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Mostrando postagens de 2009

Feliz 2010!

(Inspirado por Indexed)

Gráfico de torta

Via NPTO.

Desconectado

Ficarei off-line, sem telefone, distante, afastado e fora da rede até o final de Janeiro. Eu deixei posts programados para todo mês, então continuem visitando o blog.
Boas festas para todos!Aqui vai meu presente de Natal.

Fantástico mini-curso de história econômica

Não consigo imaginar um curso mais interessante. Pós-graduando, mesmo que a leitura do corpo docente não tenha deixado você boquiaberto (como eu fiquei), inscreva-se. Você me agradecerá depois.
Escuela de Verano (Hemisferio Sur) de Historia Económica (EVHE) 2010
Southern Hemisphere Economic History Summer School (EHSS) 2010
El Programa de Maestría y Doctorado en Historia Económica(Programa de Historia Económica y Social, Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de la República)
con el auspicio del Proyecto “Historical Patterns of Development and Underdevelopment”
(Centre for Economic Policy Research –CEPR‐, Londres)
CONVOCA a la
ESCUELA DE VERANO (HEMISFERIO SUR) DE HISTORIA ECONÓMICA 2010
Montevideo, 6 al 17 de diciembre de 2010.
La Escuela de Verano se organiza en coordinación con la Conferencia “Historical Patterns of Development and Underdevelopment” a realizarse los días 13 y 14 de diciembre de 2010, organizada por el proyecto del mismo nombre del consorcio integrado por: Universidad Ca…

A hiperinflação do Zimbabwe em uma imagem

O dólar do Zimbabwe já acabou, mas essa foto resume seu inglório fim.

Via boingboing.
UPDATE: Thomas Kang é trilhionário!

Aglomeração não é problema

No rádio estão todos chocados com o fato de que os 5 maiores municípios geram 1/4 do PIB nacional. Ora bolas, além do problema do MAUP, a produção é aglomerada no mundo inteiro! Fujita e Thisse (2002, p. 2) mostram que cinco prefeituras do Japão produzem 29% do PIB do Leste Asiático, apesar de equivalerem a apenas 0,18% do seu território. Igualmente, a região metropolitana de Paris produz 30% do PIB francês. Isso é muito? Pouco? Sei lá! O fato é que tal aglomeração, por si só, não deve ser vista como um problema.

Samuelson e a censura da ditadura brasileira

Lembrei de um causo que li em "A ditadura derrotada" do Elio Gaspari. Uma googlada depois, encontrei o trecho (veja seção 5). Resumindo, era 1973 e o Samuelson tinha escrito o seguinte no original do "Economics":
"Fascismo:

É mais fácil caracterizá-lo política do que economicamente. Seja na Alemanha de Hitler, na Itália de Mussolini, na Espanha de Franco, em Portugal de Salazar, na Argentina de Perón ou nas juntas da Grécia e do Brasil, o fascismo foi habitualmente identificado por ditaduras pessoais, partido único e pela supressão das liberdades públicas. [...] O indivíduo é secundário diante do Estado. [...]
Quando uma economia populista vai mal, com inflação e desemprego, surge o desejo de que os fascistas assumam o poder, "restaurando a ordem e promovendo o desenvolvimento econômico"? Arre, quase sempre a resposta é: sim.
Mais entristecedor é testemunhar o sucesso econômico ocasional de tais regimes ditatoriais - coisa de curto prazo. Assim, nos ano…

Doença holandesa ou nigeriana?

Eu sou bastante cético quanto aos riscos da doença holandesa no Brasil do século XXI. (a propósito, quem fala de dutch disease tem que primeiro ler o paper do Corden 1984). A ameaça parece ser uma maldição dos recursos naturais por vias institucionais. Será que o Brasil está mais para Noruega ou para Nigéria?
Do Oil Windfalls Improve Living Standards? Evidence from Brazil
by Francesco Caselli, Guy Michaels - #15550 (EFG PE POL)

Abstract:

We use variation in oil output among Brazilian municipalities to
investigate the effects of resource windfalls. We find muted effects
of oil through market channels: offshore oil has no effect on
municipal non-oil GDP or its composition, while onshore oil has only
modest effects on non-oil GDP composition. However, oil abundance
causes municipal revenues and reported spending on a range of
budgetary items to increase, mainly as a result of royalties paid by
Petrobras. Nevertheless, survey-based measures of social transfers,
public good provision, infrastruc…

Quase férias

Estou em férias, mas ainda falta fechar algumas coisas do trabalho e esperar o IBGE soltar os PIB municipais de 2007 (sai do forno em menos de duas semanas). De qualquer forma pretendo postar diariamente até as vésperas de Natal.

Economias externas, políticas públicas, acaso e calcinhas

Delfim Netto e a origem da cliometria

Faz 50 anos que a tese "O problema do café no Brasil" foi defendida. É um trabalho de primeira, com teoria econômica, econometria sofisticada e pesquisa histórica profunda. Ele fez cliometria antes do termo existir.
O livro não fez o sucesso. Uma pena. Poucos leitores tinham o conhecimento técnico para compreendê-lo e as escolhas políticas do autor restringiram o alcance da obra . (As razões opostas permitiram o sucesso de a "Formação econômica do Brasil" do Furtado e que -ainda hoje- ele seja visto como a verdade revelada. Ó vida, ó dor)
Agora descubro que a FACAMP (que surpresa!) e a UNESP reeditaram o lvro. Que beleza!

150 anos da publicação da Origem das Espécies

O crescimento de Las Vegas

Dica do Rafael Pereira

John Meyer

Um comentarista anônimo me chamou a atenção deste post muito interessante sobre a morte do John Meyer, um dos pais da cliometria . Seu texto de 1957 no Journal of Economic History (em coautoria com o Alfred Conrad) também revolucionou (exceto em alguns lugares exóticos do mundo) o jeito de se fazer história econômica para valer.
Vejam só o tamanho da minha ignorância, ele também é famoso por suas contribuições na área de economia dos transportes! Aqui vai o texto do Ed Glaeser sobre as contribuições do Meyer neste campo.

Prêmio "Falei besteira, mas a culpa foi da Guerra Fria"

"Somente a Revolução Soviética de 1917 proporcionou os meios e o modelo para o genuíno crescimento econômico mundial e o desenvolvimento equilibrado de todos os povos."
Eric Hobsbawm em "Do Feudalismo ao Capitalismo" (1962). In: Sweezy, P et al. (ed). A transição do feudalismo para o capitalismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977. p. 164.

As notícias sobre a morte do capitalismo....

... foram exageradas:

Fonte.

Verdades em gráficos

Uma amostra:

Muito mais aqui.

Mainstream Plurocracy

Eu não tenho saco para a discussão heterodoxia versus ortodoxia. Tanta coisa bacana para fazer e aprender que não dá para perder tempo com isso. Talvez por isso, eu gostei do termo "mainstream plurodoxy" que esbarrei no artigo do Colander (via Shikida):
By plurodoxy, I mean a mainstream that has no orthodoxy, neoclassical or other. It is a mainstream composed of many different competing beliefs and research programs...
Today, the problem facing all heterodox groups, Austrians included, is that much of what they were fighting against no longer exists, if it ever did exist. Any orthodoxy that may have existed back in the 1970s has been replaced by a mainstream plurocracy.
Pensando bem, o conceito é uma continuação do clássico texto "The Death of Neoclassical Economics", em que o Colander argumenta que o termo Neoclássico perdeu o sentido.

Meu único post sobre aquecimento global

Eu não entendo bulhufas sobre aquecimento global, mas tenho um único pitaco.* Lá vai: a discussão se o fenômeno é causado pelo homem é irrelevante para a decisão sobre o que fazer (ou não fazer). Pouco importa se foi a Terra que aprontou isso com a gente, ou o contrário. Afinal, os danos das mudanças climáticas são indiferentes à origem do fenômeno, ora bolas. Os custos da adaptação também não perguntam quem é o culpado. Enfim, não há nada de sagrado na temperatura do planeta. (Imagine se a Terra entrasse em uma trajetória de esfriamento. Nesse caso, aqueles que hoje defendem a redução das emissões de gases relacionados ao efeito estufa, deveriam defender um aumento das emissões de CO2, não?) *Os dois caras que eu conheço que mais entendem de aquecimento global são o meu ex-aluno Martin Brauch e o neo-amigo Gustavo Luedeman.

Location, Location, Location

Mesmo que o seu negócio seja a bolsa de valores:
If traders are located 100 miles away from an exchange, they face a delay of one millisecond whenever they seek to trade a price via their computer screen. Few serious investors can afford to be that late to prices that flash so quickly. The blink of a human eye takes 300 milliseconds; many traders now operate in the smaller realm of microseconds.
Mr Greifeld said there might have to be measures to ensure speeds within the co-location facilities were the same. “We might have to give everybody the same length cable, believe it or not,” he said.

(via marginal revolution)
A propósito, as mais rápidas bolsas do mundo usam linux.

G. R Elton The practice of History

Trazendo os livros para Brasília acabei relendo essa obra-prima. O livro é sobre teoria da História e o ofício de pesquisador. Geoffrey Elton escreve tão bem que é quase poesia (com a vantagem que dá para entender o que o autor diz). Vejam a abertura do livro:
"The future is dark, the present burdensome; only the past, dead and finished, bears contemplation. Those who look upon it have survived it: they are its product and its victors. No wonder, therefore, that men concern themselves with history. "

Nobel para Ostrom e Williamson

Mais do que merecido! O Williamson durante muito tempo foi o autor mais citado entre os cientistas sociais e Governing the Commons da Elinor Ostrom é um baita livro.
Um tantinho de deslumbre: muitas luas atrás, no evento do Ronald Coase Institute no RJ, eu jantei por acaso na mesma mesa em que a senhora Ostrom estava. Ela tem jeitão de antropóloga e foi muito simpática. (Acho que conversamos sobre capital social, mas não me lembro direito do papo. Shikida, você também estava no jantar ou teve que sair?).

Filosofia do Direito e a Teoria do Superstar

As aulas do Michael Sandel sobre em Harvard são muito bacanas mesmo. São um programa de tv melhor do que qualquer outro show (exceto um ou outro).
Eu me lembrei, contudo, da teoria econômica do superstar (Rosen, 1981). O que será dos professores não-estrelas quando as aulas dos MichaelSandel´s de outras áreas estiver disponível on-line? O ganho de bem-estar para os alunos é óbvio: eles terão aulas com os melhores professores do mundo. Mas o que acontecerá com os demais professores? Enfim, acho que fiz bem em largar a vida docente...

O imposto sobre a burrice é bem gasto

Alan Turing e outros gênios decodificaram a Enigma, a máquina de código dos nazistas, em Bletchley Park. O trabalho deles foi fundamental para a vitória aliada.
Agora o dinheiro da Loteria britânica vai financiar a recuperação da casa. Cory Doctorow percebeu a ironia: os ignorantes em estatística financiam a preservação da memória dos gênios do passado.

Uma boa razão para continuar no terreno conhecido da Ciência Econômica

Três crianças disputam uma flauta. A criança A diz: "A flauta deve ser minha porque eu sou o único que sei tocar"; B argumenta:"Eu a mereço porque não tenho nenhum outro brinquedo."; C diz: "A flauta deve ser minha porque eu a fiz".
Caramba, só o Amartya Sen para lidar com dilemas impossíveis como esse. Eu, burro que sou, fico com a Economia e evito as questões mais profundas.

"Japoneses preguiçosos e alemães ladrões", Chang mandou bem desta vez

Eu não compro a teoria (da conspiração) do Ha Joon Chang sobre a história econômica. (veja uma síntese e crítica aqui). Mas agora ele acertou (Ou ao menos disse algo em que eu acredito: cultura não importa. Em algum lugar deste blog tem um post sobre o assunto com ótimos comentários do prof Sanson).
Dica do Brad Delong.

De volta do Brasil Meridional

A visita ao RS foi muito bacana. Tive o prazer de rever queridos colegas e ex-alunos.
Na UFPel, foi também um prazer conhecer os seis sobreviventes da primeira turma do mestrado em Economia do PPGOM (os demais já foram abatidos pelas provas). Uma turma motivada, inteligente, dedicada e promissora. Ah, eles têm um blog!
Voltei animado e com edições antigas do livro clássico Roberto Simonsen e um de ensaios do Eugênio Gudin (Valeu, Marcelo). Fiquei só uma noite em POA, na casa da sempre generosa família Porto, e peço desculpas aos demais amigos que não tive tempo de contactar. Fica para uma próxima.

Cliometrica

Número novo da revista francesa. Ainda não li (para variar), mas os artigos parecem muito bacanas (e.g. "Fallacious convergence? Williamson’s real wage comparisons under scrutiny")
Atualização:
Nos comentários, o Renato avisou:
"Oi Leonardo,

Só um aviso: o autor do artigo citado, Svante Prado, ficará vários meses na FEA como pesquisador visitante, a partir de novembro. Ótimo pesquisador.

Abs

Renato "

Apresentação na ENABER e matrizes de transição

Além das tradicionais atividades socio-acadêmicas na ENABER e na ABPHE, conheci alguns leitores do blog. Não, não foi muita gente, mas divertido de qualquer forma. Abraços para vocês!
Segue a apresentação da última sexta.
Monasterio Aber 2009View more presentations from lmonasterio.
A propósito, vejam que bacana a idéia do Andrew Gelman e cia para a representação de matrizes de transição. Bastam 3 linhas no R que tudo fica mais claro.

Café com açúcar

A vida sem café nem açúcar deve ter sido quase tão ruim quanto sem cinema. Bem, Hans-Joachim Voth e Jonathan Hersh calculam que o ganho de bem-estar decorrente da introdução desses dois bens na Europa foi de quase 10%. Segundo os autores, os salários reais antes de 1800 parecem estagnados apenas porque os índices de preço não consideram a introdução dos novos bens. Não sei o que Hobsbawm ou Mokyr diriam sobre a estimativa, mas a técnica utilizada parece ser muito útil, inclusive para estudos contemporâneos. Duas frases jóia que se referem à Inglaterra circa 1700 :
"Half of all spending was on beer and bread, and fully three-quarters of all calories came from these two sources alone."
"The reason why seemingly mundane goods like sugar, coffee and tea made a big difference to living standards is that life was not just “nasty, brutish, and short” at their time of introduction – it was also (in culinary terms) grey, boring, and bland."

Você notaram que eu não coloquei o tag "Humor"?

Via Mankiw

O surgimento dos infográficos

Desenhado por Charles Minard (1869), a espessura da linhas representa o tamanho das tropas de Napoleão na campanha da Rússia de (1812-1813). Mórbido, mas é um belo gráfico.

Aviso à Praça

Para os que amigos que me escreveram (e para os que não escreveram): os "Comunicados da Presidência" são responsabilidade da assessoria do presidente do IPEA. Eles não circulam, nem são apresentados aos técnicos do Instituto. Sabemos dos temas e conteúdos dos "comunicados" ao mesmo tempo que o público em geral.

O melhor abstract do ano

Prêmio Eço -"Viva a Gripe A"

Essa eu nem preciso comentar:
"Gripe A ajuda a segurar inflação brasileira", diz analista
Medo de contrair o vírus fez com que os brasileiros reduzissem a demanda por passagens aéreas, fazendo o preço cair

InfoMoney
07 agosto 2009

SÃO PAULO - O aumento dos casos de gripe A (H1N1) no Brasil contribuiu para o resultado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de julho (0,24%), que veio abaixo do registrado no mês anterior (0,36%). A afirmação é do analista da Rosenberg Consultores Associados, Francis Kinder.
"Com o agravamento da doença, a preocupação dos brasileiros em contrair o vírus aumentou e as pessoas ampliaram os cuidados para se prevenir do contágio. Entre eles, evitar viagens para países ou estados que apresentem casos da doença. Assim, a demanda por vôos (nacionais e internacionais) diminuiu, causando uma redução nos preços. Vale lembrar que julho normalmente é um mês muito aquecido para o setor aéreo, em razão do período de férias", explica."
Legal, c…

Adeus ao Ubuntu

Depois de quase dois anos como feliz usuário do Linux Ubuntu, sou obrigado a voltar ao mundo do windows. O motivo? No IPEA, todos os micros rodam windows e não podemos instalar o ubunutu, nem o open office. Também não podemos conectar os próprios micros na rede.
(Para amenizar o drama, ao menos os desktop são ótimos lenovo que foram downgraded para vista)

Jogos

Lá na pré-Cambriano, por volta de 1993, uma das primeiras versões do SimCity paralisou as dissertações dos mestrandos de Economia da UFRGS por um mês. Imaginem o que teria acontecido se uma maravilha dessas tivesse sido instalada na salinha dos computadores?

"Modeling social heterogeneity, neighborhoods and local influences on urban real estate prices:

...spatial dynamic analyses in the Belo Horizonte metropolitan area". Esse é o título do livro e da tese que o Bernardo Furtado acabou de defender em Utrecht. Ele também entrou no último concurso do IPEA e estamos na mesma diretoria. Ele botou para quebrar: aplicou econometria espacial com regressão quantílica (isso aí, tudo junto!!!), autômatos celulares e tudo mais. Muito bacana mesmo. O livro está disponível para download gratuito aqui (8,6 MB).

Meu livro de férias: Salsa Dancing into the Social Sciences

Influenciado pela recomendação do Tyler Cowen, eu comprei por impulso Salsa Dancing into the Social Sciences: Research in an Age of Info-glut na Amazon. Vi que o livro não tinha nenhuma tabela, gráfico,ou equação e, ainda por cima, a autora citava Foucault com alguma freqüência. Que desgosto. Mas eu o levei na mochila mesmo assim. Gostei muito. Muito mesmo.
O livro é um guia para pesquisadores em Ciências Sociais e é muito bem escrito e humorado. O argumento central da Kristin Luker: as pesquisa quantitativa tradicional (“canonical social science”) analisa as relações entre variáveis e sua distribuição. O problema é que, muitas vezes, não se sabe quais são as variáveis relevantes. A solução estaria nas pesquisas qualitativas rigorosas, sérias e que contribuam com a teoria sociológica.
O bacana é que a autora não cai na briga juvenil entre pesquisa qualitativa versus quantitativa. Duas amostras do bom humor da autora:
Qual a diferença entre Sociologia e Jornalismo? A Sociologia é mais …

Enquanto isso em Utrecht...

Está rolando o World Economic History Congress. O Fábio Pesavento manda o seguinte relato entusiasmado:
"Escrevo este post da sala onde dentro instantes Gregory Clark (UCLA) vai apresentar seu paper (biologia e história econômica)[Nota do Leo: Ih... vai apanhar como cão danado]. Mas este post é sobre um assunto paralelo: Thomas Kang e Ricardo Paixão. Se existe cliometria no Brasil ela está muito bem representada aqui em Utrecht. Primeiro pelos trabalhos apresentados pelos dois, segundo pela desenvoltura apresentada no congresso em diversas questões (desde o tradicional bate-papo no coffe-break, até uma pergunta muito bacana numa sala lotada de lendas como Angus Maddison, EU APERTEI A MÃO DELE ehehe). O inglês, neste caso, é fundamental. Mas isto é inútil se não termos idéia do debate e da teoria básica. Novamente a desenvoltura dos dois chama atenção de gente como Jeffrey Williamson. Parece que a cliometria brasileira terá continuidade (se é que existiu) e seus mais novos represen…

Quando você reclamar da espera no aeroporto, lembre-se que....

Em 1850:
- O custo de atravessar os EUA era de uns US$200 (uns US$ 5000 aos preços de hoje), o equivalente a metade da renda anual de um trabalhador sem qualificação e demorava de 4 a 6 meses. (Por outro lado, o bilhete da Suécia para os EUA só custava entre 17 e 25$ (uns US$500 de hoje)e demorava menos de 2 meses.)
Fonte: Clay, Karen e Jones, Randall Jones. Migration to Riches from the California Gold Rush. The Journal of Economic History, v.68, n.4, Dec 2008, p. 997-1027

De volta

Consegui ficar 14 dias off-line! Desde 1996 (ou 1997?) é o período mais longo que fico sem olhar os meus e-mails. Não apresentei crises de abstinência e foi um período bem tranqüilo. Eu só notei que tenho que declarar falência na leitura dos blogs, ou seja, não lerei qualquer post escrito na minha ausência. Só assim colocarei a vida, i.e. os e-mails, em dia.

"Mulher de um homem só" por Alex Castro

Alex Castro, o gente boa que poderia ter sido economista se não tivesse seguido a trilha da literatura (e da libertinagem!), lança livro novo. Com base nos livros anteriores, eu recomendo "Mulher de um homem só" fortemente.
Vejam os detalhes:
Mulher de um Homem SóDe Alex CastroRomanceEditora Os Vira LataPreço:.:. Pré-venda – até 1º de agosto“Pague o quanto quiser”, com valor mínimo de R$ 18,00 + taxas (frete de R$ 4,40 + taxa administrativa de R$ 2,00).:. No lançamentoR$ 25,00.:. Após o lançamentoR$ 28,00 + taxas (frete de R$ 4,40 + taxa administrativa de R$ 2,00)Para comprar: www.tinyurl.com/MulherComprarLinks:Fotos do autor e capa do livro: www.tinyurl.com/MulherImagensResenhas e repercussão: www.tinyurl.com/MulherResenhasPara comprar: www.tinyurl.com/MulherComprarBlog Liberal, Libertário, Libertino: www.interney.net/blogs/lll (Viram que ele faz discriminação de preço?)

xkcd é duca!

(No linux, com o mouse sobre a imagem surge o texto: "Hey what are the odds -- five Ayn Rand fans in a single train! Must be going to a convention." Brilhante)

Melhor em português (muito off-topic!)

Uma lista dos filmes em que o título em português é melhor do que o original: Assim caminha a humanidadeGiantFestim diabólicoThe rope Um corpo que caiVertigo Em cada coração um pecadoKings row Pacto de sangueDouble indemnity O clamor do sexoSplendor in the grass Crepúsculo dos deusesSunset Boulevard Farrapo humanoThe lost weekend Cupido não tem bandeiraOne, two, three. Esqueci de algum? (Em uma outra lista off-topic, tratarei de outra preocupação minha: "As melhores músicas pop com reco-reco")
UPDATE:
Vejam nos comentários as ótimas sugestões dos leitores!

Arcview no Ubuntu

Uma boa notícia: o Arcview 3.2 para Windows XP, facilmente encontrado por , roda no Ubuntu com se nada (basta instalar o wine antes). O curioso é que o programa não roda do Windows Vista. É mole?

Como identificar besteiras em trabalhos econométricos

- Síndrome do "Meu último livro de Econometria foi o Kmenta": Desde a última década, não dá mais para ter um paper de séries temporais sem os testes de cointegração.
- Síndrome "Pacientes do Freud". Sabem aqueles sonhos que o Freud interpretou? Pois é, tudo se encaixa. Bem demais. O mesmo acontece em econometria. Os resultados são uma belezura e geralmente não falseiam a hipótese. Não há crítica à qualidade dos dados, referência a problemas que surgiram ou a explicações alternativas;
- Síndrome "Em busca da significância perdida": O pobre do autor começa a fazer toda a sorte de esquemas para conseguir estrelinhas nos seus coeficientes estimados. Procure por dummies esquisitas, ln e ² ³ incluídos sem razão, períodos de análise que mudam, variáveis defasadas que saltam sem qualquer explicação e proxies estranhas.
- Síndrome "Cadê o controle que estava aqui?": a significância da variável de interesse só se mantém quando as de controle são omitidas.
-…

Eu já vi isso antes...

Deterioração dos termos de troca

Conversando com os colegas do curso, voltamos à antiga tese Prebisch-Singer da deterioração dos termos de troca: as commodities exportadas pela periferia tendem a ficar mais baratos em relação aos bens importados dos países industrializados. Prometi, então, fazer um post sobre o tema.
A tese tem andado fora de moda, por motivos óbvios. Mas o que a literatura diz? Antes de tudo, percebeu-se que não é mole testar a hipótese corretamente. Afinal, se um grão de soja é (quase) o mesmo durante o século, como considerar o netbook de US$350 que tenho à minha frente. Uma configuração equivalente custava um fortuna faz alguns anos e não existia nada parecido em 1970. Como ajustar para essas mudanças nas qualidades dos bens manufaturados? Ainda: que ponderações usar? Faz sentido agregar todos os bens primários em um só índice? E a qualidade dos dados? Vejamos dois textos recentes:
Jeffrey Willianson e Hadass voltam ao período 1870-1940 e fazem um baita texto , usando dados de painel e tudo mais…

Como identificar besteiras em Economia?

Inspirado no detector de baboseira, aí vai a lista de características que me fazem ficar com um pé atrás nos textos de Economia:
- Recomendações de política econômica abundam e há pouca evidência empírica;
- Muitas referêncais aos economistas mortos. Sua otoridade é central no argumento. Além disso, o autor e sua patota se mostram como quem finalmente entendou o Livro Sagrado;
- Poucas referências às evidências e teorias recentes que contradizem o autor. Estas, quando aparecem, são tratadas com desprezo ou sarcasmo. Em geral, quem discorda é burro ou mal intencionado;
- Termos sociológicos entram no texto sem pedir licença e sem definição;
- Linguagem colorida. As taxas "explodem"ou "despencam", as reservas são "corroídas", "derretem" e assim por diante. O tom é panfletário e catastrofista.

(Ainda nesta semana, como identificar papers econométricos... estranhos)

O custo social de Transformers II

Um crítico escreve sobre o filme:
"I mourn the volume of human life being wasted on this thing. If the film makes $100 million this weekend and tickets cost $10 a pop, that’s ten million viewers and a total of twenty-five million hours, not including previews, travel and the time spent earning the wasted money. If the average person lives to be 75, that’s 38 lives."Vamos lá, economistas, nós podemos fazer melhor. Qual é o verdadeiro custo social de Transformers II?
O filme já é considerado o pior da década e que só é perdoável se os roteiristas consumiram mescalina. Outros críticos pensam que Transformers II é tão ruim, vazio e ruidoso que se transformou em arte abstrata. Leia aqui e aqui. (Eu pensava que "Velocidade Máxima" já tinha rompido essa barreira).

As raves medievais

Entre os séculos XIV e XVIII, a surtos de dança apareceram de tempos em tempos na Europa. Descontroladas, as pessoas dançavam por horas e dias até a exaustão. A praga aparecia em uma cidade e se espalhava pelas vilas vizinhas. Mas nos conventos o negócio era bem mais animado. No sul da França em 1627 as freiras:
...often behaved with alarming lewdness: lifting their habits, simulating copulation, and giving their demons names such as Dog’s Dick, Fornication, even Ash-Coloured Pussy.E vejam o que as ôtoridades fizeram para combater o surto de Strasburgo:
the city authorities ensured that the outbreak got out of control by having the dancers gathered together and left to dance in some of the most public spaces in the city .
Imaginem o espetáculo! O autor do artigo publicou este livro sobre o surto de 1518.
Via boingboing.

Temporariamente não disponível

Caros leitores, o curso de ambientação do IPEA tem me ocupado totalmente. Espero que entendam a minha ausência, mas voltarei à blogagem logo, logo. Aí vai uma síntese da minha vida em BSB:
C8H10N4O2
TP
CPE
ACT
DICOD
BID
C8H10N4O2
ENSP
DIRUR
DISET
PPA
SOF
CNCD
SHN
C8H10N4O2
DAS
DIMAC
SGAC
CGOF
CGMTI
C8H10N4O2
CGRU
COSEG
CGP
ASCOM
SCDP
ODM
C8H10N4O2
SAE
SEDH
DIDES
DIRAF
CPE
CGRHU
SQN

Hobsbawm e a cliometria.

Hospedar-se nas casas dos amigos é ler as suas bibliotecas. Jung, o meu paciente e generoso amigo em Brasília, já me repassou o "A Economia de Machado de Assis", umas tantas crônicas do Ferreira Gullar, mas a maior surpresa veio do "Sobre História" do Eric Hobsbawm. No artigo "História e Economia", leio:

"Quem não consegue quantificar, não consegue escrever história". (p. 126)
Não, ele não defende a cliometria, mas apresenta críticas bastante ponderadas. Sua conclusão é:

"... a cliometria pode criticar e modificar a história produzida por outros
meios, mas não pode produzir respostas próprias. " (p.131)
Caramba, isso não é pouco! A Nova História Econômica mostrou entre outras cositas: que a revolução industrial nunca existiu, a escravidão era lucrativa e que as ferrovias não foram tão importantes assim nos EUA.
Eu resisto aos argumentos de autoridade, mas os historiadores marxistas deveriam ouvir o que autor diz (mas nem tudo!) e replicar …

Cozinhar é preciso

IPEA

Conforme previsto, a partir de hoje, estou no IPEA. A agenda do blog continua a mesma. Claro que as opiniôes aqui são minhas (quando eu não copio de outros) e não do IPEA.

Paris

(Foto de Arnaldo Interata em 28 de Abril de 2009)

Revolução Industrial. Por que na Europa e não na China? Por que na Inglaterra?

Duas novas explicações:
-Hans-Joachim Voth (et alii) olha para surgimento do padrão europeu de casamento. (Voth é um ótimo criador de títulos de papers, não?)
-Para Robert Allen, o comércio internacional criou as condições para a Revolução Industrial Britânica: salários altos e energia barata. Note que ele não segue as explicações tradicionais de exploração e busca outros mecanismos mais sutis. (O livro com todo o argumento está aqui. A Economist resenhou o livro).

Links diversos

- Como sempre, Mestre Duílio faz a minha cabeça girar. Recomendo fortemente.
- David Eltis comenta o livro do Laird W. Bergad, The Comparative Histories of Slavery in Brazil, Cuba, and the United States. Ainda não li, mas o livro do Bergad sobre MG é muito bom mesmo (Escravidão e História Econômica: Demografía de Minas Gerais,1720-1888. São Paulo: EDUSC, 2004).
- Cliometrica.
- Encontro Nacional da ANPEC. Prazo 20 de Julho.

Escravos Europeus na África

A Economia da Escravidão me ensinou que o trabalho cativo foi o normal. Na sórdida, brutal e longa história humana, o trabalho livre foi bastante raro. Obviamente, o tráfico de escravos também costumava ser um grande negócio, mas eu nunca imaginaria que coisas como essa aconteceram:
"According to one estimate, 7,000 English people were abducted between 1622-1644, many of them ships' crews and passengers. But the corsairs also landed on unguarded beaches, often at night, to snatch the unwary.
Almost all the inhabitants of the village of Baltimore, in Ireland, were captured in 1631, and there were other raids in Devon and Cornwall."
A estimativa- ao que parece exagerada- é que um milhão de europeus foram escravizados por piratas do Norte da África entre 1530-1780. O livro sobre o assunto está aqui.

PS. O autor do ótimo blog Economic Historypondera que o termo "escravo" não seria correto, porque a maior parte dos envolvidos era devolvida em troca de resgate. Lembrei …

Prêmio Eço - Otimismo contra os fatos