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Mostrando postagens de 2012

Boas festas!

O primeiro gráfico de linhas da história

Hirschman

Sua morte e a polêmica sobre o desarmamento após a tragédia de Newtown me lembraram de "A Retórica da Intransigência". Basta uma leitura rápida dos comentários para encontrar as três narrativas conservadoras ("perversidade", "futilidade" e "ameaça") e uma das progressistas ("o perigo iminente").
Recomendo fortemente o livro. Está- fácil -  entre os meus 50 25 livros prediletos.



A compra de um canhão é Formação Bruta de Capital Fixo?

N ão era em 1993, mas passou a contar como FBCF no manual de contas nacionais da ONU de 2008 (e o IBGE passou a seguir a orientação). Já  bombas e torpedos são consumo intermediário.
Expenditures on military equipment, including large military weapons systems, are treated as fixed capital formation. Expenditure on durable military goods such as bombs, torpedoes and spare parts are recorded as inventories until used when they are recorded as intermediate consumption and a withdrawal from inventories.  (Agradeço ao colega Ernesto Galindo por chamar atenção para a mudança na classificação do IBGE).

Lee J. Alston, M. Melo, B. Mueller, C. Pereira: "Changing Social Contracts: Beliefs and Dissipative Inclusion in Brazil"

Prêmio CNI de Economia

Muitos trabalhos bacanas. Ótimo ver o  pessoal gente boa da  Economia Regional da UFJF e do Cedeplar entre os premiados.
Parabéns também para os colegas da DISET/Ipea (+Donald, da UNB) que levaram também um prêmio. Informação irrelevante, mas interessante: o Bruno Araújo no tempo livre pode ser visto tocando na banda Móveis Coloniais de Acaju (vestindo a camisa do Clash).

Eventos

International Workshop in Spatial Econometrics: Arbia, Lesage, Baltagi e Piras juntos em Medellín. (via Juan Carlos Duque);New data methods and theories in historical economics (i.e. Cliometria) em Strasbourg (dica do Mauro Salvo);Seventh World Congress of Cliometrics em Honolulu (via Steve de Castro);Opa... e tem também o evento promovido pela Economic History Society: Biographies of Drink. (O aximoma "existe uma bibliografia sobre qualquer assunto" pode se transformar em "existe uma conferência sobre qualquer assunto").

Pereira, Nadalin , Monasterio e Albuquerque "Urban centrality: a simple index"

Comunicado à praça: já está disponível on-line:

Pereira, R. H. M., Nadalin, V., Monasterio, L. and Albuquerque, P. H. M. (2012), Urban Centrality: A Simple Index. Geographical Analysis. doi: 10.1111/gean.12002
 This study introduces a new measure of urban centrality. The proposed urban centrality index (UCI) constitutes an extension to the spatial separation index. Urban structure should be more accurately analyzed when considering a centrality scale (varying from extreme monocentricity to extreme polycentricity) than when considering a binary variable (monocentric or polycentric). The proposed index controls for differences in size and shape of the geographic areas for which data are available, and can be calculated using different variables such as employment and population densities, or trip generation rates. The properties of the index are illustrated with simulated artificial data sets and are compared with other similar measures proposed in the existing literature. The index is…

Niemeyer & Kraftwerk

...combinam por alguma estranha razão.

Mais prêmios

- Bernardo Furtado - coordenador da área de Urbana do Ipea (e figura frequente aqui no blog )- acaba de ganhar o II lugar no prêmio da SOF sobre qualidade do gasto público. O trabalho ainda não está no ar, mas eu acho que é o semelhante a Fiscal income inequalities and efficiency que ele apresentará, na próxima semana, na Anpec.
- Falando em Anpec, devo destacar também os dois ganhadores do Haralambos. Ferraz e Finan levaram o de melhor artigo com o ótimo "Electoral Accountability and Corruption: Evidence from the Audits of Local Governments." Sugiro também o artigo anterior da mesma série de papers: Exposing Corrupt Politicians: The Effects of Brazil's Publicly Released Audits on Electoral Outcomes . Já a melhor tese foi para o Rudi Rocha, que contém um artigo que eu já comentei aqui. Ou seja, a cliometria ganhando prêmios!
Parabéns a todos!!!

Tudo o que você queria saber sobre pedágio urbano

... o Renato Morato responde aqui. O trabalho ganhou a terceira colocação no prêmio da Secretaria de Acompanhamento Econômico e é muito informativo. (O Renato, por coincidência, foi meu (ótimo) aluno de Finanças Públicas na graduação da UCB neste semestre). Sugiro ver também os demais premiados.
A introdução do pedágio urbano está no topo da minha lista de mudanças-institucionais-favoritas-que-gerariam-ganhos-de-bem-estar-que-só-não-entram-em-vigor-porque-o-eleitor-não-entende-de-economia. Trata-se de uma lista beeeem longa.

Cerveja e instituições ruins

A Economist me conta que a cerveja da Coréia do Norte é melhor do que a da Coréia do Sul. Como pode? A cerveja de Pyongyang tem até comercial!  Isso me pareceu muito estranho, mas me lembrei da Tsintao chinesa, a Paceña boliviana e que as cervejarias estão bombando na África sub-sahariana.
Ao que parece, a cerveja é um sucesso nos lugares com instituições ruins. Por que?
Hipótese que nunca vou testar: quando a água é contaminada, a cerveja faz bem para a saúde. Logo:
Instituições ruins → água ruim →  mercado para cerveja →  cervejarias locais se desenvolvem.
(Vinho, por outro lado, parece precisar de instituições melhores. Talvez o  longo processo de produção exija direitos de propriedade mais seguros.)

Responsabilidade fiscal

Desde a Magna Carta as coisas melhoraram. O mapa super bacana (via Alexandre Rocha) mostra como aumentou o número de países com leis de responsabilidade fiscal nas última décadas.
Claro que a "criatividade" dos nossos governantes é grande e, conforme mostra o Mansueto,  tudo ainda é bem opaco e esquisito. Mas, um dia, chegamos lá.
Atualizando: Oba! Boas novas vindas do TCU! (Via Alexandre Rocha).

Explica essa, Acemoglu!

O primeiro Dia de Ação de Graças foi comemorado um pouco antes da hora. Dos 35 colonos ingleses, 31 estavam mortos um ano depois.
Em termos mais gerais, 80% das sete mil colonos que chegaram à Virgínia entre 1607 e 1624 bateram as botas no primeiro ano de América.
Fonte: Mann, Charles. 1493: Uncovering the New World Columbus Created.

Diversos (só saudosistas)

Eu comprei um Casio F91W que me deixou assim. Então lá vai:

Ao invés digitarem programas de revistas ou copiarem fitas cassete, os adolescentes finlandeses nos anos 80 recebiam os programas pelo rádio. (Enquanto isso, no Brasil, a Lei de Informática reinava).Molly Ringwald passa bem;Karateka 2012 (Obrigado, meu amigo quase-ninja-skywalker Eduardo Molon).

XVII Prêmio Tesouro Nacional - 2012

Parabéns aos ganhadores! Em especial aos colegas do IPEA: Fernando Gaiger, Bernando Schettini, Rodrigo Orair, Marcelo Medeiros e Pedro Herculano que levaram prêmios em várias categorias.
(Os trabalhos já estão disponíveis para download).

Atualização: o Manoel Carlos Pires (cedido ao MF) também é do Ipea. Foi o Bruno Cruz quem me avisou. Valeu.

Qual é a nossa mancada?

OK, todo mundo gostou do post sobre o Caio Prado Jr. Gracias.
Agora, a pergunta é: o que as próximas gerações vão  reprovar do pensamento atual? Afinal, não é possível que estejamos certos em tudo e todas as barbaridades tenham ficado no passado.
Santo Dawkins  escreveu no God Delusion que a  mancada atual está em não respeitar os direitos dos animais. Eu, que só não como foie gras por restrição orçamentária, acho que discordo. (Admito que eu não comeria bife de chimpanzé, mesmo se fosse delicioso. Panda, talvez)
E então? Alguma sugestão?

Monteiro Lobato, racismo e o Caio Prado Jr.

Eu sinceramente não sei se crianças de hoje devem ler o Monteiro Lobato. Eu o achava chato para diabos e nunca li.
Basta ler qualquer coisa produzida no começo do século XX para esbarrar em eugenia e racismo. O Veblen, que tanta bola dentro deu, tem capítulos e mais capítulos estranhíssimos sobre as raças. No Brasil, os trechos do Gilberto Freyre enchendo a bola da Ku Klux Klan são um exemplo mais radical.
O Caio Prado Jr., comunista literalmente* de carteirinha, deu umas escorregadas tardias (1942). Falando da colonização do Brasil:
"Conservará um acentuado caráter mercantil; será a empresa do colono branco, que reúne à natureza, pródiga em recursos aproveitáveis para a produção de gêneros de grande valor comercial, o trabalho recrutado entre raças inferiores que domina: indígenas ou negros africanos importados. (Formação do Brasil Contemporâneo - grifos meus)  Ele também falava da "cultura inferior" dos índios:
“O índio brasileiro, saindo de uma civilização muito pri…

Links diversos (só links bacanas mesmo)

O que aconteceu com o verdadeiro Slumdog Millionaire;Erros que eu (e você!) fazemos no uso da econometria! Nota para mim mesmo: tenho que comentar o texto do B. Mueller no último Journal of Economic History;Eichengreen e O'Rourke - os dois caras que eu queria ser quando crescer- dizem: o multiplicador é 1,6;Sei lá o porquê, mas achei as fotos de alunos mundo afora sensacionais;Uma conferência sobre a Economia da Cerveja (HT Bruno Cruz);O pessoal do Censo deveria escolher o Olimpiy Kvitkin como padroeiro. Ele foi fuzilado porque o censo da Rússia de 1937 resultou em 6 milhões a menos de habitantes do que o Stalin estimou. Aqui e aqui. Para finalizar, o grande Christopher Hitchens, bêbado, contando piadas. Gênio. (Pule para 7:35). .

Eu não disse que só teria links bacanas?

Coisas que eu aprendi nesta semana

"The argument for the primacy of geography is always an argument about trains"

Ótima resenha de livros que eu -infelizmente - não lerei. Vejam só o parágrafo de abertura:
"The first history we write is a history of races. Our tribe’s myth is here, yours is over there, our race is called “the people” and blessed by the gods, and yours, well, not so blessed. Next comes the history of faces: history as the epic acts of bosses and chiefs, pharaohs and emirs, kings and Popes and sultans in conflict, where the past is essentially the chronicle of who wears the crown first and who wears it next. Then comes the history of places, where the ingathering of people and classes in a single city or state makes a historical whole bigger than any one face within it. Modern history is mostly place history, of an ambitious kind: what all the little faces were doing while the big faces were looking at each other."

Econometria Espacial Aplicada por Eduardo Almeida.

Eu ainda não li o recém lançado livro, mas já recomendo. O Eduardo é um ótimo e produtivo economista regional. Além disso, o sumário já indica que ele cobriu todos os pontos importantes.
Capítulo 01O que é Econometria Espacial?
Capítulo 02Dados Espaciais
Capítulo 03Matrizes de Ponderação Espacial
Capítulo 04Análise Exploratória de Dados Espaciais
Capítulo 05Modelando a Dependência Espacial
Capítulo 06Estimando a Dependência Espacial
Capítulo 07Especificando e Testando a Dependência Espacial
Capítulo 08Aplicando os Modelos Espaciais
Capítulo 09Sistema de Equações Simultâneas no Espaço
Capítulo 10Modelos Espaciais para Variável Dependente Limitada
Capítulo 11Modelando a Heterogeneidade Espacial Observável
Capítulo 12Regressão Ponderada Geog

FPM e a estranha distribuição da população dos pequenos municípios brasileiros 2.0

Estou trabalhando em uma versão mais bacana do texto. Eu usei  o teste proposto por McCrary em Manipulation of the running variable in the regression discontinuity design para checar se houve manipulação na população do municípios pequenos no censo de 2010. Os resultados sugerem que isso aconteceu nas 5 primeiras transições de faixa.
Eu também fiz outro histograma  que evidencia a esquisitice. As linhas vermelhas mostram as mudanças de faixa do FPM (dados da I divulgação do Censo 2010):

O grau de civilização do mundo em 1826

A imagem em alta resolução está aqui.

Via Chris Blattman-> Rodrigo Coelho-> Renato Schwambach.

Café com leite na veia e o desemprego

Eu tenho uma tese para essa aberração e  semelhantes. Elas são só o efeito colateral do baixo desemprego atual. Nos momentos de boom, os mais competentes sobem para ocupações mais exigentes e abrem espaço para menos aptos e novatos na base do setor de serviços. Dada a baixa qualificação da mão-de-obra nacional, o problema fica bem grave.  (Eu também tenho notado uma queda na qualidade do atendimento dos restaurantes. Mas isso pode ser apenas porque estou ficando um velho ranzinza.)

Pós X ENABER

Além do tradicional (encontrar os amigos, fazer novos e aprender um tanto), tenho alguns pontos a destacar:A seção com os ex-presidentes Cássio Rolim, Eduardo Haddad, Alexandre Rands discutiu o futuro da Ciência Regional e foi sensacional.A grande novidade em relação aos eventos passados foi a  ênfase em estudos intra-urbanos. A quantidade e a qualidade cresceram bastante. A propósito,  todos os artigos do evento estão  aqui.Eu acho que virei o chato de vários seminários. Como eu já disse, uma das virtudes do evento é reunir as várias gerações. Bacana ver a garotada motivada usando todos os recursos da econometria. Contudo, para a minha tristeza (e, provavelmente, do Carlos Cinelli) continua havendo confusão entre significância substantiva e estatística. Na caça por asteriscos nos resultados de regressão, o pesquisadores esquecem de perguntar aos dados: "E então? Qual o tamanho do efeito?" Você pode ter uma alta significância estatística e a substantiva ser baixa (e vice-ve…

Painel Espacial no R

O Gianfranco Piras, um dos autores da biblioteca do splm, está aqui na Enaber. A biblioteca faz painel, painel espacial, cozinha, passa e faz café. O Rogério Boueri usou o splm em um artigo em andamento no qual Lucas Mation e eu somos coautores.  O treco funciona mesmo. Estou ensaiando para dizer "Grazie mille!" para o Piras.
Falando em R: o C Shikida - aquele que não acredita em divisão do trabalho- manda um link para algo muito bacana mesmo: gráficos no R com cara de XKCD (ou Economist ou até os horrorosos do excel 2003).

Dicas para apresentações no Powerpoint

Estou no X Enaber. É um encontro que eu gosto muito, porque reúne os pesquisadores mais antigos com as novíssimas gerações (além de ser uma ótima oportunidade de reencontrar os amigos da área).
Infelizmente, mesmo entre os novos pesquisadores, eu sigo encontrando os mesmos erros do passado nas apresentações.  (Neste exato instante, o apresentador está lendo um slide com 27 (sic) linhas de texto )
Aproveito, então, para repetir o meus post com dicas de apresentação:

Ainda o Qualis 2012

Os comentários aqui e no facebook reduziram a minha ignorância. A comissão afirma que baseou a sua classificação em:
Combes, Pierre-Philippe e Linnemer, Laurent (2010). Inferring missing citations: A quantitative multi-criteria ranking of all journals in economics, GREQAM, Universités d’Aix-Marseille II et III, Document de Travail 2010-28. Kodrzycki, Yolanda K. e Yu, Pingkang (2006). New approaches to ranking economics journals, Federal Reserve Bank of Boston.  De fato, apesar da minha ótima opinião sobre a Papers in Regional Science, a revista tem baixo impacto.
As revistas  internacionais de fora da área tiveram a sua classificação replicada (com um teto em A2). Pelo que eu entendi isso já acontecia, mas se fazia uma redução de um nível nas revistas não econômicas. Assim, como a tal "América Latina Hoy" é A1 em Ciência Política, virou A2 em Economia.
Aí está o problema. Algumas áreas tiveram "inflação de notas" e distribuíram A1 generosamente. E essa inflação con…

O novo Qualis de Economia - novas surpresas

Tive um tempinho e dei outra olhada no novo Qualis de Economia. Na boa, o que justifica que uma tal de América Latina Hoy ganhe A2, enquanto o Journal of Economic History  fique com B1 e a super boa  Papers in Regional Science seja B4?!?!? (Essas duas últimas são as revistas oficiais das duas principais associações (e o sonho de qualquer pesquisador (minimamente bem informado))).

Coisas que eu aprendi nesta semana

Inspirado pelos posts do Drunkeynesian (finalmente voltou de férias) sobre a Noruega e Islândia, eu relato algumas coisas que aprendi na semana passada:

Rio Branco (AC) é uma cidade bem organizada e limpa. Fui surpreendido também pela pouca influência da Bolívia ou do Peru;Falando da Bolívia, o país tinha uma das prisões mais peculiares do mundo (Valeu, Cleandro pela informação). Um amigo da minha família ainda é hospede lá, acusado de terrorismo;Uma ótima sorveteria em Fortaleza (CE) oferece o sabor Obama: coco, doce de leite com caramelo e cereais. Faz sentido;E só. (Quer dizer, estou lendo o Ghost Train to the Eastern Star do sempre ótimo Paul Theroux e aprendi um monte. Mas citar isso quebraria o ritmo do post.).



Gangnam style, educação e desenvolvimento na Coréia

Um excelente e surpreendente texto. Alguns trechos:
(...) "Gangnam Style" signals the emergence of irony in South Korea, meaning that the country has reached the final stage in any state's evolution.
(...)
My school enforced rules to make the increasing income disparities less visible. Students were not permitted to wear watches exceeding 20,000 won in value or shoes exceeding 9,000 won. We were not permitted to be picked up or dropped off at school by private car-which became a matter of controversy, since students were often required to stay at school very late into the night, giving rise to safety concerns.
Korean law prohibited private tutors for school subjects, for fear that this would give an advantage to the wealthy. Most students at my school had them anyway.
Periodically, the school would give the students a sort of denunciation pop quiz with questions such as "Who among your classmates is receiving private tutoring?"
Se você é o único ser humano que ainda …

Batatas->vencedores

E não o contrário. Dizem Nunn e Quian:

The introduction of potatoes can explain 22% of the rise in population and 47% of the rise in urbanisation during the 18th and 19th centuries.
Aprendi no ótimosensacionalfantástico The Columbian Exchange:
A History of Disease, Food, and Ideas de Nunn e Quian
que uma pessoa pode sobreviver com uma dieta só de batatas e leite.
Batata ruleia!

The persistence of (subnational) fortune : geography, agglomeration, and institutions in the new world por Maloney e Caicedo

O dia em que FHC mandou um recado para mim

Muitas luas atrás, eu escrevi FHC errou? a economia da escravidão no Brasil Meridional. Calculei, com uns chutes, a taxa de retorno da escravidão no RS e argumentei que o FHC - no ótimo "Capitalismo e escravidão no Brasil meridional: o negro na sociedade escravocrata do Rio Grande do Sul"- errou ao afirmar que a escravidão era intrinsecamente ineficiente. Meu ponto é que foi o boom do café que valorizou o câmbio e levou à "falta de braços" na charqueada gaúcha. Enfim, antes de virar modinha no Brasil, eu falava de doença holandesa.
Meu texto teve impacto nulo. Quase ninguém leu, ninguém cita. Até ficou de fora do guia bibliográfico sobre a escravidão no RS.
Qual não foi minha surpresa quando nessa entrevista do FHC  o entrevistador volta ao tema:


 Ele pergunta o que FHC acha dos pesquisadores "mais jovens" que apontam que a causa da decadência da escravidão na charqueada estaria na doença holandesa. O FHC responde "Os mais jovens tem que descobrir …

Diversos, na correria

- Cristiano Costa pede colaborações para uma monografia sobre educação financeira;
- Acemoglu na Globonews;
- Divulgação do evento "Qualidade no Gasto Público" no RJ em outubro;
- O gráfico do Gapminder atualizado (pdf);
- A Universidade do Marginal Revolution. O primeiro curso é sobre desenvolvimento econômico (Bem que o Tyler Cowen poderia dar um curso sobre Life, the Universe, and Everything!).

Off-topic: a lista do Ramon de bandas

É certamente o meu post com a maior capacidade de gerar ganhos de bem-estar para os leitores/ouvintes. O grande-mestre-que-tudo-sabe Ramon Fernandez preparou um playlist sensacional:

Putnam errou?

Em uma outra encarnação, eu escrevi um tanto sobre capital social e crescimento econômico regional. Confesso que fiquei meio saturado do assunto e faz quase uns 10 anos que não acompanho a literatura.
De qualquer forma, esbarrei em dois abstracts sobre o assunto:

Este aqui testa o papel do capital social no crescimento econômico nos municípios brasileiros entre 2000-2003 (??? esquisito mesmo);Na Cliometrica, acaba de sair um artigo que questiona os resultados do Putnam para a Itália. O capital social das regionais italianas só teria sido importante nas última décadas; na primeira metade do século XX, o importante mesmo foi o capital humano.

Economias e deseconomias de muita aglomeração mesmo

O Bernardo Furtado acaba de voltar da ERSA  em Bratislava. Segundo ele, esse slide lembra um post antigo do blog.
A propósito, o genial Randall Munroe XKCD tratou de um problema semelhante a esses experimentos mentais.

Entrepreneurship and Urban Growth: An Empirical Assessment with Historical Mines por Glaeser, Kerr e Kerr

Eu sei lá se o instrumento é válido ou não, mas renderia uma boa tese reproduzir o estudo para MG:
Measures of entrepreneurship, such as average establishment size and the prevalence of start-ups, correlate strongly with employment growth across and within metropolitan areas, but the endogeneity of these measures bedevils interpretation. Chinitz (1961) hypothesized that coal mines near Pittsburgh led that city to specialization in industries, like steel, with significant scale economies and that those big firms led to a dearth of entrepreneurial human capital across several generations. We test this idea by looking at the spatial location of past mines across the United States: proximity to historical mining deposits is associated with bigger firms and fewer start-ups in the middle of the 20th century. We use mines as an instrument for our entrepreneurship measures and find a persistent link between entrepreneurship and city employment growth; this connection works primarily through…

O que aprendemos sobre a industrialização brasileira está errado

Veja a tese de Michel Marson, orientada pelo Renato Colistete:
Esta tese trata das origens e evolução da indústria de máquinas e equipamentos em São Paulo entre 1870 e 1960. ... demonstramos que os efeitos da Primeira Guerra Mundial contribuíram para a redução na importação de máquinas e o aparecimento de várias pequenas empresas, geralmente pequenas oficinas e fundições para reparar as máquinas importadas. ...Também mostramos que os efeitos da crise de 1929 afetaram negativamente a indústria de máquinas e equipamentos paulista, mas apresentamos evidências que a diversificação da produção de máquinas para a indústria acelerou-se na década de 1920 e não foi resultado da crise. A recuperação da indústria de máquinas e equipamentos foi rápida e no final da década de 1930 a indústria se modernizou, iniciando a produção regular de máquinasferramenta. Apresentamos dois estudos de caso que ilustram que a indústria de máquinas e equipamentos teve sua origem no final do século XI…

Um efeito catraca institucional

Os sinais são desencontrados. A confiança no governo brasileiro teve uma forte queda (via Alexandre Rocha). Já os Der Spiegel diz que  o Brasil virou um modelo de qualidade institucional (via Drunkeynesian). O Mansueto, por sua vez, aponta que o personalismo/ voluntarismo aumentou na política econômica.
Pois é. O texto de Alston e Mueller argumenta que as instituições realmente melhoraram no Brasil. O Bernardo Mueller sustenta que agora mesmo o pior presidente não consegue fazer um governo ruim porque tem as mão amarradas pelas instituições e pela realidade.
Lá vai uma hipótese (talvez) não-testável-e-que-alguém-já-deve-ter-escrito-melhor-do-que-eu: existe um efeito-catraca :em uma crise, as reformas são feitas. Com cai a tensão, a catraca fica folgada e as instituições pioram um pouco. Mas quando o bicho pega mesmo, o governo faz o que deve fazer. O caso recente das concessões/privatizações (escolha o termo que mais gostar ) seria a mais fresca evidência em favor dessa tese.
Essa …