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Mostrando postagens de Junho, 2015

Bicicletas, privadas e humoristas

Disse um humorista: "Nos países em que você lava a própria privada, ninguém mata por uma bicicleta". E acrescentou: "Um pobre menos pobre rende mais dinheiro para você e mais tranquilidade nos passeios de bicicleta."
Imagino que ele tenha relacionado pobreza com violência. Como eu não tenho dados sobre roubos de bicicleta, vou ver se a pobreza e a taxa de homicídios estão correlacionadas.
Enfim, sem nem pensar na suposta causalidade do título, já dá para ver que a afirmação não resiste a cinco minutos de análise de dados.
Outra coisa: se a redução da pobreza por si só realmente reduzisse a violência, esta teria caído fortemente no Brasil dos últimos anos, né? Afinal, a pobreza caiu muito e a violência não (Na verdade,  a violência até aumentou nas regiões em que a pobreza mais caiu).
Que tal lutar pelo fim da pobreza como um fim em si mesmo?

Planejamento e Políticas Públicas - PPP número 44

Aqui.
Olha aí o sumário:

DIMENSÕES E QUALIDADE DOS CURSOS SUPERIORES EM ÁREAS DE CTEM NO BRASIL ENTRE 2000 E 2013 Paulo A. Meyer M. Nascimento, Divonzir Arthur Gusso DINÂMICA DA EFICIÊNCIA PRODUTIVA DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR Edward Martins Costa, Francisco de Sousa Ramos, Hermino Ramos de Souza, Luciano Menezes Bezerra Sampaio INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: O CASO DAS UNIVERSIDADES ESTADUAIS PARANAENSES Carlos Eduardo Caldarelli, Marcia Regina Gabardo da Camara, Claudia Perdigão ASSOCIAÇÃO DO ENSINO PROFISSIONALIZANTE COM RENDIMENTO E EMPREGO: MINAS GERAIS (2009 E 2011) Bárbara Avelar Gontijo, Ernesto Friedrich de Lima Amaral ELASTICIDADE DA POBREZA: APLICAÇÃO DE UMA NOVA ABORDAGEM EMPÍRICA PARA O BRASIL Erik Figueiredo, Ana Cláudia Annegues, Wallace Souza REGRAS DO GOVERNO BRASILEIRO SOBRE SERVIÇOS DE TELESSAÚDE: REVISÃO INTEGRATIVA Angélica Baptista Silva, Ana Cristina Menezes Guedes Carneiro, Sergio Ricardo Ferreira Síndico ANÁLISE DE…

Atlas Digital da América Lusa

Aqui, mas veja antes o tutorial (pule para 2:30) para se impressionar.  Eu já tinha postado sobre o projeto faz anos e o projeto avançou muito mesmo
Nesta semana, tive o prazer de almoçar com os Profs Tiago Gil, coordenador do Atlas,  e  Fábio Pesavento, autor de "Um pouco antes da Corte: a economia do RJ  na segunda metade dos setecentos".  (O Fábio talvez seja o único historiador-econômico-rato-de-arquivo-surfista-golfista que pisou ou pisará o planeta Terra. Figuraça).

"Avaliação da Qualidade do Gasto Público e Mensuração da Eficiência"

O livro foi lançado ontem está disponível para download gratuito no site da Secretaria do Tesouro. A publicação já estava sendo preparada faz um bom tempo pelos organizadores: Fabiana Rocha, Fabiana Rodopoulos e  Rogério Boueri ( meu amigo e ex-chefe no Ipea).
Os autores dos textos são os craques na discussão sobre eficiência -com ênfase em DEA-  no Brasil. Tem até uma introdução a utilização de análise envoltória de dados no R (cap 10).

R versus Stata

Meu amigo Lucas Mation definiu muito bem:
"O Stata é aquela bicicleta híbrida, barata, que não quebra, pneu fininho, fácil de pedalar, melhor coisa para ir pro trabalho em boas ruas.
 Já o R é uma bike feita em casa pelo seu vizinho, tudo meio torto, pesada, tem que pedalar pacas... Só que você conecta um módulo de dirigível e vai voando por cima do trânsito."  (Lucas é ciclista, ás no Stata  e recém-quase-convertido ao R)

Por que a Argentina ficou pobre?

É um dos grandes enigmas da história econômica. O novo texto abaixo faz um resumo das teses e testa uma hipótese: os períodos de boom exportador geram uma demanda por populismo:
Commodity Price Booms and Populist CyclesAn Explanation of Argentina’s Decline in the 20th Century
Emilio Ocampo  Argentina’s economic and institutional decline has long posed a conundrum to economists and social scientists. In particular, it challenges theories that seek to explain cross-country growth differences over time. Those theories that claim that institutions have a first-order effect on growth cannot explain the persistent economic decadence of a country that in 1930 was among the most institutionally advanced in Latin America. Theories that claim that that education and growth precede inclusive institutions face a similar problem, since Argentina was one of the most educationally advanced countries in Latin America. The same can be said of theories that claim that social capital is the determinant …

Maluf e o saleiro

Eu defendo a proibição capixaba do saleiro à mesa dos restaurantes. Supondo que sal realmente faz mal à saúde, meu argumento é:
Como a demanda por sal é muito inelástica, uma taxa pigouviana não reduziria o consumo. Logo, um nudge, um empurrãozinho é recomendável. Quem realmente quiser mais sal, deve apenas pagar o imenso custo de dizer :"Seu garçom, por favor, o saleiro". Os contra-argumentos seriam:
1) "Não funcionará porque as pessoas andarão com sal na carteira, ou aumentarão o consumo de coisa pior."
2) "Se hoje o governo se proíbe o sal, amanhã vão nos obrigar a comer whey com espinafre. Como traçar a fronteira?!"
São, na verdade, os contra-argumentos conhecidos: a) não vai adiantar; b) o efeito será contrário ao desejado; c) outras liberdades serão ameaçadas (Hirschman ®) .
O ponto 1 é empírico. Ele se baseia na ideia de que o efeito Peltzman anularia completamente qualquer intervenção. Pode ser.
 O ponto 2 é um pouco mais complicado. Antes de tudo…