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Mostrando postagens de Setembro, 2014

Quase 10 mandamentos para jornalistas econômicos

1- Não compararás estoque com fluxo;
2-Diferenciarás: milhão de bilhão; bilhão de trilhão;
3- Não compararás faturamento das empresas com PIB de países;
4- Levarás em conta o poder paridade de compra das moedas;
5- Deflacionarás os valores;
6- Não escreverás "maior da história" a cada resultado contábil, sem antes calcular em termos per capita, ou como % do PIB;
7- Saberás que o número de empregos da economia não é fixo. Migrantes não tiram empregos;
8- Não escreverás: "Apesar da queda da inflação, a cesta básica encareceu". Um fato não contradiz o outro;
9- Não lamentarás um aumento de importações;
10 - [Em aberto. Sugestões?]

"Reinventing State Capitalism: Leviathan in Business, Brazil and Beyond" por Musacchio & Lazzarini

O livro deveria ser leitura obrigatória para quem abrisse a boca sobre o papel das estatais (e do próprio estado) no Brasil. O livro anterior do Lazzarini eu já comentei nos bits desse blog e os textos do Musacchio eu conhecia.
Minhas expectativas estavam altas. Mesmo assim, o livro me surpreendeu positivamente. A ênfase é mesmo no caso brasileiro e os autores conseguiram costurar muito o resultado de suas pesquisas empíricas recentes com uma discussão ampla sobre o papel da intervenção estatal nos diversos ambientes institucionais.
Eu não sei como andam as vendas do livro, mas temo que ele terá um impacto limitado justamente pelos seus méritos. São dois os motivos:
O livro não apresenta respostas fáceis, bordões, nem apresenta uma lei geral. Suas visões são ponderadas, cheias de nuances e não se enquadram em nenhuma ideologia de boteco.O leitor imputado é o acostumado a ler uma tabela de regressão. Em seus livros de divulgação, Moretti e Glaeser esconderam a econometria na bibliografi…

Só autopromoção descarada

Textos meus que saíram recentemente:

MACEDO, G e MONASTERIO, L.M. Multiplicador Local do Emprego: Mesorregiões Brasileiras (2000 - 2010). TD IPEA n.1994, 2014. CAETANO, M. C e MONASTERIO, LM. Previdência Social e Desigualdade Regional no Brasil: Uma Abordagem Multiescalar. TD IPEA n.1992, 2014.MONASTERIO, L. M. . Stature and Immigration in Southern Brazil (1889-1914). America Latina en la Historía Económica, v. 21, p. 115-133, 2014 MONASTERIO, L. M. .Fronteira de Disparidade Regional. Análise Econômica (UFRGS), v. 32, p. 85-99, 2014. (Epa! Esse aqui eu já tinha postado )

E se a educação não for a solução?

Em 1940, a Argentina tinha 12% de analfabetos, enquanto o Brasil ,50%. Em 1970, apenas 7% dos hermanos eram analfabetos; um número que ainda não alcançamos. (Fonte)
No fim dos anos 80, eu ouvi de um professor meu (eu acho que foi o Barros de Castro) : "E se depois da inflação acabar descobrirmos que o problema do Brasil não é esse? E se descobrirmos que nem temos o caos inflacionário como desculpa?"
A realidade mostrou que a estabilidade foi condição necessária, mas não suficiente para o país tomar jeito. Hoje existem dois entraves consensuais ao crescimento: 1) infra-estrutura; 2) educação. A infra-estrutura é um gargalo óbvio e eu não tenho nada a acrescentar. A minha dúvida é sobre a educação.
Meu medo: fazemos um choque de educação, aumentamos o número e a qualidade do ensino e aí... nada acontece. Depois de 20 anos descobriremos que nossas instituições são uma porcaria e impedem o desenvolvimento econômico. Perceberemos que o acúmulo de coalizões distributivas* nos tor…

3 Textos Novos sobre Desigualdade Regional no Longo Prazo (2 sobre Brasil e 1 para o mundo)

O artigo excelente mesmo- um clássico imediato e resultado de anos de trabalho- é o do Eustáquio Reis "Spatial income inequality in Brazil, 1872–2000". Ele usa os dados das Áreas Mínimas Comparáveis para examinar os determinantes da  desigualdade regional brasileira. O resultado é que custos de transporte e geografia, mais do que instituições, foram os fatores-chave.Agriculture, transportation and the timing of urbanization: Global analysis at the grid cell level. Impressionante: fizeram um grid de umas 63 mil células do mundo inteiro para examinar os determinantes geográficos da urbanização;Last and least, meu humilde texto "Fronteira de Desigualdade Regional: Brasil (1872-2008)" saiu na Revista Análise Econômica.