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Mostrando postagens de Outubro, 2013

História Econômica: dois furos meus

Esqueci de divulgar dois eventos sensacionais de amigos:
- O Fábio Pesavento lançou Um pouco antes da Corte: a economia do Rio de Janeiro na última metade dos setecentos em Porto Alegre.
- Putz, esqueci de divulgar o workshop sobre desigualdade no Brasil em perspectiva histórica, organizado pelo Renato Colistete.
Que mancada! Foi mal, amigos.


Por que os municípios querem se dividir?

Três letrinhas: FPM, o Fundo de Participação dos Municípios. O projeto que regulamenta a criação de novos municípios, aprovado ontem no Senado, é melhor do que a bagunça vigente em alguns estados até 1996. O projeto impõe limites populacionais por região e outras restrições. Até aí, tudo bem.
Porém, a distorção do sistema de transferências que incentiva a emancipação municipal permanece. As regras vigentes, que remontam a 1981, definem faixas populacionais que favorecem os micro municípios  (ver tabela VII, p. 8). Assim, a divisão de um  município de 50 mil pessoas gera um aumento de 40% no seu FPM (Uns R$6 milhões extras por ano). E se a partição for em oito novos municípios, cada um com 6.250 pessoas? Bem, aí as prefeituras terão mais 140% de FPM (uns R$ 22 milhões)! Sim, eu sei que existem boas razões econômicas para criar um município. O meu ponto é o seguinte: só consertando as distorções das transferências se poderia distinguir as emancipações legítimas das que se aproveitam de…

Saídas de regressão bonitinhas no R

Você perde um tempão reformatando tabelas de regressão? Está com inveja do outreg do stata? Seus problemas acabaram! Chegou texreg para o R.
Basta fazer htmlreg(objeto_saída_regressão) que ele gera um tabela profissa. Ah, faz tabelas LaTeX também. Mais informações aqui.

Atualização: Vanessa Nadalin, minha colega do Ipea, me avisa que a biblioteca não funciona no spdep (o pacote de econometria espacial). Ao que parece, é ainda melhor usar o pacote stargazer, porque ele aceita uma ampla gama de tipos de objeto.

Atualização 2: Nos comentários, Danilo faz coro em favor do stargazer. É bacana mesmo e, se você for ambicioso, ele até gera direto a tabela no formato da American Economic Review. (Eu confesso que estou com um erro esquisito no stargazer. Já fiz o update para versão 4.5, mas o erro segue. Pode ser problema meu.)

Heróis apenas por um dia

Mestre Duílio, que tudo sabe, contou uma história ótima no comentário de um post do blog. Richard Stone, antes de ter  inventado a Contabilidade Social*, foi trabalhar no Ministério da Guerra britânico. Ele percebeu que todos os navios mercantes italianos estavam rumando para portos neutros. Fez a previsão da data em que eles chegariam em tais portos e antecipou para os seus superiores que a Itália declararia guerra em 10 de Junho de 1940. Os superiores não o ouviram e a Itália declarou guerra no dia 10 de Junho de 1940.
Para outras contribuições dos economistas durante a II Guerra, ver o excelente:
 MARK GUGLIELMO (2008). The Contribution of Economists to Military Intelligence During World War II. Journal of Economic History, 68, pp 109-150. doi:10.1017/S0022050708000041. 
* Sim, crianças, alguém teve que inventar as contas nacionais. Isso rendeu um Nobel mais do que merecido para Sir Richard Stone.

Diversos

A mais simples explicação do paradoxo de Simpson (não, não é o seriado de TV. Thank you, Mr. Pear Tree);Socias e Métodos: um blog de Ciências Sociais Computacionais. O autor faz chover com  R e um monte de mapas. Impressionante o webscrapping para capturar os preços de imóveis em SP;Entrevista do Komlos - o grande antropometrista histórico - no newsletter da Cliometric Society. (dica do Shikida);Xi... a distribuição de países também é Zipf! E agora? Com usar as teorias que explicam as cidades para os países? (dica novamente do Shikida).A localização de todos os navios de carga do mundo;Infográfico (de 1872!) das finanças públicas norte-americanas entre 1789-1870.

A regra dos dois desvios

Ao que parece, a regra será a minha maior (e única) contribuição ao Saber Universal. Eu a reproduzi no verbete "Brigas, críticas e debates" do meu magnum opus "Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado" ( Atualização 2017: O livro está fora do ar porque uma segunda edição, expandida, será publicada em breve). Aí vai:

" "Nunca brigue se o adversário estiver a mais de dois desvios padrãode você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico." Se você não sabe o que é desvio padrão, nenhum problema. Traduzindo: nunca brigue se o adversário for muito melhor ou pior do que você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico. Se o adversário é muito mais inteligente ou conhece muito melhor o assunto, ouça-o com atenção, faça as perguntas relevantes e aprenda. Não é vergonha. Agora, se o sujeito é burro ou ignorante no assunto, o melhor é desconsiderar. Afinal, qual é a…

Coisas que eu aprendi sobre a China nesta semana

No domingo, no meio de um feriado de lá, o governo chinês anunciou que Xangai terá uma área com leis próprias, super liberais e livre-comércio; O governo criou pares entre as províncias ricas com províncias pobres. Uma relação tipo irmão-maior, irmão menor. Um burocrata que queira subir na carreira tem que passar um tempo na província pobre;Para minha surpresa, um economista chinês confirmou que "Capitalism with Chinese Characteristics" de Yasheng Huang é um retrato fiel do que ocorreu.

Joanesburgo, impressões irresponsáveis

A cidade passou no meu teste rápido de boas instituições: A água da bica é potável;Não tem avião parado no aeroporto;O prédio mais alto não é público e nem da ONU. (Eu já escrevi essa lei no blog, mas perdi o link). No entanto, o país fracassa no Teste de Theroux. (Pô, mas é o Nelson Mandela. Ele merece tudo quanto é estátua). Joanesburgo parece mais com o sul da Califórnia do que eu poderia imaginar: estradas largas, condomínios fechados. Tudo muito horizontal e bem disperso.  Outras surpresas:
Soweto é um bairro de classe média;A corte suprema é uma beleza e fica ao lado da prisão barra-pesada do tempo do apartheid;Transporte público bem ruim, mas a infraestrutura urbana é sensacional e bem cuidada;Os ambientes de trabalho são bem mais multi-raciais do que eu esperava;Para fechar, vejam que avanço: em 2000, os sul-africanos redesenharam os municípios para que embarcassem todas as áreas metropolitanas (Sonho meu!).