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Ancestry in Brazil: a surname based method

Aí vai o que andei fazendo nos últimos meses. Apresentei ontem no seminário organizado pelo William Summerhill.
Tudo ainda é super preliminar e os resultados certamente mudarão ao longo do tempo. Comentários e  sugestões são - como sempre - mais do que bem-vindos.

Comentários

fábio pesavento disse…
o mapa e os resultados direto para a minha aula de feb!!
MLM disse…
Leonardo, muito interessante o trabalho.
No entanto, existem alguns grupos de migrantes que parecem que foram ignorados (vide slide com a tabela "predicted ancestry"), como sírios e libaneses (forte presença em São Paulo), lituanos, russos, ucranianos e poloneses (os dois últimos presentes no Paraná). Muitos dos sobrenomes dos migrantes da Europa oriental são bem característicos (por exemplo final "auskas" e "icius" para lituanos, "enko" para ucranianos, "ev", "ov" e "vitch" para russos), de forma que algumas regras simples podem rastreá-los na massa dos "não-identificados". [Heurística similar pode ser usada para sobrenomes britânicos, franceses e escandinavos.]
A colônia sírio-libanesa mantém várias instituições em São Paulo - clubes (como o "Sírio", "Monte Líbano" e "Homs"), hospitais ("Sírio-Libanês"), etc. - , logo poderia ser uma fonte de sobrenomes.
Há também a colônia judaica, organizada e com muito material, embora muitos de seus sobrenomes se confundam com outras origens.

Espero que estas sugestões sejam úteis e incorporadas ao trabalho.

Em relação às razões para a diferença de remuneração entre sobrenomes, parece-me que a explicação é simples: municípios com maior imigração têm uma renda mas alta. É interessante observar a divisão no Rio Grande do Sul, entre o norte do estado (com forte presença de migrantes) e o sul (com baixa proporção).
Caro MLM,
Obrigado pelos comentários.
1- Sobre os "lituanos, russos, ucranianos e poloneses": estão na categoria EAS (Eastern Europeans). Sírios e libaneses talvez eu insira depois;
2- Sobrenomes judaicos são impossíveis de serem separados dos demais;
3- Sobre as remuneração, a questão é mais complicada. Afinal, pq essas cidades têm renda mais alta? (tem exceções tb: a colônia pomerana de são lourenço, p.ex). De qq forma, depois eu vou rodar com controles municipais.
Grato,
MLM disse…
Leo,

grato pela resposta.
No entanto, falta explicação das legendas. Pude deduzir que IBR é ibérico, ITA, italiano, JPN, japonês, GER, alemão - mas interpretei erroneamente o EAS como Eastern Asia (dois grupos que faltam: chineses e coreanos).

Outra observação: no último slide consta "afro-brazilian". Eu não sei o que é um afro-brasileiro e tampouco como chegou àquele número. Inclui descendentes de egípcios,do Magreb e de afrikaners? Ou se refere exclusivamente a negros?
Tinha um colega de trabalho africano, nascido na Tunísia. Seus filhos, por suposto, são afro-brasileiros: pai africano, nascidos no Brasil, louros de olhos azuis.
Obrigado. Espero que os pontos fiquem mais claros no paper.
Adianto só que "afro-brazilian" é o jeito de traduzir a cor/raça "preta" do IBGE para os gringos.abs
Emerson disse…
Muito interessante.

Só um comentário de menor importância: no slide 6, achei que a frase "Traditionally married woman substitute the mother’s surname for the husband’s" ficou um pouco confusa. Pode dar a entender que o nome do marido entra no meio do nome completo (e não no fim). E acho que a preposição correta ali seria "with", não "for". Em inglês, se não me engano, "substitute A for B" é colocar A no lugar de B (e não substituir A por B).
Caro Emerson,
muito obrigado. Vc está certo e vou corrigir. Eu sempre me confundo nessa historia do "a for b".
Abraços,
Anônimo disse…
silva e costa são nomes recebidos por escravos desembarcados e designavam a origem geográfica da pessoa, se próximo à costa (nagôs) ou se eram da silva (i.e. selva, do interior) minas e benguelas. A informação era importante para o adquirente pois não se pretendia juntar cativos oriundos de nações rivais, ou mesmo juntar muitos falantes de um mesmo idioma.

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