"Localistas" e "Globalistas" nas políticas públicas

O texto do Gaspari relata o programa Primeira Chance que dá bolsas e apoia alunos brilhantes oriundos de escola públicas no Ceará. É um bom exemplo para ilustrar uma fonte de polêmicas nas políticas públicas.
Chamarei-os de "Localistas" e "Globalistas". "Localistas" apoiam quaisquer políticas que gerem ganhos marginais de bem-estar, mesmo as que não conduzam a um ótimo global.  Ou seja, eles se satisfazem com políticas que aproximem a sociedade de um ótimo local. Já os "Globalistas" são mais exigentes. Eles só defendem políticas que movam na direção do ótimo global e morrem de medo de ficarem presos em ótimos locais. No caso em questão, os Localistas pensam: "Deu para salvar alguns alunos. Não é a solução geral, mas é melhor do que perdê-los.". Os Globalistas dizem: "As bolsas são um erro porque não combatem o verdadeiro problema: a baixa qualidade das escolas públicas".
O debate entre "Localistas" e "Globalistas" surge em todo o canto. Sempre que você ouvir: "De que adianta mitigar X , se Y é a causa?" trata-se de um Globalista. Um Localista diz: "Ao menos resolveremos X. Y é para depois." Arrisco dizer que esta diferença de posturas é a responsável pelo maior gasto de saliva e papel entre debatedores de políticas públicas.

3 comentários:

Claudio disse...

Eis meus dois cents: existe um ponto ótimo para esta cesta? Isto é, dada uma política, até que ponto vale a pena ser globalista e até que ponto vale a pena ser localista acerca da mesma? (supondo uma função de utilidade bem comportada).

Ou melhor, que sociedade cresce mais? Aquela em que há mais globalistas ou localistas, no comando das políticas públicas?

Claro, talvez o ponto seja microeconômico (análise de cada política individualmente).

Bom post!

Leonardo Monasterio disse...

Valeu!
É... no fundo deve ser uma questão de grau. Uma parte da polêmica depende dos benefícios esperados de ser localista e do seu custo de oportunidade (esperado tb) de não lutar pelo o globalismo. Mas outra parte vem dos pesos que cada lado dá. Tem gente que é globalista empedernido. Sei lá: suponha que eu arrumo um jeito de pescar atum reduzindo em 10% a morte de golfinhos. Vai ter cara que vai ser contra dizendo que "atuns não devem ser pescados".
Agora a questão "qual sociedade cresce mais", no tengo ni idea.
Abraços,

Henrique disse...

Ótima taxonomia! Parabéns.
Quanto ao ponto ótimo que o Claudio levantou, duas questões fundamentais dificultam a resposta: a preferência de quem faz esse tipo de trabalho e que a efetividade de cada uma é "conhecida" ex-ante.
abraço!

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