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Teoria econômica do fazer m*rda


Por que um manifestante faz algo que evidentemente é contra seus objetivos declarados? Ontem opositores da PEC 55 atearam fogo em carros civis, destruíram pontos de ônibus, placas de sinalização, picharam o museu e tudo mais. Isso só contribui para afastar a opinião pública da sua causa.

Hipótese: o vândalo age para elevar seu status dentro do grupo. Como o status é vago, quebrar um banheiro químico sinaliza: "Vejam só! Eu sou mais comprometido que vocês!".E daí se isso afasta a população? O importante é a posição em relação aos seus pares. Se vocês xingam a polícia, eu jogo pedra. Se vocês jogam pedra, eu esfaqueio um policial... É a mesma corrida por status que faz, sei lá,  que exista carinhas que se endividam para ter o melhor carro do condomínio. Ou aquele que malha até ficar tão bombado que parece o boneco da Michelin.

No caso presente,  contudo, há um descompasso maior entre o resultado dessa corrida individual e o interesse do grupo. A analogia é com o membro do grupo criminoso que provoca a polícia, mesmo sabendo que isso pode gerar retaliação violenta. Ele quer subir de status mostrando que é marrento e comprometido e assume o risco de terminar no micro-ondas  ou no necrotério.

E as lideranças? Ontem, no trabalho, eu conseguia ouvir parte do que berrava o carro de som dos manifestantes. Era um caos. Ouvi: "Hoje é o dia da revolução"; "Vamos botar fogo nessa merda";"peguem pau, pedra e garrafa e vamos resistir". Outros, contudo, pediram tranquilidade e davam instruções para que os manifestantes se protegessem. Os que berravam gritos de guerra, também estavam nessa busca por status. O caos nas ordens parecia refletir a divergência entre os interesses dos manifestantes e os do grupo.

Essa hipótese explica a razão de vários dos vândalos não esconderem o totalmente o rosto ou mostrarem suas tatuagens. Ou seja, eles devem ter alguma possibilidade de serem identificados . E, como a teoria econômica ensina, o sinal tem que custar caro para ser importante. Se não houvesse risco de ser pego, ou mesmo criticado pelas lideranças do próprio movimento, não seria um sinal útil.
Os meus 474.343.248.392 leitores frequentes já perceberam que apliquei a mesma lógica da Teoria econômica de falar m*rda. A diferença aqui é que a divergência entre a "causa" do grupo e o comportamento individual é mais marcante.

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