Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Julho, 2011

Desindustrialização, reprimarização e outros palavrões

Agora a bronca é com o aumento da participação dos bens primários na pauta de exportações e a solução óbvia seria a desvalorização do real para tornar o setor industrial mais competitivo. Epa, epa, epa. Ora bolas, a desvalorização cambial tornaria as exportações de commodities também mais atrativas e não há garantia que a composição da pauta mudaria em favor dos bens industriais.

A questão de 39 bilhões de reais

Como dividir Fundo de Participação dos Estados? Marcos Mendes responde. Tudo dando certo, em agosto ele e outros convidados estarão no IPEA para debater o tema.
(Uma das maluquices do fundos é que eles variam por faixa de população. Isso cria umas descontinuidades estranhas: meia dúzia de gatos pingados geram grandes variações nas transferências. Isso leva estados e municípios a questionarem judicialmente os dados do IBGE. Eu achava que isso era uma jaboticaba. O Carlos Alexandre Amorim Rocha - que também estará no seminário sobre FPE - me avisou que também acontece nos EUA.)

Conselhos para pesquisadores

- The ten rules of writing, por Goldin e Katz;
- Procrastinação; Ambos links por Lucas Mation (Eu diminuí minha procrastinação quando percebi que sua causa não era a preguiça. O motivo era o medo de não saber executar a tarefa.);
- Procrastinação estruturada; (funciona, às vezes)
- Antes de tudo: faça um histograma. É o melhor jeito de identificar os gremlins nos teus dados.

Venezuela ou Chile?

Na terça-feira apresentei o paper com o Irineu para os alunos de Economia Brasileira do Bernardo Mueller na UNB. Foi super legal e tudo mais. Mas não é sobre isso o post.
Para quem não conhece o Bernardo, adianto que ele é a referência nacional sobre Nova Economia Institucional e sabe tudo sobre a economia brasileira. Pois bem, e não é que ele e o Lee Alston estão bastante otimistas quanto ao futuro do Brasil? Na seção "The institutional underpinnings of Brazil’s transformation" eles apresentam uma interpretação bem positiva das mudanças institucionais recentes (últimos 15 anos).
Eu fico realmente dividido. Tá, o Brasil não é mais tão bizarro como outrora. Contudo, eu sempre temo que, com as mudanças nos incentivos e nas restrições, o país pode tomar um caminho institucional errado e ainda existem muitas idéias esquisitas no ar. Enfim, agora que a maré mudou na imprensa internacional, eu acho que vale a pena ler o texto de Mueller e Alston.

Von Thunen é o cara!

"I hope the reader who is willing to spend some time and attention on my work will not take exception to the imaginary assumptions I make at the beginning because they do not correspond to conditions in reality, and that he will not reject these assumptions as arbitrary or pointless. They are a necessary part of my argument, allowing me to establish the operation of a certain factor, a factor whose operation we see but dimly in reality, where it is in incessant conflict with others of its kind.” Von Thunen, 1826Encontrei aqui.

Doença Holandesa, a lei

Cada vez mais eu me convenço da validade da lei: "Quanto mais alguém fala da Doença Holandesa, menores as chances dessa pessoa ter lido o texto do Corden (1984)".
Sério, os carinhas definem a doença como algo que o paciente já possui e depois identificam o paciente como portador da doença. Sensacional. Seria algo como o médico dizer para o paciente que tem um verruga no nariz: "Câncer é uma verruga. Você tem uma verruga, logo é canceroso. Precisa de uma tarif... digo, de quimioterapia."

Autopromoçao deslavada mesmo para caramba

O livro Living Standards in Latin American History: Height, Welfare, and Development, 1750-2000 ganhou o prêmio de melhor livro de História Econômica da América Latina e Hispânica da Associação Española de Historia Económica. Entre outros artigos, a obra contém o texto das alturas dos brasileiros (versão antiga) feito por Nogueról, Shikida e este que vos tecla. O livro também ganhou uma resenha bem positiva na Economic and Human Biology (valeu, Colistete, por nos avisar).
Atualização: a Foreign Affairs também fez uma resenha positiva!

"Duplico o seu dinheiro em duas semanas! Ligue já"

Eu não entendo bulhufas de finanças. O fracasso de meus parcos investimentos são a prova. Mas tem coisa que eu não acredito: esse treco de análise técnica, também conhecida como quiromancia-i-ching-runas aplicada às finanças. A busca de padrões nos gráficos do IBOVESPA me parece tão sério quanto a astrologia, a homeopatia e o Slavoj Zizek. Por isso, eu me surpreendo quando vejo uma manchete do Valor:

"Se confirmar um fechamento abaixo dos 60.500 pontos, o Ibovespa perderá um importante suporte gráfico." "Importante" para quem, cara pálida? Vocês aí fora que entendem disso, me digam: alguém já deve dado um monte de gráficos de ações já acontecidos para os analistas técnicos, né? Depois é só checar as previsões e ver qual a distribuição dos erros. Existe alguma paper sério sobre o asssunto? Eles ganham da aposta no índice? Duvido.

Diversos

- Versão interativa dos resultados preliminares do Censo 2010. Via Urban Demographics.
- Saíram também os dados de renda per capita municipal! Senhores e senhoras, ponham seus códigos para trabalhar! Com pressa, dá até para enviar para a ANPEC!
- Como o gasto público elevado desequilibra a economia brasileira, por Marcos Mendes;
- Alexandre responde à pergunta de um milhão de dólares: "Por que a taxa de juros brasileira é tão alta?"
- Bolha imobiliária ou não bolha? Aqui e aqui. Eu voto por "bolha", mas eu não confiaria nos meus próprios conselho. (A propósito, o IPEADATA está com os dados do índice FIPE/ZAP);
- O forró foi jóia, mas as fotos que circulam pelo twitter são o produto de photoshop, álcool e uma amizade de quase 20 anos.
- Por fim, vale a pena ter essas imagens na cabeça para sonhar acordado em reuniões enfadonhas ou insanas.