As causas da crise de 1929

Mankiw sintetiza a literatura sobre as causas da Grande Depressão. As pesquisas de Eichengreen, Romer, Temim e cia são muito interessantes e sugerem que o tema está longe de estar esgotado. Como Bernanke disse: “Entender a Grande Depressão é o cálice sagrado da macro". Eu acrescento: ",especialmente nestes tempos interessantes.".

Pesquisas de opinião e intervalos de confiança

Uma previsão: nestas eleições, se algum instituto de pesquisa errar, um "analista político" dirá que "é um absurdo que se tenha entrevistado apenas 1000 pessoas em uma cidade de mais de X milhões de eleitores". É batata.
Pobre de mim. Eu passo minha aulas lembrando aos alunos que os intervalos de confiança dependem do tamanho absoluto da amostra e não da sua relação com o total da população. Se você quer o mesmo intervalo de confiança, vai ter que entrevistar o mesmo número de entrevistados na eleição para prefeito em Arroio dos Ratos ou em São Paulo. Em pesquisa cliométrica isso também é uma benção: quer você esteja trabalhando com inventários de uma cidade pequena, quer de uma cidade grande, as tuas amostras aleatórias serão do mesmo tamanho! É contra-intuitivo, eu sei; mas é verdade. O problema é que eu educo quarenta caras por vez, enquanto o sujeito na TV deseduca 4 milhões.

O grande Andrew Gelman escreve sobre o assunto na Scientific American.

A maldição dos recursos naturais e a crise atual

Os últimos anos ratificaram a tese da resource curse: países com recursos naturais facilmente controláveis por um grupo adotam instituições ruins e comprometem o seu crescimento de longo prazo. Dube & Vargas mostraram a relação entre preço de café, petróleo e conflito dentro da Colombia* (dica do Dani Rodrik).
E agora? Com os preços das commodities caindo, o que será que vai acontecer? Não dá mais para gastar em besteira e os incentivos para tomar o poder caíram. Eu temo, contudo, que haja um efeito catraca: os ditadores farão patriotadas só para permanecerem no poder.

* Sugestão de dissertação: examinar a queda na qualidade das prefeituras brasileiras que passaram a receber royalties do petróleo ou de hidrelétricas. Estudo de caso não vale.

Por que Krugman ganhou o Nobel?

Dixit dixit.

First Conference of the Regional Science Association of the Americas: RSAmericas Cartagena 2009

Aqui. O organizador é o Adolfo Meisel Roca que tem um ótimo trabalho em economia regional, cliometria e antropometria.

Krugman

Ele formalizou as intuições da economia regional e foi muito além. Só a Nova Geografia Econômica já valeria o prêmio. Muito merecido mesmo!
(A propósito, durante a mudança joguei fora o ingresso para a palestra. Droga.)

Quanto você ganha?

O site do CPS/FGV estima salários com base na PNAD e nas características individuais.

(Dica do Michel, meu aluno de Econometria)

Always look on to the bright side of life



An inconvenient recession

In fact the only upside of all this is that the massive slow-down in economic growth will rapidly cut the growth rates of CO2 emissions. Pollution is tightly linked to the level of economic activity, so that a few years of negative growth would lead to reductions in pollution levels not seen since the 1970s. It seems ironic that the greed of Wall Street may have inadvertently achieved what millions of well intentioned scientists, activists and politicians have failed to achieve – a slowdown in global warming.

"Today, we are all Brazilians"

Paul Krugman escreveu ontem, no olho do furacão, um paper sobre o Multiplicador das Finanças Internacionais. Não estudei o modelo, mas parece bacana.

O nome da crise?

Uma boa crise merece um bom nome. Para quem não sabe, durante muito tempo "Great Depression" remetia à crise de 1873-1896. A de 1929 foi chamada de "Great Slump" (bela palavra, meio onomatopaica). Não pegou. Acabou que "Great Depression" virou a de 1929 e a de 1873 foi esquecida. Bem, quase.
"Crise da sub-prime"? Na Inglaterra, estavam chamando de "credit crunch". Ao que parece, ambos nomes são limitados.
Eu não tenho sugestões. Afinal, a minha criatividade, que já era naturalmente limitada, foi tolhida por anos de formação em Economia. O que fazer? Bem, sugiro relaxar e ter uma visão histórica lendo o velho Charles Kindleberger com "Manias, Pânicos e Crashes".

PS. No fundo, eu chuto que essa crise é pouco importante e não vai merecer o seu próprio nome. Vai ser só a "Crise de 2008".
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