Economia da Felicidade e o Golpe do Butão

A pesquisa sobre Economia da Felicidade é super bacana. Eu também concordo com as limitações do PIB/capita como medida bem-estar e tudo mais. Por outro lado, o problema desssa literatura é que ela abre as portas para a todo o tipo de picaretagem.
A maior delas é o apoio ao mito do Butão. Em 1972, um reizinho local instituiu o a Felicidade Interna Bruta e todo mundo caiu no conto do Reino da Felicidade. O problema é que o Butão tem um IDH de 0,619, 40% de analfabetos, mortalidade infantil de 45 por mil e o mal hábito de expulsar as minorias.
A propósito, o Moral Maze da BBC está com um debate legal sobre a felicidade como objetivo de política pública. (Corram, porque eles tiram os programas do ar).

Ops! Fiz lambança!

Eu errei uma linha de código no R e pronto! Lá se foi um gráfico errado. No texto "Desigualdade regional recente: uma nota a partir de dados estaduais", o Gráfico 3 deve ser substituído pelo apresentado abaixo:

Envergonhado, peço desculpas aos meus dois milhões de leitores.

A Obesidade das Nações

Via Economist:

Sugestão do pesquisador preguiçoso: refazer os testes de convergência para as médias dos índices de massa corpórea. (Para estaturas já existe uma ampla literatura).

Oito anos de Governo Lula

O Luciano Nakabashi, editor do Boletim Economia & Tecnologia da UFPR, tem feito um ótimo trabalho. Agora ele preparou um número especial que, ao que tudo indica, deve estar muito legal. Segue o press-release:
Caro leitor, seguindo uma sugestão do economista Irineu de Carvalho Filho (FMI), que me ajudou na escolha dos nomes e convite aos autores, resolvi organizar este simpósio sobre a política macroeconômica do governo Lula e suas consequências. Para maiores informações, acesse:


Depois de oito anos de governo Lula, em que presenciamos uma aparente aceleração do crescimento econômico (permanente ou transitória?), a expansão e consolidação de programas que aliviam a pobreza efetivamente, e uma surpreendente ausência de grandes reviravoltas e transformações em nosso quadro de política econômica, o momento é oportuno para convidar à mesa uma coleção diversa de economistas renomados para discutir o período e as perspectivas para o futuro.

Os trabalhos são apresentados em ordem alfabética do nome do primeiro autor do artigo.

No primeiro trabalho, os economistas da FEA-RP/USP Alex Luiz Ferreira, Sergio Naruhiko Sakurai e Rodolfo Oliveira abordam quais variáveis são relevantes na popularidade dos governos Lula e FHC. Eles encontram evidências de que a taxa de desemprego é a principal variável.

O economista Alexandre Schwartsman, do Banco Santander e diretor do Banco Central durante o primeiro mandato de Lula, analisa o desempenho do tripé da política monetária do governo Lula – câmbio flutuante, superávit primário e metas de inflação –, e mostra que ocorreu uma deterioração nessa base da política macroeconômica e que, desse modo, é preciso que se realizem algumas alterações, com especial ênfase aos gastos públicos.

No artigo intitulado “Ganhos sociais, inflexões na política econômica e restrição externa: novidades e continuidades no governo Lula”, os professores e pesquisadores Fernando Augusto Mansor de Mattos (UFF) e Frederico G. Jayme Jr. (Cedeplar/UFMG) discutem as principais diretrizes da política econômica durante o governo Lula, destacando em especial a mudança de orientação ocorrida a partir de 2006.

O pesquisador e professor da FGV-RJ, Fernando de Holanda Barbosa, faz uma avaliação do BACEN no Governo Lula, analisando a execução da política monetária, a formulação e execução da política de reservas internacionais, a execução da política de emprestador de última instância do sistema financeiro, além da regulamentação e supervisão do sistema financeiro.

Fernando Ferrari Filho (UFRGS) indica que os bons resultados apresentados no governo Lula não garantem estabilidade macroeconômica consistente por causa, principalmente, da deterioração do setor externo que deixa a economia mais vulnerável a ataques especulativos.

Os pesquisadores Helder Ferreira de Mendonça (UFF), Délio José Cordeiro Galvão (BACEN) e Renato Falci Villela Loures (UFF) focam no setor financeiro e na necessidade de medidas prudenciais para reduzir a alavancagem do sistema financeiro e reduzir a vulnerabilidade a crises.

Mansueto Almeida, economista e pesquisador do IPEA, foca sua análise na política fiscal e política industrial. O autor argumenta que, apesar da maior expansão dos gastos sociais, o padrão de crescimento do gasto público do governo federal no Brasil é determinado muito mais pela Constituição Federal de 1988 do que pela eleição de um governo de esquerda.

Finalmente, Marcelo Curado (UFPR) faz uma análise do crescimento econômico do governo Lula e até que ponto este se transformou em um processo de desenvolvimento econômico, com especial ênfase na estabilidade de preços, distribuição da renda, redução da miséria, conta corrente e pauta de exportações.

Na firme convicção de que esse volume especial do boletim Economia & Tecnologia será uma leitura agradável e útil a todos os interessados nos problemas da política econômica brasileira nos últimos anos, subscrevo atenciosamente,

Prof. Dr. Luciano Nakabashi
Coordenador Geral do Boletim Economia & Tecnologia

Quem mandou não estudar a teoria das vantagens comparativas

Sério, eu até entendo ímpetos protecionistas da mídia quando a economia vai mal. Fica mais difícil compreender quando, mesmo com o desemprego em baixa, vem a chiadeira. Vejam a manchete da Folha:
Estátuas do Cristo e de Nossa Senhora são feitas na China

Queriam o quê? Que fossem feitas aonde? Na Galiléia? Daqui a pouco vão lançar o Pro-souvenir para proteger a estratégica indústria nacional de fitinhas do senhor do bom fim e canetas de Itu.
Já o Globo comemora a criação de selos do Inmetro que "protegerão o produtos nacionais da competição chinesa". Eles escrevem que com isso,
"... o governo não apenas garante mais segurança os consumidores, como também filtra importações de má qualidade que vêm competindo com a produção nacional a preços muitas vezes abaixo do valor de mercado"
Ora bolas! É justamente essa a idéia!!!

O Manifesto da Econometria Política

O Shikida (quem mais teria isso guardado?) prontamente me enviou o clássico manifesto já em pdf. Ele me parece bem mais amplo do que a cópia - ainda datilografada - que os meus cansados neurônios lembram de ter visto em meados da década de 90. Divirtam-se:
O manifesto da Econometria Política
Atualização: o Alex avisou que já havia postado o manifesto no mão visível. Eu não disse que ele faz um trabalho melhor e que os meus neurônios estão cansados?

Prêmio Eço de ignorança econômica... (eu não resisto)

Eu tinha suspendido o prêmio Eço. (O mão visível faz um trabalho bem melhor que o meu em detonar detonar asneiras econômicas). Contudo, um leitor anônimo me enviou um post do blog do José Paulo Kupfer. Não resisti:
"(...)Prever o futuro próximo, em economia, é uma atividade rotineira, que ganhou grande impulso com os programas de computador capazes de manipular em segundos milhares – ou mesmo milhões – de informações. Acertar é que são outros quinhentos porque não é a quantidade de dados que determina a qualidade da projeção, mas as articulações teóricas das variáveis definidas nos sistemas de equações.
No fim das contas, o índice de acerto depende mais da sensibilidade do profeta em captar as tendências históricas e os comportamentos sociais. O que está diretamente ligado ao grau de preconceito e ideologia embutidos nos modelos de previsão."

Isso lembra até um trecho do Manifesto pela Econometria Política, documento debochado que pedia que as variáveis explicativas ficassem no lado esquerdo das equações, entre outras coisas. (A propósito, alguém tem uma cópia scanneada?)

Coisas que você não sabe sobre o Egito

Um post do Irineu com informações bem surpreendentes.

A queda do número de homicídios no RJ

Atualização: ao que parece, existe algo de podre nos números. Peço desculpas por não ter divulgado dados possivelmente equivocados.

30 por 100.000 ainda é uma vergonha. De qualquer forma, as coisas melhoraram no Rio (e em SP também). Alguém conhece algum trabalho para o RJ que tente decompor as causas da queda?

(Fonte)

National Historical Geographic Information System (NHGIS)

Para o paper sobre o índice de centralidade, buscamos dados de outra cidade no mundo. Googlando, esbarrei no nhgis. Eles oferecem - de grátis (como dizem os sulistas) - os censos dos EUA desde 1790 até 2000 e os shapefiles também!!! E tudo isso em uma interface para dummies.
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