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Abaixo o rodízio! Viva o pedágio!

Desde Frank Knight já sabemos do problema. Um carro a mais em uma via congestionada gera um custo adicional para todos os outros motoristas.
Agora, em Brasília, frente ao aumento do congestionamento e da falta de vagas, discutem a instituição do rodízio de placas. É uma solução muito ruim. Pode ser que, justamente no dia da minha placa, eu precise estar mais cedo no trabalho e não terei como naquele dia, trocar de placa, ou pegar o carro do vizinho emprestado.
Ninguém me perguntou, mas aí vai a minha* solução para o trânsito de Brasília:
  • - Estacionamento pago em todos os setores centrais e Esplanada;
  • - Pedágio urbano na zona central nos horários de congestionamento.
Ah, você deve estar pensando: "isso é injusto porque o pobre ou classe média baixa que mora nas cidades-satélite também será cobrado". Nenhum galho. Basta fazer com que os recursos arrecadados sirvam para subsidiar o transporte público dos que moram depois , sei lá, de Águas Claras. (Uma das defesas do rodízio sustenta que ele seria mais justo. Será? "Otoridades", os que tem dois carros e os tomadores de taxi escapariam igualmente da restrição.)
Por fim, tenho certeza que quando a classe média começar a pegar ônibus/metrô com regularidade, os efeitos que o Hirschman nos ensinou vão surgir e a qualidade do transporte público melhorará.
* Por "minha" enteda-se "aquela que a teoria ecoômica me ensinou".

Comentários

Anônimo disse…
E por que não, em vez da placa sinalizar o direito à circulação, dar um voucher para cada motorista, conferindo-lhe esse direito, mas criando um mercado secundário eficiente (poucos custos de transação) para o mesmo? Não é mais ou menos isso que nos ensinou Coase?!
Abs
Daniel
Anônimo disse…
Se os guardas de trânsito passassem a multar diariamente os carros estacionados de forma irregular já faria uma grande diferença, pois as pessoas pensariam duas vezes antes de tirar o carro de casa e correr o risco de não achar lugar para estacionar de forma regular.
Pois eh, Daniel, mas o rolo eh que teriamos carinhas que nao usariam o carro de qq forma, vendendo os seus passes. Ou os passes seriam vendidos?
Eh, Anonimo, multar com mais frequencia seria uma boa.
rapazes:
sou mais a favor dos "vouchers". cada cidadão (maior de 18 anos) de Brasília receberia um (compatível com a capacidade de vagas e ar poluível) e o levaria ao mercado. racionar (cachaça, educação) por preço numa sociedade desigual como a brasileira sempre estará exibindo um viés contra os pobres.
DdAB
Em SP, o transporte publico eh surpreendentemente bom (sim, senhor!) e os taxis sao relativamente baratos, mas ainda assim sao estigmatizados por muitos da classe media.
Duilio,
O voucher valeria por um mes inteiro de direito de pedagio?

Irineu,
O sistema de transporte em sp (tal como no Rj) funciona na zona central . Jah as ligacoes para abc, zona leste, e guarulhos sao bem ruizinhas . Experiencia propria.
é, seguindo a ideia dos vouchers e sua superioridade sobre racionamento, e -principalmente- aceitando que seria possível mexer na realidade, o prazo (mensal, semestral, semanal) teria que ser definido, a fim de evitar custos de transação "leilão" proibitivos. ao mesmo tempo, os direitos às "cotas de propriedade dos espaços automotivos urbanos)" seriam alugados e não vendidos.
DdAB

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