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Mostrando postagens de Outubro, 2015

Wyllys e Bolsonaro: uma relação simbiótica

Se você estiver com muita pressa, pule para esse ponto.

Maduro

Mau-caratismo: Maduro gravou ilegalmente o economista Ricardo Hausmann conversando com um empresário sobre como recuperar a Venezuela pós-chavista. Claro que os chavistas viram nisso uma conspiração internacional. Muito deprimente. O apresentador-  com o tacape na mesa- é bem representativo. O texto do Hausmann sobre o assunto está aqui, com direito a reclamação pelo silêncio da Dilma. Burrice: Maduro vai apertar o controle de preços. A História Econômica ensina:é uma péssima ideia. Desde o Imperador Diocleciano (ano 300), se sabe que não dá certo.

Política industrial na prática

Quem pede maior realismo nos modelos econômicos não percebe que isso pode gerar resultados que recomendam menos- e não mais-  intervenção do governo. Exemplo: política industrial. Inocentemente, dá para criar um monte de situações que justificariam a intervenção do governo. Agora, se você for mais realista e incluir políticos, grupos de interesse, et caterva no modelo, a recomendação será "olha-eu-sei-que-tem-falha-de-mercado-mas-as-de-governo-são-piores".

Holanda acabou com o sistema de patentes em 1869 por motivos ideológicos

(...) "the central reason why the Netherlands abolished patent laws in 1869 was the ideological link between patents and protectionism; patent laws were at odds with the Netherlands’ commitment to free trade."  O resultado? A inovação na Holanda mudou de direção para aquelas áreas em que as patentes eram menos importantes. Aprendi isso aqui:
Moser, Petra. "How Do Patent Laws Influence Innovation? Evidence from Nineteenth-Century World's Fairs." The American Economic Review 95.4 (2005): 1214-1236.


Nunca estive em tão boa companhia!

(Na verdade, estou me sentindo um penetra) O trecho está nos agradecimentos do livro do novo do William Summerhill: Inglorious Revolution: Political Institutions, Sovereign Debt, and Financial Underdevelopment in Imperial Brazil.

Não houve "Reversal of Fortune" no nível subnacional

Os três princípios da Escola de Chicago

Disse o Harberger:
 “First, the world is so complicated, so unfathomably complex, that we need theory to make sense of it,”
“Second, theory is useful only to the extent that it helps us predict outcomes.”
“Third, make sure that market forces work. I liken market forces to wind and tides. It’s at your own peril that you try to defy them.” Vale muito a pena ler o texto, ver as fotos e o vídeo. Ótima a história de como as carinhas achavam que o multiplicador do gasto do governo era 5, até o Harberger estimar e encontrar 1,1 .
(Dica do Thales Zamberlan, doutorando da USP, que está aqui na UCLA)

Chamada de artigos: Revista História e Economia

"A Revista interdisciplinar História e Economia é uma publicação semestral impressa do Instituto de História e Economia. A proposta do Conselho, formado por professores da USP, UFF, Unicamp e outras importantes universidades, quando criou o Instituto, foi resgatar e incentivar uma parte da nossa pesquisa pouco privilegiada nos centros acadêmicos, como a História Comparativa, a História Econômica e a História Política. Receberemos artigos até o dia 30 de novembro de 2015. Os artigos serão publicados no v. 15, 2 º semestre de 2015.Os artigos devem ter no mínimo 20 páginas e ser enviados para o e-mail revistahistoriaeconomia@gmail.comA Revista dedica-se à publicação de trabalhos nas áreas de Economia, História Econômica, História Política e História da África. Publicamos somente textos originais, aceitando em casos especiais, a publicação simultânea em revista estrangeira. Recebemos artigos em português, inglês, espanhol ou francês.
Os artigos poderão ser referentes a quaisquer paíse…

Contra a regra dos 2 desvios

A maior parte das minhas frequentes violações da regra foi causada por falta de auto-controle e procrastinação. Pensando bem- contudo -  eu consigo argumentar que há uma situação em que é defensável violar a regra dos dois desvios.
Em um debate público, apresentar um fato, evento, ou evidência que mostre que o outro lado está errado serve para mostrar aos que acompanham o debate o quão sem-noção é o infrator. Quem disse o absurdo não mudará de opinião, mas perderá a credibilidade.  Apresente o fato e não bata-boca.

Congresso de Economics and Human Biology em Tuebingen, Alemanha

Economics and Human Biology Tuebingen, October 15-16, 2016
Call for papers This two-day workshop focuses on Economics and Human Biology. The conference is devoted to the exploration of the interrelationships between socio-economic processes and human beings as biological organisms. Themes include: The impact of socio-economic processes, such as industrialization, urbanization, agricultural policy, technological change and commercialization and the degree of penetration of the world food system on biological welfare and health outcomes.The effects of government intervention programs, as well as macroeconomic and public health policy on the human organism at either the individual or the population level.Feedback effects from human biological outcomes to economic growth at the national, regional and local levels insofar as healthier individuals invariably lead longer, more creative, and more productive lives, thereby influencing the course of economic development.The complex symbiotic relatio…

"How to Read a Paper " por Trisha Greenhalgh

O livro é voltado para a área de Epidemiologia (o subtítulo é: "the basics of evidence based medicine"). Há um versão preliminar como paper.
Eu o recomendo para todo mundo, inclusive para qualquer um que possua um corpo físico. É sensacional.

Nunca confie em pesquisas de satisfação

Mestre Elio Gaspari diz que falar mal do SUS é "vício irracional", porque os usuários do SUS não o acham tão ruim quanto os que não o usam.
Nem poderia ser diferente, né? Existe um grave problema de viés de seleção. Os clientes da pizzaria batepapo certamente gostam de lá. Ou o público da Família Lima deve achar que eles são audíveis. E assim por diante. Na verdade, o caso do SUS é pior porque seus clientes não tem lá muita alternativa. O próprio Gaspari relata que 53% dos usuários acham o SUS "ruim" ou "péssimo". Ou seja, com um pouquinho mais de renda, os pacientes fugiriam do SUS. Além disso, como confiar no que as pessoas respondem? (Eu mesmo sou campeão de elogiar a comida horrível em restaurantes que abominei e também aperto o botão de "satisfeito" sem qualquer motivo).  O SUS é bom? Sei lá, mas não é perguntando aos clientes que você vai descobrir. Imagino que existam medidas objetivas mais apropriadas: tempo na fila, sobrevida, infecçõe…

Por que um heterodoxo sincero pode defender o ajuste fical?

Esse paper apresenta um mecanismo possível (o velho: "Viu? Eu te disse!"):
"Machieavellian Experimentation" por Xie e Xie Abstract This paper proposes a mechanism in which, instead of intensifying disagreement, polarization of beliefs could eliminate political gridlock: Significant political payoffs from being proven correct by policy experimentation could drive decision makers who disbelieve in the new policy to agree to policy experimentation, since they are confident that the experimentation would fail and increase their political power. We formalize this mechanism in a collective decision making model in the presence of heterogeneous beliefs in which any decision other than the default option requires unanimity. We show that this consideration of political payoffs can eliminate the inefficiency caused by unanimity when beliefs are extremely different, but could also create under-experimentation when beliefs are slightly different. We illustrate the empirical re…

"A Estabilidade Da Desigualdade entre 2006 e 2012: Resultados Adicionais" por Pedro Souza e Marcelo Medeiros

Aqui e a matéria no Valor.
Fofocas:

O Pedro está em Berkeley, trabalhando com Emmanuel Saez e cia.Do pouco que sei sobre o que Pedro e Marcelo estão preparando, já posso antecipar que eles revolucionarão o estudo da evolução da desigualdade no Brasil no século XX. Sim, no século XX.

Você confia nos cientistas?

Nos EUA, 88% e 87% dos cientistas acreditam que os transgênicos são seguros e que o aquecimento global foi causado pelo ser humano. Já no público em geral é mais """cético""": só 37% e 50% creem nas afirmações anteriores, respectivamente.
Como será o perfil de quem acredita ou não nessas afirmações? Meu chute:

Transgênicos são segurosSimNãoAquecimento global
foi causado pelo ser humanoSimCongratulações!
Você é coerente e segue a opinião majoritária
dos cientistas.Incoerente. Aposto que você é "de humanas", não é?NãoIncoerente. Desconfio que você é contra o aborto e a favor da pena de morte.Coerente, mas você é uma raridade. Você desconfia da Ciência e deve usar um daqueles chapéus de alumínio para se proteger das ondas do wifi.

Diversos

Vitor Wilher apresenta em um vídeo curtinho sobre como o R pode facilitar a sua vida. Ele também fez postou um vídeo mais longo com um bate-papo sobre o papel do R no ensino do Economia. (Valeu, Shikida, pela referência!); Bernardo Furtado e Isaque Eberhardt divulgam a primeira versão do modelo de simulação baseado em agentes: A simple spatial economic model: a proposal;Quer publicar nos top five journals? Tente história econômica! (Dica do Pedro Américo);"Que variáveis incluir na regressão?" (Eu acho que já postei esse link do Análise Real, mas ele é tão bom que repito a dose. A propósito, quem tiver interesse nos Directed Acyclic Graphs, recomendo o pacote dagR.

Licões de vida com Franz Ferdinand + Sparks FFS

Estou na fase de achar sentido em letras pop. A colaboração inusitada dos caras do Franz Ferdinand com os coroas malucos do Sparks tem me fornecido muito material.
Tenho sorte com os meus coautores. Nunca briguei e sempre achei que eles trabalharam mais do que eu. De qualquer forma, vou guardar essa música para momentos de frustração:



Já esse trecho de Piss Off pode servir em uma infinidade de situações: desde seminário acadêmicos até à situação política brazuca:
"It's always inexplicable
It's inexplicable
But still they're eager to explain
It's always inapplicable
It's inapplicable
But they'll apply it all the same
It's always irrefutable
It's irrefutable
But still their arguments remain
Get to the point and point to the open door
Get right to the point and there's the door"

"The longevity of famous people from Hammurabi to Einstein" de la Croix and Licandro

Sobre o Nobel 2015

Confesso que nunca li o Angus Deaton.  (Mas The Great Escape estava já no meu carrinho de compras da Amazon. Não é nada, não é nada... não é nada)Hoje é o dia do ano em que alguns caras, geralmente vindos de áreas ainda mais 171, dirão que Economia não é ciência, não há prêmio Nobel de Economia...  e outras chatices.Segura firme, Baumol!

Diversos

Antoninho de Botucatu agora tem seu próprio blog (não sei quem é o autor);Excelente blog do Bernardo Guimarães;Para quem andou isolado, como eu, aviso que o Celso Barros (do clássico blog NPTO) está com coluna na Folha. A primeira coluna rendeu polêmica e resposta no Leis de Oferta (Pô, Vinícius, encurta aí os textos! A regra é clara: réplicas tem que ter-  no máximo - o  tamanho  do texto original + um 5% de tolerância);Guy Franco é sensacional. Prova.;Para reforçar, recomendo novamente o Mercado Popular.

William Baumol, meu voto para o Nobel de Economia de 2015

Caros suecos, ele está com 93 anos! Se não for agora, quando?  Suas pinturas não são lá grande coisa, mas a obra econômica é sensacional.

Judea Pearl

Estou estudando Casuality, o livro do Judea Pearl, para a disciplina "Logic, Causation, and Probability". Dessa vez, eu espero realmente aprender. O cara é brilhante. Leiam só o discurso  "The Art and Science of Cause and Effect" (as ilustrações são ótimas).
Eu só fiquei chateado porque descobri ontem que ele é pai do Daniel Pearl, o jornalista que foi sequestrado e morto no Paquistão. Coitado.

E tem gente achando que criticar a sociedade de consumo é novidade:

'In the ancient world, "men were... forced to labour beacuse they were slaves of others; men are now forced to labour because they are slaves to their own wants" Sir James Steuart, em Inquiry into the Principles of Political Economy, 1767.  Repito:  mil-setecentos-e-antes-da-invenção-da-comida-em-lata. Citação no Allen.

"In England, the proportion of the population who could sign their name rose from about 6 % in 1500 ...

to 53% in 1800". Fonte: Allen, 2009.

Laffer, Cheney e Rumsfeld

A Curva de Laffer existe, mas na mão dos políticos e dos economistas irresponsáveis é um perigo. Eles sempre dizem que estamos à direita do máximo de arrecadação: ou seja, uma redução das alíquotas levaria a um aumento da receita do governo, uma vez que a atividade econômica seria estimulada. É a fantasia atraente supply-sider. (A fantasia simétrica keynesiana é: "se gastarmos mais, o PIB aumenta mais que proporcionalmente e a arrecadação também. Festa!")
O repugnante vídeo abaixo, com o próprio Laffer, Donald Rumsfeld e o Dick Cheney, mostra o nascimento dessa ideia perigosa. (O jantar da trinca deve ter sido concentração de mau caratismo da história, só comparável talvez ao dia em que Nixon jantou sozinho.*)
* A frase original.

Diversos

Apresentador argentino se perde ao comparar o poder de compra do salário mínimo na Argentina e no Brasil. Constrangedor;32% dos sem-teto em Los Angeles teriam nível superior, contra 25% da população em geral. Acho pouco provável. Ou eles entevistaram vários King Size, ou confundiram hipsters com homeless. (via Urban Demographics);Vou ter que apresentar em uma disciplina aqui: "Medieval Universities, Legal Institutions and the Commercial Revolution" de Cantoni e Yuchtman sobre criação de universidades em 1386  na Alemanha. Eu preferiria discutir outro mais divertido: cervejarias e prostíbulos alemãs como placebo no crescimento regional de longo prazo ;Enquanto isso, na área de Humanas da UCLA: The Legacy of Che Guevara.