Hipóteses testáveis sobre primeiros nomes no Brasil

  1. Uma classe copia - com alguma defasagem - os nomes da classe superior. Se for assim, hoje, os mesmos nomes de - sei lá - médicos com 50 anos devem ser observados nas ocupações imediatamente inferiores aos 25 anos;
  2. Esse ciclo de nomes serão mais intensos nas classes intermediárias. Muito pobres ou muito ricos nem tem razão para emularem as outras classes. Os muito ricos mesmo não estão nem aí (porque não precisam) e nem os miseráveis (tem mais coisas com o que se preocupar. Ver ponto #3);
  3. A queda da mortalidade infantil levou à queda na frequência de nomes religiosos. O risco de morte do bebê é menor, as mães não precisam orar ou fazer promessas  e, portanto, a gama de nomes se amplia. Se isso for verdade, os lugares com quedas mais intensas da mortalidade infantil observarão maiores reduções na frequência de nomes religiosos.
Alguma outra hipótese ? 

12 comentários:

Tiago Ferraz disse...

Eu chutaria haver alguma correlacao com personagens de novelas de sucesso.

Anônimo disse...

- Hipótese: estados replicam classes sociais. Estados pobres foram os últimos a abrir mão dos nomes José e Francisco, etc.

Incitatus disse...

Não sei se é testável, Léo, mas fica aí uma:

- Uma classe pode usar nomes simples como João, Pedro ou Joaquim, porque não há chances de haver outro João Rifschneider Torelli, especialmente um homônimo com problemas (nome sujo, indiciado etc)
- Outra classe prefere batizar com nomes como Carolaine ou Rycharlysson, porque João dos Santos Silva devem existir uns vinte só naquela comunidade.

Rafael Pereira disse...

Acho boa a hipotese do Anonimo (acima). A hipotese do Tiago tambem eh boa e ja foi testada no Brasil. http://urbandemographics.blogspot.co.uk/2013/05/media-exposure-and-reproductive-behavior.html

Ateh agora suas se focam mais na classe media, mas nao sei se a sua justificativa cola. Existe tambem uma grande variancia de nomes entre mais pobres (maior ou menor do q na classe alta?). Um estudo mais ambicioso tambem deveria dar conta dos nomes dos mais pobres. Caso contratio a AER nao vai aceitar seu artigo :p

E qual a hipotese para explicar a adocao de nomes extrangeiros ? (ex. Washington, Wellington, etc) E nomes menos convencionais e variacoes (ex. https://youtu.be/NZb0XKHgtjo)

Anônimo disse...

Já pensou em correlação espacial?

Breno Albuquerque disse...

Minha hipótese é que duas tendências têm influenciado bastante a mudança de perfil dos nomes. Primeiro, a queda da influência do catolicismo na vida das pessoas, expressa na perda de participação entre as religiões na população. Segundo, acesso a uma gama maior de fontes de informações, expressa, por exemplo, como aumento do taxa de alfabetização, acesso à televisão, rádio, internet, livros, revistas, etc.

No primeiro caso,explicaria a queda na participação de nomes bíblicos mais fundamentais (Maria e José), seguidos por nomes bíblicos menos tradicionais (Lucas, por exemplo). A redução do fervor, juntamente com as hipóteses da redução da mortalidade infantil e da externalidade negativa por congestionamento, ajudaria a explicar esses comportamentos.

No segundo caso, um maior acesso à televisão e à cultura americana, por exemplo, podem estar por trás do surgimento de nomes como Michael e Jéssica. Chuto que o nome Michael (e suas variantes) começou a ganhar espaço após as primeiras aparições dos clipes de Michael Jackson no Fantástico.

Seria simples explorar essas hipóteses com um painel de municípios, olhando a participação de católicos, números de igrejas e acesso à televisão, por exemplo.

Leonardo Monasterio disse...

Agradeço a todos pelos comentários!!!
vamos á.

Tiago,
Valeu! Ver o comentário do Rafael e réplica.

Anônimo,
Mas isso pode ser só o efeito da renda. Estados não copiam uns aos outros.

Incitatus,
Se for verdade, então nas cidades maiores deveríamos encontrar mais gente com nome inventado (dente os com sobrenomes comuns). Isso é testável.

Rafael,
Não sabia que já tinham testado! Só que o efeito pareceu meio grande demais. É que os nomes da globo não são exógenos. Eles já devem pegar os nomes "chiques" das áreas modernas, não?. Eu ficaria mais convencido se eles comparassem o efeito das novelas na mesma área antes e depois da novela.
Sobre os nomes dos muito pobres. Dá sempre para pegar os dados do CadUnico e juntar tudo. Quem sabe em outra encarnação.

Anonimo,
Sim. Deve ter contágio (em que nível?), o problema é separar os efeitos.

Breno,

Eu só não topo a explicação da "americanização". Brasil hoje- se duvidar - é menos americanizado do que antes. (A parada de sucessos é toda em portugues, não? Nos anos 70 ou 80 os discos internacionais das novelas eram o maior sucesso. (o grande Fábio Júnior começou cantando em ingles e com pseudônimo).




Anônimo disse...

Entrei nos comentários só pra mencionar que os nomes de novelas são definidores. E isso não só já foi escrito como tb foi a primeira coisa a ser escrita!

Thales disse...

Assunto relacionado ao post. O Efeito Clinton:
https://www.washingtonpost.com/news/wonk/wp/2016/02/05/the-clintons-ruined-the-name-hillary-for-new-parents/

Tiago Ferraz disse...

A perda de influência do catolicismo também está muito relacionada à expansão das igrejas evangélicas e urbanização. Não tem este dado no censo? Acho que isto dava pra testar.

Leonardo Monasterio disse...

Thales,

Muito bom. No Brasil, o nome que deve ter despencado é Bráulio. Algum mais?

Tiago,

Sim. Dá para ter algumas luzes olhando os dados de religião (são meio ruins pq todo mundo diz que é católico). Mesmo assim: Lucas é nome de santo católico.


Breno Albuquerque disse...

Leo, eu nem me referia a americanização especificamente. Foi apenas um exemplo da popularização do acesso a outras fontes de informação, como à tv. Poderia ter usado Fábio como exemplo. Michael, nesse caso, imagino, deva ter um efeito claro.

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