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Existe problema regional?

O paper do Samuel Pessôa agora em uma versão sintética. Quando eu era professor, o artigo era leitura obrigatória dos meus alunos de Economia Regional e acho muito bom. Nunca consegui refutar sua argumentação, mas tentei organizar a polêmica em um texto beeem preliminar aqui.

Comentários

Anônimo disse…
Leonardo,

bem interessante a discussão. Faz um tempo que não invisto em estudos de economia regional, dedicação à demografia agora, mas já trabalhei com algumas coisas relacionadas que seguem bem o argumento do Samuel.

Fiz uma análise do diferencial regional de salários nas micro mineiras (com o censo de 1991, usando modelos hierárquicos) e a maior parte da variação dos salários era explicada por variáveis individuais (+ de 90%), um resultado similar foi encontrado para análise dos estados brasileiros.

Nos mesmos trabalhos um outro resultado interessante foi a estimativa do retorno social ao capital humano (seguindo a discussão do D. Acemoglu e E. Moretti). Assim como observado para os EUA, trabalhadores que residem em áreas com maior concentração de mão-de-obra com 2o. grau ou curso superior, tem um retorno inidividual à educação mais baixo. Mas recebem um ganho por estarem em uma localidade mais "educada".

Por fim, observa-se no Brasil que municípios e/ou micros com maior concentração de trabalhadores com mais do que segundo grau apresentam uma maior taxa de crescimento de pessoas com maior nível de educação e recebem um fluxo imigratório de maior de pessoas com maior nível de educação formal. Há muita discussão sobre as razões para esse resultado. O Edward Glaeser tem um paper bem interessante sobre o mesmo fenômeno nos EUA.

Parabéns pelo blog.

Bernardo Lanza
Olá Bernardo,
Valeu pelo comentário. Bacanas os resultados. A questão fica sendo algo assim:
1 Será que existem lugares que tendem a gerar gente com demografia de pobre?
2 Se sim, isso importa?
3 Se sim e importar, qual é a melhor saida para acabar com 1.
Bem, isso é complicado mesmmo....
Abracao
Leo.

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