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Pergunta séria que só revela a minha ignorância sobre macro e internacional.

Por que, em uma país tão fechado como o nosso, a variação dos termos de troca influecia tanto o desempenho econômico?
O coeficiente de abertura do Brasil é o segundo menor do mundo (ganhamos apenas do Sudão). Eu imaginaria que os termos de troca não fossem tão relevantes assim. Tem enigma ou é só pensar na margem? Alguma sugestão de modelo ou é só uma nassífica ignorância minha?

Comentários

Anônimo disse…
ja me fiz essa pergunta algumas vezes...algumas duvidas/pontos: a) uma coisa é quando exportacoes sao 5% do pib e saltam p/ 10% do pib...algum efeito isso tem. b) temos umas das menores poupanças/pib dos emergentes, ou seja podemos crescer consumo e investimento com financiamento externo e/ou bons termos de troca. Longe de querer resolver o misterio aqui, so colocando alguns pontos que pensei.

@platosbunker
Só para gerar discussão: termos de troca são importantes mesmo?

http://www.voxeu.org/article/how-important-are-terms-trade-shocks

Abraços,

Angelo

P.S.: primeira vez que tentei publicar o comentário deu erro. Se foi repetido, desculpa.
Talvez seja uma questão de elasticidade de produção do setor exportador. Suponha que o Brasil não consegue rapidamente reagir a uma mudança de preços aumentando a produção de bens exportáveis (podemos supor n motivos pra isso) então, quando o preço das nossas commodities cai, o déficit cresce, o real cai até o ponto em que a redução de importações faça quase sozinha o trabalho de reequilibrar a balança comercial.

Lembre-se também que somos exportadores de títulos de dívida. Na medida em que as pessoas sentem que não somos robustos pra lidar com perda nos termos de troca de soja e petróleo, tal queda leva a maior insegurança dos investidores. Como consequência os "termos de troca" da nossa dívida pioram.

O que acha do chute?
Valeu, Gustavo. Cara ,faze sentido, mas a experiência pós 2003 não mostra que as exportações reagiram bem aos termos de troca? Viramos o maior exportador de carne do mundo em um "instante", não foi?
Não sei nada sobre o mercado internacional de carne, mas acho que pode ser compatível. Como foi a evolução desde então?

Se a mudança na exportação foi duradoura (depois do real revalorizar), então câmbio não devia ser a variável chave de qualquer maneira.

Se não foi, acho que deveríamos notar que o dólar quase dobrou! Se essa mudança for a necessária pra virarmos exportadores, então acho que tenho meu ponto. Mas pra ter certeza mesmo, só indo mais a fundo...

Arthur disse…
Acho que é o efeito na margem. Variancia do crescimento sobre mesmo tri do ano anterior da serie desde 96:

PIB a Preços de Mercado: 0.07%
Despesa de Consumo das Famílias: 0.09%
Despesa de Consumo Da Administração Pública: 0.06%
Formação Bruta de Capital: 0.69%
Exportação de Bens e Serviços: 0.70%
Importação de Bens e Serviços: 1.82%

Só isso já indicaria que o comércio exterior e investimento teriam um efeito desproporcional ao seu tamanho na definição das variações do PIB.

Usando o procedimento que o IBGE usa para criar o indice encadeado do PIB para ponderar as variações de cada um dos índices e criar um índice de cada uma delas ponderado e um índice de comércio exterior e calcular as variâncias ponderadas esse é o resultado em ordem decrescente:

PIB a preços de Mercado: 0.073%
Despesas de Consumo das Famílias: 0.033%
Importação de Bens e Serviços: 0.025%
Formação Bruta de Capital Fixo: 0.023%
Comércio exterior: 0.022%
Exportação de Bens e Serviços: 0.011%
Despesa de Consumo da Administração Pública: 0.002%
Arthur disse…
Isso reforça a teoria da resposta a choques se dar principalmente por meio de importações, elas são muito mais voláteis que as exportações, e volátilidade no setor externo parece ser em maior parte culpa delas. Mas os dados indicam que seja lá por qual motivo da volatilidade no setor externo, parece que seu efeito grande na variação do PIB mesmo com participação pequena no PIB é explicado em grande parte por essa volatilidade, mesmo sem invocar efeitos indiretos das variações do setor externo no resto da economia.
Calebe disse…
http://www.columbia.edu/~mu2166/tot/totpaper.pdf

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