fácil que até eu consegui fazer. Ele compara dois arquivos LaTeX e cria um novo que gera um pdf bem parecido com aqueles do Word: inclusões e exclusões marcadas em cores diferentes.

  1. Instale o programa latexdiff;
  2. Coloque tudo na mesma pasta latexdiff, VersaoAnterior.tex VersaoNova.tex
  3. No Windows, crie um arquivo .bat com apenas o seguinte conteúdo:

latexdiff VersaoAnterior.tex VersaoNova.tex > NomeArqComMarcacao.tex

Rode o bat e depois compile o NomeArqComMarcacao.tex no LaTeX. Fica bem bonito e eu não tive qualquer problema. Caso você enfrente algum, sugiro pedir socorro a alguém com menos de 30 anos. 
(Agradeço ao  Philipp Ehrl pela dica) 

Para quem reclama da vida de professor universitário

... esse texto é muito bom e tem conselhos úteis:

  • "I have not attended a faculty meeting since 1972. I found that I liked my colleagues much better if I did not listen to their silly comments in such meetings. "
  • "I used to lunch with colleagues, but I found that their continual complaints about the administration and the students soured my attitude toward the college"
  • " I do not pick up the telephone in my office, and my voice-mail message informs callers that I do not check for telephone messages."

OK, aceito que são recomendações um pouco misantrópicas (apesar de generoso com os estudantes), mas o ponto geral vale: não dá para reclamar da vida de professor.

Como rodar regressões com grupos de variáveis no R

Enquanto o livro de R do Análise Real não fica pronto, aí vai uma dica simples, mas que eu demorei um tempão para perceber.
Sabe quando você quer rodar várias regressões com grupos de variáveis independentes distintas? Há  um jeito simples. Defina os grupos assim:

grupo1 = c("x1", "x2")
grupo2 = c("x3", "x4")

Para regredir y sobre x1 e x2:
eq0 = lm( y ~ ., data=df[, c("y", grupo1)] )

E para regredir sobre ambos os grupos:
eq1 = lm( y ~ ., data=df[, c("y", grupo1, grupo2)] )

PS: Erros corrigidos. Obrigado, Pedro!

Censo 2010 no R

O UrbanDemographics mandou essa dica nos comentários de um post anterior:
"O Anthony e o Djalma sao fora de serie. Mas confesso que nao gostei muito de usar o monetdb, entao eu criei um script em R "puro sangue" para download dos dados. O script eh bem rapido. Qualquer comentario e sugestao eh bem vindo. https://github.com/rafapereirabr/Brazilian_Census_2010"
Valeu!
Lembro que os usuários de Stata tem o ótimo site Data Zoom da turma da PUC-RJ para baixar Censos e Pnads.

Precisa limpar bases de dados? Seus problemas acabaram

Basta usar o Open Refine. Era um produto da Google e passou a ser um produto separado.
É bem fácil de usar e com ferramentas que parecem mágica.
Eu optei por não usar no meu projeto atual, porque quero ter a documentação da limpeza para ser capaz de reproduzi-la  mais adiante.



Web scraping para seres humanos

Mesmo sem saber nada sobre o assunto, com umas oito horas de trabalho,  eu fiz um código no R que: 1) leu milhares de páginas na internet; 2) selecionou as informações que eu precisava; 3) pôs tudo em formato de tabela.
Acreditem: você não precisa ter menos de 25 anos para aprender isso, nem ser um gênio da computação. É moleza, desde que você tenha as ferramentas certas. As duas que eu usei foram:
- rvest: todas as funções necessárias em um só pacote;
- selectorgagdet: ele te mostra onde pescar a informação que você deseja nos arquivos html.
Esse post e o próprio demo do rvest explicam o básico.
Em breve, eu postarei aqui alguns resultados do processo. (Ainda falta gastar umas 20 horas limpando os dados...) 

Diversos, só nerdices


Brasília não é uma cidade planejada

Claro que é. Reformulo: a Brasília real não seguiu fielmente plano original de Lúcio Costa.  Que bom.
O visitante que fica só no roteiro entre os setores hoteleiros e A Esplanada ou A UnB verá apenas a faceta Brasília olha-como-sou-muderna-stalinista-tropical-e-agora-tenho-shopping. A outra faceta, muito melhor, é a do improviso, da ordem espontânea, do mercado, da fuga do plano.
Esse plano geralmente só é visto por quem mora na cidade. Ao redor da minha quadra existe: barraca de frutas, costureira, chaveiro, trocador de palha dos móveis; tudo ilegal. (Tem até seus personagens públicas e um quê de vizinhança janejacobsiana ). No árido Setor Bancário Sul, há venda de saladas de frutas (ótimas),  pamonhas, sapateiros, relojoeiros e o escambau.
Daria para fazer um roteiro por Brasília apenas com serviços fora-do-plano, incluindo hospedagem. Só para ficar nos restaurantes, aí vai uma lista incompleta de dicas:
  • O excelente Jambu, o melhor restaurante da cidade, fica na Vila Planalto, um bairro de invasão, menos de 2 km distante do Palácio do Planalto. O bairro está sendo gentrificado e já tem vários restaurantes bons. Para comida popular, tem o da Tia Zélia- que eu acho apenas bom e meio superestimado.
  • O Quituart , um galpão com vários pequenos restaurantes (uns bem bons) também fica em uma local totalmente irregular do Lago Norte.
  • O boteco  Amigão , o preferido do Tyler Cowen quando aqui esteve, pode até estar dentro da lei, mas tem  pinta de que não está.
  • Mesmo os restaurantes das quadras ocupam áreas que não são deles. O Faisão Dourado (peça o espetinho completo de filé) ocupa irregularmente todo um jardim com mesas.

A dica mais importante deste blog

...para jovens economistas aplicados: Code and Data for the Social Sciences: a Practioner's Guide por Gentzkow e Shapiro. (O primeiro ganhou a John Bates Clark).
Leia o texto ou veja o vídeo (é o último da lista), mas faça o favor a si mesmo e aprenda as técnicas. Eu já enfrentei todos os problemas e cometi todos os erros que eles apontam. Ah, se eu tivesse lido isso antes... (Dica do Lucas Mation).

O verbete "Defesas" do Manual de Sobrevivência na Universidade

Começou a temporada anual de defesas de monografia, qualificações e assemelhados. Para dar uma força para os desesperados e esperançosos, aí vai o verbete "Defesas" do Manual:

"Defesas

Você está prestes a entregar a versão para a banca, não aguenta mais ver a cara do orientador (e vice-versa). Chegou a hora.
Fique tranquilo. Se o seu orientador aceitou que você vá para a banca existem duas possibilidades: a) Seu trabalho é no mínimo razoavelmente bom e, apesar de sofrer, você será aprovado no final das contas. Uma coisa que qualquer orientador morre de medo é de passar vergonha na frente dos colegas. b) Seu orientador é doido ou um mau-caráter (ou ambos) e quer levar você para os leões como jantar. Se isso acontecer, o que é muito improvável, você não tem muito que fazer. De qualquer modo, você vai ter de fazer o seu melhor na apresentação.
A sua defesa é tão importante quanto a sua primeira vez. E tão apavorante quanto. Outra semelhança: por mais que você tenha praticado sozinho, a outra parte é mais experiente do que você. A principal diferença – eu imagino – é que na defesa de tese ninguém estará bêbado.
Procedimentos para uma defesa feliz: 
●      Leia o verbete Apresentações.
●      Leia o verbete PowerPoint.
●      Você viu um erro horroroso depois de ter enviado a tese? Não entre em pânico. Faça uma errata e envie por e-mail para o seu orientador avaliar e encaminhar aos membros da banca. Na hora da defesa, peça desculpas e distribua cópias da errata antes do começo da defesa. Mas isso só para erros feios mesmo. Para pequenos tropeços, deixe estar e só corrija na versão final. A banca precisa de algo para se alimentar.
●      Tenha uma versão da tese com a mesma paginação da que foi distribuída para a banca. Nada pior do que ficar indo e voltando nas páginas para achar o trecho que o membro da banca está se referindo.
●      A defesa não é o momento para sentimentalismos nem agradecimentos rasgados. Você pode ser mais informal e até contar um pouco dos bastidores e motivação da pesquisa, mas não exagere na informalidade.
●      Não discuta com a banca. Defenda seu ponto e o seu trabalho. Você vai ser criticado e algumas críticas serão injustas. Você não precisa sair da sala tendo convencido toda a banca de que tem razão. Esfrie a cabeça e responda sempre tentando evitar o confronto direto. Exemplo. Se o membro da banca disse uma sandice completa, ao invés de dizer: "Que absurdo! Nunca houve bobagem maior na vida", você pode dizer - sem tom de ironia: "Infelizmente, eu não conheço a literatura ou os autores que defenderam esse ponto".
●      Não tente responder a todas as perguntas. O normal é o membro da banca fazer as perguntas em sequência. Vá anotando e, quando for a sua vez de falar, responda aquelas que você está seguro. Às vezes, o membro da banca não entendeu um ponto trivial e vai ser fácil responder. Se for mesmo impossível saltar as questões mais cabeludas, não há problema em agradecer a "ótima" pergunta e dizer que não tem certeza para a resposta, mas que vai examinar a questão.
●      Curada a ressaca da comemoração, corra para fazer as correções sugeridas pela banca. Procrastinação é imperdoável nesses casos. Livre-se logo do encosto e toque a sua vida!"

Mais aqui.

A regra dos dois desvios

Ao que parece, a regra será a minha maior (e única) contribuição ao Saber Universal. Eu a reproduzi no verbete "Brigas, críticas e debates" do meu Técnicas Avançadas de Sobrevivência na Universidade. Aí vai:

"
"Nunca brigue se o adversário estiver a mais de dois desvios padrão de você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico."
Se você não sabe o que é desvio padrão, nenhum problema. Traduzindo: nunca brigue se o adversário for muito melhor ou pior do que você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico.
Se o adversário é muito mais inteligente ou conhece muito melhor o assunto, ouça-o com atenção, faça as perguntas relevantes e aprenda. Não é vergonha. Agora, se o sujeito é burro ou ignorante no assunto, o melhor é desconsiderar. Afinal, qual é a graça de ganhar uma discussão com um cara desses? Não há jeito de se sair bem. Se você vencer a briga, você terá apenas vencido a briga com um idiota. O que, cá entre nós, não é lá grande mérito. Além disso, os observadores sensatos vão lhe julgar como covarde. Agora, se você tropeçar e perder a discussão, você terá perdido para um idiota. O que, também, não vai ficar bem para você. O melhor mesmo é ignorar as críticas cretinas. Ignorar é ignorar mesmo. Nada de ironias. Só um "É, pode ser", já basta.
No geral, lembre-se: a vida é muito, muito curta mesmo para você perder tempo com besteiras. Ao invés de desperdiçá-lo em brigas bobas, leia um livro, passeie ou sei lá... corte as unhas do pé. Certamente é um gasto melhor do seu tempo do que ficar batendo boca ao vivo ou na internet.
Brigue a boa briga pelo motivo certo e com quem merece. Se você tem razão e o adversário merece a sua energia, não hesite em defender a sua posição com neurônios e saliva. No mais, deixe para lá.
As mães ensinam que é feio criticar os outros. Por simetria, achamos que receber críticas também é ruim. Críticas são boas. São boas para quem as recebe. O espírito do argumento do John Stuart Mill para a defesa da liberdade de expressão também é válido no meio acadêmico. Se quem critica estiver certo, tenho a oportunidade de corrigir os erros. Se quem critica estiver errado, sou obrigado a organizar o meu argumento para melhor rebatê-lo. De qualquer forma, só saio ganhando.

Trabalho bom é criticado. Trabalho ruim é ignorado. Nada mais triste do que apresentar algo e provocar apenas o tédio e o silêncio da plateia. Não ter críticas significa que tudo está tão errado que nem vale a pena sugerir ou questionar. Ser criticado é bom, porque significa que o seu trabalho chamou a atenção de alguém. Ouça, pense e incorpore se considerar necessário."

ERSA 2013 em Palermo

A Sicília é o lugar do mundo que eu mais gostaria de voltar. Como eu não vou para a ERSA 2013 e a delegação brasileira é grande, aí vão minhas dicas:
  • Canoli na Pasticeria Alba. Piazza Don Bosco, 7
  • A igreja normanda, novinha, é em Monreale. Até eu que só conheço "museus por fora e restaurantes por dentro", gostei
  • Cefalu é pertinho, pequena e super bonita
  • Siracusa é impressionante, mas é bem mais longe e excessivamente turística
No mais, é só aproveitar as ruelas e feiras de Palermo. (Ah, outra coisa: ninguém chama o Aeroporto Falcone-Borsellino pelo nome. Será que é porque foram os dois juízes que mais lutaram contra a máfia? O Falcone, a propósito, levou meia tonelada de dinamite à caminho do aeroporto)
Dica bonus: se alguém esticar em Nápoles, a dica dada pelo Tyler Cowen -e por mim provada -é o Sfogliatelle na: Antico Forno delle Sfogliatelle Calde Fratelli Attanasio. Nada é melhor do que isso.
O evento? Bem, como diz um amigo meu: "Está tudo nos anais!" :-)

O verbete "Powerpoint" do "Manual de sobrevivência na universidade"

Aí vai uma amostra do livro. As três últimas dicas são as menos conhecidas.

PowerPoint  

●      Não use todos os recursos dos PowerPoint. Eles foram criados apenas para que os embromadores ocultassem com palhaçadas o vazio do que têm a dizer. Nunca use som ou os efeitos de animação divertidos.
●      O PowerPoint induz que a sua apresentação seja feita em itens e subitens. Ou seja, você tem o item 2, por exemplo, "Fonte dos Dados", e, dentro dele, o item 2.1 – "A Aplicação do Questionário". Não vá além de dois níveis. Se você começar a ter, na sua apresentação, coisas como item 2.8.3.2, tenha certeza que o seu público olhará incessantemente para o relógio. O ideal mesmo seria fugir da estrutura de itens e contar uma história. Uma estrutura linear de apresentação prende mais a atenção e é mais facilmente lembrada. Mas uma estrutura em itens também não é fim do mundo. O importante é ter uma estrutura.
●      Você, que não é um gênio do design, deve copiar as mulheres espertas e optar pelo pretinho básico das apresentações. Use um fundo simples, monocromático ou quase e fontes de uma ou no máximo duas cores de letras. Sempre com muito contraste. Na tela do seu computador, pode ficar bonito, mas as cores do projetor e a iluminação ambiente podem transformar a sua apresentação em um involuntário e indesejável teste de daltonismo.
●      Se você quiser mesmo usar estilos mais coloridos, rogo que não use os tão batidos que acompanham o PowerPoint. Como poucos são minimamente aceitáveis, as pessoas acabam escolhendo os mesmos.
●      Use a Regra 10-20-30 de Guy Kawasaki. Isto é, dez slides para serem apresentados em 20 minutos e com fonte de tamanho 30. Esse tamanho não é apenas para facilitar a vida dos míopes. Serve também para lhe forçar a sintetizar a sua mensagem. Achou o tamanho 30 muito rígido? Então, siga o algoritmo do mesmo Kawasaki. Divida por dois a idade do mais velho membro da plateia. Use a fonte desse tamanho. Use a fonte Arial ou qualquer outra sem serifa (ou seja, sem enfeites nas pontas das letras) e não tente entulhar informação.
●      Pelamordedeus - não leia os slides para a plateia. Ela é alfabetizada e vai se entediar até a morte se você ficar lendo em voz alta.
●      Nunca coloque aquelas tabelas entulhadas com resultados estatísticos ou testes adicionais (se quiser, coloque alguns slides extras ao fim da sua apresentação com as informações de suporte àquelas perguntas que sempre surgem. Assim, quando perguntarem: "você testou se as variáveis cointegram?" Você – Bam! – mostra o slide dos resultados dos testes).
●      Se você está tendo problemas em fazer com que tudo caiba em um slide só, desista. Isso é um sinal de que você deve dividir a informação em dois slides ou que há informação que pode ser omitida.
●      Cuidado com a ortografia. Será fatal para sua reputação a troca de um "s" por "z" em fonte 30, projetada numa parede. Mande a apresentação para outras pessoas verificarem.
●      Tenha backups em vários formatos de arquivos e de suportes (pen drive, CD-ROM e tábuas de argila). Datashows explodem, pen drives queimam e você não pode ficar de mãos abanando. Se você for muito cauteloso, imprima umas cópias com uns seis slides por página para distribuir.
●      O PowerPoint tem seus bugs: não só há incompatibilidade entre versões, como também entre apresentações gravadas em máquinas com versões do software em línguas distintas. Especialmente fórmulas e gráficos viajam mal entre versões. Como solução, sugiro que você grave a apresentação também em PDF. O Impress (do pacote do Open Office) também tem problemas de compatibilidade com o PowerPoint, mesmo quando você exporta para este formato de arquivo.
●      Lembre-se: F5 para o modo de apresentação. Eu fico muito angustiado quando o apresentador briga com o mouse até encontrar a opção no menu ou o ícone no canto inferior direito.
●      Se em algum momento você não tem nada na tela para mostrar, chame a atenção para você próprio. Como? Com um slide em branco. Automaticamente, as pessoas acordarão do transe que talvez estejam e ouvirão o que você tem a dizer. Caso você não tenha lembrado de inserir esse slide, basta teclar W (tem de ser o w maiúsculo) para que o slide branco apareça. Se você teclar B – de Black – a tela fica escura. Isso é útil quando você quer desligar temporariamente a luz no projetor.
●      Quer dar uma de profissional? Salve o arquivo "Apresentação de Slides do PowerPoint" (PPSX) e não como "Apresentação do PowerPoint" (PPTX). Com isso, quando você abre o arquivo, o PowerPoint entra já no modo de apresentação em tela cheia.
●      Eu não sou fã de pointers laser. Afinal, se o slide estiver bem feito, o ponto importante já deve estar claro. De qualquer forma, se você precisar apontar algo, basta apertar CTRL e o botão esquerdo do mouse. Uma bolinha vermelha virtual aparecerá na apresentação. Só funciona para quem tem PowerPoint para Windows a partir da versão 2010. Os demais devem passar no camelô e comprar a canetinha laser.

"Avaliação Econômica de Projetos Sociais"

Aqui e de graça!  Olha o nível: foi organizado pelo Naércio Menezes Filho e tem textos de Betânia Peixoto, Cristine C. de Xavier Pinto, Lycia Lima, Miguel  Foguel e -not least - Ricardo Paes de Barros.
Ele não substitui o Angrist and Pischke (nem é esse o objetivo), mas é essencial para quem quer aprender o jeito moderno de avaliar projetos.
Ótima dica do grande Sabino Porto!

Dicas para apresentações no Powerpoint

Estou no X Enaber. É um encontro que eu gosto muito, porque reúne os pesquisadores mais antigos com as novíssimas gerações (além de ser uma ótima oportunidade de reencontrar os amigos da área).
Infelizmente, mesmo entre os novos pesquisadores, eu sigo encontrando os mesmos erros do passado nas apresentações.  (Neste exato instante, o apresentador está lendo um slide com 27 (sic) linhas de texto )
Aproveito, então, para repetir o meus post com dicas de apresentação:

  • Não use os recursos dos PowerPoint. Eles foram criados apenas para que os embromadores ocultassem o vazio com palhaçadas. Nunca use som ou os efeitos de animação divertidos.
  • O PowerPoint induz que a sua apresentação seja feita em itens e subitens. Ou seja, você vai ter item 2, por exemplo, “Fonte dos Dados”, e dentro dele o item 2.1 “A Aplicação do Questionário”. Não vá além de dois níveis. Se você começar a ter na sua apresentação coisas como item 2.8.3.2, tenha certeza que o seu público olhará incessantemente para o relógio. O ideal mesmo seria fugir da estrutura de itens e contar uma estória. Uma estrutura linear de apresentação prende mais a atenção e é mais facilmente lembrada. Mas uma estrutura em itens também não é fim do mundo. O importante é ter uma estrutura.
  • Você, que não é um gênio do design, deve copiar as mulheres espertas e optar pelo pretinho básico das apresentações. Um fundo simples, monocromático ou quase, e fontes de uma ou no máximo duas cores de letras. Sempre com muito contraste. Na tela do teu computador pode ficar bonito, mas as cores do projetor e a iluminação ambiente podem transformar a tua apresentação em um involuntário e indesejável teste de visão.
  • Se você quiser mesmo usar estilos mais coloridos, eu rogo que você não use os tão batidos que acompanham o Powerpoint. Como poucos são minimamente aceitáveis, as pessoas acabam escolhendo os mesmos.
  • Use a Regra 10-20-30 de Guy Kawasaki. Isto é, 10 slides, para serem apresentados em 20 minutos e com fonte de tamanho 30. Esse tamanho não é apenas para facilitar a vida dos míopes. Serve também para te forçar a sintetizar a tua mensagem. Achou o tamanho 30 muito rígido? Então siga o algoritmo de Kawasaki. Divida por dois a idade do mais velho membro da plateia. Use a fonte desse tamanho. Use a fonte Arial ou qualquer outra sem serifa e não tente entulhar informação. Apenas os principais pontos e – pelaamordedeus- não leia os slides para a plateia. Elas são alfabetizadas e vão se entediar até a morte se você ficar lendo em voz alta.
  • Nunca coloque aquelas tabelas entulhadas com resultados estatísticos ou testes adicionais. ( Se quiser, coloque alguns slides extras ao fim da tua apresentação com as informações de suporte àquelas perguntas que sempre surgem. Assim, quando pergutarem: “Você testou se as variáveis cointegram?”Você – Bam! - mostra o slide dos resultados dos testes.)
  • Se você está tendo problemas em fazer com que tudo caiba em um slide só, desista. Isso é um sinal de que você deve dividir a informação em dois slides ou que há informação que pode ser omitida.
  • Cuidado com a ortografia. Será fatal para sua reputação a troca de um “s” por “z” em fonte 30 projetada numa parede. Mande a apresentação para outras pessoas verificarem.
  • Tenha back-ups em vários formatos de arquivos e de suportes (pen drive, cd-rom, e tábuas de argila). Datashows explodem, pen drives queimam e você não pode ficar de mãos abanando. Se você for muito cauteloso, imprima umas cópias de handout com uns seis slides por página para distribuir.
  • O Powerpoint tem seus bugs: não só há incompatibilidade entre versões, como também entre apresentações gravadas em máquinas com versões do software em línguas distintas. Especialmente fórmulas e gráficos viajam mal entre versões. Como solução, sugiro que você grave a apresentação também em pdf . O Impress (do pacote do Open Office) também tem problemas de compatibilidade com o Powerpoint, mesmo quando você exporta para este formato de arquivo.
  • Se em algum momento você não tem nada na tela para mostrar, chame atenção para você próprio. Como? Com um slide em branco. Automaticamente, as pessoas acordarão do transe que talvez estejam e ouvirão o que você tem a dizer. Caso você não tenha lembrado de inserir esse slide, basta teclar W (tem que ser o w maiúsculo) para que o slide branco apareça. (Se você teclar B – de Black – a tela fica escura. Isso é útil quando você quer desligar temporariamente a luz no projetor).
  • Se você quiser arriscar mesmo, use o Prezi. Cuidado porque pode dar náuseas na plateia.
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