31/05/2009

Revolução Industrial. Por que na Europa e não na China? Por que na Inglaterra?

Duas novas explicações:
-Hans-Joachim Voth (et alii) olha para surgimento do padrão europeu de casamento. (Voth é um ótimo criador de títulos de papers, não?)
-Para Robert Allen, o comércio internacional criou as condições para a Revolução Industrial Britânica: salários altos e energia barata. Note que ele não segue as explicações tradicionais de exploração e busca outros mecanismos mais sutis. (O livro com todo o argumento está aqui. A Economist resenhou o livro).

29/05/2009

Links diversos

- Como sempre, Mestre Duílio faz a minha cabeça girar. Recomendo fortemente.
- David Eltis comenta o livro do Laird W. Bergad, The Comparative Histories of Slavery in Brazil, Cuba, and the United States. Ainda não li, mas o livro do Bergad sobre MG é muito bom mesmo (Escravidão e História Econômica: Demografía de Minas Gerais,1720-1888. São Paulo: EDUSC, 2004).
- Cliometrica.
- Encontro Nacional da ANPEC. Prazo 20 de Julho.

26/05/2009

Escravos Europeus na África

A Economia da Escravidão me ensinou que o trabalho cativo foi o normal. Na sórdida, brutal e longa história humana, o trabalho livre foi bastante raro. Obviamente, o tráfico de escravos também costumava ser um grande negócio, mas eu nunca imaginaria que coisas como essa aconteceram:
"According to one estimate, 7,000 English people were abducted between 1622-1644, many of them ships' crews and passengers. But the corsairs also landed on unguarded beaches, often at night, to snatch the unwary.
Almost all the inhabitants of the village of Baltimore, in Ireland, were captured in 1631, and there were other raids in Devon and Cornwall."
A estimativa- ao que parece exagerada- é que um milhão de europeus foram escravizados por piratas do Norte da África entre 1530-1780. O livro sobre o assunto está aqui.

PS. O autor do ótimo blog Economic History pondera que o termo "escravo" não seria correto, porque a maior parte dos envolvidos era devolvida em troca de resgate. Lembrei então que o Miguel de Cervantes deve ter entrado na contabilidade citada acima.

24/05/2009

56th Annual North American Regional Science Association Conference

Aqui.

Excedente do consumidor

Comunico à praça que a atemoia (R$4,00/kg) superou a bicicleta na disputa pelo bem que gera o maior excedente do consumidor para mim.

20/05/2009

Borges, Mapas e o Método

O próprio Jorge Luís Borges lendo "Del rigor en la ciencia" (Via Boing Boing)

Para acompanhar:
En aquel Imperio, el arte de la Cartografía logró tal perfección que el Mapa de una sola Provincia ocupaba toda una Ciudad, y el Mapa del Imperio, toda una Provincia. Con el tiempo, estos mapas desmesurados no satisficieron y los Colegios de Cartógrafos levantaron un mapa del Imperio, que tenía el tamaño del Imperio y coincidía puntualmente con él. Menos adictas al estudio de la cartografía, las generaciones siguientes entendieron que ese dilatado Mapa era Inútil y no sin impiedad lo entregaron a las inclemencias del Sol y los inviernos. En los desiertos del oeste perduran despedazadas ruinas del mapa, habitadas por animales y por mendigos; en todo el país no hay otra reliquia de las disciplinas geográficas.
Borges pode ser usado em lições de metodologia. Quando alguém reclamar que um modelo é incompleto, sugira a leitura de "El Rigor...". Já se a crítica for que o modelo não considera as espeficidades do objeto, mande o sujeito ler Funes, o memorioso. Duvido que funcione, mas não custa tentar.

PS. Lembrei que nos tempos do Gustibus eu já tinha feito um post sobre o mapa do metro de Londres e Ricardo. Aí vai. O link para a animação não funciona mais, mas encontrei um vídeo equivalente.

19/05/2009

Choque de Culturas

Ricardo Freire narra a retumbante a presença do Martin Feldstein no festivo encontro mundial de Turismo
"Martin Feldstein, economista, professor emérito e urubu
Foi chamado ao palco Martin Feldstein, economista emérito de Harvard, consultor econômico de três presidentes americanos, e — a despeito de ser conservador — um dos membros do conselho de recuperação econômica do governo Obama. Sua tarefa era fornecer insights para superar a crise.
Sem que a direção do evento estivesse totalmente inteirada do teor da sua análise, Feldstein não deixou nenhuma esperança de pé. A crise vai continuar por muitos anos. Os Estados Unidos não têm condições objetivas para se recuperar rapidamente. A Europa está pior, e a Ásia vai a reboque. Depois da pequena reação dos últimos meses, o dólar vai voltar a perder valor. O setor de viagem vai enfrentar tempos muito, muito sombrios.
Quando se abriu a rodada de perguntas da platéia, Sonu Shivdasani (... ) perguntou por que não havia sido colocada uma forca no pátio para quem quisesse usar.
Questionado sobre a África, professor Feldstein disse que é o único continente que, a seu ver, tem como sair dessa mais cedo, pela falta de laços econômicos com o resto do mundo. Informado por um participante da platéia sobre números do Brasil, ele confessou não conhecer o caso brasileiro com a profundidade com que conhece o resto do mundo, e admitiu que talvez pudéssemos enfrentar a barra com menos percalços.
Faltavam menos de 90 minutos para terminar a cúpula, e tudo parecia que ia terminar da pior maneira possível."

Deve ter sido divertido.

Rodrik X Easterly sobre política industrial e crescimento econômico

William Easterly mandou muito bem!
"So here is Dani Rodrik on success and industrial policy: “the countries that have produced steady, long-term growth during the last six decades are those that relied on a different strategy: promoting diversification into manufactured … goods” (cited in Economist’s View).

So Dani concludes, “What matters [for growth in developing countries] is their output of modern industrial goods” and that developing countries will have to get busy with “real industrial policies.” Finally, “external policy actors (for example, the World Trade Organization) will have to be more tolerant of these policies.”

Unfortunately, Dani is also REVERSING CONDITIONAL PROBABILITIES. Dani’s evidence is based on what he believes is the high probability that IF you have had steady growth for six decades, THEN you had industrial policy. This is interesting, but this is not the right probability in deciding whether to choose industrial policy, which is “IF you have industrial policy, THEN what is your chance of steady growth for six decades?
"

Via Brad DeLong.

14/05/2009

Concorrência desleal de verdade

O argumento "concorrência desleal" geralmente vem de alguém que a) nunca entendeu vantagens comparativas; b) é protecionista por interesse próprio. Nesse caso, contudo, a frase pode ser usada. Roubar a chave do rabecão da concorrência- com o defunto dentro- já é demais!

13/05/2009

A crise de crédito de 1294

Isso mesmo: Mil. Duzentos. Noventa. Quatro. Na Inglaterra.

Mais uma mudança

Eu nunca trabalhei na vida, fui só professor. Ser pago para estudar, escrever e falar com plena liberdade faz da vida de professor um dos melhores jeitos honestos de se ganhar a vida. Bem, agora fui aprovado no IPEA para a área de regional/industrial. Tomarei posse no final do mês.
Lamento ter ficado tão pouco tempo na UFABC. Felizmente, como as disciplinas são trimestrais, eu não terei que abandonar os cursos em andamento. Os alunos, funcionários e professores se mostraram muito dedicados e a universidade parece não ter os vícios das federais mais antigas. (A propósito, a UFABC está com um concurso aberto para professor! ). Agradeço e espero que eles compreendam a minha escolha profissional.
Não sei direito o que me espera por lá, nem como é a vida em Brasília. Sempre gostei de morar em vizinhanças jane-jacobsianas e Brasília- ao menos à primeira vista- é o oposto disso. O blog seguirá o mesmo e eu continuarei pesquisando em história econômica quantitativa não só porque gosto, mas também porque estou comprometido com projetos financiados sobre o tema.
PS1: Sugestões de hospedagem temporária em Brasília?
PS2: Nas últimas semanas, eu tive que apagar os comentários de leitores que tratavam da minha posse no IPEA. Peço desculpas, mas eu não queria tratar do assunto aqui antes do tempo.

Lei Seca no Campus Praia Vermelha da UFRJ

Um amigo de faculdade me envia a notícia bomba. Uma boa oportunidade para microeconometristas testarem o impacto da Lei Seca no desempenho dos alunos da Economia da UFRJ.
(Apesar de ser cético quanto aos efeitos da restrição, reconheço que a minha vida teria sido bem mais chata se ela estivesse em vigor entre 1987-1992. Especialmente se a Lei atingisse não só o Sujinho, mas os bares da Lauro Müller, a padaria, o Círculo Militar...).

11/05/2009

Economistas devem ser odiados

Hayek disse que o Marshall disse:
Students of social science, must fear popular approval: Evil is with
them when all men speak well of them
’.

(Curiosamente, não encontrei a referência precisa da citação. Será que o Hayek fazia como o Keynes, que gostava de inventar citações alheias?)

Cultura não importa

Os pedidos de reembolso dos gastos dos membros do parlamento britânica eram secretos. Mas vazou um cd contendo todos os valores que eles pediram reembolso no últimos anos. Adivinhem como foi o comportamento dos membros da mãe de todos os parlamentos? Picaretagem geral. Teve de tudo: gasto com comida de cachorro, homem apresentando nota de Tampax e tudo mais.
Enfim, os parlamentares britânicos agiram da mesma forma que os seus colegas brasileiros quando colocados diante da mesma situação. Por essas e por outras é que eu sou cético quanto às explicações culturalistas.

Galinhas, Caminhões e Path dependence

Quer dizer que os EUA ainda são competitivos nos mercado de caminhões porque- quarenta anos atrás - o governo americano retaliou à proteção européia contra as galinhas americanas??? A história não tem mesmo sentido...
In 1962, when implementing the European Common Market, the Community denied access to US chicken producers. In response after being unable to resolve the issue diplomatically, the US responded with retaliatory tariffs that included a twenty five percent tariffs on trucks that was aimed at the German Volkswagen Combi-Bus that was enjoying brisk sales in the US.
Since the trade (GATT) rules required that retaliation be applied on a non-discriminatory basis, the tariffs were levied on all truck-type vehicles imported from all countries and have never been removed. Over time, the Germans stopped building these vehicles and today the tariffs are mainly paid on trucks coming from Asia. The tariffs have bred bad habits, steering Detroit away from building high-quality automobiles towards trucks and truck like cars that have suddenly fallen into disfavor.

09/05/2009

Parks and Recreation

O gênio Greg Daniels criou um The Office para o setor público: Parks and Recreation. Não é muito engraçado, mas é excelente.

08/05/2009

07/05/2009

A crise de 2008 acabou?

Tomara que seja verdade. Mas uma parte de mim fica meio chateada por pensar que uma das previsões mais corajosas sobre o fim da crise é feita apenas base em um padrão histórico, sem qualquer modelo ou teoria explicativa.

Carlo Cipolla e a Estupidez

O grande historiador econômico italiano Carlo Cipolla, quem diria, escreveu um tratado geral sobre a estupidez.
Eu tenho fé na hipótese de que a estupidez - e não a maldade - é a raiz dos males humanos. Verdadeira ou não, a crença me serve de consolo.
Via Marginal Revolution.

03/05/2009

Por que usar o Ubuntu?

Para proteger os meus cansados pulsos com madelung, eu desisti do meu querido T61 e passei para um desktop com teclado ergonômico. Boa máquina, mas gastei quase 2 horas tirando o lixo que acompanha o Vista.
Ontem instalei o novo Ubuntu. Uma hora depois de começar, o HD foi particionado e o tudo funcionou perfeitamente, inclusive o teclado microsoft e a multifuncional, sem precisar instalar um só driver. Uns 30 minutos depois, todos os softwares que eu usava no T61 já estavam rodando. (No Ubuntu, para instalar os softwares basta selecionar em um lista e pronto. Ele baixa, instala e fica de olho quando sai uma atualização. Nada de ter que ir no site do fabricante, fazer o download e clicar em milhões de "Eu aceito"). Maravilha.

Fábio Pesavento: Um pouco antes da Corte: a economia do Rio de Janeiro na segunda metade do setecentos

Não li ainda, mas já gostei. Eu pedi e o Fábio autorizou que eu postasse a recém defendida tese aqui.
Tese Fábio Pesavento

01/05/2009

Ulisses M. Ruiz de Gamboa, um cliometrista

Eu- misteriosamente - não conhecia os trabalhos do Ulisses. Já faz uns bons anos ele manda ver no estudo das finanças públicas brasileiras no longo prazo e agora ele -junto com o William Summerhill - está tirando esqueletos dos armários fiscais brazucas.
Na semana passada, eu o conheci e vi que - além de tecnicamente muito bom mesmo - ele também é gente boa.