Cultura e Desenvolvimento

Mais uma ótima resenha de Farewell to Alms:
One of my favourite history books is a collection of contemporary letters and reports written during the first half of the nineteenth century about industrial work in German lands. Observers decried how unreliable, slovenly, and undisciplined workers were. Germans had no hope of ever becoming developed!

por Wolfgang Kasper. Leia a íntegra aqui.

3 comentários:

Anônimo disse...

Bem oportuna essa citação. Verifiquei que a fonte dela, conforme a resenha, foi traduzida para o português há vários anos:

PLUM, Werner. Relatos de operários sobre os primordios do mundo moderno do trabalho. Bonn: Friedrich-Ebert-Stiftung, 1979.

Pelo menos aqui na UFSC, está disponível; 3 exemplares.

Temos um longo debate sobre a industrialização catarinense e sobre a cultura industrial dos imigrantes germânicos como base do sucesso. Chamamos de visão schumpeteriana. Essa idéia foi também estendida para todo o Sul, pelo menos pelo geógrafo alemão Gerd Kohlhepp. É uma hipótese que talvez exija uma melhor investigação, pois eu já havia ouvido essa versão de que cidadãos alemães indisciplinados, pelo menos antes da era de Bismarck. Agora tenho uma boa referência bibliográfica.

Sanson

Leonardo Monasterio disse...

Grande professor Sanson!
Obrigado por ter buscado a referencia!
No "Rise and Decline" do Olson tb tem um relato falando da preguica dos trabalhadores japoneses no comeco do sec XX (eu acho).

Eu fico pensando que, com as Areas Minimas Comparaveis (1872-??) e informacoes historiacs sobre as colonias da Regiao sul daria para fazer um trabalho quantitativo sobre o tema.
Abracos,
Leo

Anônimo disse...

Dei uma lida rápida no livro do Werner Plum, Relatos dos Operários, e vi que o foco é na formação dos movimentos operários na Alemanha ao longo do século XIX, na linha dos annales. Ele resume diários de trabalhadores e líderes sindicais a partir de uma visão marxista. Mais próximo do espírito da citação, encontrei apenas quatro passagens.
Primeira, à p.21, um trabalhador de construção de uma ferrovia na década de 1860 reclama de colegas que recolhiam terra cavada pelos colegas. Isso dava origem a brigas, pois “os culposos, além de ladrões, eram ainda sem-vergonhas também.” À p.26, do mesmo diário, o autor conta como desafiou seu chefe antes de perder o emprego. Essas memórias são qualificadas de ingênuas por não mostrarem consciência social.
Às p.45-46, nas memórias de um historiador que havia trabalhado quando jovem em ourivesaria, há um relato da ineficiência no funcionamento na oficina do tio dele. O próprio Werner Plum introduz esse trecho dizendo que essas memórias dão um “... testemunho da baixa qualidade das obras artesanais em princípios do século XIX, do sintomático desperdício de tempo e de material, e, não por último da incapacidade de aplicar as técnicas aprendidas a situações e tarefas imprevistas ...” Provavelmente, esse é o trecho que inspirou a citação do blog. Mas tenho dúvidas se isso é generalizável.
Por fim, às p.48-49, há um momento que para mim soou meio irônico, mas que o autor introduziu como exemplo de alienação cultural:
“Para [duas parentes do mestre do memorialista] os franceses eram pessoas de boas maneiras, educadas, que sabiam comportar-se, inteligentes, despretenciosas, compreensivas, cultas, bem ao contrário dos alemães, estes, torpes, burros, ridículos, desajeitados e ignorantes. ...”
Em seguida, há uma crítica à lingua alemã na mesma linha. Esse trecho é parte de um capítulo em que Plum mostra como essa alienação cultural era comum no terceiro mundo à época de seu livro. Não fica claro se o trecho do memorialista se refere ao período posterior a 1806, quando a Prússia já estava ocupada pelas tropas napoleônicas, embora o memorialista dê a entender que esses franceses seriam de um grupo de “peritos estrangeiros da ajuda para o desenvolvimento.”
O que ouvi sobre os alemães foi numa série da TV alemã, provavelmente sobre Frederico, o Grande. O rei (imperador, príncipe ...) reclamava para um assessor inglês que o povo alemão era indisciplinado e que seria uma péssima matéria-prima para um grande império. Parece-me que as coisas mudaram mesmo foi com a unificação e com um sistema escolar baseado em disciplina férrea, junto com reformas institucionais pró-mercado.
Sanson

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