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Criação de novos estado? Esqueça essa idéia

Tá, vou ser sincero: eu sou contra a criação de novos estados e municípios por razões pessoais. É um saco ficar dando "dissolve" no ArcGis para juntar os shapes.
Agora, se você quiser uma análise econômica séria sobre a criação de estados, veja esse Texto para Discussão do Rogério Boueri. Sobre a criação de municípios, o Shikida tem uma dissertação premiada sobre o assunto.

Atualização: o leitor André fez um ótimo comentário sobre o assunto.

Comentários

aí, Leo:
já vou para o texto recomendado. por enquanto, vou sugerindo que minha opinião é oposta à tua: acho que cada município, cada estado, gera milhões de empregos, entre os políticos e seus parentes, mais acentuadamente. o problema é que -Brasil, Botswana e Bolívia- eles ganham rendimentos que mantêm ou expandem a desigualdade no ambiente da proliferação das repartições. concluo: era bom elevarem o salário mínimo (para induzir a busca de ganhos de produtividade) e reduzirem o salário máximo (para reduzirem a criação de municípios, estados e países).
DdAB
Anônimo disse…
Formas de definir tal pretensão: leniência, incompetência, compadrios, potentados, currais eleitorais, mandonismos...a lista é enorme.
Dawran Numida
André disse…
Caro Monásterio,

Quem lhe escreve fala diretamente do Estado do Pará, alvo do plebiscito (arranjado por pretensões políticas espúrias), que me parece muito próximo de acontecer.

Assim como você, sou economista, fiz meu Mestrado e Doutorado na Unesp e Unicamp, respectivamente, e estou lecionando na "futura" capital do Estado do Tapajós, Santarém, na Universidade Federal daqui.

Diferentemente da capital (Belém), o povo daqui respira o plebiscito, e as discussões pró-Tapajós já estão contaminando todo o Oeste do Pará, seja através da mídia eletrônica, blogs, jornais, Tv, enfim, há uma corrente de defensores ferrenhos da divisão por aqui que beira o bairrismo exarcebado, quiça xenofobia em alguns momentos, detalhe, estamos falando de um mesmo estado: o Pará.

Como vive minha vida no Pará, sei das dificuldades em administrar um Estado tão imenso quanto o nosso, e sei o quanto o Norte é esquecido em todos os sentidos, principalmente, o interior dessas regiões. Na verdade, no caso do Tapajós, existe uma história por trás do interesse da divisão, não é algo de agora, tal como vislumbra Carajás, desde do Grão-Pará & Amazonas já se tentou criar o Estado do Tapajós, por isso não os crítico, pois existe uma certa identidade tapajônica por aqui.

Mas, apesar de ser algo justo, sou totalmente contra, e muito embora entenda os argumentos dos separatistas, não vejo um interesse verdadeiro dos políticos locais de melhorar a região. O que me deixa menos aflito é saber que o plebiscito deve e vai ouvir todo o Estado do Pará, , não somente Carajás e o Oeste do Pará, muito embora, há uma mobilização diária dos referidos políticos em colocar, na marra, que somente essas regiões votem, ou seja, um golpe se isso vier a acontecer

Sendo assim, tenho quase certeza que a Região Metropolitana de Belém, Marajó e outras regiões com identidade paraense muito forte irão enterrar as pretensões separatistas por aqui.

De qualquer modo, todo cidadão paraense devia ter mais conhecimento sobre o assunto, porém, na capital e adjacências, somente agora o debate vem ganhando corpo e só agora também foi criado um grupo em defesa da manutenção do Estado do Pará, ou seja, muito boa a ação, mas temo que seja tarde demais

A questão vai muito além de teses, números, previsões ou hipóteses muito bem fundamentadas é verdade, não só nesses materiais que você citou, como de pesquisadores locais dos dois lados que respiram o Estado do Pará. No entanto, só quem vive no interior do Estado sabe o quanto é precária as condições daqui, perto de Belém, por exemplo, ou melhor, só quem vive no Pará sabe o quanto ele é esquecido.

Cabe dizer que esquartejar o Pará não vai solucionar o problema, e penso que vencendo o plebiscito, definitivamente, o Governo Federal e Estadual vão olhar com muito mais atenção essas regiões, criar políticas públicas eficazes, e ter uma atuação mais eficaz no combate das mazelas enfrentadas por nós, nortistas e, fundamentalmente, descentralizar o poder de Belém para os polós de desenvolvimento, seja Mineral em Carajás, seja de Soja no Tapajós.

Bom, sempre que posso acompanho seu blog, inclusive, na minha dissertação de Mestrado, tomei como referência bibliográfica alguns dos seus artigos.

No mais, espero ter contribuído com essa discussão, afinal, sou paraense, e sei que somente com um Pará unido as coisas vão melhorar, quer dizer, já estão lentamente melhorando...

Um grande abraço e aguardo qualquer retorno.
André.
Caro André,
Muito obrigado pelo comentário elucidativo. Vou fazer um update direto para o teu comentário, ok?
Abracos,
Leo.
André C. Carvalho. disse…
Caro Monastério,

Muito obrigado! Adoraria debater mais sobre esse assunto que é de suma importância não só para Amazônia Paraense, mas para todo o Brasil!

Amplexos nortistas,
André C. Carvalho.

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