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"Japoneses preguiçosos e alemães ladrões", Chang mandou bem desta vez

Eu não compro a teoria (da conspiração) do Ha Joon Chang sobre a história econômica. (veja uma síntese e crítica aqui). Mas agora ele acertou (Ou ao menos disse algo em que eu acredito: cultura não importa. Em algum lugar deste blog tem um post sobre o assunto com ótimos comentários do prof Sanson).
Dica do Brad Delong.

Comentários

moscaazul disse…
Uma dúvida: como você define "cultura" nesse caso?

Abs,
Cultura nesses casos significa que os individuos teriam preferencias distintas por trabalho, risco, honestidade ou coisas do genero. eu acho que - no longo prazo - eles soh respondem a precos distintos.
Leo, concordo com você.
A tese do Chang (no "Kicking away the ladder") é meio enviesada.
Ocorre que análise dele reforça, talvez de modo colateral, a idéia de que países devem possuir um certo grau de realismo e independência na condução das políticas que formam a política econômica.
Na política fiscal, cambial e monetária, creio que há muito pouco, quase nada, a se inventar que fuja às experiências institucionais dos países desenvolvidos (regime de metas, solidez fiscal, câmbio flutuante etc.)
O Chang sugere que não. Aí é que acho que ele comete outro erro (além daquele que você citou).
Concordo que a análise do cara é um tanto maniqueísta.
Mas talvez ele acerte ao apontar que na formulação das outras políticas (comercial, financeira, social etc.) convém que cada país encontre suas próprias soluções que, em parte, podem ser originais e em parte devem refletir experiências já realizadas.
Só li o livro que citei, não sou especialista no tema e suspeito que você tenha lido outros livros dele.
O que você acha disto?
Abraço.
Marcelo,
As falhas do Chang seriam duas:
1) Considerar que haveria uma conspiracao contra o desenvolvimento da periferia
2) Achar que a ladder funciona sempre. Existem boas evidencias que no sec XIX o protecionismo tenha funcionado (O´rourke e cia). Mas isso nao significa que a magica vai funcionar sempre. Na verdade, a relacao empirica mudou e protecionismo passou a restringir o crescimento.
Enfim, eu acho que ele tem mais uma agenda politica do que a busca do conhecimento desinteressado.
Marcelo disse…
Leo,

Como você deve conhecer mais do que o Chang escreveu do que eu, é bem provável que ele realmente seja daqueles pesquisadores em história com ambições que vão além da academia e da pesquisa, dado o viés de análise que ele adota.
Quanto ao protecionismo, você está certo. Levamos séculos para chegar a um mínimo de consenso sobre as vantagens da liberalização comercial (e também para obtermos instituições que garantam uma racionalidade mínima nesta área - OMC, acordos de integração comercial etc.).
Assim, qualquer flerte com idéias protecionistas (e Chang é fortemente influenciado por List)é realmente um retrocesso.
Realmente, não se chuta a escada (ou o balde, em uma tradução não-literal) por qualquer motivo.
Abraço e obrigado pelos esclarecimentos.

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