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Mostrando postagens de Agosto, 2015

"Da escravidão ao trabalho livre" de Luiz Aranha Corrêa do Lago

Lançado em 2013, é um tremendo livro. Trata-se da publicação, em português, das partes não técnicas da tese de doutorado que o autor defendeu em Harvard em 1978.
Corrêa do Lago  aplica a hipótese de Domar para entender fim do trabalho escravo nas províncias/estados do Sul e Sudeste do Brasil. Um resumo do argumento econômico da tese está no artigo publicado na RBE em 1988.
Mas não é só isso. O autor acrescentou um Posfácio com uma longa visão da produção recente história econômica sobre o Brasil. Aprendi muito mesmo com esse capítulo extra.
O livro é realmente essencial. Totalmente recomendado.

Colônias de Povoamento Versus Colônias de Exploração: de Heeren a Acemoglu

Na UCLA

Viajo hoje para ficar um ano como pesquisador visitante na Economia da UCLA. Trabalharei com os grandes William Summerhill e a Dora Costa sobre imigração para o Brasil, sobrenomes e desigualdade regional/social. No final das contas (e bota conta e limpeza de banco de dados), quero fazer uma coisa na linha do Gregory Clark (sem as maluquices).
Vou manter o blog atualizado com o andamento da pesquisa.  Os emails para o gmail  continuarão sendo lidos e respondidos com agilidade (espero). Já a conta @lmonasterio do Twitter será desativada durante o período da estadia (vai ser sofrido ficar longe).  Fui!

Diversos

O Efeito Chimarrão: o Brasil do futuro pode ser o Rio Grande do Sul de hoje. O excelente texto da Monica de Bolle merece muita atenção;Debate entre James Baldwin e William Buckley em Cambridge 1965. Baldwin dá um show e cita a  previsão  do Bob Kennedy de que em 40 anos um negro seria presidente dos Estado Unidos;Foram criadas escolas "virtuais" só com alunos ótimos para alcançar o topo do ranking do ENEM. Mais um caso da Lei de Goodhart: quanto a medida vira meta, deixa de ser uma boa medida;No Leis de Oferta: a analise econômica definitiva do Über. A propósito, podcast sobre o cara que chegou a ter 1 bilhão de dólares em autorizações para taxi em Nova Iorque;Economista X defende a hipocrisia da esquerda festiva. O argumento está certo, mas também se aplicaria ao assassino serial que defende a redução da criminalidade no Brasil ("O que é um morto a mais em 50 mil por ano?").  A noção de hipocrisia, afinal de contas, está associada às violações do Imperativo Categó…

Aos Fatos: ótima iniciativa, porém...

O indicador "Doing business" presta?

Sim. Antes de tudo, todo indicador composto - como o IDH, ou o Doing Business- tem um problema básico: é redundante ou enganoso. Como os índices combinam diferentes medidas, se todas andam na mesma direção, o indicador é redundante. Agora, se umas apontam para um lado e outras para outro, a medida é enganosa, pois oculta a variação das medidas que compõem o índice. Enfim, os indicadores compostos  devem ser digeridos com cuidado, mas têm seu valor.

O ótimo texto do Hallward-Driemeier e Pritchett mostra que não há correlação entre o Doing Business (DB) e a Enterprise Surveys (ES). O WSJ divulgou isso com alarde, mas não há razão para espanto. Afinal, o DB mede as dificuldade para negócios no papel, enquanto ES, as dificuldades efetivas que as empresas enfrentam. O artigo mostra bem que, quando existe muita regulamentação e os governos são ruins, a variação nas diferenças entre as empresas é imensa. Os amigos do rei contornam a regulamentação com facilidade, outros têm que enfrentá-la…