27/02/2011

Congresso da Associação Portuguessa de Desenvolvimento Regional

O tema é Gestão de Bens Comuns e Desenvolvimento Sustentável. O prazo para envio de resumos termina nesta segunda-feira, 28 de Fevereiro! (Agradeço ao Eustáquio Reis pelo envio do link).

25/02/2011

Diversos

Eu errei

Eu escrevi aqui que a recessão de 2008 ia ser tão mixuruca que nem chegaria a merecer um nome. Mas quando o grande historiador econômico Nick Crafts se junta aos que a chamam de Grande Recessão, parece que o nome veio para ficar. (Bem, basta saber se a alcunha sobreviver no longo prazo. Afinal, até a década de 30, a "Grande Depressão" se referia à crise de 1873-1896. E A Grande Depressão também já foi chamada de Great Slump) De qualquer forma, sugiro a leitura do texto do Crafts que conclui:
"Two cheers for economists

It can be argued that from the autumn of 2008, economics and economic history had a good crisis. Some of the lessons of the 1930s had been well learned, especially by the Federal Reserve led by Ben Bernanke, a scholar who has made seminal contributions to research on the period. Aggressive policy responses prevented a collapse of the banking system and injected fiscal and monetary stimulus, which limited the downturn. Similar actions in 1930/1 would have averted the economic catastrophe that followed for the US, but then the economic analysis available to policymakers was not up to the task.

Two cheers for economists are in order. They were complacent before the financial crisis, but they did know enough to limit its impact so that the outcome was the Great Recession and not a Great Depression."

24/02/2011

Ótimo mapa da China na Economist

Aqui.

The conference handbook - George Stigler

O texto do Stigler é um clássico e circulava bastante no Brasil nos anos 1980, como parte do livro "O Intelectual e o Mercado". A idéia central é que existem apenas uns 32 comentários que podem ser feitos em conferências de economia: "Adam Smith já disse isso", "Existe um problema de identificação" e assim por diante.
Apesar de ter 3 décadas, o texto envelheceu pouco. Eu acrescentaria:
  • "- Cadê os testes de cointegração?" (Isso foi mais nos anos 90)
  • "- Não há um problema de heterogeneidade espacial?!". "Por que você não usou econometria espacial?" "Queen? Por que você não testou matrizes de contiguidade?"
  • "- Tenho dúvidas sobre a validade do teu instrumento"
Sugestões? (Quando tiver saco, vou fazer uma lista de comentários que os econ ouvem quando existem socs, pols e geog na platéia).

22/02/2011

Pergunta infame do dia

Por que o Coronel Kadafi é "coronel"? Se eu fosse ele, escolheria o título de "general", "comandante", "khan", "economista-chefe" ....

Diversos

21/02/2011

O fim do horário de verão

Eu sempre me lembro da reflexão indignada do mestre Duílio: uma hora nos é roubada no começo do horário de verão e é devolvida, meses depois, sem juros. Sem juros.

18/02/2011

Diversos

Hoje links foram mandados ou estão relacionados com o C Shikida:
- Foi ele! Foi o Laurini quem comprou o livro com o texto do Nogueról, Shikida e este que vos blogga. Paulo Coelho, trema! ;
- Belos mapas feitos como o R;
- Tyler Cowen no Brasil!

16/02/2011

Entrevista com o Glaeser

Aqui. Um bom trecho:
"The great urbanist Jane Jacobs was correct about so much in cities, but she got housing prices wrong. She noted that old housing was cheaper than new housing, and so she thought that restricting new development could keep prices down. That’s not how supply and demand works. Abundant supply is the only way to reduce prices in really high-demand areas."
Atualização (via Via Mankiw):

15/02/2011

Um cluster de cyber-criminosos na Romênia

O lado ruim das externalidades marshallilanas:
“To the extent that some expertise is required, friends and family members of the original entrepreneurs are more likely to have access to those resources than would-be criminals in an isolated location,” says Michael Macy, a Cornell University sociologist who studies social networks. “There may also be local political resources that provide a degree of protection.”
Online thievery as a ticket to the good life spread from the early pioneers to scores of young men, infecting Râmnicu Vâlcea’s social fabric. The con artists were the ones with the nice cars and fancy clothes—the local kids made good. And just as in Silicon Valley, the clustering of operations in one place made it that much easier for more to get started. “There’s a high concentration of people offering the kinds of services you need to build a criminal scheme,” says Gary Dickson, an FBI agent who worked in Bucharest from 2005 to 2010. “If your specialty is auction frauds, you can find a money pick-up guy. If you’re a money pick-up guy, you can find a buyer for your services.”

Journal of Economic Geography: edição de 10o. aniversário

O número comemorativo do Journal é um daqueles para ler na íntegra.

14/02/2011

"A Reforma Tributária e a Mudança nos Instrumentos da Política de Desenvolviment Regional no Brasil"

O texto do Márcio de Oliveira Júnior discute a PNDR à luz da Nova Geografia Econômica e é super bacana. Recomendo para os interessados no assunto. (Hoje ele apresentará o artigo no seminário interno da DIRUR-IPEA, em Brasília).

Políticas públicas: fracassos também são bem-vindos

O texto que fiz nas noites insones saiu no Valor Econômico na semana passada. (O Mansueto Almeida comentou uma versão anterior. Infelizmente, como sempre, os erros são apenas meus).
Políticas públicas: fracassos também são bem-vindos

11/02/2011

Concurso para professor assistente da UFPel

Aqui vai o edital do concurso e as inscrições estão abertas até o dia 17 de Fevereiro. Mestres e doutorandos são encorajados a concorrer (os pontos do concurso já dizem o perfil do candidato desejado). Na boa, se eu fosse um doutorando não esperaria obter o título para concorrer. Afinal, cedo ou tarde, o festival de vagas abertas nas federais vai acabar (mais cedo do que tarde) e é uma boa já se garantir. (Curiosidade: o concurso é para vaga um dia foi minha.)

Outra coisa: uma vez defendendo o doutorado (ou já tendo o título), o aprovado já passa a professor adjunto com o salário correspondente.

Pre-industrial Inequality por Milanovic, Lindert e Williamson

Eu sempre cito esse ótimo texto. O artigo sairá no Economic Journal em 2011:
Is inequality largely the result of the Industrial Revolution? Or, were pre-industrial incomes as unequal as they are today? This article infers inequality across individuals within each of the 28 pre-industrial societies, for which data were available, using what are known as social tables. It applies two new concepts: the inequality possibility frontier and the inequality extraction ratio. They compare the observed income inequality to the maximum feasible inequality that, at a given level of income, might have been ‘extracted’ by those in power. The results give new insights into the connection between inequality and economic development in the very long run.

10/02/2011

09/02/2011

A Las Vegas do Sertão

Eu apoio! (Eu queria mesmo era uma charter city, mas a liberação do jogo em um território delimitado é um pequeno passo na direção certa.)

Economia da Felicidade e o Golpe do Butão

A pesquisa sobre Economia da Felicidade é super bacana. Eu também concordo com as limitações do PIB/capita como medida bem-estar e tudo mais. Por outro lado, o problema desssa literatura é que ela abre as portas para a todo o tipo de picaretagem.
A maior delas é o apoio ao mito do Butão. Em 1972, um reizinho local instituiu o a Felicidade Interna Bruta e todo mundo caiu no conto do Reino da Felicidade. O problema é que o Butão tem um IDH de 0,619, 40% de analfabetos, mortalidade infantil de 45 por mil e o mal hábito de expulsar as minorias.
A propósito, o Moral Maze da BBC está com um debate legal sobre a felicidade como objetivo de política pública. (Corram, porque eles tiram os programas do ar).

08/02/2011

Ops! Fiz lambança!

Eu errei uma linha de código no R e pronto! Lá se foi um gráfico errado. No texto "Desigualdade regional recente: uma nota a partir de dados estaduais", o Gráfico 3 deve ser substituído pelo apresentado abaixo:

Envergonhado, peço desculpas aos meus dois milhões de leitores.

07/02/2011

A Obesidade das Nações

Via Economist:

Sugestão do pesquisador preguiçoso: refazer os testes de convergência para as médias dos índices de massa corpórea. (Para estaturas já existe uma ampla literatura).

Oito anos de Governo Lula

O Luciano Nakabashi, editor do Boletim Economia & Tecnologia da UFPR, tem feito um ótimo trabalho. Agora ele preparou um número especial que, ao que tudo indica, deve estar muito legal. Segue o press-release:
Caro leitor, seguindo uma sugestão do economista Irineu de Carvalho Filho (FMI), que me ajudou na escolha dos nomes e convite aos autores, resolvi organizar este simpósio sobre a política macroeconômica do governo Lula e suas consequências. Para maiores informações, acesse:


Depois de oito anos de governo Lula, em que presenciamos uma aparente aceleração do crescimento econômico (permanente ou transitória?), a expansão e consolidação de programas que aliviam a pobreza efetivamente, e uma surpreendente ausência de grandes reviravoltas e transformações em nosso quadro de política econômica, o momento é oportuno para convidar à mesa uma coleção diversa de economistas renomados para discutir o período e as perspectivas para o futuro.

Os trabalhos são apresentados em ordem alfabética do nome do primeiro autor do artigo.

No primeiro trabalho, os economistas da FEA-RP/USP Alex Luiz Ferreira, Sergio Naruhiko Sakurai e Rodolfo Oliveira abordam quais variáveis são relevantes na popularidade dos governos Lula e FHC. Eles encontram evidências de que a taxa de desemprego é a principal variável.

O economista Alexandre Schwartsman, do Banco Santander e diretor do Banco Central durante o primeiro mandato de Lula, analisa o desempenho do tripé da política monetária do governo Lula – câmbio flutuante, superávit primário e metas de inflação –, e mostra que ocorreu uma deterioração nessa base da política macroeconômica e que, desse modo, é preciso que se realizem algumas alterações, com especial ênfase aos gastos públicos.

No artigo intitulado “Ganhos sociais, inflexões na política econômica e restrição externa: novidades e continuidades no governo Lula”, os professores e pesquisadores Fernando Augusto Mansor de Mattos (UFF) e Frederico G. Jayme Jr. (Cedeplar/UFMG) discutem as principais diretrizes da política econômica durante o governo Lula, destacando em especial a mudança de orientação ocorrida a partir de 2006.

O pesquisador e professor da FGV-RJ, Fernando de Holanda Barbosa, faz uma avaliação do BACEN no Governo Lula, analisando a execução da política monetária, a formulação e execução da política de reservas internacionais, a execução da política de emprestador de última instância do sistema financeiro, além da regulamentação e supervisão do sistema financeiro.

Fernando Ferrari Filho (UFRGS) indica que os bons resultados apresentados no governo Lula não garantem estabilidade macroeconômica consistente por causa, principalmente, da deterioração do setor externo que deixa a economia mais vulnerável a ataques especulativos.

Os pesquisadores Helder Ferreira de Mendonça (UFF), Délio José Cordeiro Galvão (BACEN) e Renato Falci Villela Loures (UFF) focam no setor financeiro e na necessidade de medidas prudenciais para reduzir a alavancagem do sistema financeiro e reduzir a vulnerabilidade a crises.

Mansueto Almeida, economista e pesquisador do IPEA, foca sua análise na política fiscal e política industrial. O autor argumenta que, apesar da maior expansão dos gastos sociais, o padrão de crescimento do gasto público do governo federal no Brasil é determinado muito mais pela Constituição Federal de 1988 do que pela eleição de um governo de esquerda.

Finalmente, Marcelo Curado (UFPR) faz uma análise do crescimento econômico do governo Lula e até que ponto este se transformou em um processo de desenvolvimento econômico, com especial ênfase na estabilidade de preços, distribuição da renda, redução da miséria, conta corrente e pauta de exportações.

Na firme convicção de que esse volume especial do boletim Economia & Tecnologia será uma leitura agradável e útil a todos os interessados nos problemas da política econômica brasileira nos últimos anos, subscrevo atenciosamente,

Prof. Dr. Luciano Nakabashi
Coordenador Geral do Boletim Economia & Tecnologia

04/02/2011

Quem mandou não estudar a teoria das vantagens comparativas

Sério, eu até entendo ímpetos protecionistas da mídia quando a economia vai mal. Fica mais difícil compreender quando, mesmo com o desemprego em baixa, vem a chiadeira. Vejam a manchete da Folha:
Estátuas do Cristo e de Nossa Senhora são feitas na China

Queriam o quê? Que fossem feitas aonde? Na Galiléia? Daqui a pouco vão lançar o Pro-souvenir para proteger a estratégica indústria nacional de fitinhas do senhor do bom fim e canetas de Itu.
Já o Globo comemora a criação de selos do Inmetro que "protegerão o produtos nacionais da competição chinesa". Eles escrevem que com isso,
"... o governo não apenas garante mais segurança os consumidores, como também filtra importações de má qualidade que vêm competindo com a produção nacional a preços muitas vezes abaixo do valor de mercado"
Ora bolas! É justamente essa a idéia!!!

03/02/2011

O Manifesto da Econometria Política

O Shikida (quem mais teria isso guardado?) prontamente me enviou o clássico manifesto já em pdf. Ele me parece bem mais amplo do que a cópia - ainda datilografada - que os meus cansados neurônios lembram de ter visto em meados da década de 90. Divirtam-se:
O manifesto da Econometria Política
Atualização: o Alex avisou que já havia postado o manifesto no mão visível. Eu não disse que ele faz um trabalho melhor e que os meus neurônios estão cansados?

Prêmio Eço de ignorança econômica... (eu não resisto)

Eu tinha suspendido o prêmio Eço. (O mão visível faz um trabalho bem melhor que o meu em detonar detonar asneiras econômicas). Contudo, um leitor anônimo me enviou um post do blog do José Paulo Kupfer. Não resisti:
"(...)Prever o futuro próximo, em economia, é uma atividade rotineira, que ganhou grande impulso com os programas de computador capazes de manipular em segundos milhares – ou mesmo milhões – de informações. Acertar é que são outros quinhentos porque não é a quantidade de dados que determina a qualidade da projeção, mas as articulações teóricas das variáveis definidas nos sistemas de equações.
No fim das contas, o índice de acerto depende mais da sensibilidade do profeta em captar as tendências históricas e os comportamentos sociais. O que está diretamente ligado ao grau de preconceito e ideologia embutidos nos modelos de previsão."

Isso lembra até um trecho do Manifesto pela Econometria Política, documento debochado que pedia que as variáveis explicativas ficassem no lado esquerdo das equações, entre outras coisas. (A propósito, alguém tem uma cópia scanneada?)

01/02/2011

National Historical Geographic Information System (NHGIS)

Para o paper sobre o índice de centralidade, buscamos dados de outra cidade no mundo. Googlando, esbarrei no nhgis. Eles oferecem - de grátis (como dizem os sulistas) - os censos dos EUA desde 1790 até 2000 e os shapefiles também!!! E tudo isso em uma interface para dummies.