30/10/2010

Pluviosidade e Democracia

O Stephen Haber, que sabe tudo sobre o Brasil, escreveu com Victor Menaldo "'Rainfall and Democracy" em que afirmam que níveis moderados de chuva determinaram o surgimento e persistência das democracias.
Eu gosto desse tipo de paper, mas fico pensando se, na verdade, o que os estudos fazem é escolher a melhor variável que pega o efeito " Europa". Algo análogo com o que aconteceu na literatura da década de 90 de crescimento econômico. No fim das contas, era atribuída causalidade à variável que melhor pegasse o efeito "África Subsahariana".

29/10/2010

"Tópicos Em Econometria Espacial Para Dados Cross-Section"

Alexandre Ywata e Pedro Albuquerque, os dois super estatísticos que criaram o IpeaGeo, acabaram de publicar um Texto para Discussão com uma bela síntese do tema.

27/10/2010

A estranha cartinha do Theotônio dos Santos

Está rolando por aí uma carta que dizem ser do Theotônio dos Santos. Ele teria afirmado:
" A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. "
Depois de um exaustivo esforço meu de 5 minutos , eu cheguei a seguinte tabela (via Gapminder). Em vermelho estão os anos em que a inflação anual foi maior do que 10%. E pensar que esse senhor já publicou na American Economic Review... Lastimável. Resta a esperança de que a carta seja apócrifa.
Tínhamos que imitar o Tim Harford. Durante as últimas eleições britânicas, o pessoal do More or Less tinha um espaço diário na BBC Radio 4 só para detonar as estatísticas furadas usadas nas campanhas.

Atualização: a carta é verdadeira.

26/10/2010

Diversos

- Marolinha? O Irineu esclarece;
- Mario? Que Mario? O Vargas Llosa;
- Em um post correlato a um anterior meu, Cristiano Costa mostra a onda de crescimento dos países pobres;
- O blog do Duílio, sempre genial;
- Alex Castro sintetiza a literatura sobre eleições no Brasil durante o Império.

24/10/2010

Loteria das Commodities, versão sec. XXI

O conceito de loteria das commodities é bem conhecido para quem estuda a história da América Latina. A idéia é que os destinos dos países dependeram muito das características do produto natural exportado: elasticidade-renda e preço, possibilidade de encadeamentos e competição mundial...Exportar bananas ou borracha é bem diferente de café ou carne.
Bem, agora o argumento da sorte volta com o grande "New Economic Geographer" Gordon Hanson (via MR) em Why isn't Mexico Rich? O azar do México teria sido que ele se especializou em bens similares aos da China. Ele escreve:
China’s size, high rate of growth, and increasing outward orientation mean that its emergence is surely changing international prices, improving the terms of trade for countries that produce its importables and deteriorating the terms of trade for countries that produce its exportables. Mexico fits squarely in the latter camp, whereas Argentina, Brazil, Chile, Colombia, and Peru fit in the former.

20/10/2010

XKCD brilhante como sempre

Fonte.
O Luis Fernando Verissimo já sugeriu a "voodoopuntura". Ninguém precisaria ir ao acupunturista. Ele colocaria as agulhas em um boneco de voodoo seu e pronto! Além disso, eu acrescento que a voodoopuntura poderia ser outsourced para o Haiti e China. Todos ganhariam!

19/10/2010

Crescimento econônomico recente no Brasil e no Mundo

Cansado do blá-blá-blá eleitoral, resolvi olhar os dados do crescimento recente do PIB brasileiro e do mundial. Vejam só (em taxas a.a.):

FHC Lula (até 2008)
Brasil 2.4% 3.8%
Mundo 3.5% 4.6%
Enfim, o Brasil cresceu menos que o mundo durante os dois períodos (como era de se esperar, diga-se de passagem). É curioso como- nos anos que nos são próximos - todos discutem o papel dos políticos em cada décimo percentual de variação do crescimento do PIB. Parece que tudo é o resultado de suas escolhas livres e estas são exógenas. Já no longo prazo, toda a lenga lenga é esquecida e os determinantes profundos do crescimento tomam o primeiro plano. Como eu gostaria de viver no longo prazo....
(Obs: O Maddison morreu e ainda não atualizaram os dados para 2009).

17/10/2010

Dilma e Serra são iguais?

Bem, em política econômica, o mercado acha que sim. Em 2002, a mera ameaça de vitória do Lula gerou uma tremenda instabilidade. (Jorge Hargrave, meu colega de IPEA, tem um paper econométrico bem legal- não publicado, eu acho - sobre o tema). Agora, logo depois do inesperado segundo turno, o Ibovespa até teve uma leve queda, mas parece estar meio indiferente ao que rola na política.

15/10/2010

Política regional na Europa

Um texto sobre uma questão que me interessa faz tempo: qual a justificativa para as políticas regionais? O artigo é interessante, mas o autor nem cita a tradição da área de economia regional.

14/10/2010

Re-recomendação de blog

O blog do Mansueto Almeida, meu colega de IPEA, está cada vez melhor e mais necessário no Brasil de hoje. O post sobre a matéria da Piauí "O Desenvolvimentista"(com direito ao link para o texto da revista), é ótimo.

13/10/2010

Seleção para o Mestrado em Organizações e Mercados - UFPel

Meus amigos do PPOM avisam:

Seleção para o Mestrado em Organizações e Mercados - UFPel

Estão abertas, de 11 de outubro a 26 de novembro de 2010, as inscrições para o processo de seleção ao Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados - Mestrado Strictu Sensu - da UFPel (PPGOM/UFPel).
As inscrições podem ser feitas das 15h às 20h na Secretaria do Departamento de Economia - DECON, localizado no Colégio Gonzaga (2º andar), praça José Bonifácio, 166, Centro - Pelotas - RS.
Para envio dos documentos por Correio use o seguinte endereço:
  • Departamento de Ciências Sociais Agrárias, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas, Caixa Postal, 354, CEP: 96010-900, Pelotas-RS.

Por que sou contra o trem-bala brasileiro?

Eu sou fã de trens. É o único meio de transporte em que você é tratado como adulto: você mesmo descobre a plataforma certa, carrega a sua bagagem, cuida da sua segurança, comida e diversão. Nada de balinhas, sorrisos forçados e instruções de segurança inúteis.
Mesmo assim, nunca simpatizei com o Trem-bala brasileiro. Não só a viabilidade financeira do parecia questionável, como o custo de oportunidade é colossal. Caramba, não haveria um projeto melhor para enterrar 30 bilhões de reais? Mas ainda faltava ler um estudo sério e bem feito. Meus problemas acabaram: o trabalho Trem de Alta Velocidade: caso típico de problema de gestão de investimentos de Marcos Mendes faz uma ótima análise do projeto.

12/10/2010

¡Adiós Amigos!

Tentando reduzir o meu tempo na frente do computador, eu matei a minha conta no Facebook. Agora, tenho que esperar pelo filme.

O maior best-seller do mundo

Imagine se alguém consegue contratar o super Mario Vargas Llosa como escritor exclusivo da história dos 33 mineiros chilenos?!?! Até o Tiririca vai ler o livro. (Melhor ainda: contrate o Garcia Marquez para escrever uma versão alternativa. Afinal, ele tem experiência e já escreveu um ótimo livro sobre um naufrágio. E, claro, seria bacana ver os dois competindo e usando o livro para resolver antigas brigas)

PS. Alguém sugeriu fantasiar quem está na superfície da mina com máscaras do Planeta dos Macacos. Seria o maior trote da história, mas talvez um pouco de mau gosto.

PS2. Outra idéia de negócio: Big Brother Bizzaro. Pegar os 33 caras novamente e coloca-los em uma outra mina. O ganhador é aquele votado para sair primeiro. Alguém aí tem o telefone da Endemol?

10/10/2010

Os sorveteiros e a eleição

Aí vai a minha interpretação papo-de-boteco da eleição. Minha única ferramenta: o modelo de Hotelling (1929). Suponha que os consumidores estão distribuídos ao longo de uma praia e existem dois sorveteiros, cada um em um dos extremos. Aquele que está à esquerda anda um pouco para a direita porque assim ganha consumidores nessa direção e não perde nenhum dos eleitores, digo consumidores, à esquerda. O mesmo acontece com o que iniciou na ponta direita. A situação final são os dois sorveteiros-candidatos localizados bem no meio da praia. (O legal do modelo de Hotelling é que esse resultado só existe para 2 jogadores. Para três, não existe equilíbrio).

1 Turno:

- No começo, Dilma e Serra começam no meio da praia e a Marina tentou ocupar o mesmo lugar se mostrando bem parecida com os demais. Vendo que não subia nas pesquisas, ela passou para uma estratégia de mostrar que era a alternativa e totalmente distinta dos demais. (Olha o Hotelling aí!) Cresce nas pesquisas, mas não o suficiente.

2 Turno:
- Dilma e Serra são idênticos no discurso. Agora é só um processo de ajuste fino. Eles já fizeram de tudo e mudaram suas opiniões para satisfazer o eleitor mediano. O jeito é acusar o outro de incoerência com o seu passado, de ter duas ou mil caras e por aí. (Pedir coerência aos políticos é como pedir castidade a uma prostituta. É totalmente incompatível com a profissão). O que aconteceu foi apenas que os candidatos mudaram seu discurso para alcançar o eleitor mediano.

Garçom, uma outra cerveja, por favor.

PS: Encontrei um link aberto para o texto original do Hotelling.

09/10/2010

Tropa de Elite e Mancur Olson

O filme é meio mais ou menos. O capitão Nascimento fala demais, os clichês abundam e o roteiro tem tantas inconsistências quanto certas análises econômicas.
Em certo momento, o deputado defensor dos direitos humanos diz: "Que proteção é essa que as milícias vendem???? É proteção contra suas próprias ameaças". Ni-na-ni-na-não. O Olson me ensinou que as máfias-estado vendem proteção contra outros bandidos. A história é a seguinte: ao invés de pilharem violentemente as populações, os bandidos se estabelecem, definem seu território e passam a tributar a população em troca de segurança contra outras ameaças. Nesses momento, o líder dos bandidos passa a ser chamado de rei, faraó, comandante, presidente, essas coisas...
PS. Esqueci de dizer que os novos bordões do filme são muito bons.

06/10/2010

"Living Standards in Latin American History: Height, Welfare, and Development, 1750-2000"

Ótima notícia! Demorou uns 4 anos e uns 8.473.427 e-mails do Shikida me cobrando a publicação, mas finalmente saiu...
O livro faz parte da David Rockefeller Center Series on Latin American Studies e é distribuído pela Harvard University Press e já está venda na Amazon. Um dos artigos do livro é Growth and Inequalities of Height in Brazil, 1939-1981, o texto do antropométrico do Nogueról, do Shikida e meu (uma versão preliminar, em Português, está disponível aqui).
Assim que meu exemplar chegar, eu comento os outros artigos.

Mapas históricos da África e muito mais...

Aqui. Super bacana.
(Valeu, Lucas Mation).

05/10/2010

Concurso para Prof. Adjunto na UFPel

O edital está aberto até o dia 18 de outubro. O concurso é honesto e os colegas de departamento são bem legais. (Se as regras não mudaram, a não é necessário apresentar o título de Doutor na inscrição. Só em uma eventual posse, o canudo é necessário)