Tropa de Elite e Mancur Olson

O filme é meio mais ou menos. O capitão Nascimento fala demais, os clichês abundam e o roteiro tem tantas inconsistências quanto certas análises econômicas.
Em certo momento, o deputado defensor dos direitos humanos diz: "Que proteção é essa que as milícias vendem???? É proteção contra suas próprias ameaças". Ni-na-ni-na-não. O Olson me ensinou que as máfias-estado vendem proteção contra outros bandidos. A história é a seguinte: ao invés de pilharem violentemente as populações, os bandidos se estabelecem, definem seu território e passam a tributar a população em troca de segurança contra outras ameaças. Nesses momento, o líder dos bandidos passa a ser chamado de rei, faraó, comandante, presidente, essas coisas...
PS. Esqueci de dizer que os novos bordões do filme são muito bons.

7 comentários:

Angelo M. Fasolo disse...

Sacanagem, Leonardo: colocar link para o blog do outro cara, quando eu achava que ia ler uma resenha que concordava com vc sobre os abusos de clichê do Capitão Nascimento...

Abraços!

Leonardo Monasterio disse...

he he he.. peguei mais um!!!

Marcelo de Oliveira Passos disse...

Ótima crítica.
Não se trata de maquiavelismo grupal de almanaque (criar dificuldades para vender facilidades). Isto seria, a longo prazo, economica e politicamente insustentável.
É exatamente o que você colocou: Olson corrobora a análise de que para grupos autoritários, é imperioso criar um inimigo externo (que, em última análise, será alvo da transferência da culpa pelos eventuais excessos cometidos por estes grupos).
Chávez, Ahmadinejad, Hitler, Fidel e Kim Il Sulg e o Vasco de Eurico Miranda (perdoe minha veia rubro-negra, rs.).
Abs.

Marcelo.

Anônimo disse...

Na-na-ni-na-não para vocês. Tentar colocar todos e quaisquer casos de máfias sob a égide da teoria puramente dedutivista do Olson é para lá de enganador. O filme mostra corretamente como é o mesmo grupo que vende proteção e que agride os moradores. É exatamente o que acontece. Usa-se uma dupla legitimação, a de expulsar os traficantes e, para aqueles que não aceitam comprar a proteção, o porrete do próprio grupo. Seu raciocínio é falacioso. Aliás, expulsar os traficantes é uma condição primordial para vender a proteção contra eles mesmos, senão eles teriam que enfrentar os traficantes e ainda impor as cobranças.

Eita ansiedade liberalóide de mostrar falaciosamente que o estado tem origem em algo parecido com milícias.

Anônimo disse...

Meu companheiro de anonimato:

1) Ninguém sugeriu que todas as máfias se comportam assim.
2) sua própria análise corrobora a tese do inimigo externo (os traficantes, no caso por você mencionado).
3) ninguém sugeriu que o Estado tem origem em máfias-estado. Apenas seu raciocínio sugeriu isto.
4) quanto à "ansiedade liberalóide". Como você deve ser versadíssimo em psicologia social para afirmar isto, concluo, dedutivamente, que você deve saber alguma coisinha de psicologia individual. Como você classificaria o ato de desqualificar os argumentos de outras pessoas com ofensas destes tipo: "leve compulsão autoritária" ou apenas "incapacidade crônica de ouvir opiniões contrárias"?

Anônimo disse...

OK, OK, me desculpe por ser tão contundente.

1. No entanto, a idéia defendida é de que todas as máfias-estado agem assim. Uma simples análise da frase "as mafias estado", não "algumas máfias estado". Ou então o post foi mal escrito.

2. Eu disse que eliminar os traficantes é condição inicial. A legitimação é dupla, não com base apenas na ameaça dos traficantes. O post sugere que é necessária a ameaça (real ou fictícia). Eu digo que se a ameaça de outro grupo (real ou fictícia) não é o bastante, o porrete do próprio grupo come solto.

3. Pô, se ninguém sugeriu isso, é preciso que vocês dêem uma lida na McCloskey, porque está havendo uma de duas coisas: (1) Ou vocês estão escrevendo coisas desconexas num mesmo post (2) Ou afirmar que "não foi isso que eu disse" é pura estratégia retórica.

Leonardo Monasterio disse...

Anonimos, foi soh um post em um blog desconhecido... Ora bolas, nao tem motivo para brigas sobre o que eu escrevi ou deixei de escrever.
Agora, name dropping e xingar os outros é feio, boboca e fedorento..

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