28/12/2015

Primeiro com tragédia, depois... vocês sabem

No governo Goulart, o ortodoxo Santiago Dantas - sempre alvo das críticas da esquerda do próprio PTB- caiu tão logo os custos do ajuste fiscal se mostraram. Ele foi sucedido por Carvalho Pinto, um político conservador, com apoio do empresariado, mas que, ao tomar posse, disse que o crescimento seria a prioridade. Não deu certo e a política econômica foi ficando cada vez mais populista.
Mais aqui.

24/12/2015

Feliz Natal

Sparks: Christmas Without a Prayer 

21/12/2015

Meu pai

Ele faleceu na semana passada. Boliviano, filho de sapateiro, fez medicina no que viria a ser a UFRJ e trabalhou até se aposentar no Hospital do Câncer do RJ.
Abaixo, sua ficha de imigração de 1957. (Encontrei o registro no FamilySearch).



09/12/2015

Diversos

Historical trades, skills and agglomeration economies

Philipp Ehrl e eu fizemos* o trabalho. Eu o apresentei ontem em um dos seminários internos da UCLA.
Comentários são bem-vindos! Eu envio o paper para quem pedir, ok?

  * Na verdade, ele trabalhou bem mais do que eu.

30/11/2015

Quem se beneficiou da primeira globalização (1870-1913)?

Em The Wind of Change: Maritime Technology, Trade and Economic Development, Pascali usa  como estratégia de identificação as mudanças assimétricas nos custos de transporte decorrentes da introdução do barco a vapor. Isso é brilhante, mas o resultado é meio previsível: os países que tinham boas instituições foram os beneficiados com a primeira globalização.
Claro que eles ganha uns bons pontos comigo por ter um título que faz referência a uma música ruim dos Scorpions

27/11/2015

Por 1,99 você compra minha magnum opus

Douglass North

Não quero dar uma de hipster, mas as melhores páginas do North estão em dois artigos de começo de carreira:
 Location theory and regional economic growth. The Journal of Political Economy, p. 243-258, 1955.
 Agriculture in regional economic growth. Journal of Farm Economics, v. 41, n. 5, p. 943-951, 1959.
Nestes artigos, eles não só criou a Teoria da Base Exportadora, como teve sacadas ótimas sobre a relação entre as características do produto exportado e o desenvolvimento posterior das regiões. (Philipp e eu escrevemos sobre isso aqui.) Essas contribuições de North foram eclipsadas pela sua obra posterior, mais ligada diretamente ao papel da instituições.
Apenas por curiosidade, eu estou com planos de dar um pulo em Duke, ainda durante essas estada nos EUA, para acessar seus arquivos. Ao que parece, tem uma caixa com papéis de sua visita ao Brasil nos anos 1960.

25/11/2015

O que faz o historiador econômico?


O desenho está no artigo Economics and the Modern Economic Historian, que sairá no Journal of Economic History. O texto é ótimo e mostra como a História Econômica entrou na moda. Na verdade, seu autor, Ran Abramitzky, é um bem representativo: ele publicou nos melhores journals e é uma das estrelas do departamento de Economia de Stanford.
O gráfico abaixo mostra como têm aumentado o número de papers sobre história econômica nos journals top-five de Economia nos último anos:


24/11/2015

Diversos




21/11/2015

O prêmio Nobel estava errado

 O Angus Deaton publicou estudo em que concluía que a mortalidade dos homens brancos de meia idade teria aumentado nos EUA. O Andrew Gelman estranhou, pegou os mesmos dados e percebeu que o efeito era resultado da forma de agregação das idades. Fazendo os ajustes corretos, descobriu que, na verdade, a taxa de mortalidade das mulheres brancas aumentou e a dos homens, caiu. Aqui ele elabora mais a questão e apresenta o código em R.
Ciência funciona!!! O prêmio Nobel não é argumento, nem garantia de que o ganhador é infalível. Como já dizia o Francis Bacon em Novum Organum (1620):
"Dados importam, mané."

16/11/2015

Amigos ganham prêmios

Meus colegas da Diretoria no Ipea ganharam alguns prêmios nos últimos dias:

Atualização: O Guilherme Resende ganhou outro prêmio: o do Banco do Nordeste com um trabalho sobre a avaliação do FNE!

Parabéns para todos!

13/11/2015

A "Zona Franca de Manaus" dos Chineses

Em 1964, a China - com medo de guerra - resolveu criar indústrias contra qualquer lógica de localização. Elas deveriam estar em  locais:  “dispersed, hidden, close to the mountains, and when necessary, in caves". Na década de 70, a iniciativa acabou. Surpreendentemente, ao contrário de Manaus, mesmo sem os incentivos, esses locais ainda crescem mais rápido do que outros comparáveis.
Aprendi isso no paper "Industrialization from Scratch: The Persistent Effects of China’s "Third Front Movement"  que vou comentar aqui em Portland no encontro da North American Regional Science.
(A propósito, ainda não vi a clássica figura hipster ou homeless, mas já esbarrei com uns parecidos).

11/11/2015

Médico negro ou branco?

O professor da UFES está errado. Tudo mais idêntico (mesma formação e experiência), faz mais sentido preferir um médico negro a um branco. O motivo é simples: estatisticamente, ele ralou mais do que o branco para chegar onde está. Logo, em média, deve ser mais inteligente ou motivado do que os que tiveram um caminho mais fácil.  Além disso, se ele for bem-sucedido na carreira médica, significa que ele é tão bom que conseguiu vencer o preconceito dos pacientes.

Notas:
1) Claro que é um jeito bem estúpido escolher o médico com base na cor, né?
2) Se foi isso mesmo que a matéria conta, o professor não deveria ser demitido. Deveriam debater, mostrar que o cara está errado, apresentar argumentos etc. A universidade é o lugar para falar besteira e ser criticado; não para ser demitido por ter falado besteira.
3) Em termos do Judea Pearl, a associação inversa entre duas características independentes que contribuem para o resultado é gerada por "conditioning on a collider".
4) Sim, uns 20% do decil mais pobre do Brasil são brancos. O mesmo raciocínio se aplicaria a um médico vindo dessa camada: em média, ele é melhor que um médico com idêntica formação vindo dos estratos superiores.

09/11/2015

Da série: não tenho saudades do passado

No começo do século XIX, a expectativa de vida (aos 5 anos) em Paris era de 44 anos, 5 a menos do que restante da França. E, em 1890, havia uma diferença de 12 anos de expectavida de vida entre os bairros mais pobres e os mais ricos da cidade.
Aprendi isso no texto ótimo de Kesztenbaum & Rosenthal "The democratization of longevity: How the poor became old in Paris, 1870-1940."

(No caso brasileiro, não custa lembrar que a situação era horrível mesmo em 1940.)

07/11/2015

G-computation parece mágica

No ótimo curso Logic, Causation, and Probability fui apresentado aos tais do G-methods. É um jeito muito criativo (e meio estranho, devo admitir) de obter inferências causais a partir de dados observacionais. Os métodos foram criados pelo James Robins, de Harvard, e - até onde sei - só o pessoal da Epidemiologia usou..
A mágica está em tratar o contrafactual como se fosse um problema de missing data e assim calcular o efeito do tratamento. (Tá, é mais complicado que isso, mas essa é a intuição)
Aqui vai um texto didaticão que apresenta até o código em R.

06/11/2015

Safadeza e o Apocalipse em dados


  • Sexualitics: dados sobre 2 milhões de vídeos pornôs. (link totalmente safe for work)
  • Rapture index: quão perto do fim do mundo estamos? Acreditem: um paper do pessoal FMI usou essa variável como instrumento (e o pior é que faz sentido!).

05/11/2015

Liberação da maconha, grupos de interesse e monopólio

Em Ohio, os investidores que bancaram a campanha pró-liberação incluíram na proposta a garantia de monopólio para os seus 10 "maconhais". Resultado: perderam o referendo.
Aqui na California, os pequenos plantadores já temem que a regulamentação estatal os prejudique. E o Estado? Um advogado especializado em maconha afirma que a regulamentação: "is done to create taxable events at the state level for revenue capture".
Parece até  exemplo tirado de  livro-texto de Escolha Pública!

04/11/2015

Wallace Oates (1937-2015)

Ele criou o campo do Federalismo Fiscal. Para uma introdução às suas contribuições sugiro esse texto (cap 10), escrito pelo Rogério Boueri (que foi orientado no doutorado pelo próprio Oates).

Brasil é o pior no critério de responsabilidade fiscal entre as gerações

Jovens, poupai. Está lá no relatório Youthnomics, sobre a situação da juventude no mundo.
(Eu não gosto muito desses indicadores compostos, que misturam um monte de variáveis em um ranking só. Mesmo assim, vale a pena ler.)
Agradeço ao Alexandre Rocha pelo link. 

02/11/2015

Top Income Shares and Inequality in Brazil, 1928-2012 por Souza e Medeiros

Quase um século de análise da distribuição de renda no Brasil.O trabalho impressionante do Pedro Souza e do Marcelo Medeiros é - com certeza- um marco na discussão sobre o desigualdade de longo prazo no Brasil.


(O trabalho foi recém-lançado, mas uma versão anterior já havia sido publicada em 2014. Eu comi mosca e não postei).

28/10/2015

Wyllys e Bolsonaro: uma relação simbiótica



Se você estiver com muita pressa, pule para esse ponto.

Mercado Popular é excelente

O texto didático sobre a dívida pública está ótimo. Eu gostaria muito que o site fosse conhecido. Justamente por serem tão ponderados e sensatos, os autores não causam têm tanto impacto que os shock jocks internéticos. É uma pena, mas tomara que eles continuem com a mesma postura.

27/10/2015

O mundo dos gestores do patrimônio dos muito-ricos-mesmo

Aqui. Ótimo texto.

Maduro


Mau-caratismo:
Burrice:

Política industrial na prática

Quem pede maior realismo nos modelos econômicos não percebe que isso pode gerar resultados que recomendam menos- e não mais-  intervenção do governo. Exemplo: política industrial. Inocentemente, dá para criar um monte de situações que justificariam a intervenção do governo. Agora, se você for mais realista e incluir políticos, grupos de interesse, et caterva no modelo, a recomendação será "olha-eu-sei-que-tem-falha-de-mercado-mas-as-de-governo-são-piores".

26/10/2015

Holanda acabou com o sistema de patentes em 1869 por motivos ideológicos

(...) "the central reason why the Netherlands abolished patent laws in 1869 was the ideological link between patents and protectionism; patent laws were at odds with the Netherlands’ commitment to free trade." 
O resultado? A inovação na Holanda mudou de direção para aquelas áreas em que as patentes eram menos importantes. Aprendi isso aqui:
Moser, Petra. "How Do Patent Laws Influence Innovation? Evidence from Nineteenth-Century World's Fairs." The American Economic Review 95.4 (2005): 1214-1236.


25/10/2015

Nunca estive em tão boa companhia!

(Na verdade, estou me sentindo um penetra) O trecho está nos agradecimentos do livro do novo do William Summerhill: Inglorious Revolution: Political Institutions, Sovereign Debt, and Financial Underdevelopment in Imperial Brazil

Uma teoria simples da Direita e da Esquerda

A Direita acha que vivemos no zombie-apocalipse e a Esquerda, em uma utopia de recursos infinitos. Na pressa, pule para o trecho "The dead have risen, and they are voting Republican".
A tese é mais apropriada para os EUA, mas achei super bacana.

22/10/2015

Os três princípios da Escola de Chicago

Disse o Harberger:
 “First, the world is so complicated, so unfathomably complex, that we need theory to make sense of it,”
“Second, theory is useful only to the extent that it helps us predict outcomes.”
“Third, make sure that market forces work. I liken market forces to wind and tides. It’s at your own peril that you try to defy them.” 
Vale muito a pena ler o texto, ver as fotos e o vídeo. Ótima a história de como as carinhas achavam que o multiplicador do gasto do governo era 5, até o Harberger estimar e encontrar 1,1 .
(Dica do Thales Zamberlan, doutorando da USP, que está aqui na UCLA)

Contra pesquisas de opinão

91% dos brasileiros querem "exame da ordem" para médicos. Se perguntassem: 'Você gostaria que as ruas fossem calçadas com chocolate?", eu acho que uns 99% diriam que sim (eu, inclusive).
A propósito, se o problema fosse a qualidade dos formados, que tal testar todos e não apenas os recém-entrantes?

21/10/2015

Chamada de artigos: Revista História e Economia

"A Revista interdisciplinar História e Economia é uma publicação semestral impressa do Instituto de História e Economia. A proposta do Conselho, formado por professores da USP, UFF, Unicamp e outras importantes universidades, quando criou o Instituto, foi resgatar e incentivar uma parte da nossa pesquisa pouco privilegiada nos centros acadêmicos, como a História Comparativa, a História Econômica e a História Política. Receberemos artigos até o dia 30 de novembro de 2015. Os artigos serão publicados no v. 15, 2 º semestre de 2015.Os artigos devem ter no mínimo 20 páginas e ser enviados para o e-mail revistahistoriaeconomia@gmail.comA Revista dedica-se à publicação de trabalhos nas áreas de Economia, História Econômica, História Política e História da África. Publicamos somente textos originais, aceitando em casos especiais, a publicação simultânea em revista estrangeira. Recebemos artigos em português, inglês, espanhol ou francês.
Os artigos poderão ser referentes a quaisquer países ou regiões. Todos os artigos serão publicados no idioma em que foram escritos."

Eu já publiquei lá e foi uma experiência muito boa. Ótimos pareceres e sugestões. 

As críticas à Economia

Criticar a Economia é um esporte tão antigo quanto a própria ciência. O Noah Smith reuniu as críticas e as refutou (quando apropriado). Prático para mandar para aquele teu amigo que se acha super radical por chamar a Economia de "irrealista e ideológica".

20/10/2015

Contra a regra dos 2 desvios

A maior parte das minhas frequentes violações da regra foi causada por falta de auto-controle e procrastinação. Pensando bem- contudo -  eu consigo argumentar que há uma situação em que é defensável violar a regra dos dois desvios.
Em um debate público, apresentar um fato, evento, ou evidência que mostre que o outro lado está errado serve para mostrar aos que acompanham o debate o quão sem-noção é o infrator. Quem disse o absurdo não mudará de opinião, mas perderá a credibilidade.  Apresente o fato e não bata-boca.

19/10/2015

Quem é o culpado da crise?

Homer Simpson ensina como se livrar da culpa. Bart também tem boas lições sobre como se safar. 

Congresso de Economics and Human Biology em Tuebingen, Alemanha

Economics and Human Biology
Tuebingen, October 15-16, 2016

Call for papers
This two-day workshop focuses on Economics and Human Biology. The conference is devoted to the exploration of the interrelationships between socio-economic processes and human beings as biological organisms.
Themes include:
  • The impact of socio-economic processes, such as industrialization, urbanization, agricultural policy, technological change and commercialization and the degree of penetration of the world food system on biological welfare and health outcomes.
  • The effects of government intervention programs, as well as macroeconomic and public health policy on the human organism at either the individual or the population level.
  • Feedback effects from human biological outcomes to economic growth at the national, regional and local levels insofar as healthier individuals invariably lead longer, more creative, and more productive lives, thereby influencing the course of economic development.
  • The complex symbiotic relationship between such anthropometric indicators as weight, birth-weight, physical stature and the body-mass-index, as well as morbidity and mortality, on the one hand and socio-economic processes or events on the other.
  • Overweight and obesity: Causes and consequences.
  • The measurement of poverty, malnutrition and psychological deprivation and the role of health and income inequality in the persistence of poverty traps.
  • Health and the impact of resources since antiquity.
  • The biological components of the quality of life: how well the human organism itself thrives in its socio-economic and epidemiological environment.
Contributions in auxology, anthropometry, biocultural anthropology, demography, development economics, economic history, epidemiology, health economics, human biology, human nutrition, health sciences, medicine, physical anthropology, public health and sociology are welcomed, as long as the contributions advance the study of the relationship between economics and human biology.
We will have two deadlines, November 15th, 2015 and May 1st, 2016 (one third of the slots will go to early submissions). Papers or abstracts (200 words, noting main data sources and hypotheses) should be send to Joerg.baten@uni-tuebingen.de . All submissions will be acknowledged. An international committee will decide. Notices of acceptance will be sent to corresponding authors by November 30, 2015 and May 15, 2016, respectively.
Separate applications for travel funding and accommodation are welcome until March 1st 2016. The involvement of young scholars is strongly encouraged.

"How to Read a Paper " por Trisha Greenhalgh

O livro é voltado para a área de Epidemiologia (o subtítulo é: "the basics of evidence based medicine"). Há um versão preliminar como paper.
Eu o recomendo para todo mundo, inclusive para qualquer um que possua um corpo físico. É sensacional.

18/10/2015

Nunca confie em pesquisas de satisfação

Mestre Elio Gaspari diz que falar mal do SUS é "vício irracional", porque os usuários do SUS não o acham tão ruim quanto os que não o usam.
Nem poderia ser diferente, né? Existe um grave problema de viés de seleção. Os clientes da pizzaria batepapo certamente gostam de lá. Ou o público da Família Lima deve achar que eles são audíveis. E assim por diante.
Na verdade, o caso do SUS é pior porque seus clientes não tem lá muita alternativa. O próprio Gaspari relata que 53% dos usuários acham o SUS "ruim" ou "péssimo". Ou seja, com um pouquinho mais de renda, os pacientes fugiriam do SUS. Além disso, como confiar no que as pessoas respondem? (Eu mesmo sou campeão de elogiar a comida horrível em restaurantes que abominei e também aperto o botão de "satisfeito" sem qualquer motivo). 
O SUS é bom? Sei lá, mas não é perguntando aos clientes que você vai descobrir. Imagino que existam medidas objetivas mais apropriadas: tempo na fila, sobrevida, infecções e outras coisas do gênero. A propósito, o super curso do Alexandre Chiavegatto Filho deve ter muito a ensinar sobre isso.

17/10/2015

Por que um heterodoxo sincero pode defender o ajuste fical?

Esse paper apresenta um mecanismo possível (o velho: "Viu? Eu te disse!"):
"Machieavellian Experimentation" por Xie e Xie
Abstract
This paper proposes a mechanism in which, instead of intensifying disagreement, polarization of beliefs could eliminate political gridlock: Significant political payoffs from being proven correct by policy experimentation could drive decision makers who disbelieve in the new policy to agree to policy experimentation, since they are confident that the experimentation would fail and increase their political power. We formalize this mechanism in a collective decision making model in the presence of heterogeneous beliefs in which any decision other than the default option requires unanimity. We show that this consideration of political payoffs can eliminate the inefficiency caused by unanimity when beliefs are extremely different, but could also create under-experimentation when beliefs are slightly different. We illustrate the empirical relevance of the mechanism in two examples with historical narratives: the decision making process of the Chinese leadership during the country’s transition starting in the late 1970s and the disagreement within the leadership of the Allied Forces on the Western Front of World War II in the autumn of 1944.

Nova geração de historiadores econômicos na Califórnia

O seminário-  está rolando agora-  tem papers para todo gosto: emigração irlandesa, concurso público na China, cervejarias durante a Lei Seca e muito mais.

16/10/2015

"A Estabilidade Da Desigualdade entre 2006 e 2012: Resultados Adicionais" por Pedro Souza e Marcelo Medeiros

Aqui e a matéria no Valor.
Fofocas:

  • O Pedro está em Berkeley, trabalhando com Emmanuel Saez e cia.
  • Do pouco que sei sobre o que Pedro e Marcelo estão preparando, já posso antecipar que eles revolucionarão o estudo da evolução da desigualdade no Brasil no século XX. Sim, no século XX.

14/10/2015

Você confia nos cientistas?

Nos EUA, 88% e 87% dos cientistas acreditam que os transgênicos são seguros e que o aquecimento global foi causado pelo ser humano. Já no público em geral é mais """cético""": só 37% e 50% creem nas afirmações anteriores, respectivamente.
Como será o perfil de quem acredita ou não nessas afirmações? Meu chute:

Transgênicos são seguros
Sim Não
Aquecimento global
foi causado pelo ser humano
Sim Congratulações!
Você é coerente e segue a opinião majoritária
dos cientistas.
Incoerente. Aposto que você é "de humanas", não é?
Não Incoerente. Desconfio que você é contra o aborto e a favor da pena de morte. Coerente, mas você é uma raridade. Você desconfia da Ciência e deve usar um daqueles chapéus de alumínio para se proteger das ondas do wifi.

O jeito fácil de fazer upgrade no R

Diversos

13/10/2015

Não é só no Brasil que o sistema tributário tem maluquices

Sujeito cai na farra, paga a noitada dos amigos, volta para casa na segunda-feira, liso,

e precisa fazer fiado na padaria. Em casa, se justifica:
"Comprei fiado porque precisava trazer o pão das crianças. Sou responsável"
[Tenho mesmo que parar de ler jornal]

Licões de vida com Franz Ferdinand + Sparks FFS

Estou na fase de achar sentido em letras pop. A colaboração inusitada dos caras do Franz Ferdinand com os coroas malucos do Sparks tem me fornecido muito material.
Tenho sorte com os meus coautores. Nunca briguei e sempre achei que eles trabalharam mais do que eu. De qualquer forma, vou guardar essa música para momentos de frustração:



Já esse trecho de Piss Off pode servir em uma infinidade de situações: desde seminário acadêmicos até à situação política brazuca:
"It's always inexplicable
It's inexplicable
But still they're eager to explain
It's always inapplicable
It's inapplicable
But they'll apply it all the same
It's always irrefutable
It's irrefutable
But still their arguments remain
Get to the point and point to the open door
Get right to the point and there's the door"

12/10/2015

"The longevity of famous people from Hammurabi to Einstein" de la Croix and Licandro

Resumo:
We build a new sample of 300,000 famous people born between Hammurabi’s epoch and Einstein’s cohort, including their vital dates, occupations, and locations from the Index Bio-bibliographicus Notorum Hominum. We discuss and control for selection and composition biases. We show using this long-running consistent database that there was no trend in mortality during most of human history, confirming the existence of a Malthusian epoch; we date the beginning of the steady improvements in longevity to the cohort born in 1640–1649, clearly preceding the Industrial Revolution, lending credence to the hypothesis that human capital may have played a significant role in the take-off to modern growth; we find that this timing of improvements in longevity concerns most countries in Europe andmost skilled occupations

Sobre o Nobel 2015

  • Confesso que nunca li o Angus Deaton.  (Mas The Great Escape estava já no meu carrinho de compras da Amazon. Não é nada, não é nada... não é nada)
  • Hoje é o dia do ano em que alguns caras, geralmente vindos de áreas ainda mais 171, dirão que Economia não é ciência, não há prêmio Nobel de Economia...  e outras chatices.
  • Segura firme, Baumol!

Governo está certo em cortar o seguro defeso

Em 2010, o número de "pescadores" que recebia a bolsa pesca era o dobro do registrado no Censo. Detalhes  aqui e aqui .
Sobre o problema ecológico de suspender o período de defeso, eu nada entendo. Mas, pelo que li sobre a decisão, a suspensão não atingiu qualquer espécie que estivesse atualmente com a pesca proibida.

09/10/2015

Diversos


William Baumol, meu voto para o Nobel de Economia de 2015

Caros suecos, ele está com 93 anos! Se não for agora, quando?  Suas pinturas não são lá grande coisa, mas a obra econômica é sensacional.


07/10/2015

Quem manda é o acaso

Em 2000, a LRF não caiu por um voto, porque o Marco Aurélio Mello mudou de ideia.
(Outra peculiaridade brasileira: o keynesiano José Roberto Affonso, mestre pela UFRJ, doutor pela Unicamp, foi o maior defensor da LRF).

Judea Pearl

Estou estudando Casuality, o livro do Judea Pearl, para a disciplina "Logic, Causation, and Probability". Dessa vez, eu espero realmente aprender. O cara é brilhante. Leiam só o discurso  "The Art and Science of Cause and Effect" (as ilustrações são ótimas).
Eu só fiquei chateado porque descobri ontem que ele é pai do Daniel Pearl, o jornalista que foi sequestrado e morto no Paquistão. Coitado. 

E tem gente achando que criticar a sociedade de consumo é novidade:

'In the ancient world, "men were... forced to labour beacuse they were slaves of others; men are now forced to labour because they are slaves to their own wants"
Sir James Steuart, em Inquiry into the Principles of Political Economy, 1767.  Repito:  mil-setecentos-e-antes-da-invenção-da-comida-em-lata. Citação no Allen.

05/10/2015

Laffer, Cheney e Rumsfeld

A Curva de Laffer existe, mas na mão dos políticos e dos economistas irresponsáveis é um perigo. Eles sempre dizem que estamos à direita do máximo de arrecadação: ou seja, uma redução das alíquotas levaria a um aumento da receita do governo, uma vez que a atividade econômica seria estimulada. É a fantasia atraente supply-sider. (A fantasia simétrica keynesiana é: "se gastarmos mais, o PIB aumenta mais que proporcionalmente e a arrecadação também. Festa!")
O repugnante vídeo abaixo, com o próprio Laffer, Donald Rumsfeld e o Dick Cheney, mostra o nascimento dessa ideia perigosa. (O jantar da trinca deve ter sido concentração de mau caratismo da história, só comparável talvez ao dia em que Nixon jantou sozinho.*)
* A frase original.

02/10/2015

Diversos


30/09/2015

Diversos

Para manter a sanidade e dar conta das coisas que eu tenho que fazer na UCLA, eu estou tentando não ler sobre o Brasil contemporânea. Mesmo assim, não resisto e tenho que compartilhar alguns links:

"Causal Inference" por Hernan e Robins

Disponível de graça aqui. Os autores são professores de epidemiologia renomados de Harvard e o enfoque do livro é baseado na abordagem sobre causalidade do Judea Pearl.

28/09/2015

Veja as novíssimas propostas de c e r t o s economistas para salvar o Brasil da crise

aqui. (Vale a pena assistir tudo. A semelhança é impressionante)

Pare de reclamar da vida e dê uma olhada na expectativa de vida

...na Inglaterra entre os séculos XVI e XVIII. Não só era baixa, como caiu ao longo do tempo.
















Fonte:
Voigtländer, Nico, and Hans-Joachim Voth. "The three horsemen of riches: Plague, war, and urbanization in early modern Europe." The Review of Economic Studies 80.2 (2013): 774-811.
O trabalho é ótimo. Eles mostram que houve - durante certo tempo- uma relação direta entre renda per capita e mortalidade na Europa (mas não na China).
 (Como vocês podem intuir, eu estou fazendo um curso de História Econômica Ocidental aqui na UCLA).

Pacote do R para estudar o legislativo brasileiro

Aqui. Quem deu a dica foi o Urban Demographics.

"Seu filho não é nenhum Einstein": primeiros nomes e carreiras científicas

Um pouco por curiosidade e também para aprender a trabalhar com bases grandes de nomes no R, fiz o seguinte exercício:

  • Contei os brasileiros na base do Lattes (aproximadamente 1,5 milhão de pessoas) que têm nomes de cientistas famosos (coluna Science);
  • Na Rais identificada, busquei os com nível superior (uns 6 milhões) que também tivessem nomes de cientistas (coluna General);
  • As colunas "Share Science" e "Share General" indicam o número de primeiros nomes famosos por milhão no Lattes e na Rais 
  • A coluna "ratio" é a razão entre os dois shares. Valores iguais a 1 indicam que os nomes são igualmente represntados em ambas as bases. Valores maiores que 1 indicam que o nome está sobrerepresentado na base do Lattes. Há, por exemplo, 29,5 "Arquimedes" por milhão na base Lattes; e apenas 24,2 na população em geral. Isso resulta na razão de 1,2.

O resultado é que- de fato - existe mesmo mais gente com nome de cientista na base do Lattes do que seria esperado. Contudo, o efeito não é lá grande coisa. Em outras palavras, talvez mesmo pais apaixonados por Ciência (a ponto de batizar o filho com nome de Darwin!) são incapazes de transmitir suas preferências para as próximas gerações.

Obviamente, há dezenas de restrições e ressalvas nessa minha interpretação dos resultados. Comentários, de qualquer forma, são bem-vindos.

27/09/2015

Dois pacotes essenciais para ansiosos que precisam ler 50 milhões de observações no R

  • data.table: é muito rápido que a concorrência e - melhor ainda - indica o percentual do progresso na leitura do arquivo;
  • beepr: faz um beep quando o script termina.

Expulsar os muçulmanos não foi uma boa ideia

No dia 22 de setembro de 1609, a Coroa Espanhola decidiu expular 300 mil muçulmanos. O senhores feudais eram contra, porque esses infelizes eram taxados em  até 40%, bem mais que os cristãos. Os mouros foram escoltados para fora do reino levando só o que pudessem carregar.
O resultado? Demorou quase uns 200 anos para a população das localidades mais atingidas se recuperar. O produto per capita se convergiu relativamente mais rápido (em parte porque o denominador - as capita - caiu).
A história está contada no texto de Chaney e Hornbeck: Economic Dynamics in the Malthusian Era:Evidence from the 1609 Spanish Expulsion of the Moriscos. Até quem não curte a econometria gostará da parte histórica do artigo.

26/09/2015

Casou tarde? Culpa da Peste Negra

É o que dizem Voigländer e Voigt. Ao matar um terço da população europeia, a Peste fez com que o trabalho das mulheres solteiras fosse demandado, especialmente na criação de animais. Isso postergou o casamento e a taxa de natalidade despencou. Por sua vez, esse mecanismo colaborou para que  saíssemos da armadilha malthusiana.
Alguns dados:
In the Roman Empire, age at first marriage was 12–15 for pagan girls, and somewhat higher for Christian girls. Herlihy (1985) estimates that by 500 ad, the average marriage age for women in Western Europe was 18–19 years. During the Middle Ages, this number may have been slightly higher than in Roman times... European Marriage Pattern, with the age at first marriage postponed to 25 or beyond, only emerged after the Black Death.  
 Outra coisa: a família nuclear já era dominante na Alta Idade Média. E  gente boa sustenta que ela induziu o nascimento das corporações (no sentido de empresas modernas). 

Minha entrevista para o Adolfo em meados 2012

Eu dei algumas bolas dentro:
O pior é a crise tornou-se justificativa para qualquer coisa. Desde 2008, o governo parece ainda mais sensível aos setores mais reclamões. Eu sei que desde sempre e em todo lugar, existem grupos de interesse e rent-seeking, mas no Brasil recente isso está exagerado, até mesmo para critérios brasileiros. Distribuem-se proteções e privilégios de maneira irrefletida. Ou seja, não só a ideia geral da política industrial é equivocada, mas também a forma de execução é atabalhoada.
... e outras bolas beeeeem fora:
Uma palavra de otimismo: o risco de uma década tão perdida quando os 80 é baixo. Mesmo que ainda muito ruins, as instituições de hoje são melhores do que no passado. Além disso, a evidência histórica mostra que sociedades menos desiguais são mais capazes de absorver choques externos. Como a renda cresceu e ficou um pouco mais bem distribuída, as maluquices dos anos 80-90 estão mais longe de nós.

24/09/2015

Quer ficar triste? Vai lá no Big Mac Index

Aqui. Sobraram poucos países com câmbio mais desvalorizado. E olha que o mapa foi feito com dólar a R$3,15. A planilha Excel está disponível para download.

23/09/2015

Chamada da RBEE: número especial sobre Economia Regional

Por favor, repassem aos conhecidos. Prazo: 31 de outubro de 2015. Aí vai:  
O corpo editorial da Revista Brasileira de Economia de Empresas (RBEE) está organizando uma edição especial desse periódico sobre Economia Regional, a ser publicada no primeiro semestre de 2016. Convidamos todos os interessados a submeterem artigos para essa Edição Especial da RBEE.
A RBEE é uma publicação do Mestrado e Doutorado em Economia da Universidade Católica de Brasília. Atualmente, a RBEE está classificada como B3 no sistema QUALIS-CAPES da área de Economia. Além disso, ela está indexada em algumas das principais bases de dados internacionais, incluindo EBSCO Publishing, EconLit e ProQuest.
As submissões, com identificação completa, informação para contato e afiliação institucional dos autores, devem ser enviadas para o E-mail rbee.regional@gmail.com, com o assunto “Edição Especial RBEE” e especificação da área de submissão no corpo do e-mail. A data limite para submissões é 31 de outubro de 2015. Ao realizar uma submissão, os autores declaram concordar com as políticas editoriais da RBEE. Os trabalhos submetidos serão avaliados e selecionados de acordo com a política editorial da RBEE, que está disponível em http://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbee/index.
Comitê Científico
Prof. Dr. Carlos Vinícius Santos Reis
Prof. Dr. Leonardo Monteiro Monastério
Prof. Dr. Tito Belchior Silva Moreira
Prof. Dr. Wilfredo Sosa Sandoval
Áreas Temáticas
- Regional economics
- Urban economics
- Economic Geography
- Spatial Economics
- Spatial Analysis
- Housing and labor markets
- Fiscal Federalism
- New Economic Geography
- Transport economics
- Spatial analysis of Poverty and inequality
- Microeconomic analyses of spail phenomena
Formatação do artigo
Os artigos devem ser escritos em português ou inglês e ter extensão máxima de 35 páginas, numeradas sequencialmente. O texto deve ter espaçamento de 1,5 cm, fonte Times New Roman de tamanho 12 e margens de 2,5 cm. A submissão do artigo deve ser em formato Microsoft Word (versão 97 ou posteriores). A página de rosto deve incluir o título, um resumo de até 200 palavras, um abstract de até 200 palavras, 3 a 5 palavras-chave, em português e inglês e 1 a 5 códigos JEL. O texto deve começar na segunda página. As referências bibliográficas dos artigos devem ser elaboradas de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, NBR-6023) e apresentadas no final do texto.
Atenciosamente,
Carlos Vinícius Santos Reis
Leonardo Monteiro Monastério
Tito Belchior Silva Moreira
Wilfredo Sosa Sandoval
Editores da Edição Especial sobre Economia da Inovação
Revista Brasileira de Economia de Empresas

Big Data em Saúde no Brasil

Recomendo fortemente o curso gratuito no Cousera elaborado pelo Alexandre Chiavegatto Filho, um bamba na área.

"America does not bail out losers"

Por uns cinco segundos, eu me senti o Sebastião Salgado.  "Que sensibilidade artística e social eu tenho! Sou um gênio!"



Aí me toquei. Claro que o publicitário premeditou tudo. Ele sabia que os bancos nos pontos de ônibus em Los Angeles são utilizados pelos sem-teto e supôs, acertadamente, que algum mané metido a artista ia tirar essa foto e compartilhar. Só de raiva, não vou dizer o nome do filme.
Em comum com o Sebastião Salgado, eu continuo tendo só a careca e a formação de economista.

22/09/2015

"Quem converte, não se diverte"

, sempre disse o meu amigo Mauro Salvo. Com o dólar a R$4, preciso reescrever a frase: "Quem converte, fica em posição fetal, no chão e reflete sobre as suas decisões na vida".

Café em pequenas propriedades

Você lembra aquilo que aprendeu na escola: "café era produzido no Brasil em grandes propriedades monocultoras voltadas para exportação"? Não é bem assim. Veja o que descobriu o Colistete em texto recente na RBE sobre o café em SP no começo do século XX :
"...as três regiões especializadas em café estavam entre aquelas com a maior área cultivada com os principais produtos (arroz, milho e feijão) destinados ao mercado doméstico"
"pequenas propriedades também apresentaram altos índices de especialização no produto, particularmente nas zonas cafeeiras, indicando que a produção de exportação era atraente para proprietários de todos os tamanhos"
 A história econômica do Brasil tem que ser reescrita. Não por motivos ideológicos, mas porque pesquisadores sérios coletam e analisam novos dados.

O concurso de beleza do Keynes

Eu já fiz o experimento em sala de aula. Peça que os alunos escolham um número entre 0-100. Some os valores. Quem acertar a metade da média ganha 1 ponto extra na prova. Se todos fossem perfeitamente racionais (e soubessem disso), eles deveriam escolher 0. O valor da metade da média costuma ser uns 9 ou 10. Na segunda rodada, o valor cai. A partir daí os alunos aprendem e o valor converge para 0 (Na verdade, sempre aparece um espírito de porco que escolhe 100).
O fato de eles não acertarem de primeira diz que os agentes são irracionais? Não, diz apenas que a racionalidade não é perfeita, mas eles acabam pegando o jeito. O concurso de beleza do Keynes pode - vez por outra -  não escolher a mais bela, mas raramente escolhe a menos afortunada pela natureza.
Além disso, o fato dos agentes não serem perfeitamente racionais não torna automaticamente a sua teoria alternativa verdadeira. Em outras palavras, por que as pessoas seriam irracionais à sua maneira e só à sua maneira?

21/09/2015

Rejeitado na Anpec

Mesmo depois de macaco velho, ainda é bem chato ter artigo reprovado na Anpec. Os felizes selecionados estão aqui. (O trabalho rejeitado foi esse

Novo Qualis da Economia

Aqui. Não sei se melhorou ou piorou (sem ver, aposto na segunda opção).
A propósito, Bernado Guimarães fez uma interessante avaliação de uma versão anterior do Qualis.

O aumento da segregação espacial por raça nos EUA

Os dados dos Censos dos EUA permitiram um estudo super bacana: olhar quem era vizinho de quem. O estudo (resumo aqui) mostra que a segregação racial medida como "qual a probabilidade de se ter um vizinho de outra raça" aumentou em 1880 e 1940.
Trevor Logan, um dos coautores da pesquisa, visitará o Cedeplar (UFMG) em breve. Agradeço ao grande Bernard Lanza, por me avisar sobre tão importante pesquisa.

Crise: dois vídeos e um texto que se complementam

  • Lisboa, Mansueto e S Pessoa (LMP) debatendo as finanças públicas e me deixando deprimido;
  • Meus colegas Orair e Gobetti sobre a tributação. Eu admiro mesmo o conhecimento de ambos sobre os meandros das finanças públicas brasileiras contemporâneas. Discordo de muita coisa que foi dita (ex: não se importar tanto com a carga tributária, nem com outras distorções recentes), mas eles são - sem dúvida- caras que sabem das coisas e que devem ser ouvidos. (Agora, dureza é a escrotice - essa é a palavra- dos apresentadores do programa.);
  • Post to Roberto Ellery: o texto do Dornbush e Edwards (1999) sobre populismo econômico continua valendo.
De que forma eles se complementam? LMP mostram a gravidade do problema fiscal brasileiro e mostram o problema estrutural. Orair e Gobetti mostram o problema de regressividade e tem uma proposta concreta para o ajuste fiscal neste ano. E o Roberto Ellery relembra uma verdade deprimente: existe padrão na loucura. A história é antiga e a América Latina sempre a repete.

20/09/2015

Safatle e o imposto sobre grandes fortunas

É verdade que a regressividade da carga tributária brasileira é uma distorção grave. Existem várias formas de amenizar o problema, fechando brechas e copiando exemplos de outros países.
O chato é que sempre aparece alguém criativo. O Safatle já tinha dado a ideia de tributar os "22 mil jatinhos e helicópteros" (existem 724). Eu não vou discutir os outros erros da nova coluna conspiratório-professor-gente-boa-de-geografia-de-cursinho  do Safatle. Escolhi um só:
Perguntem quanto teríamos com imposto sobre grandes fortunas (tal estudo o governo brasileiro simplesmente nunca fez, por que será?).
De cabeça, eu lembro de dois estudos sobre o IGF e imagino que existam outros. O primeiro é uma nota técnica elaborada pelo Pedro Humberto de Carvalho; outro foi elaborado pela Consultoria do Senado . (O autor - não sei se posso revelar o nome- me passou a memória de cálculo. Ele estimou em R$6 bi a arrecadação com o IGF. Nada perto dos R$100 bi que chutam por aí).
Safatle, não dava para você ao menos buscar no google?

18/09/2015

Inglorious Revolution: Political Institutions, Sovereign Debt, and Financial Underdevelopment in Imperial Brazil

Acabou de sair o  livro novo do William Summerhill. Ainda não li e sou suspeito para falar (estou na sala dele!), mas falo mesmo assim: LEIAM!

Por que o jornalismo econômico é tão ruim? (revisto)

Faz 8 anos, eu escrevi um post que fazia essa pergunta.  Na época, eu chafurdava em nassifologia e estava bastante pessimista com a qualidade geral da imprensa.
De lá para cá,  a situação melhorou. Conforme a política econômica piorava, a qualidade do jornalismo melhorava. Os jornalistas pareceram mais atentos em diferenciar o joio do trigo, mais preparados e passaram a dar mais atenção aos especialistas. E gente super qualificada (na verdade, por vezes, overqualified  para a tarefa*) tiveram bastante espaço na mídia.
A situação ainda está longe da perfeição. Uns ignorantes ainda têm espaço para divulgar teorias econômicas criadas na hora do banho. Às vezes, no clima vamos-ouvir-os-dois-lados (ou, como eu chamo: vamos-ouvir-os-criacionistas),  pegam o louco da praça para entrevistar.  No geral, contudo, o nível aumentou. (Ou então eu apenas mudei a minha dieta de notícias).


* Sim, em um mundo ideal, eles não precisariam gastar o seu precioso tempo para explicar coisas simples ou entrar em debates com malucos.

17/09/2015

Pergunta séria que só revela a minha ignorância sobre macro e internacional.

Por que, em uma país tão fechado como o nosso, a variação dos termos de troca influecia tanto o desempenho econômico?
O coeficiente de abertura do Brasil é o segundo menor do mundo (ganhamos apenas do Sudão). Eu imaginaria que os termos de troca não fossem tão relevantes assim. Tem enigma ou é só pensar na margem? Alguma sugestão de modelo ou é só uma nassífica ignorância minha?

Político: s.m. Indivíduo que não entende a teoria das vantagens comparativas

Trump reclamando que os EUA vendem carne para os japoneses e importam carros. Tal e qual nossos professores de Geografia do 2o. grau. O mundo dá voltas. 

16/09/2015

North Atlantic Population Project

É uma base de dados impressionante e gratuita. No Censo Norte-americano de 1880, constam até os nomes completos da população livre. Tem uma burocracia para conseguir ter acesso, mas vale a pena. A dica foi do Daniel Franken.
(Corrigi o título do post!)

Larguei o twitter, mas não alguns hábitos ruins

Ex: Tentar corrigir quem tem um conceito de verdade bastante elástico. Eu nem tentei ir contra o título do post; só contrariei as afirmações trivialmente falsas.
Sim, mais uma vez, violei a regra dos dois desvios.

15/09/2015

Diversos: ferramentas para R e Latex

DataJoy: para quem quiser rodar R ou Python on-line;
ShareLatex: editor colaborativo de Latex;
RegExr: para testar regular expressions.


Saudades do Twitter

Vou completar quase um mês de abstinência e sinto falta (em ordem decrescente de saudade):
- Mais do que tudo, sinto falta das geniais frases das geniais - mesmo!- @s que sigo;
- Dos links;
- Das asneiras proferidas pelas @ dos malucos/canalhas que os amigos abnegados seguem e dão RT. (Em um dia de pacote fiscal, imagino que a animação foi  animado).
- Das tretas.
O lado bom é que a procrastinação caiu bastante: não substituí o Twitter por Minesweeper nem por GeoGuessr e consegui encarar algumas tarefas que eu enrolava faz um tempão.

11/09/2015

Só crise

Com atraso, aí vão uns links  para a crise:

Frequência de pesquisadores no Lattes com nome de cientistas famosos

Apenas para aquecer os dedos e treinar regular expressions, busquei na base do Lattes (1,5 milhão de observações) os pesquisadores com nomes de cientistas famosos. (Sim, eu sei que os pais dos "Edison",  "Thales", "Euclides" nem sempre pensaram nos cientistas).
Só considerei o primeiro nome de cada um. Assim, o economista  Karl Marx de Medeiros , por exemplo, ficou de fora. Vejam o resultado:


















Considerando apenas os 123 mil pesquisadores com doutorado, fica assim:

O próximo passo é criar um indicador (Frequência de Nomes de Cientistas no Lattes/ Frequência de Nomes de Cientistas na População (RAIS)). Postarei aqui os resultados.

10/09/2015

Diversos

  • Uma fábula da improdutividade, por Marcos Mendes - via Irineu;
  • O blog do Judea Pearl sobre causalidade. Com direito a tretas com Rubin e Imbens (veja o ponto #6 aqui). Você viu isso, Análise Real?;
  • "No, we can't" pelo Alexandre Schwartsman. (Que dureza que ele precise entrar nesse debate.  Tá, a gente pode discutir qual a melhor forma de ajuste fiscal, mas é bizarro  alguém achar  que ele não é necessário!).

09/09/2015

Harberger, 91 anos, professor em atividade

Sim, ele mesmo, a lenda, dará uma disciplina de tópicos de desenvolvimento econômico aqui na UCLA neste trimestre. (Infelizmente, não sei se vou assistir porque o curso colide com o horário de um dos seminários de história econômica.) Mas é emocionante saber que o senhorzinho continua na ativa.
Suas contribuições são muito importantes. Quando eu ensino Finanças Públicas na graduação, uso uma aula inteira só para convencer os alunos que o Triângulo de Harberger é algo real. Ou seja, mostro que existe um peso-morto para a economia, mesmo que o governo transfira os tributos direto para as famílias. É talvez o ponto que eu mais desejo que os alunos se lembrem de todo o curso.
Harberger publicou, em 1998, uma Letter to a Younger Generation que vale a pena ler. Um trecho já na abertura , contudo, já me deixou deprimido:
"Many of you are too young to remember, but it was not long ago that the policies pursued by many governments in Latin America, and the courses taught in most universities across the region, reflected more bad economics than good."
Pena que a maré tenha virado novamente e o populismo econômico tenha voltado na América Latina. A reflexão paulinho-da-violesca na página 2 também vale a pena.




05/09/2015

Posts do blog voltam ao Twitter; eu (ainda) não

O número de visitas do blog despencou depois que saí do Twitter. Será que por coincidência meus posts pioraram? Ou será que boa parte das visitas vinham de lá?
Bom, vou reativar o link blog->twitter (via twitterfeed) e ver o que acontece.
(Continuo, a duras penas, longe do Twitter.)
Ainda no ramo de autopromoção, aviso que a Amazon, sei lá  o porquê, colocou o Manual de sobrevivência na universidade em promoção por R$1,99 só hoje.

03/09/2015

Desenvolvimento e moradores de rua

Para acrescentar à lista do Chris Blattman de indicadores práticos  de desenvolvimento*:
"País desenvolvido: tem muita gente que não sabemos se é morador de rua mesmo ou apenas seguidor de um estilo de vida alternativo."
Vi vários caras em Los Angeles que realmente eu não tenho certeza. Alguns exemplos aqui (o primeiro é sensacional)
A propósito, aqui os direitos de propriedade dos moradores de rua são respeitados:



* Tenho orgulho de ter contribuído com os indicadores número 1 e 7. Prova.





Espaço importa

THE history of economics has been, among other things, a story of learning to care less about land.
Dos comentários :

" Rafael H M Pereira06/09/15 09:15

muito bom o artigo! Mas tem um erro feio ai quando ele fala que "The numbers of people living in the central parts of London and New York have never been higher". A densidade de Manhattan era 4 vezes maior do que a de hoje ha um seculo, em 1910. Errou rude. http://urbandemographics.blogspot.co.uk/2014/12/the-rise-and-fall-of-manhattans-density.html"

01/09/2015

26/08/2015

"Da escravidão ao trabalho livre" de Luiz Aranha Corrêa do Lago

Lançado em 2013, é um tremendo livro. Trata-se da publicação, em português, das partes não técnicas da tese de doutorado que o autor defendeu em Harvard em 1978.
Corrêa do Lago  aplica a hipótese de Domar para entender fim do trabalho escravo nas províncias/estados do Sul e Sudeste do Brasil. Um resumo do argumento econômico da tese está no artigo publicado na RBE em 1988.
Mas não é só isso. O autor acrescentou um Posfácio com uma longa visão da produção recente história econômica sobre o Brasil. Aprendi muito mesmo com esse capítulo extra.
O livro é realmente essencial. Totalmente recomendado.

25/08/2015

Colônias de Povoamento Versus Colônias de Exploração: de Heeren a Acemoglu

Finalmente, saiu o Texto para Discussão:

Colônias de Povoamento Versus Colônias de Exploração: de Heeren a Acemoglu 
Leonardo Monasterio e Philipp Ehrl
Este trabalho examina a evolução da tese que sustenta que o tipo de colonização determina, ou condiciona, o futuro das sociedades. Smith (1776) já apresentava esta proposição e uma tipologia das colônias. Contudo, foram os autores alemães Heeren (1817) e Roscher (1856), no século XIX, os responsáveis pelo desenvolvimento da tese. Estes historiadores influenciaram o economista ortodoxo francês Leroy-Beaulieu (1902), que tratou do assunto em obra publicada em 1902. Fica claro que Caio Prado Júnior foi mais um divulgador da tese colônia de povoamento versus colônia de exploração no Brasil do que seu criador. Nos Estados Unidos, a ideia ressurge nas obras de North (1955; 1959) e de Baldwin (1956).Mais recentemente, os cliometristas Engerman e Sokoloff (1997) aprofundaram a questão, sem fazer referência aos autores europeus. Finalmente, Acemoglu, Johnson e Robinson (2001; 2002) – citando apenas a literatura neoinstitucional – levaram a tese para um público acadêmico mais amplo e apresentaram evidências econométricas. Este estudo se encerra com a discussão sobre as possíveis razões do sucesso da tese e da sua recorrente “descoberta” pelos pesquisadores.
Comentários continuam sendo bem-vindos. Outra coisa: alguém poderia avisar no Twitter do post? (Eu cortei o link entre o blogger e Twitter para que eu não caísse na tentação de ir lá ver se havia alguma resposta. O primeiro gole deve ser evitado)