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Mostrando postagens de Outubro, 2011

Por que a educação primária no Brasil foi (e é) tão ruim?

O Thomas Kang olha para o período 1930-1964 e responde na Estudos Econômicos. Os fatos: "No Brasil, a expansão educacional (...) atingiu taxas brutas de matrícula no primário de 98% apenas na década de 1990, enquanto países como Argentina(...) registravam 97% de crianças matriculadas na década de 1950 (Frankema, 2008, p. 215). Além disso, se observarmos as taxas de alfabetização, veremos que em 1950 o Brasil apresentava taxa de 49,3%, enquanto Argentina e Estados Unidos estavam muito à frente (88% e 97% respectivamente). Mesmo em 2000, o Brasil ainda não havia alcançado a taxa argentina de 1950, uma vez que apenas 85% da população era alfabetizada: situação pior que a da Bolívia (86%) (Bergès, 2009, p. 28)." A explicação para o péssimo desempenho brazuca: o Governo Federal passou a responsabilidade da educação primária para os estados e municípios, os quais não tinham capacidade fiscal para arcar com os custos. Além disso, a baixa participação eleitoral, mesmo no sub-períod…

Diversos

Economia Regional e Urbana: Teorias e métodos com ênfase no Brasil

Download aqui. Por favor, divulguem.
Comentários e críticas são mais do que bem-vindos.

Manual de Economia Regional e Urbana para download

De graça! Economia regional e urbana : teorias e métodos com ênfase no Brasil (em pdf). Os organizadores são os colegas do IPEA Bruno Cruz (foi ele quem teve a iniciativa), Bernado Furtado, Waldery Rodrigues Jr e este que vos tecla. As cópias impressas sairão do metafórico forno em breve.
Ficou bem legal. Tem de tudo por lá: Economia Regional, Urbana, Econometria Espacial,  CA, CGE, NGE e outras letrinhas. Ah, e a Introdução foi escrita pelo grande Jacques Thisse!
Por favor, caro leitor, espalhe a boa nova!

Ainda a estranha distribuição dos pequenos municípios

Eu dei uma outra olhada na questão. As linhas vermelhas indicam as mudanças de faixa do FPM (10188, 13584 e 16980 habitantes).
Ficou mais claro, não?. Eu tentei ver se o problema não estaria em alguns declarantes afirmando que teriam um número absurdo de pessoas no domicílio. A chave não parece estar aí:

Há um município com mais de 5 habitantes por domicílio, mas não há uma relação clara. (O curioso - mais uma vez - é não haver quase nenhum município na proximidade esquerda da linha mágica de 10.188 habitantes.)
Outra coisa que eu aprendi é que o estranho padrão já estava presente na primeira versão dos dados do Censo.
Alguma sugestão para descobrir a chave do mistério? Ou seja, como se faz para adicionar uma centena de habitantes em um município?

Economia Urbana Austríaca

Diversos

Algo errado nos pequenos municípios brasileiros

OK, eu não estou soltando nenhuma bomba como a do colega Daniel Cerqueira. Os gráficos abaixo tratam de algo já bem conhecido pelo pessoal de finanças públicas. Vejam os kernel de densidade das populações dos municípios brasileiros com população menor que 20 mil habitantes nos anos censitários recentes:




Epa, que picos secundários esquisitos esses! Notaram que perto de pouco mais de 10 mil, 13.5 mil e 17 mil habitantes existem uma maior concentração de municípios? Ou Christaller vale surpreendentemente no Brasil ou existe algo errado! O "algo errado" é bem conhecido: são as faixas do Fundo de Participação dos Municípios. Como são categorias populacionais fixas que determinam os coeficientes do FPM, os municípios tentam a todo custo ficar na faixa superior. Uma dezena de habitantes pode fazer uma tremenda diferença para os cofres municipais.
- Aqui está o básico sobre FPM (ver página 19 para a tabela de faixas populacionais e coeficientes);
- O TCU já esta por dentro do prob…

Ainda a violência: a fraude no RJ

O Daniel Cerqueira, da DIRUR- IPEA-RJ, argumenta que os dados de homicídios recentes do Rio de Janeiro estão sendo manipulados. As evidências me parecem acachapantes. O paper é super bom, com todo o cuidado estatístico, logit multinomial e o escambau. . Para um resumo não técnico, leia no Elio Gaspari.
(Que vergonha a minha! Eu não só divulguei os dados da queda dos homicídios aqui, como defendi sua precisão nos comentários do Marginal Revolution. Só recebi o paper do Daniel na semana passada e vou tentar agora desfazer a lambança.)

Enaber: os ganhadores do prêmio Paulo Haddad

O Daniel Suliano (Ipece) levou o primeiro lugar e o Guilherme Resende (Ipea) ficou em segundo. Fiquei muito feliz com as escolhas. Ambos são super competentes e gente boa Daniel é um ótimo blogueiro e, descobri aqui em Natal, é leitor deste blog. O Guilherme, recém doutor pela LSE, já tinha levado o prêmio Europeu com outro artigo e, para a minha sorte, é meu vizinho de andar. Parabéns para ambos!

Em defesa da agricultura

Eu ainda fico surpreso quando vejo pessoas que eu respeito aceitarem sem questionar aquelas velhas visões de que o setor primário é o setor estagnado e que defender que qualquer manufatura - a qualquer custo - é um bom negócio. Tá, eu admito que vai chegar a hora que os termos de troca vão piorar e tudo mais, mas - peloamordedeus- seria uma boa reconhecer:
 - Existe inovação na agricultura e a agricultura hoje intensiva em tecnologia;;
- A agricultura tem fortes encadeamentos com os demais setores;
- Com a dotação de fatores brazuca seria um crime, em termos de bem-estar, lutar contra o boom de exportações de commodities.

Enfim, até o velho Marx disse que a agricultura se tranformaria em um mero ramo da indústria (em alemão a frase deve ficar melhor). E não tem nada de errado com isso, ora bolas.
Aí vai um video talvez meio exagerado em defesa da agricultura moderna (via meu colega de DISET José Eustáquio Vieira)

Diversos

Em uma semana enrolada, aí vai mais uma lista de links diversos:
- O Irineu mostra que os países com metas de inflação se deram melhor na crise de 2008;
- O Shikida me conta que o governo argentino quer mais Marx, Prebisch, Keynes, Kalecki e Serrano (???) nas faculdades de Economia. Aposto que a reunião da ANGE defendeu o mesmo. Dureza.

- O Celso Barros (ex-NPTO) faz uma resenha do livro da Miriam Leitão. A resenha é tão legal que agora perdi a vontade de ler o livro;
- Você já viu a seta no logotipo da FedEx? Esse e muitos outros. 

Um cartaz verificacionista na UNB

Adorei o "opcional".





Ameaças críveis e reputação em uma história real

Ouvi ontem. Cena conhecida. Família saindo de férias, malas feitas, tanque cheio e pneus calibrados. Os pais avisam aos casal de filhos:
"-Se vocês brigarem no carro, a gente dá meia-volta."
Batata. Mal pegam a estrada, o pau começa a quebrar entre os irmãos. Calado, o pai pega o primeiro retorno. As crianças, estarrecidas, param a briga. Ao chegar em casa, o pai avisa:
"-Se vocês se comportarem ao longo da semana, viajamos no próximo sábado."
A semana transcorre em paz e a viagem também. O truque: a primeira viagem era mera encenação dos pais. A família nunca teve reservas no hotel e as malas estavam cheias de roupas aleatórias.
Ok, alguém aí sabe como adaptar essa história para ajudar o Tombini?



Cachorro velho e a Economia

Dou graças por não ter ido ao Rock in Rio 43. (Em 85, um cara que atendia pelo mesmo nome, tinha o mesmo DNA e mais cabelo que eu pegou o primeiro ônibus para a assistir o B-52's e Queen). Hoje eu só encararia sofrimento igual para ver o Clash (circa 1978) ou os Smiths (1989). Quando eu ouço um som novo, eu só levanto a cabeça, bocejo e volto a dormir.
Em Economia, também, estou cada vez mais retrógrado. Eu sou um daqueles caretas e ultrapassados que acha que a Economia estuda a relação entre objetivos e recursos escassos com usos alternativos. Por que essa definição é superior? Porque ela traz para primeiro plano o conceito de custo de oportunidade. Se você entende isso direito, a teoria das vantagens comparativas (ou aqui em inglês) - a segunda melhor idéia que um ser humano já teve -fica moleza. De lambuja, você descobre imediatamente que subsidiar uma indústria significa desestimular outras e que tudo tem um custo.
Bem, agora vou tomar os meus remédios, fazer um chá e jogar…