30/11/2015

Quem se beneficiou da primeira globalização (1870-1913)?

Em The Wind of Change: Maritime Technology, Trade and Economic Development, Pascali usa  como estratégia de identificação as mudanças assimétricas nos custos de transporte decorrentes da introdução do barco a vapor. Isso é brilhante, mas o resultado é meio previsível: os países que tinham boas instituições foram os beneficiados com a primeira globalização.
Claro que eles ganha uns bons pontos comigo por ter um título que faz referência a uma música ruim dos Scorpions

27/11/2015

Por 1,99 você compra minha magnum opus

Douglass North

Não quero dar uma de hipster, mas as melhores páginas do North estão em dois artigos de começo de carreira:
 Location theory and regional economic growth. The Journal of Political Economy, p. 243-258, 1955.
 Agriculture in regional economic growth. Journal of Farm Economics, v. 41, n. 5, p. 943-951, 1959.
Nestes artigos, eles não só criou a Teoria da Base Exportadora, como teve sacadas ótimas sobre a relação entre as características do produto exportado e o desenvolvimento posterior das regiões. (Philipp e eu escrevemos sobre isso aqui.) Essas contribuições de North foram eclipsadas pela sua obra posterior, mais ligada diretamente ao papel da instituições.
Apenas por curiosidade, eu estou com planos de dar um pulo em Duke, ainda durante essas estada nos EUA, para acessar seus arquivos. Ao que parece, tem uma caixa com papéis de sua visita ao Brasil nos anos 1960.

25/11/2015

O que faz o historiador econômico?


O desenho está no artigo Economics and the Modern Economic Historian, que sairá no Journal of Economic History. O texto é ótimo e mostra como a História Econômica entrou na moda. Na verdade, seu autor, Ran Abramitzky, é um bem representativo: ele publicou nos melhores journals e é uma das estrelas do departamento de Economia de Stanford.
O gráfico abaixo mostra como têm aumentado o número de papers sobre história econômica nos journals top-five de Economia nos último anos:


24/11/2015

Diversos




21/11/2015

O prêmio Nobel estava errado

 O Angus Deaton publicou estudo em que concluía que a mortalidade dos homens brancos de meia idade teria aumentado nos EUA. O Andrew Gelman estranhou, pegou os mesmos dados e percebeu que o efeito era resultado da forma de agregação das idades. Fazendo os ajustes corretos, descobriu que, na verdade, a taxa de mortalidade das mulheres brancas aumentou e a dos homens, caiu. Aqui ele elabora mais a questão e apresenta o código em R.
Ciência funciona!!! O prêmio Nobel não é argumento, nem garantia de que o ganhador é infalível. Como já dizia o Francis Bacon em Novum Organum (1620):
"Dados importam, mané."

16/11/2015

Amigos ganham prêmios

Meus colegas da Diretoria no Ipea ganharam alguns prêmios nos últimos dias:

Atualização: O Guilherme Resende ganhou outro prêmio: o do Banco do Nordeste com um trabalho sobre a avaliação do FNE!

Parabéns para todos!

13/11/2015

A "Zona Franca de Manaus" dos Chineses

Em 1964, a China - com medo de guerra - resolveu criar indústrias contra qualquer lógica de localização. Elas deveriam estar em  locais:  “dispersed, hidden, close to the mountains, and when necessary, in caves". Na década de 70, a iniciativa acabou. Surpreendentemente, ao contrário de Manaus, mesmo sem os incentivos, esses locais ainda crescem mais rápido do que outros comparáveis.
Aprendi isso no paper "Industrialization from Scratch: The Persistent Effects of China’s "Third Front Movement"  que vou comentar aqui em Portland no encontro da North American Regional Science.
(A propósito, ainda não vi a clássica figura hipster ou homeless, mas já esbarrei com uns parecidos).

11/11/2015

Médico negro ou branco?

O professor da UFES está errado. Tudo mais idêntico (mesma formação e experiência), faz mais sentido preferir um médico negro a um branco. O motivo é simples: estatisticamente, ele ralou mais do que o branco para chegar onde está. Logo, em média, deve ser mais inteligente ou motivado do que os que tiveram um caminho mais fácil.  Além disso, se ele for bem-sucedido na carreira médica, significa que ele é tão bom que conseguiu vencer o preconceito dos pacientes.

Notas:
1) Claro que é um jeito bem estúpido escolher o médico com base na cor, né?
2) Se foi isso mesmo que a matéria conta, o professor não deveria ser demitido. Deveriam debater, mostrar que o cara está errado, apresentar argumentos etc. A universidade é o lugar para falar besteira e ser criticado; não para ser demitido por ter falado besteira.
3) Em termos do Judea Pearl, a associação inversa entre duas características independentes que contribuem para o resultado é gerada por "conditioning on a collider".
4) Sim, uns 20% do decil mais pobre do Brasil são brancos. O mesmo raciocínio se aplicaria a um médico vindo dessa camada: em média, ele é melhor que um médico com idêntica formação vindo dos estratos superiores.

09/11/2015

Da série: não tenho saudades do passado

No começo do século XIX, a expectativa de vida (aos 5 anos) em Paris era de 44 anos, 5 a menos do que restante da França. E, em 1890, havia uma diferença de 12 anos de expectavida de vida entre os bairros mais pobres e os mais ricos da cidade.
Aprendi isso no texto ótimo de Kesztenbaum & Rosenthal "The democratization of longevity: How the poor became old in Paris, 1870-1940."

(No caso brasileiro, não custa lembrar que a situação era horrível mesmo em 1940.)

07/11/2015

G-computation parece mágica

No ótimo curso Logic, Causation, and Probability fui apresentado aos tais do G-methods. É um jeito muito criativo (e meio estranho, devo admitir) de obter inferências causais a partir de dados observacionais. Os métodos foram criados pelo James Robins, de Harvard, e - até onde sei - só o pessoal da Epidemiologia usou..
A mágica está em tratar o contrafactual como se fosse um problema de missing data e assim calcular o efeito do tratamento. (Tá, é mais complicado que isso, mas essa é a intuição)
Aqui vai um texto didaticão que apresenta até o código em R.

06/11/2015

Safadeza e o Apocalipse em dados


  • Sexualitics: dados sobre 2 milhões de vídeos pornôs. (link totalmente safe for work)
  • Rapture index: quão perto do fim do mundo estamos? Acreditem: um paper do pessoal FMI usou essa variável como instrumento (e o pior é que faz sentido!).

05/11/2015

Liberação da maconha, grupos de interesse e monopólio

Em Ohio, os investidores que bancaram a campanha pró-liberação incluíram na proposta a garantia de monopólio para os seus 10 "maconhais". Resultado: perderam o referendo.
Aqui na California, os pequenos plantadores já temem que a regulamentação estatal os prejudique. E o Estado? Um advogado especializado em maconha afirma que a regulamentação: "is done to create taxable events at the state level for revenue capture".
Parece até  exemplo tirado de  livro-texto de Escolha Pública!

04/11/2015

Wallace Oates (1937-2015)

Ele criou o campo do Federalismo Fiscal. Para uma introdução às suas contribuições sugiro esse texto (cap 10), escrito pelo Rogério Boueri (que foi orientado no doutorado pelo próprio Oates).

Brasil é o pior no critério de responsabilidade fiscal entre as gerações

Jovens, poupai. Está lá no relatório Youthnomics, sobre a situação da juventude no mundo.
(Eu não gosto muito desses indicadores compostos, que misturam um monte de variáveis em um ranking só. Mesmo assim, vale a pena ler.)
Agradeço ao Alexandre Rocha pelo link. 

02/11/2015

Top Income Shares and Inequality in Brazil, 1928-2012 por Souza e Medeiros

Quase um século de análise da distribuição de renda no Brasil.O trabalho impressionante do Pedro Souza e do Marcelo Medeiros é - com certeza- um marco na discussão sobre o desigualdade de longo prazo no Brasil.


(O trabalho foi recém-lançado, mas uma versão anterior já havia sido publicada em 2014. Eu comi mosca e não postei).