30/04/2007

Livre-comércio

Alex Tabarrok mandou bem. Qual é a unidade correta para se discutir ganhos de bem-estar do comércio internacional? A nação ou o mundo? Economistas- disse bem Alex - tendem a aceitar a nação como a unidade relevante, esquecendo que esse é só um dos critérios possíveis de agregação dos indivíduos. Perfeito.

Spatial Econometrics Conference 2007

Aqui.

Livros-texto de Nova Geografia Econômica

  • Krugman, Venables and Fujita. The Spatial Economy: Dizem que é bom. Infelizmente, eu não consigo entender. Guardar na pilha "Livros que finjo ter lido". (Foi publicado em Português pela Editora Futura. Ficou mais incompreensível ainda. Que prejuízo devem ter tido!)
  • Fujita and Thisse. Economics of Agglomeration: Mais fácil do que Spatial Economy, mas ainda sofisticado demais frente as minhas limitações técnicas. Além disso, não é muito abrangente e não cobre as questões empíricas relacionadas com a NEG.
  • Baldwin et al. Economic Geography and Public Policy: Impressionante. Eles simplificaram os modelos da Nova Geografia Econômica, fazendo-os tratáveis e passíveis de serem utilizados para examinar políticas públicas.
  • Brakman et al. An Introduction to Geographical Economics: Perfeito. Nem tão difícil, nem tão fácil. Abrangente, trata das questões teóricas e empíricas . Sugiro como o primeiro passo para quem estiver interessado em aprender NEG. Altamente recomendado.

Alguma outra sugestão?

29/04/2007

Knowledge and the Wealth of the Nations

O título do livro é enganoso. Eu sugeriria : "Como Paulo Romer salvou a Economia" ou "Paul Romer, o novo Adam Smith"...Isso refletiria o tom geral da obra. O livro é uma estória do pensamento econômico recente sobre crescimento econômico, mas David Warsh tenta convencer o leitor que tudo antes do Romer era só uma preparação para os seus papers de 1990 e 1996. De qualquer forma, vale a pena ler: cheio de fofocas, e uma visão abrangente dos debates recentes sobre a teoria do crescimento econômico.

28/04/2007

Economia da Felicidade Aplicada em 4 passos

Passo 1 - Veja esse clipe do Herman Düne;
Passo 2 - Ouça a terceira palestra do Jeffrey Sachs (não ouça as perguntas);
Passo 3- Veja esse clip (é o mesmo que #1, mas essa é a versão incompleta, com homenzinhos verdes pulando);
Passo 4- Não há passo 4.

Uma Transação Coaseana

Uma foto supostamente tirada no Rio de Janeiro:

27/04/2007

Um terceiro candidato ao Prêmio Eço

Ele disse que era apenas uma provocação (ver comentários). Não sei, me pareceu pura confusão mental do José Paulo Kupfer:
"Quem não desenvolveu patologias em relação aos gastos públicos, está em condições de entender que aumento de arrecadação é uma coisa e carga tributária é outra. Esta deriva de um conceito relativo, que é função do ritmo de evolução da economia. É possível, portanto, haver aumento de carga tributária, com redução de impostos, e o seu contrário, com elevação da arrecadação (e mesmo dos impostos). Basta que a arrecadação cresça mais do que a economia, no primeiro caso, ou menos, no segundo.

Martelar a redução da carga tributária, sem qualificar o conceito, por curiosa ironia, pode ser uma armadilha que colocará o defensor dessa posição na lamentável situação de ficar contra o aumento dos lucros, da produção, das vendas e da renda das pessoas."

Um economista no paraíso

O blog de Fazeer Sheik Rahim é um dos melhores de Economia que conheço. Pena que não é tão popular e ele não atualiza com muita freqüência.

Por que escrevo um blog?

Um amigo me perguntou como faço para manter um blog atualizado. Eu poderia dar mil explicações, mas a verdade é só uma: procrastinação estruturada. Minha próxima atividade de pesquisa é muito chata: verificar os problemas que aconteceram na junção nos arquivos de shape dos municípios entre 1872-2000. Insuportável. Assim, eu crio outras tarefas. Com isso, eu procrastino e, ao mesmo tempo, me sinto produtivo.
Não é o melhor método para aumentar a produtividade, mas até que funciona.

26/04/2007

Cliometria na LSE

Fêlipe Tâmega Fernandes e Neil Cummings, doutorandos em História Econômica da LSE, organizam um seminário sobre pesquisas cliométricas em andamento. Eu vou apresentar lá, dia 25 de Maio, a pesquisa que faço, com Eustáquio Reis (IPEA), sobre localização econômica no Brasil entre 1872-1920. Felipe, a propósito, é um carioca gente boa da novíssima geração de historiadores econômicos de primeira linha. Vá na página dele e faça downloads agora dos seus papers, porque depois você só vai lê-los no Journal of Economic History.

25/04/2007

Coatsworth versus Engerman & Sokollof

A tese de Engerman & Sokollof ("Factor Endowments, Institutions, and Differential Paths of Growth among New World Economies", publicada pela primeira vez em How Latin America Fell Behind) afirma que a dotação de fatores condicionou o desenvolvimento das sociedades no Novo Mundo. A desigualde inicial na distribuição da riqueza na América Latina levou a instituições que preservaram a desigualdade e restringiram o desenvolvimento econômico.
Eu, no fundo, acho essa estória plausível. Mas tive minha fé abalada ao ler o texto:

Coatsworth, John "Structures, Endowments, and Institutions in Economic History of Latin America". Latin American Research Review; 2005, Vol. 40 Issue 3, p. 126-144.

Ele apresenta várias críticas, mas a principal é a de que a concentração de terras na América Latina não era muito maior do que na colônias britânicas ou mesmo da Inglaterra (!). Com certeza, o debate não vai terminar tão cedo, mas o texto de Coatsworth é essencial.

24/04/2007

Por que Lula ganhou?

Aí vai:

André Carraro – UFPel
Ari Francisco de Araújo Junior- IBMEC/MG
Otávio Menezes Damé – UFPel
Leonardo Monteiro Monasterio – UFPel / ISA- SAS
Cláudio Djissey Shikida – IBMEC/MG

Resumo:
Este trabalho discute os fatores que levaram a reeleição de Lula nas eleições presidenciais brasileiras de 2006. A aplicação dos métodos de econometria espacial mostrou o seu voto esteve concentrado nos municípios menos desenvolvidos. As evidências põem dúvidas acerca da interpretação de que o Programa Bolsa Família foi o determinante da vitória eleitoral de Lula. Esta decorreu, na verdade, dos ganhos de bem-estar da população mais pobres, beneficiada por mudanças no mercado de trabalho de trabalho, baixa inflação e do sucesso exportador da economia brasileira durante o primeiro governo Lula.

Comentários são bem-vindos.

A segunda indicação

Pedro Henrique de Sant'Anna manda mais um indicação para o I Prêmio Eço de Ignorança:

"Lá vou eu dar minha contirubuição:
meu candidato é Kennedy Alencar. Em uma reportagem para a folha de são paulo, ele afirmou no fim da reportagem "Com um meta de inflação menor, aumentará o espaço para a redução de juros".
Isso está totalmente equivocado!
Uma vez que a preocupação com a taxa de inflação aumenta, as reduções das taxas de juros passam a ser mais cautelosas, já que o existe uma defasagem para esta surtir efeito no mercado. Ou seja, uma evz que não é claro o efeito, o BC deverá reduzir o espaço das reduções, e não o contrário.
Esses jornalistas"

23/04/2007

Friedman estava errado

Afinal, existe free lunch. Eu almoço umas três vezes por semana na carrocinha dos Hare-Krishna. Eles param perto da SOAS e servem sua comida vegetariana de graça. Não preciso conversar, nem ouvir suas lições. É um festival de carboidratos e, muitas vezes, eu tenho que complementar com comida de verdade. Mesmo assim, por alto, eu já economizei umas 400 libras (R$ 1600) em um ano. Bem, eu não sou o único que se aproveitou dos Hare-Krishna.

O melhor paper do ano em História Econômica do Brasil

Quem me avisou da existência foi o William Summerhill. Eu tenho os meus pitacos sobre o artigo, mas é muito bom mesmo. Vejam aí o abstract:

Rent Seeking and the Unveiling of ‘De Facto’ Institutions: Development and Colonial Heritage within Brazil
Joana Naritomi

Rodrigo R. Soares

Juliano J. Assunção


Abstract
This paper analyzes the roots and implications of variations in de facto institutions, within a constant de jure institutional setting. We explore the role of rent-seeking episodes in colonial Brazil as determinants of the quality of current local institutions, and argue that this variation reveals a de facto dimension of institutional quality. We show that municipalities with origins tracing back to the sugar-cane colonial cycle – characterized by a polarized and oligarchic socioeconomic structure – display today more inequality in the distribution of land.
Municipalities with origins tracing back to the gold colonial cycle – characterized by an over-bureaucratic and heavily intervening presence of the Portuguese state – display today worse governance practices and less access to justice. Using variables created from the rent-seeking colonial episodes as instruments to current institutions, we show that local governance and access to justice are significantly related to long-term development across Brazilian municipalities

Easterly escreve sobre Wolfowitz

William Easterly, o autor do ótimo Elusive Quest for Growth, reflete sobre o causo-Wolfowitz. Ao invés de falar das fofocas, ele se centra na crise de identidade do Banco Mundial.

21/04/2007

A primeira indicação

O Prêmio Eço recebeu a sua primeira indicação. Um dos melhores economistas brasileiros indica um dos piores. Isto é, Alexandre Schwartsman, que tanto sofreu com as críticas da imprensa "especializada", sugere Antônio Corrêa de Lacerda.
Começo com um candidato ao Prêmio Eço que pela sua (falta de) qualificação deveria ser "hors concours":Antônio Correa de Lacerda, segundo quem um bom parâmetro para a Selic seria a taxa de juros dos papéis em reais no exterior, ao redor de 10% a.a.. Há dois erros nesta nada inocente observação:

1) Os papéis brasileiros no exterior simplesmente não pagam IR, ao contrário da Selic. Por outro lado, qualquer residente no Brasil paga, no mínimo, 15% de imposto na fonte sobre aplicações financeiras. Assim, a taxa de 12,75% (vigentes no momento do inspiriado comentário), deduzidos 15%de imposto (caso a aplicação seja feita por mais de dois anos), se torna 10,84%. Se a aplicação for feita por menos de 6 meses (alíquota de 22,5%) seu rendimento se torna 9,88%. Tirando a CPMF (que também não incide sobre transações com papéis brasileiros no exterior), o rendimento líquido da Selic fica entre 9,55% e 10,47% dependendo do prazo da aplicação. Ou seja, na hora que se computam os impostos, sobra muito pouco dos 2,75% que, segundo o Lacerda, poderiam ser cortados da Selic na semana que vem com base nas taxas dos títulos externos. Talvez porque imposto seja um tópico pouco relevante...

2) Compara-se, na profunda análise do Lacerda, a taxa de juros de um dia com papéis de 10 anos ou mais. Para manter a consistência o professor Lacerda deveria criticar ainda mais duramente o Fed. Afinal de contas, o Fed mantém a taxa de um dia a 5,25%, enquanto a taxa de 10 anos está a 4,75%; pela sua lógica o Fed deveria cortar a Fed Funds em 0,50% (mais do que o BC poderia fazer se tivesse o cuidado de incluir os impostos nas suas sofisticadas contas).

A propósito, Alexandre tem um blog: Mão Visível. Muito obrigado e fico no aguardo de novas indicações.

Zun Zun

Você tem os dados e não sabe que função os representa? Seus problemas acabaram. Chegou Zunzun.

Engauge Digitizer

Com o Engauge Digitizer você converte (de graça!) os dados em gráficos em arquivos excel. É bem útil quando você pega um daqueles gráficos da Kátia Mattoso que apresenta os gráficos de preços, mas não tem os dados base.

20/04/2007

Gregory Clark II

Aí embaixo eu falei do Gregory Clark. Hoje esbarrei com 4 horas e meia de vídeo com a gravação de um seminário dele. Longo demais? Pois é, mas ele trata do crescimento econômico desde o ano 10.000 A.C! Uma ótimo aperitivo enquanto o livro não é lançado.

19/04/2007

The Trap, a maior furada

O documentário The Trap é uma porcaria. Ou melhor: é muito bem feito, mas a tese é insana: o diretor acha que a culpa de todos os males do mundo decorre da criação da Teoria dos Jogos (!!!) pelos malvados da Rand durante a Guerra Fria. Parece brincadeira, mas não é.
Esqueça essa bobagem e deixe rolando em uma janela. Só pare para ver o John Nash e o James Buchanan sendo entrevistados. Isso é bacana.

O homem de vermelho.

Deve ser lenda, mas ouvi dizer que, no passado, os cobradores de dívidas vestiam trajes vermelhos. Evitar a vergonhosa visita do homem de vermelho era um incentivo para pagar os débitos em dia. E se a visita fosse da menininha irada de vestido azul?
(Will Ferrel é um gênio.)

A Montanha Russa dos Preços

Um carinha plotou o preço dos imóveis nos EUA desde 1890 até hoje como se fosse uma montanha russa. O bacana é que você pode aproveitar o passeio. Sensacional e assustador...
(Alguma boa alma com tempo poderia fazer isso com o câmbio real no Brasil. Ia ficar bonito.)

Via Freakonomics.

I Prêmio Eço de Ignorânça Econômica

Eu já usei um texto do Luis Fernando Verissimo na prova de Economia Internacional. Os alunos ganhavam pontos pelo número de erros que encontravam. Havia muitos pontos a serem ganhos.
Confesso que tenho um prazer mórbido em ler besteira. Assim, resolvi criar o I Prêmio Eço de Ignorânça Econômica.

As regras são as seguintes:
- Só valem opiniões publicadas na imprensa;
- Os critérios de premiação são arbitrários, pessoais e inquestionáveis;
- Não existe prêmio, a não ser a minha admiração e gratidão a quem enviar o link.

Pensei em considerar alguns usual suspects como hors concours, mas, ao menos na primeira versão, é melhor deixar aberto a todos. As contribuições podem ser enviadas para o e-mail: leonardo.monasterio.spam (arroba)gmail.com.

Os altos devem pagar mais impostos?

Mankiw e Weinzierl dissem que sim! Na verdade estou exagerando. Eles usam essa argumentação apenas para mostrar que os princípios utilitários de taxação ótima levam a resultados doidos como esse.

(A propósito, você sabe como evoluiu a altura dos brasileiros? Leia aqui.

18/04/2007

Softwares para Análise Espacial

Quer aprender a usar as ferramentas de análise espacial? Bem, aí vão os softwares que eu uso hoje. Todos são gratuitos.

GeoDa: Criado pelo Luc Anselin, ele é facílimo de ser utilizado, permite que análise e econometria espacial possam ser feitas com base em cliques do mouse. É bastante poderoso, mas pouco flexível para aqueles que queiram se aprofundar no assunto.

R: É a versão gratuita do pacote estatístico S-Plus e é o padrão dos estatísticos. Usa interface de texto o que torna as coisas um pouco difíceis para o iniciante. Você tem que programar tudo, mas se vocé um cara bagunçado, tal como eu, vai ver que isso é uma vantagem. Tudo que você faz fica guardado no programa. Contudo, é um software flexível para todas as análises estatísticas e espaciais e uma vibrante comunidade de usuários e desenvolvedores. Os pacotes spdep e o grupo R-Geo em conjunção com outros, permitem que se faça todo o tipo de análise regional e econometria espacial.

STARS: Desenvolvido pela equipe liderada por Sergio Rey na San Diego State University, o STARS , além das estatísticas básicas espaciais, permite que testes desenvolvidos pelos membros do grupo sejam testados. Ainda em desenvolvimento, ele é especialmente útil quando se tem dados espaciais com diversos cortes temporais.

A boa notícia é que os grandes Luc Anselin e Serge Rey juntaram forças e desenvolvem o projeto PySal. Ou seja, em breve, novidades na área.

Quebrou depois de 1400 anos.

Foi bom enquanto durou. Fundada em 576, uma empresa construtora de templos japonesa finalmente faliu.

Via Boing Boing.

Amigo do Bono na Reith Lectures

As Reith Lectures são a mais prestigiosa série de palestras da BBC Radio 4. Bertrand Russel, Arnold Toynbee, dentre outros figurões já estiveram por lá. Nesse ano, o cara é Jeffrey Sachs. Eu li o The End of Poverty: Economic Possibilities for Our Time. É bom, pero no mucho. É evidente que é um livro escrito por alguém muito inteligente e um grande economista. O problema é que ele passa páginas e páginas ou se orgulhando do que teria feito na Bolívia e Polônia ou se defendendo do que fez na Rússia.

De qualquer forma, eu recomendo muito ouvir as Lectures. Na primeira, ele apanhou um bocado na sessão de debates. A segunda palestra é hoje.

Gregory Clark

Ele é uma figuraça. Historiador econômico brilhante, ele deu dois seminários aqui na LSE no mês passado que deram nó na minha cabeça. Suas teses?
1) Não se pode excluir a possibilidade de que a Revolução Industrial na Inglaterra decorreu da seleção de indivíduos mais...hmmm... capitalistas. Sua exaustiva pesquisa histórica mostrou que os ricos tinham mais filhos sobreviventes do que os pobres no pré-Revolução Industrial. Isso teria mudado a composição genética da população e criado as bases para o desenvolvimento que se seguiu.
2) Instituições NÃO importam para o desenvolvimento econômico. Ele mostra que, circa 1300, as instituições das Inglaterra eram mais propícias para o crescimento econômico do que no século XVIII ou XIX.
Claro que ele apanhou um bocado nos dois seminários. Certo ou errado, não dá para deixar de ler. Ele está com um livro no prelo:A Farewell to Alms: A Brief Economic History of the World. Os primeiros 9 capítulos estão disponíveis de graça aqui.

I Congresso Latino-americano de História Econômica

Em Dezembro, ocorrerá em Montevidéu o I Congresso Latino-americano de História Econômica. Todo mundo lá.

O primeiro post

Cliometria, Economia Regional e Desenvolvimento. Estes são os meus interesses presentes de pesquisa. Já naveguei outras praias, mas a intersecção desses campos é o que me motiva hoje.
A idéia desse blog é de ser um repositório do que vou encontrando no ofício diário de pesquisa e enquanto escrevo meu manual de Economia Regional para a graduação.

Seja bem-vindo.